Da Califórnia ao Chile: o roteiro do meu ano sabático

Este artigo detalha meu roteiro de um ano pela América Latina, incluindo dicas de destinos, tempo aproximado em cada lugar, custos médios para ter como base e sugestões de lugares para voluntariar pelo caminho.


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Carolina

Caiçara desbravando a América Latina! Yoga, permacultura, natureza e muita alegria! Cola com a ge...

Set 14, 2018

voluntária na Colômbia

Este itinerário abrange dez países, terá a duração de um ano e aqui eu compartilho tudo com vocês!

Claro, nenhum itinerário é perfeito, e nunca há tempo suficiente para ver tudo, mas este lhe dará uma ótima base para ver todos os destaques. É claro que você sempre pode mudá-lo, adicionando ou pulando destinos de acordo com a sua viagem.

Durante o planejamento do meu mochilão, que acabou virando um ano sabático, decidi que mesclaria experiências Worldpackers com hospedagem comum paga, porque havia lugares que eu queria apenas conhecer e outros que gostaria de passar um tempo e viver como um local.

Iniciei a jornada passando dois meses como voluntária no ITH Beach Bungalow em San Diego e no projeto social Gleaning for the Hungry, ambos na Califórnia, para aprimorar o inglês mas aqui vou detalhar o trajeto latino-americano!

Pensando no que julgo importante na vida de um viajante, decidi por esses itens como base de cálculo de custo de vida em cada país e/ou região que passei (prioridades, não é mesmo?):

  • Diária de hostel, quarto compartilhado;
  • Prato feito;
  • Cerveja (de lata a 1l);
  • Transporte coletivo.

Bom, esse é meu roteiro sabático para cruzar a América Latina. Não abrange todos os países por algumas questões políticas e de conflitos que têm ocorrido na América Central e também por questões pessoais (tive que pular o Equador porque quero passar meu aniversário mês que vem em Machu Picchu!). Vamos lá:

  1. México (Q. Roo)
  2. Belize
  3. Guatemala
  4. México (Chiapas)
  5. Costa Rica
  6. Panamá
  7. Colombia
  8. Peru
  9. Bolívia
  10. Chile

1. Gastos da viagem (após seis meses na estrada)

Até o momento, faltando seis meses para completar um ano inteiro de viagem, eu gastei R$ 17 mil reais incluindo tudo:

  • Passagem para a Califórnia;
  • Seguro viagem de 1 ano;
  • Perdas com o dólar que subiu 25% desde que eu comecei a viajar em fevereiro;
  • Diversas perdas de viajante iniciante, como 2 passagens aéreas que comprei e mudei de ideia depois (e mudar o voo custava mais que comprar outro) além de falta de planejamento financeiro e de trajeto, seja porque gastei mais por não ter pesquisado direito um determinado destino/transporte/hospedagem ou porque não acompanhava meu gasto semanal/mensal.

A cifra parece alta, e de fato é. Mesmo tendo aproveitado bastante e conhecido muita coisa (considerando que Califórnia e América Central são caros!), tenho consciência que poderia ter gasto menos, talvez de R$12 a R$14 mil reais. Mas o que me consola é saber que muitos mochileiros já passaram por isso e fica aí o aprendizado, rs. 

Além de tudo isso, existe a questão “ser mulher viajando sozinha”. Infelizmente ainda não podemos simplesmente viajar e se hospedar em qualquer lugar, pegar alguns tipos de transportes super baratos e/ou carona em qualquer lugar, etc. 

Eu particularmente luto todos os dias (escrever é uma das formas) para que mais mulheres viagem sozinhas e ocupem seus lugares de direito, porém enquanto não temos segurança o suficiente para isso, cuidar-se em dobro é essencial. É isso implica em gastar mais às vezes. 

Mas a notícia boa é que aqui na América do Sul já percebi que vou gastar bem menos! A previsão é de gastar mais uns R$ 5 mil entre Peru, Bolívia e Chile. Para fechar, vou fazer mais voluntariados e work exchanges porque quero passar mais tempo nesses lugares.

Pra fechar, pretendo trabalhar no Chile também para recuperar um pouco do dinheiro gasto. Sei que no Atacama rolam boas oportunidades para brasileiros em agências de turismo e em Pichilemu (litoral sul de Santiago), vou dar aulas de Yoga num hostel num sistema de donation based (vou fazer work exchange no hostel e, durante as aulas, posso ganhar gorjetas de quem participar da aula).

2. Itinerário do meu ano sabático pela América Latina

México (Quintana Roo) | 16 dias aproximadamente

Iniciei a viagem aterrizando no aeroporto de Cancún desde Los Angeles, no estado mexicano banhado pelo maravilhoso mar caribenho!

É uma região mais cara justamente por estar no Caribe, porém famosa pelas praias belíssimas, cenotes de tirar o fôlego e algumas ruínas Mayas (porém não as maiores).

O que fazer?

  • Explorar na pequena ilha ainda pouco conhecida de Holbox;
  • Se é amante do mergulho, Cozumel é o destino;
  • Conhecer os encantadores e inúmeros cenotes dos arredores de Tulum;
  • Relaxar na lagoa dos muitos tons de verde e azul de Bacalar.

Opções extras: Isla Mujeres, Chichén Itzá, Playa Carmen (esse último eu passei para poder pegar a balsa a Cozumel e particularmente não gostei, muito turístico).

Custos médios, em MXN (1 MXN = 0,20 BRL - ago/18):

  • Diária de hostel, quarto compartilhado: a partir de 180 MXN;
  • Prato feito: a partir de 100 MXN;
  • Lata ou long neck de cerveja em hostels e bares: 30 MXN;
  • Transporte coletivo: Viação ADO é a mãe dos mochileiros! Preço justo e serviço de qualidade. O preço varia conforme o trecho, porém pode usar sem medo de ser feliz!

Ilha Holbox, Mexico

Belize (Ilha Caye Caulker) | 4 dias aproximadamente

Essa ilhota é destino para curtir e descansar no melhor estilo “go slow” dos belizenhos! Muito reggae, calor, café gelado e visuais lindos.

Eu passei 10 dias porque consegui hospedagem grátis (sim, existem mais pessoas boas que ruins no mundo!) e precisava fazer uma pausa entre viagens.

O que fazer?

  • Mergulho com snorkel (cilindro é desnecessário pois é relativamente raso e a visibilidade é maravilhosa!) na 2a maior barreira de corais do mundo, perdendo apenas para o da Austrália;
  • Ler um livro enquanto toma sol na praia Split (o nome vem da passagem de um furacão na década de 60 que separou a ilha em duas partes);
  • Tomar um café gelado enquanto assiste o pôr do sol no mar.

Opções extras: visita ao Blue Hole (caso você seja amante do mergulho, pois custa bem caro, cerca de 200 USD!)

Custos médios, em BZD (1 BZD = 1,95 BRL - ago/18):

  • Diária de hostel, quarto compartilhado: 22 BZD;
  • Prato feito: a partir de 8 BZD;
  • Garrafa de cerveja (apenas long neck): 3 BZD no mercado;
  • Transporte coletivo: como trata-se de uma ilha com 2km de comprimento é possível fazer tudo a pé, mas o ferry de Belize City ida e volta custa 50 BZD.

Ilha Caye Caulker, Belize

Guatemala | 15 dias aproximadamente

Cultura viva, pura, um sincretismo diário! Defino assim a Guatemala, um país que ganhou meu coração com seu povo, contrastes, paisagens únicas e muita cultura Maya presente até os dias de hoje, mesclada com a de seus colonizadores espanhóis.

O que fazer?

  • Passar o dia na charmosa Flores e usá-la de base para visitar as ruínas mayas de Tikal (vá de madrugada para assistir ao nascer do sol do topo de uma das ruínas em meio à selva - é sensacional);
  • Se refrescar nas piscinas naturais do parque Semuc Champey e descer o rio de tubing;
  • Caminhar pelas ruas coloniais de Antígua e subir os 3 vulcões que a permeia;
  • Enlouquecer em Chichicastenango, o maior mercado de artesanato indígena da América Central;
  • Relaxar nos povoados do Lago Atitlán.

Opções extras: Xela (Quetzaltenango), praia El Paredón.

Custos médios, em GTQ (1 GTQ = 0,52 BRL - ago/18):

  • Diária de hostel, quarto compartilhado: a partir de 35 GTQ;
  • Prato feito: a partir de 15 GTQ;
  • Lata de cerveja: a partir de 8 GTQ em bares;
  • Transporte privado: média de 120 GTQ por trecho de 8h. Há a opção mais barata que são os chicken bus porém demoram muito mais tempo e você precisa pegar diversas conexões.

Ruínas Mayas em Tikal, Guatemala 

México (Chiapas) | 6 dias aproximadamente

O Estado mais pobre do México é um dos mais ricos em recursos naturais e cultura, pois antigamente pertencia à Guatemala, portanto a semelhança cultural indígena é bem grande.

O que fazer?

  • Se perder por San Cristobal de las Casas caminhando por essa cidade colonial charmosa e cheia de entretenimento alternativo como exibições de documentários e feira orgânica local, por exemplo, além de desfrutar de cafés incríveis e comida boa e barata;
  • Visitar as ruínas da cidade Maya de Palenque;
  • Conhecer a comunidade rebelde autônoma Zapatista deOventik, há 1h de San Cris.

Opções extras: Cânion do Sumidero e Cascata azul.

Custos médios, em MXN (1 MXN = 0,20 BRL - ago/18):

  • Diária de hostel, quarto compartilhado: a partir de 95 MXN;
  • Prato feito: a partir de 40 MXN;
  • Lata de cerveja: a partir de 10 MXN no mercado;
  • Transporte coletivo: ADO salva!

Mural de um caracol Zapatista, Chiapas, México

Costa Rica | 60 dias aproximadamente

Pura vida, mae! Você provavelmente vai ouvir isso muito lá em vez de obrigado, olá ou tudo bem.

Esse canto carinhoso da América Central tem uma vibe super pacífica (o país não tem nem exército) e com respeito à natureza, portanto se você curte surf, praia, trilhas, é o lugar certo! O único ponto negativo é o custo de vida, super caro para viajantes, por isso encontrar um voluntariado é essencial para o bolso!

Além disso, como eu fiquei mais tempo em Santa Teresa (e trata-se de uma praia com muitas opções de bares e restaurantes), encontrei um trabalho temporário com facilidade: era garçonete em um bar de esportes e trabalhei nos dias de jogos da copa do mundo! 

Ganhava uma grana e ainda me divertia com os torcedores (por vezes sofria com eles). Vendi minha câmera também, pois além de não ter mais vontade de sair com uma câmera profissional fotografando, ela e seus acessórios pesavam nas minhas costas, e lá encontrei um bom comprador.

O que fazer?

  • Curtir a mais pura vida costarricense na encantadora praia de Santa Teresa - lá eu passei 40 dias como voluntária no La Posada Hostel, e foi difícil partir deste paraíso no Pacífico!
  • Passar o dia nas praias de Montezuma e Cabuya;
  • Ir a La Fortuna conhecer o Rio Celeste e vulcão Arenal;
  • Caminhar sob a copa das árvores nas pontes suspensas e bosque nublado do Parque de Monteverde;
  • Conhecer o lado caribenho da Costa Rica em Puerto Viejo - lá eu passei 1 semana como voluntária no Blue Butterfly Hotel.

Opções extras: Parque Cahuita, Manzanillo, Manuel Antônio e Corcovado (a Costa Rica tem mais de 25% do seu território protegido por parques nacionais!).

Custos médios, em CRC (1 BRL = 145 CRC - ago/18):

  • Diária de hostel, quarto compartilhado: a partir de 5000 CRC;
  • Prato feito: a partir de 2500 CRC;
  • Costa Rica tem cerveja de litro, viva! 1350 CRC no mercado;
  • Transporte rodoviário: a partir de 5000 CRC, em média.

Pôr do sol em Santa Teresa, Costa Rica

Panamá (Arquipélago de Bocas del Toro) | 4 dias aproximadamente

O arquipélago de Bocas del Toro é curioso pois é um Caribe mais autêntico, onde os próprios locais descendentes dos indígenas comandam o turismo (isso não é muito comum). Portanto não espere muita estrutura, mas espere muitas belezas naturais!

O que fazer?

  • Pegar um barco até a ilha Cayo Zapatilla;
  • Passar o dia nas praias da Ilha Bastimentos, Red Frog e Star Fish.

Opções extras: arquipélago de San Blas e Cidade do Panamá.

Custos médios, em BLB (1 BLB = 3,91 BRL - ago/18):

  • Diária de hostel, quarto compartilhado: a partir de 8 BLB;
  • Prato feito: a partir de 6 BLB;
  • Lata de cerveja: a partir de 0,80 BLB no mercado;
  • Transporte coletivo: como trata-se de um arquipélago o ferry ida e volta custa 12 BLB.

Cayo Zapatilla, Bocas del Toro, Panamá

Colômbia | 40 dias aproximadamente

Que terra boa! A Colômbia me pareceu muito semelhante ao Brasil no que diz respeito à diversidade, seja de paisagens, clima, pessoas ou comida. Além disso, o país tem muita história pra contar (boas e tristes), da época colonial até os dias de hoje.

O que fazer?

  • Caminhar pelas ruazinhas cheia de flores e cores da cidade amuralhada (e calorenta!) de Cartagena;
  • Relaxar na vila de Taganga, em Santa Marta;
  • Perder o fôlego no Parque Tayrona, seja pelas paisagens maravilhosas ou pelas longas trilhas (mas prometo que vale MUITO a pena, reserve 2 noites lá pelo menos);
  • Assistir o pôr do sol tomando um café (sim, café na praia) na hippie Palomino;
  • Conhecer a famosa Medellín, ganhadora do prêmio de cidade mais inovadora do mundo em 2017;
  • Subir a pedra Peñol e conhecer a Finca Manuela (casa de campo de Pablo Escobar) em Guatapé;
  • Visitar fazendas de café nos arredores de Salento (Eje Cafetero) além do Vale de Cocora onde há as palmeiras mais altas do mundo;
  • Fazer um voluntariado de permacultura na Fazenda Terra Yai.

Opções extras: Ilha de San Andrés, Minca, Deserto de La Guajira, Bogotá, Cali, Las Lajas e Deserto de Tatacoa.

Custos médios, em COP (1 BRL = 750 COP - ago/18):

  • Diária de hostel, quarto compartilhado: a partir de 18 mil COP;
  • Prato feito: a partir de 8 mil COP;
  • Long neck: a partir de 2 mil COP;
  • Transporte rodoviário: cerca de 8 mil COP/ hora viajada.

É praticamente obrigatório a leitura das obras de Gabriel Garcia Marquez (principalmente “Cem Anos de Solidão”) se você pretende conhecer a Colômbia como ela realmente é. 

O mestre do realismo mágico faz você enxergar a tudo de uma forma divertida (por vezes sofrida), porém verdadeira. E quando se está na Colômbia como estou agora é inevitável não identificar e se encantar com todas as referências que Gabo usava em seus livros como cores, calores, contextos e pessoas!


Parque Tayrona, Colombia

E aqui completo seis meses até agora. Ainda me falta Peru, Bolívia e Chile, onde o planejamento é o seguinte (sujeito a mudanças, obviamente, pois essa é uma das grandes graças de viajar!):

Peru | 30 dias

  • Destinos: Lima, Linhas de Nasca, Dunas de Ica, Ancash, Parque Nacional Huascarán, Cuzco, Machu Picchu, Montanha 7 cores e Ollantaytambo;
  • Opções extras: Iquitos, Kuelap, Chan Chan, Caral, Arequipa.

Bolívia | 10 dias

  • Destinos: Salar de Uyuni, Lago Titicaca (Isla del Sol) e Parque Madidi;
  • Opções extras: Potosi, Fuerte de Samaipata, Sucre, La Paz.

Chile | 90 dias (sim, eu amo o Chile!)

  • Destinos: Deserto do Atacama, Parque pan de Azúcar (praia de Chañaral e praia Virgem), Santiago, Valparaíso, Viña Del Mar, Pichilemu como voluntária no Pati Perro Hostel e Torres del Paine (Patagônia chilena);
  • Opções extras: Chiloé, praias de Concepción, Pucon.

Em breve volto para atualizar a minha jornada de um ano sabático cruzando as Américas, mas por hora tenho muita América do Sul pela frente!

Qualquer dúvida, é só me deixar um comentário aqui no final do texto. Ou então, para detalhes mais completos ou até dicas específicas pra sua viagem, me envie uma mensagem aqui pela Worldpackers ou deixe um comentário.

Como a própria autobiografia de Gabo diz, “Vivir para Contarla”, então, bora!


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Carolina

Caiçara desbravando a América Latina! Yoga, permacultura, natureza e muita alegria! Cola com a ge...

Set 14, 2018


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