Como consegui viajar sem dinheiro por quase um ano

Se você sonha em conhecer muitos lugares, mas quando vai colocar o orçamento na ponta do lápis acaba desanimando, saiba que é possível viajar sem (muito) dinheiro.


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Nathalia

Eu viajo. É disso que eu vivo e eu vivo para isso. Não posso imaginar minha vida de outro jeito ...

Set 19, 2018

Uma das cidades que conheci ao viajar sem dinheiro

Viajar, explorar o mundo e conhecer novas culturas às vezes até parece um sonho muito distante quando a gente começa a colocar na ponta do lápis todos os gastos que envolvem uma viagem, principalmente quando começamos a comparar com o salário que ganhamos ou com aquele dinheirinho que temos guardado há algum tempo.

Mas compensa gastar com isso? Será que não tem uma forma mais barata de viajar mais? Será que eu vou ter dinheiro para terminar essa viagem? E se eu passar alguma necessidade lá, estarei sozinho?

Essas são algumas perguntas muito comuns feitas pela maioria das pessoas que falam que sonham em conhecer o mundo como eu ando fazendo, mas não tem muita ideia de como começar.

A maioria das pessoas não tem muito dinheiro para fazer uma viagem luxuosa. Na verdade, essa ideia glamourizada de viagens vem caindo por terra, afinal, o intuito de sair do conforto de sua casa e cair no mundo é justamente conhecer novas culturas, novos costumes, sair da zona de conforto e conhecer todos os tipos de pessoas pelo caminho. É justamente isso o que a plataforma da Worldpackers propõe.

1. O que dá para economizar

Quando fui fazer meu primeiro mochilão no Chile, eu só tinha o dinheiro das passagens e nada mais. Como eu ficaria como voluntária em um hostel, sem precisar pagar em dinheiro pela hospedagem, apenas trocando por algumas horas de trabalho na recepção, estava tudo bem. 

Eu trabalhava com publicidade e podia continuar trabalhando enquanto viajava, mas esse sempre foi um emprego muito instável e logo nos primeiros meses aconteceu o que eu mais temia: fiquei sem clientes e sem nenhuma renda para me manter viajando.

Consegui arrumar um trabalho de vendedora de tous graças à outras voluntárias que estavam no mesmo hostel que eu e consegui juntar mais um dinheiro. Isso sem mencionar que eu podia sempre contar com o pessoal do hostel caso eu precisasse de alguma ajuda, especialmente com o idioma, já que eu nunca tinha estudado espanhol antes na vida.

Lá eles nos serviam um café da manhã incrível (também de graça) e muito completo, tinha dia que aproveitava as frutas para fazer um lanchinho mais tarde, antes do almoço, que também sempre era compartilhado comigo e com as outras meninas que voluntariavam por lá.

Fazíamos a compra da semana e sempre que alguém precisasse de uns dias a mais para ajudar no pagamento, uma sempre cobria a outra, cozinhávamos juntas, éramos uma verdadeira família e foi nesse período que entendi o verdadeiro significado de troca, de colaboração, afinal, estávamos todas no mesmo barco, juntas!

Foi aí também que comecei a ter mais controle sobre minhas finanças, valorizar o dinheiro que eu ganhava semanalmente vendendo tours. 

Antes de viajar, por exemplo, eu nunca tinha ido no mercado fazer compras, já que morava com meus pais e a comida aparecia magicamente em casa (RISOS). Aprendi a comparar preços, procurar mercados mais em conta, economizar no Uber, afinal, se estou em um país novo, tenho mais é que caminhar por aí e conhecer cada cantinho, certo?

Nunca passei nenhum tipo de necessidade por estar sem dinheiro, aliás, viajar desta forma sempre sai muito mais barato do que ter uma casa fixa no Brasil, por mais incrível que pareça. 

Não apenas pelo aluguel e contas, mas também pela questão do espaço (quanto mais a gente tem, mais a gente quer ocupá-lo), ou seja, já parou para pensar na quantidade de coisas inúteis e sem sentido que a gente compra, só porque temos espaço para guardar? Seja roupa, sapato, decoração, comida diferente, um porta temperos diferentão, papelaria, o que seja... Sem contar a quantidade de coisas guardadas no armário nesse momento que muito provavelmente a gente usou uma ou duas vezes e depois esqueceu por lá. Quando estamos em casa acabamos gastando muito mais do que apenas o essencial.


Existem muitas formas de economizar ao se viajar sem dinheiro

2. Saiba escolher o destino certo

Depois do Chile, que foi meu primeiro país e um dos mais caros que já passei, decidi mudar para o Peru com a proposta de que o custo de vida lá era bem mais barato. Realmente, amei o lugar e os preços, trabalhei um pouquinho mais e juntei dinheiro para viajar até a Colômbia, onde sem dúvida foi um dos lugares mais baratos que já vivi!

Acabei ficando lá por seis meses, trabalhei em hostels, aproveitei para conhecer muitos pontos turísticos que tinham entrada grátis e fiz grande amigos. Aprendi que todo trabalho é gratificante quando feito com amor e que se a gente quiser mesmo, sempre dá um jeitinho.

Meu mochilão, que iria durar seis meses, acabou virando quase um ano sabático, foram 11 meses de viagens e até alguns destinos que nem estavam no roteiro, como o México, outro lugar extremamente barato para se viver.

Esses países super baratos são realmente ótimos para passar uma temporada, mas as vezes a passagem pode ser um pouco cara dependendo da temporada, por isso, uma opção é começar suas viagens pelo Brasil antes de pensar em se jogar no mundão.

No Nordeste mesmo existem dezenas de hostels esperando por viajantes dispostos a ajudar com um pouquinho de amor, alguns deles até pagam um valor simbólico como um extra para incentivar os voluntários.


Ao viajar sem dinheiro, é importante escolher bem o país de destino

3. Dinheiro não é tudo

Estar aberto a aprender e apreciar as oportunidades que aparecem são a chave para uma viagem mais simples e saudável. Você não precisa de muito dinheiro para viajar, apenas muita vontade de aprender, conhecer e se dedicar que as coisas fluem naturalmente.

Sempre tem alguém precisando de um barman, sempre tem alguém buscando uma mãozinha com o jardim. Esses trabalhos, no fim das contas, são mais recompensadores do que o próprio dinheiro que se ganha, pois você constrói pontes de amizades e trocas que ficam para a vida toda!

Como já falei em outro artigo aqui na Worldpackers, por mês eu gastava menos de R$ 500 reais entre comida e transporte durante esse mochilão, e foi libertador descobrir que a gente realmente não precisa de quase nada para viver genuinamente feliz.

Claro que a gente tem sim que fazer um planejamento, estudar os lugares onde o valor que a gente tem vai render mais, como eu fiz na Colômbia, por exemplo. Planejamento é o primeiro passo para essa nova experiência que você deseja tanto viver, se joga!

Vá com medo, vá sem dinheiro, apenas vá! Situações como essa ajudam a gente a sair da zona de conforto e nos ensinam grandes lições ao longo do tempo.


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Nathalia

Eu viajo. É disso que eu vivo e eu vivo para isso. Não posso imaginar minha vida de outro jeito ...

Set 19, 2018


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