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Palestina Livre #4: a hospedagem e as delícias da culinária árabe

Hoje vou apresentar as instalações do Hostel in Ramallah, onde nós, voluntários, ficamos instalados durante o voluntariado, e também algumas das delícias que a culinária árabe oferece. Prontos? Iala, iala! (Vamos, vamos!)


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Gustavo

Fundador do Trip Voluntária e autor do livro "Africanamente: o que vivi e aprendi como voluntário...

Abr 12, 2018

café na Palestina

Marhaban (olá, em árabe), Worldpackers!

Mais uma semana por aqui falando sobre o voluntariado no Hostel in Ramallah, na Palestina. Espero que, a esta altura, você já esteja de malas prontas pra cá! 

Não esqueça de enviar sua sugestão, crítica ou comentário e, principalmente, de clicar no “obrigado” aí embaixo pra dar uma força e um incentivo para este humilde viajante, tá?

Hostel in Ramallah

O Hostel in Ramallah fica no centro da cidade de Ramallah, ocupando três andares de um antigo edifício da região.

O hostel oferece quartos masculinos, femininos e mistos, além dos privativos. O valor é bastante convidativo para os turistas: 50 NIS (pouco menos de R$50) por noite. As camas são confortáveis, os chuveiros estão sempre com água quente e o wi-fi, apesar de não ser ultraveloz, funciona normalmente em todas as partes do hostel.

O café da manhã é cortesia da casa, mas não espere muita sofisticação: pão árabe, azeite, zaatar, geleia e água quente para fazer um chá ou café solúvel. No entanto, para quem quiser, existe uma cozinha para hóspedes, onde é possível armazenar comida e bebida na geladeira, além de preparar sua própria refeição.

Há também a opção do jantar, que para hóspedes custa entre 20 e 30 NIS, sempre com opções vegetarianas. Para os voluntários, o jantar não é cobrado.

As instalações são limpas e bem conservadas. A decoração é um show à parte e deixa bem claro qual é o clima que impera por aqui: uma mistura do politizado com o irreverente.

Existem placas de sinalização utilizadas pela segurança israelense, fotos de políticos famosos com mensagens bem humoradas, grafites e mensagens dos próprios viajantes nas paredes. As senhas do wifi e os códigos que os hóspedes precisam falar para acessar o prédio também seguem a mesma vibe. Imagine-se, por exemplo, chegando tarde da noite no hostel, interfonando para a recepção e quando te perguntarem qual é a senha, você diz “Arafat é gostosão”.

A melhor parte do hostel, sem dúvida, é o último andar, com uma área comum onde a galera costuma se reunir à noite para jantar, bater papo e se aquecer em frente à lareira nos dias mais gelados. Quando o frio dá uma trégua, a área externa oferece uma vista incrível da cidade de Ramallah e do céu estrelado da Palestina.

area de convivência com lareira do hostel

O hostel é comandado pelos irmãos Chris e Bobo, dois palestinos que já viajaram o mundo e agora trabalham para desenvolver o turismo na Palestina e intensificar a resistência contra a colonização israelense. Duas figuras super carismáticas que te cativam nos primeiros minutos.

Culinária

A culinária árabe é um show à parte: prepare-se para uma explosão de sabores, com muitos temperos exóticos e, às vezes, bem apimentados.

Para começar, que tal provar um sanduíche de falafel ou um shawarma? Os dois são vendidos em quase todas as esquinas de Ramallah, custam muito barato e valem por uma refeição.

Um sanduíche de falafel sai por 5 NIS e um shawarma de carne ou frango custa 13 NIS. Uma boa notícia é que os lanches são bem mais saudáveis que nossos tradicionais cachorro-quente ou X-Salada: o recheio conta com vários vegetais. O pão e a carne ou o falafel (um bolinho de grão de bico frito) garantem a energia para muitas caminhadas pelas ruas sinuosas da Cisjordânia.

falafel vendido na Palestina

Provavelmente ao lado de onde você comprou seu sanduíche haverá também um carrinho de café árabe. Por apenas 2 NIS, você adquire um copo bem grande de uma das bebidas mais perfumadas que eu já conheci. O café árabe é feito a partir da mistura de grãos de café com cardamomo, o que garante um aroma todo especial.

Se existe uma unanimidade na culinária árabe, no entanto, ela é o humus: não há quem resista a essa pasta de grão de bico que utilizada como recheio de pão árabe, com azeite e molho picante, fica irresistível. Particularmente, eu coloco o labneh (coalhada seca) no mesmo nível do humus. Por fim, o babaganush, feito a partir da berinjela, completa o trio de patês que nos faz amar a cozinha árabe.

Para quem está na Palestina, eu recomendo fortemente que prove o fattet hummus, um prato servido no café da manhã mas que vale por uma refeição completa.

Trata-se de um prato de hummus com uma pequena “piscina” de azeite no meio, acompanhada (ou não, no caso dos vegetarianos) de lascas de carne (as mesmas utilizadas no shawarma) e um molho de limão e pimenta. A primeira vez em que você mergulha um pedaço de pão árabe nessa mistura e leva-o à boca, posso garantir, é como se estivesse um pouquinho mais perto do céu.

O prato tradicional da culinária palestina é o Maqluba, que, literalmente, significa “de ponta cabeça”. Ele é preparado a partir da mistura de frango com vegetais, coberto por arroz. Ao final do cozimento, a panela é virada em uma grande travessa, o que dá origem ao nome do prato.

Na sobremesa, além dos tradicionais doces árabes, recomendo um sorvete feito com goma árabe, que fica mais consistente e demora mais tempo pra derreter. Uma delícia!

sorvete de goma árabe

Outros pratos que eu recomendo que você prove antes de deixar a Palestina: as esfihas, o malfuf (charuto de repolho), kebabs (espetinhos) e dennis fish.

E quanto ao álcool?

Os muçulmanos não consomem álcool, mas isso não quer dizer que não existam bebidas alcoólicas na Palestina. Muito pelo contrário: eles produzem algumas das melhores bebidas que eu já provei.

Existe uma cidadezinha a cerca de 30 minutos de Ramallah, chamada Taybeh, que tem um papel fundamental neste assunto. Ela é a única cidade majoritariamente católica da Cisjordânia e nela estão sediadas a cervejaria Taybeh e a vinícola Nadim. Ambas as bebidas são de excelente qualidade. Portanto, se você, assim como eu, é apreciador delas, não perca a oportunidade de provar algumas garrafas!

Por fim, não deixe de provar o Arak, tradicional bebida árabe com gosto forte de anis e que, no Hostel in Ramallah, vem com um toque especial: ela é servida dentro de uma cápsula de gás lacrimogêneo usada pelo exército israelense para abafar manifestações.

bebida siria servida em capsula israelense

Em resumo: quem optar pelo voluntariado na Palestina poderá contar com toda a hospitalidade e as delícias da culinária árabe.

O Hostel in Ramallah é um dos melhores hostels nos quais já me hospedei, daqueles em que você já se sente em casa desde o momento do check-in.

Já com relação à comida e bebida, o único problema é que ela não dura pra sempre: fatalmente o dia de dizer adeus aos falafels, shawarmas, humus e maqlubas chegará, deixando saudades nas nossas papilas gustativas.

Nas próximas semanas, vou contar pra vocês quais são as atividades de cada vaga para voluntariado disponibilizada pelo hostel, assim como vou mostrar as atrações imperdíveis da região.

Até mais, galera!



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Gustavo

Fundador do Trip Voluntária e autor do livro "Africanamente: o que vivi e aprendi como voluntário...

Abr 12, 2018


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