14 aprendizados reais que as viagens me proporcionaram

Muitas pessoas dizem que mudaram depois de viajar. Mas me pergunto, quais mudanças? Por isso compartilho 14 transformações reais que as viagens me proporcionaram aqui.

6min


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Rebecca

Set 30, 2020

Me chamo Rebecca Alethéia, uma mulher negra viajante e cidadã do mundo. Viajar pra mim é mais que lugares e sim histórias. Já viajei 19 Estados bra...

mulheres negras na africa

No meu processo de transformação pessoal, aprendi e tenho aprendido constantemente sobre as razões de se dar mais valor a vida. Saber que muitas pessoas estão agora, sofrendo mais que nós, entre outras respostas simplistas, não me são suficientes. 

Agradecer por não sofrer como outros, pode fazer sentido em uma primeira viagem, e obviamente em um contexto de pobreza. Mas gosto de materializar e me forçar a pensar além de tudo isso. De uma forma mais concreta, confira agora: 

14 aprendizados de viagem que me transformaram



1. Aceitar comidas e bebidas que me são oferecidas

Eu não bebo café já fazem anos, não gosto do gosto. Porém, fui conhecer um acampamento de pessoas sem terra em Minas Gerais e adivinha, a bebida principal de boas-vindas era um copo bem grande da bebida. Nessa situação, beber ou não beber? Eu bebia...

Os meus "luxos" alimentícios eram: não gostar de polenta ou do angu da minha mãe e avó. Ao decorrer dos anos, percebi que meu paladar não passava de uma negação histórica. Odiar nossas histórias e não querer comer pratos típico da população negra, originários da África, fazem parte disso. 

Hoje os conheço como Shima, Chima ou o famoso Fufu - prato mais comum do continente africano.  Este antigo banquete, com seu novo significado, me faz comer até lamber o prato. Descobri de verdade os sabores do quiabo, da cebola e do pimentão, com mais de 30 anos de vida.



2. Aceitar ser a presença ilustre as vezes

Me sentia muito desconfortável em ser convidada para ir em alguma casa e me oferecerem sua melhor comida, talvez a melhor de suas vidas, por conta de que eu era "especial", mesmo eu me sentido como eles.

Nessas visitas, ficaria muito feliz se não tivesse todo um banquete e toda a preparação por conta da minha "ilustre presença". O que eu mais queria era a companhia e o prazer de ter sido recebida naquele lar. Porém, foi preciso entender que para algumas pessoas, não oferecer nada ou oferecer algo "simples" é um insulto.

Me lembro andando pelas ruas de Kulob no Tadjiquistão, quando uma senhora viúva que trabalhava com limpeza de casas me convidou para entrar na dela. Ela fazia sinal de comida e eu entrei, pelo carinho e pelo convite feito. Eu não falava tadjique e muito menos russo e ela não falava inglês, mas entendi o convite. 

Parecia um grande evento eu ter entrado em sua casa, a doutora, a estrangeira, uma casa "simples", como tentava me dizer a todo momento. Ajudei a cozinhar e cortar batatas, tudo no chão. E ela me preparou a sua carne. Oh, eu não comia carne, tive que comer, para muitos países a carne é o prato principal.



3. O lugar simples pode ser o mais aconchegante

Aprendi que damos muito valor à estrutura física da casa, assim como sua decoração. Mas a premissa de que tudo tem que estar perfeito para receber uma visita não passa de uma mera bobagem. 

Quando nosso espírito ou coração são cheios de amor e cumplicidade, transformam o "simples" no lugar mais lindo e aconchegante do mundo.

4. Aprendi a respeitar culturas

 Sim, essas mesmas que muitas vezes nós, viajantes, sempre estamos a comparar e nunca entender seus contextos, cultura e suas histórias

Sei que terei que cobrir meus ombros, e/ou minha cabeça, e/ou meus joelhos ou até amarrar uma capulana na cintura para entrar em repartições públicas de certos países. Para alguns é bobagem ou uma prática muito conservadora. Mas quem sou eu para dizer quem está certo, quem está errado?



5. Aprendi a respeitar o tempo

Aprendi viajando que meu tempo não é o tempo do outro, que os processos de mudança têm sua duração e seu caminho a ser percorrido. Gostaria, claro, que muitas pessoas não sofressem o que sofremos na pele e que nossos erros pudessem ser compartilhados com o intuito de minimizar algumas dores. 

Mas não, tudo tem seu processo e eu tenho que respeitar. Cada país e cada cultura tem o seu tempo de transformar-se.

6. Aprendi também que não sou a dona da razão 

Nem sempre tenho razão e não tenho todo o conhecimento do mundo. Cada dia que passa aprendo coisas novas, aprendo que ouvir e me calar é, acima de tudo, a melhor coisa que eu tenho a fazer. 

Não posso considerar que as leis do meu país sejam as mesmas por onde eu andar. Até por que,  o Brasil ainda tem muito o que mudar.



7. Aprendi que não é o dinheiro que me abre as portas

Mesmo que a maioria dos países que passei sejam corruptos, o que me abre as portas é a educação e o respeito. Bom dia, boa tarde, boa noite, por favor, obrigado. São palavras que cabem em todo o lugar.

8. Aprendi que nem todo mundo é mal e perverso 

Diferente do que se escuta pelo mundo, existem mais pessoas fazendo e cultivando com o intuito de ajudar. 

Em minha experiência em Grenada,  no Caribe, pedi ajuda a um rapaz que não tinha a mão. Ele me ajudou, até a polícia vir atrás de mim me questionar qual a relação que eu tinha com aquele rapaz.

Eu não tinha nenhuma relação com ele, apenas tinha pedido algumas informações. Foi neste momento que eu conheci a delegacia, onde ele me explicou que o rapaz não tinha a mão por ter cometido roubo.

9. Vivenciei na prática a solidariedade feminina africana

Dentre tantas histórias me recordo de quando viajava para o Reino de Eswatini e não sabia que fazia frio. Estava despreparada, até que uma mulher veio até mim e me doou uma capulana (tecido africano) e uma blusa.



10. A me defender enquanto mulher negra e latinoamericana

Me defender como mulher negra e latina no sentido de ter que dizer em alto e bom tom: Não ao racismo, machismo e homofobia em qualquer lugar.

11. Aprendi a me proteger 

Mesmo que esta não seja uma prioridade para outros, eu sei que terei que arcar com alguns custos mais altos, como hospedagem e táxi em nome da minha segurança. Viajar de noite nem sempre é a melhor escolha dependendo do lugar do mundo que eu estiver.



12. Aprender a língua local é sinal de respeito

Algumas palavras já fazem toda a diferença. Sei que não posso me forçar a aprender o mais rápido possível, que tudo tem o seu tempo. 

Mas ressalto a importância de eu ter aprendido, ou me enquadrado, ao português dos países lusófonos e não exigir que eles falem o meu português, até porque, eu estou no país deles.

13. A comida na Europa é puro plástico

Aprendi na pele em uma viagem rápida pela Bélgica, depois de viver 9 meses na África, que comida na Europa é puro plástico. A comida tem cor e tamanho de agradar os olhos. Mas elas são falsas, são puros veneno. 

Além de não ter sabor nem cheiro, não tem sementes. Foi ali que aprendi o valor do verdadeiro produto orgânico. Vejo que mesmo na África, os agrotóxicos vêm tomando conta das prateleiras das farmácias e dos plantios populares. É o triste reflexo de uma referência eurocentrada.

14. Aprendi que o meu país é o mais fascinante do mundo



Mesmo discordando de muitas leis e da política em curso, o mundo inteiro nos conhece, quer conhecer ou já conheceu o Brasil. Além do nosso país ser bonito e incrível a nossa língua é linda. Não há quem não tenha suspiros em nos ouvir falar cantando e terminando muitas frases com a letra i.

Sendo assim, eu, Rebecca Alethéia sigo aprendendo e descobrindo diariamente as transformações reais que as viagens proporcionaram na minha vida. E você, quais são as suas transformações reais após suas viagens?


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Rebecca

Set 30, 2020

Me chamo Rebecca Alethéia, uma mulher negra viajante e cidadã do mundo. Viajar pra mim é mais que lugares e sim histórias. Já viajei 19 Estados bra...


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