Como fazíamos R$100 por dia durante uma viagem para João Pessoa

Neste artigo contarei sobre nosso processo de descoberta de uma nova possibilidade para vivermos viajando e, como isso, poder ajudar quem quer viajar pelo mundo.


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Jan 14, 2019

Oi gente! Pra contar um pouco da minha história preciso dizer que depois de 20 anos vivendo na capital do Rio Grande do Sul, tendo um trabalho fo...

Casal de voluntários em João Pessoa

1. Antes da viagem para João Pessoa

Vivi minha vida toda em Porto Alegre - RS, lá tive um vida profissional que me proporcionava um dia a dia bastante confortável mesmo tendo apenas 21 anos. Eu e meu namorado Pedro, já estávamos no nosso terceiro apartamento alugado quando decidimos viajar e estávamos a pouco tempo desempregados.

Na época estava recebendo meu seguro-desemprego e com ele sabíamos que durante algum tempo teríamos como “sobreviver” viajando, pelo menos até encontrarmos alguma forma de ganharmos dinheiro.

Já havíamos conversado com meu sogro que também estava iniciando sua jornada como worldpacker, e pensamos em vender mini pizzas, brigadeiros. Muitas ideias, mas sem termos noção do quanto custariam e de quanto seria o lucro de nenhuma delas.

Sem pensar duas vezes, vendemos as coisas que tínhamos em casa, como TV, itens de cozinha, quadros, o Pedro até vendeu uma guitarra que ele tinha a mais de 10 anos. 

Com o dinheiro das vendas e um pouco do meu seguro-desemprego compramos nossas passagens aéreas de Porto Alegre para João Pessoa por R$583 cada, e ainda sobrou algo como R$400.

2. Alimentação em João Pessoa

No começo da viagem para João Pessoa, passamos as primeiras semanas fazendo tudo o que queríamos, até porque lá há muitas opções de restaurantes, açaíterias e lanchonetes por um preço bastante acessível.

Houve um dia em que estávamos caminhando na orla procurando algo para jantarmos e vimos uma pizzaria que fica exatamente em frente ao mar e ao “I ♥ JAMPA”. Nos aproximamos para enxergarmos os valores e quase não acreditei quando vi “Rodízio de pizza, massas, pastéis, batata frita, refrigerante e milk-shake por apenas R$30 no dinheiro (no cartão é R$35)”.

Obviamente decidimos experimentar o lugar e acabamos virando conhecidos do gerente contando que éramos Worldpackers e estávamos vindo do sul do país. Mal sabíamos que durante toda nossa estadia em Jampa iríamos ir lá MUITAS vezes graças à ótima qualidade da pizzas e atendimento.

Descobrimos também uma açaíteria que tinha mais de dez tipos de açaí (em Porto Alegre só temos o açaí normal, sem variações), lá provamos açaí com limão, com cupuaçu, com pitaya, enfim... Pagávamos R$25,00 em 500g de açaí com muitos extras.

No dia a dia costumávamos fazer nossa própria comida com o que comprávamos no supermercado de Manaíra.

O melhor de João Pessoa é que fazíamos praticamente tudo a pé, o Uber lá raramente saía mais do que R$10, seja pra onde fosse, então estávamos bastante tranquilos quanto aos meios de transporte.

Depois de muita felicidade proporcionada pelas opções de alimentação, começamos a nos preocupar com o dinheiro.

3. A saga dos brigadeiros

Com a falta de dinheiro veio a necessidade de começarmos a pensar no que iríamos fazer em relação a isso. Decidimos iríamos tentar vender brigadeiros, que é um produto bastante comum entre os brasileiros e que já ajudou muitas pessoas a saírem do vermelho.

De acordo com o que pesquisamos, para fazermos 100 brigadeiros, precisaríamos de mais ou menos cinco caixinhas (395g/caixinha) de leite condensado, cinco colheres de achocolatado e duas colheres de margarina. Fomos então atrás do preço dos materiais e, comprando os mais baratos, conseguimos ter a receita pagando R$20. Combinamos de vendê-los por R$1 cada.

Como o custo era bem baixo, tiraríamos mais ou menos R$80 de lucro.

Nossa primeira tentativa de venda foi na orla, mas como as pessoas já estão acostumadas ao “comércio” da orla, não conseguimos chamar muita atenção. Mesmo que tivéssemos enfeitado todo o isopor (que nossa anfitriã nos emprestou) onde guardávamos os brigadeiros, a venda era pouquíssima para conseguirmos ter dinheiro suficiente para mais de um dia.

Ficamos quase duas semanas tentando vender na orla, caminhando entre as pessoas, na areia, testamos todas as possibilidades de horário e local e parecia que não íamos conseguir nos manter só com os brigadeiros.

Certo dia, quando voltávamos para o hostel, observamos que tinha um sinal de trânsito bem na esquina, e naquele momento nos questionamos sobre porque nunca havíamos tentando vender lá.

Esperamos então o sinal fechar e fomos oferecendo de janela em janela, quando voltamos à sacada tínhamos vendido mais do que durante o dia todo tentando vender na orla!!

A partir desse dia passamos a vender só no sinal e percebemos que lá sim poderíamos tirar o dinheiro necessário para nos mantermos e até para seguirmos nossa viagem. Depois de diversas tentativas e erros com relação a consistência, tamanho, quantidade, encontramos a forma de fazermos dar certo.

Com o tempo fomos aprendendo que esse tipo de abordagem precisa ser feita com muito bom humor e sorrisos bem grandes, pois as pessoas precisam sentir a felicidade de quem vende para que tenha vontade de ajudar também.

Falando em ajudar, com o passar dos dias decidimos fazer uma plaquinha dizendo “AJUDE-NOS A IR PARA RECIFE” (que era nosso próximo destino) e passamos a receber doações além das compras. Inclusive, algumas pessoas se sentiam tão bem com nossa história e abordagem que chegamos a receber R$10, R$20, até R$50  de doação e um convite de carona!

4. Continuidade

A venda de brigadeiros no sinal se tornou nosso “ganha pão” e estamos seguindo nossa viagem só fazendo isso. Já é nosso terceiro destino que conseguimos pagar a ida e também nossos gastos diários.

É possível fazer R$100 reais por dia (contando com as doações), por 2h30min e mais ou menos 70 brigadeiros.

Pensando que trabalhávamos em média 8 horas no mercado formal e ganhávamos R$35 por dia, a ideia de passar duas horas e meia no sinal vendo as pessoas sorrirem e se interessarem pelo nosso estilo de vida é mais do que gratificante!

Já que não pagamos aluguel, luz, água, internet ou produtos de limpeza, ter R$100 por dia é mais do que necessário, inclusive vale adicionar que depois de descobrirmos isso tudo, fomos várias outras vezes no rodízio!

Com tudo o que aconteceu em João Pessoa, e agora em Natal também, enxergamos esse método como uma ótima forma de disseminarmos a ideia de ser um Worldpacker, ajudar a melhorar os dias das pessoas e, claro, termos sempre nossos dinheiro.

Então, qual era seu motivo para não cair no mundão mesmo?



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Jan 14, 2019

Oi gente! Pra contar um pouco da minha história preciso dizer que depois de 20 anos vivendo na capital do Rio Grande do Sul, tendo um trabalho fo...


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