Como a busca do meu propósito me levou ao encontro da Worldpackers

Existem momentos na vida que precisamos assumir os riscos e seguir em frente, mesmo que isso inclua deixar um trabalho e o modo de vida que você levou anos para construir.

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Lana

Mai 11, 2020

7min

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Caindo a ficha 



Em agosto de 2019, após três anos sem viajar, tirei 15 dias de férias fui à Salvador.

Durante longas caminhadas notei como há muito tempo não me sentia tão bem e tão feliz. Comecei a fazer muitas reflexões de como eu estava vivendo e, pela primeira vez, sentia estar desconectada do mundo.

Percebi que há anos vivia num looping de intenso trabalho. As prioridades sempre eram a minha família e os meus sonhos foram colocados de lado. 

Passei então a questionar tudo: o modo como eu estava vivendo e quais eram as minhas prioridades. A única conclusão que tive naquele momento era que não tinha certeza de mais nada, apenas de um grande vazio existencial que tinha se instalado dentro de mim.

A grande sacada


Falo daquele vazio quando se percebe que muitas coisas já não fazem mais sentido. Percebi que tinha caminhado durante anos e chegado a lugar algum ou simplesmente longe do que eu queria, ou sonhava, ou de coisas que me faziam sorrir de verdade, ou então o tão famoso e perseguido, propósito. 

Nunca tinha entendido o que isso significava ao certo, mas compreendi e senti durante aquelas reflexões, que o nosso propósito está ligado diretamente como aquela felicidade interna, que faz você sorrir por segundos ou minutos, mas te enche o coração e te mostra que você está na direção correta.



Essa grande sacada - de você se perceber e ver o seu íntimo - é tão maravilhosa e, ao mesmo tempo, é tão libertadora, porque algo lá dentro se quebra e se desfaz, e você percebe que nunca mais será a mesma. 

Nesse período experienciei uma morte em vida, muitas coisas se quebraram dentro de mim, muitas verdades e crenças deixaram de ser importantes ou existir, foi muito intenso. 

Percebi ao mesmo tempo, que renascia como uma fênix, eu estava pronta para deixar o velho e recomeçar.


Viajando sozinha mesmo com uma família 

Minha conexão com o meu propósito

Cheguei disposta a me reconectar com os meus sonhos, os meus desejos, comecei a ler de tudo e sobre muitas coisas, lugares, viagens e numa dessas leituras descobri a plataforma Worldpackers! 

Delirei com essa descoberta! Viajar em troca de hospedagem e às vezes alimentação era incrível! Meu coração disparou! 

Comecei a ler vários relatos sobre os viajantes e dos anfitriões e imaginar como seria maravilhoso se eu também pudesse viajar como voluntária. Mas pensava que precisava esperar o momento certo para essas viagens acontecerem, o da grana sobrar, do trabalho desafogar, dos filhos serem mais independentes e, no fundo, sentia uma grande insegurança de não ser “o tipo jovem viajante”.

Sabendo lidar com a frustração


Então resolvi comentar com um amigo próximo, sobre a plataforma, e ele meio no deboche me olhou e disse: 

“Lana, essas coisas de você trabalhar com o que gosta, é balela, a vida é dura, trabalho é sinônimo de responsabilidade e ponto! Essa plataforma é para jovens, que ainda não tem responsabilidade de uma casa e de trabalho, não é pra você!” 

Sim… Foram exatamente as palavras que ele usou. 

Voltei para casa incomodada, talvez se eu não tivesse passando por esse momento de transformação, ali ele teria apagado todos os meus sonhos. 

Fico a pensar quanto desses amigos, ou familiares próximos costumam fazer isso, não por maldade ou algo parecido, mas por ser a verdade deles e do que eles acreditam.

É preciso estar atentos com essas falas para não perdemos o controle da nossa própria vida. Muitas vezes, buscamos inconscientemente a aprovação de outras pessoas (nem sei por que), talvez seja por um sentimento de culpa por estar pensando em tomar uma decisão diferente do que sempre fez ou algo parecido, ou até por pura insegurança.

Olhe para dentro de si mesmo, você sabe muito bem o que é melhor para sua vida e mais ninguém. Então siga o teu coração e a tua intuição e vai sem culpa e jamais se preocupe com o que os outros vão dizer.



A decisão


Essa fala - que era a verdade dele, e não a minha - serviu de gatilho para o meu start. 

Muitas vezes somos desafiados dessa forma, seja em nosso trabalho ou em alguma tomada de decisão. É necessário ter muita força de vontade e perseverança para não desistirmos nos primeiros obstáculos. Como se a vida te dissesse: 

"- E aí? Tá disposta ou não a lutar pelo o que você quer?"

Então comecei a procurar lugares próximos a minha cidade, locais onde eu poderia ir com meu carro caso eu não me adaptasse de alguma forma, voltaria. 

Apliquei em três locais diferentes e pensei "quem sabe um deles me responda". Então para a minha surpresa, no dia seguinte recebi a confirmação de um dos anfitriões, chorei muito em frente ao computador, fiquei muito emocionada e realmente feliz. 

Agora era real: minha jornada estava só começando!


Minha primeira experiência voluntariando com a Worldpackers

As primeiras experiências como voluntária


Acabei fazendo duas viagens curtas uma de 15 dias e outra de 7 dias, já que eu ainda estava trabalhando e tinha muitos compromissos. 

Logo após a primeira viagem, já tinha certeza que era isso que eu queria fazer pelos próximos anos. 

Vi o quanto era maravilhosa essa experiência, estar com outras pessoas de diferentes lugares, a troca, os novos conhecimentos, me senti tão feliz e realizada. Tive clareza que não adiantava eu esperar o momento certo, ele nunca chegaria, eu realmente teria que criá-lo.


Isso aconteceu final de outubro de 2019. Decide que em dezembro sairia do meu trabalho e em março de 2020 viajaria de mochilão sem data pra voltar. Preparei dois roteiros: um viajando por todo o Brasil e outro pela América do Sul. Ainda não sabia qual seria o trajeto inicial a única certeza era que eu iria.

A grande surpresa


Então algumas surpresas incríveis aconteceram: recebi três convites entre novembro e dezembro, um na cidade de Canela, outro de um projeto no Equador e outro no Nepal para ensinar inglês para crianças! 

Imaginem quantas lágrimas e quanta emoção! Sentia estar sendo guiada pelo universo e minha rota tinha sido decidida.



A preparação


Então minha primeira parada seria em Canela e depois viajaria por toda América do Sul, começando pelo Uruguai depois Argentina, Chile, Peru até o Equador. Depois voaria para o Nepal, confesso que essa parte eu não sabia como aconteceria, mas tinha certeza que daria certo!


Dia primeiro de março me despedi da minha família e, pela primeira vez, viajaria sem data certa para voltar. Eu e meu mochilão carregado de roupas e um turbilhão de sentimentos que nem consigo descrevê-los, uma mistura de ansiedade com medo muito frio na barriga e um sentimento único de felicidade e a certeza que mesmo não sabendo como seria daria certo.

Hoje estaria na Argentina, mas infelizmente a pandemia acabou mudando todos os planos. Precisei retornar para casa, assim como milhares de viajantes. Sei que é um momento difícil, mas sinto que se fazia necessário para um “bem maior”. Acredito que apesar das dificuldades que vamos enfrentar, teremos um mundo melhor e mais consciente.


Planos de viagem adiados por causa da pandemia mas voltarei em breve!

Agora não tem mais volta


Apesar dessa experiência ter sido curta foi profunda, nesse curto espaço de tempo foi possível perceber o quão enriquecedor é essa troca, talvez a melhor ferramenta para o autoconhecimento e aprendizado.

É lindo ver a cumplicidade que existe entre os voluntários nessas viagens e somos todos irmãos juntos no mesmo barco. Não há nenhum preconceito e há muita empatia por todos e o mesmo se aplica aos anfitriões que nos recebem de braços abertos com muita educação e gentileza, e nos tratam com muito respeito e muitas vezes admiração.


Hoje percebo que sou muito diferente daquela que estava com tantos receios e dúvidas, se deveria ou não largar o meu trabalho e seguir o meu sonho. Sinto estar alinhada com o meu propósito, sei que devo seguir minha intuição e o meu coração e nesse momento é viajar pelo mundo.

Quero ter todas as experiências possíveis e profundas que possa existir, e cada dia mais vivenciar lugares, paisagens, pessoas e culturas diferentes da minha, aprender e me doar e se possível também fazer a diferença na vida de outras pessoas.

Quanto mais se conhece e mais se aprende com o outro temos uma melhor percepção de nós e da nossa vida!

Sei que irei vivenciar muita coisa como viajante. Devemos seguir de coração e mente aberta, a grande sabedoria de tudo é se conectar ao máximo, entender que a verdade não será negada a você e será uma jornada intensa sem volta.

Vejo a Worldpackers como uma grande plataforma que nos possibilita fazer esse encontro de pessoas e o mundo. Sou grata por fazer parte dessa grande família.


Sigo aqui da minha casa, com muitos sonhos e grande esperança de que cada vez mais pessoas, como eu, encontrem esse modo único de viver com sua mochila pelo mundo, experienciando e vivendo o seu autoconhecimento e compartilhando suas experiências, aprendendo e praticando a empatia pelo mundo.

Sem dúvida viajar nos faz melhor!



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