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A falta de motivos para ficar é um ótimo motivo para partir

E aí, quantas vezes o “mas” já te fez adiar ou abandonar seus planos? Seus projetos? Seus sonhos? Um passo a mais em direção à felicidade?


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Hudson

Um carioca com jeito simples, extrovertido, o riso solto e bom de papo. Seguindo cada vez mais le...

Mai 27, 2018

Estrada rural

Costumo brincar que, se deixarem, eu falo umas 7.000 palavras por dia e também consigo ouvir quase esse mesmo tanto de volta.

Em meio a tantas interações, ouvindo tantas histórias e modos diferentes de se levar a vida, e em fases diferentes da vida, eventualmente eu encontro alguém que está a menos tempo viajando e aí eu interrompo a conversa com a seguinte pergunta: e você é / está feliz?

Pergunta simples. Ciente que apenas um sim ou não serão insuficientes como resposta, eu fico mais atento a alguns detalhes dali pra frente. E aí, meus amigos, a conversa fica mais rica ainda.

A resposta costuma ser precedida por aquele movimento de olhos característicos de quem está revisando a memória, conectando os acontecimentos mais recentes com os antigos e ponderando o saldo médio de alegrias e frustrações.

Normalmente, após uma breve reflexão, com um aumento de brilho no olhar, às vezes até levemente marejados, a resposta é um sim. Sim, sou / estou feliz.

Na pior das hipóteses, o que se ouve é que ao menos a situação de infelicidade e incômodo já estão menos intensas do que estavam antes de se permitir partir.

Quando falo em se permitir, é por ter observado que as decisões continuam sendo quase que exclusivamente internas. Pessoas partem pelos mais diferentes motivos, uns por opção e outros por falta dela.

Sim, a falta de perspectivas é onde está é um dos maiores motivadores para partir.

No meu caso foi a falta de opção também, mas consciente que deveria buscar a minha felicidade. Mesmo assim, demorei um pouco a me permitir… Mas acertei, e acertei em muito nessa minha primeira experiência pela Worldpackers: O projeto Ameríndia – Design em Sustentabilidade.

Foi após o carnaval de 2017, quando o ano finalmente começa para muitas pessoas e eu ainda com a lista de promessas do réveillon de 2015 na mão.

A conjuntura era de alguém recém falido, recém separado e que teve que voltar para a casa da mamãe. Porém, apesar disto, estava com corpo, mente e alma relativamente em ordem.

Pensando, pesquisando e planejando quais as possíveis opções para recomeçar a vida profissional e sentimental. Pela ordem, não a alfabética do dicionário, foi logicamente melhor escolher começar pelo profissional.

Atuo na área de construções com o viés sustentável desde 2010. Em minhas pesquisas amadureci a ideia de aprofundar os conhecimentos sobre bioconstrução e permacultura.

A primeira pelo lado profissional e a segunda como práticas a serem adotadas no novo estilo de vida. Já que o meu castelinho caiu, vou escolher a melhor maneira possível de reconstruí-lo.

A internet é sem dúvidas uma ferramenta fantástica e permite adquirir conhecimentos sobre os assuntos mais diversos em textos, pesquisas, fotos e vídeos. Com as ferramentas de comunicação e mídias sociais disponíveis é possível manter a interação com os mais diversos indivíduos e grupos envolvidos em qualquer assunto.

Desta maneira segui por mais alguns meses, percebendo cada vez mais o óbvio de que a teoria é fantástica, mas sem a prática, sem a vivência e sem sujar as mãos de barro, literalmente falando no meu caso, ela ainda seria vazia. 

voluntário em bio construção

Comecei a pensar em como partir com tão poucos recursos disponíveis a mão e adivinhem onde uma pesquisa rápida no Google me levou? Heim, heim?

Worldpackers, é claro! Umas das linhas de intercâmbio oferecidas e justamente a de projetos ecológicos. Bingo!

Próximo passo, por onde começar? Felizmente a plataforma oferece uma grande gama de opções e em diferentes regiões. Em termos de gastos, as ponderações principais serão sobre o custo do deslocamento para chegar ao local escolhido, a quantidade de refeições oferecida e o número de horas trabalhadas.

Este último é importantíssimo para quem pretende conciliar alguma possibilidade de fazer um trabalho remunerado enquanto estiver viajando.

No meu caso eu queria justamente uma carga horária que não fosse tão pequena, meu projeto é de pesquisa e aprendizado.

Portanto, em minha escolha ponderei as horas de trabalho solicitadas com o valor justo que eu teria que pagar por um curso que me oferecesse aprendizado semelhante. Claro que a experiência se demonstrou economicamente viável.

Mais um ponto super positivo da Worldpackers são as avaliações recíprocas que, complementando a apresentação do anfitrião, dão mais segurança para a tomada de decisão.

Fiz o meu cadastro, preenchi o meu perfil com estas informações que compartilho aqui com vocês.

Fica a dica de serem o mais amplo possível nesta etapa, pois facilitará encontros mais proveitosos e produtivos. Afinal, deve ser uma via de mão dupla onde escolhemos e somos escolhidos.

Escolha feita, em outubro de 2017 decidi começar pela Serra do Cipó, em Minas Gerais.

assim parti, tendo a música ‘Preciso me Encontrar’ do Cartola na playlist como a mais tocada.

Nessa mochila tinham roupas, calçados, frio na barriga, ansiedade, algumas poucas dúvidas, coração aberto, disposição e muita boa vontade para fazer aquilo dar certo.

Atelier Ameríndia, Registro do Curso de Bioconstrução

Naquele período de nem tanta sorte na vida, eu tirei a sorte grande de ter um dos melhores anfitriões que me receberam até hoje: Jorge Maron.

Alguém especial, com atitude e estilo de vida alinhada com o que ele estuda, defende e difunde. Pertence àquele grupo de “pessoas bonitas”, onde o conteúdo e o que externaliza supera qualquer impressão exterior inicial.

O Jorge é alguém que assimilou plenamente a proposta da Worldpackers. A convocação foi para participar da bio construção da sede de uma futura ecovila, onde foram aplicadas diversas das técnicas disponíveis neste tipo de obra.

Ele soube dividir bem as tarefas e horários de acordo com o perfil e capacidade de cada um, entendeu que a velocidade do trabalho deveria andar junto com a transferência de conhecimento e prezou pela boa convivência entre os voluntários (3 em média).

Fui com a intenção de ficar duas semanas por lá, acabei ficando um mês. Ganhei muito em aprendizado e em entender também o que representa ser um usuário desta plataforma e do que podemos experimentar.

Conheci uma região fantástica desse nosso Brasil, suas histórias e também pessoas maravilhosas que pretendo rever num futuro próximo. 

projeto de bioconstrução

Em relação ao Jorge e a Ameríndia, o aproveitamento foi maior ainda que tudo isto. Nos encontramos novamente em janeiro na construção de um domo geodésico em São Gonçalo do Rio das Pedras, Minas Gerais, e em março numa outra bioconstrução em Natal, Rio Grande do Norte. A minha primeira viagem me trouxe um amigo e um parceiro para mais outros futuros projetos profissionais.

Tenho a certeza de que os planos traçados foram acertados e, depois de ser recebido por mais alguns anfitriões, que a Worldpackers foi fundamental para minha permanência nesta jornada. Se me fizerem a pergunta do início desta conversa, digo firmemente que sim. Sim, sou feliz neste caminho que estou seguindo.



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Hudson

Um carioca com jeito simples, extrovertido, o riso solto e bom de papo. Seguindo cada vez mais le...

Mai 27, 2018


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