Como foi a experiência de voluntariar no Oktoberfest, na Alemanha

Vou contar como foi voluntariar para o maior festival de cerveja do mundo, o Oktoberfest, na Alemanha, o que aprendi com essa experiência e dicas para curtir a festa.


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Carolina

Jan 16, 2019

Nomadic traveler, love worker! Sharing my experiences to inspire people to live the life they love. Sometimes we need to get out of our confort z...

Experiência de voluntariado no Oktoberfest, Alemanha

Eu nunca acordei tão cedo para beber cerveja! 

Essa era a frase que nós repetíamos enquanto esperávamos em uma fila quilométrica às 7 da manhã para entrar no maior festival de cerveja do mundo. 

Resolvi trocar vinho por cerveja e pizza por salsichão. Depois de oito meses viajando pela Itália, decidi tentar a sorte na terceira maior cidade da Alemanha, Munique. 

Apliquei para montar e limpar barracas em um dos campings da Oktoberfest, na Alemanha! Em menos de 72 horas recebi um e-mail com a confirmação do anfitrião. Me enviaram as informações detalhadas sobre o trabalho e o que receberia como recompensa: uma barraca compartilhada com colchão e saco de dormir, três refeições e cerveja de graça.

Fui recebida com sorrisos e, claro, um copo d’ água, pois sabiam que seria a última vez em três semanas que beberia algo sem lúpulo e malte! 

Alguns voluntários já estavam acomodados, uma brasileira, um mexicano e um americano. Eram duas barracas relativamente grandes para dividir com mais 3 voluntários em cada uma. Eu, uma gaúcha e um garoto de Idaho éramos os únicos que permaneceriam no camping por três semanas, os outros voluntários acampariam apenas sete dias e isso nos possibilitou conhecer diferentes pessoas e viver diversas experiências com cada grupo.

No primeiro dia montamos mais de 150 barracas e criamos o slogan “building tents, building relantionships” (montando barracas e construindo relacionamentos), cada prego martelado, uma nova ideia surgia.

Trabalhamos diretamente com uma empresa de eventos que participava do festival há anos, aproveitamos toda a experiência deles para descolar dicas e curtir o festival como verdadeiros alemães.

Sabíamos a história do evento, a quantidade de tendas, que são mais de 12 no total, de diferentes marcas de cerveja, o que rolava em cada uma delas e até visitamos o museu da Oktoberfest, vivemos a experiência como locais, entendemos a história por trás das roupas tradicionais, provamos pratos típicos e brindamos com muitas canecas.

Além disso, descobrimos a existência do aplicativo do festival, que nos possibilitava conferir a localização das tendas e a porcentagem de pessoas dentro de cada uma delas.

Nossos horários eram bem flexíveis e por isso quebramos o recorde de dias em que fomos ao festival, que aconteceu durante três semanas entre o final de Setembro e começo de Outubro.

Depois de organizar o camping para os estudantes e hóspedes da primeira semana, estávamos prontos para subir em cima da mesa e virar um litro de cerveja enquanto todos gritam e aplaudem, e estávamos propícios a ouvir uma vaia sem fim se por um acaso não conseguíssemos beber até a última gota. 

Beber cerveja pra eles é realmente sagrado, existem mais pubs do que igrejas e muitas lendas sobre a região da Bavária.

1. O primeiro dia de Oktoberfest

Como bons voluntários, estávamos preparados para vivenciar a verdadeira Oktoberfest como alemães. O primeiro dia é o mais lotado, as pessoas ficam na fila desde as 6 da manhã para conseguir lugar nas mesas, porque você só consegue comprar cerveja se estiver sentado, caso contrário não consegue seu tão esperado liquido dourado.

Localizados na região de Riem, precisamos utilizar o transporte público e em 30 minutos chegamos no local. Para garantir nossos lugares acordamos as 6 horas da manhã e chegamos na fila às 7h. 

Os portões foram abertos e as pessoas corriam para conseguir seus lugares, vendo aquela correria toda botamos nossas pernas para trabalhar e mesmo assim não conquistamos nosso espaço entre os 9.300 lugares disponíveis na tenda Hacker Festzelt, claro que não tivemos nenhum problema em ficar em pé.

O teto dessa tenda é decorado com nuvens e estrelas, para recordar uma história popular dedicada a Aloísio, um cidadão de Munique que morreu e teoricamente “foi para o paraíso”. 

Cada tenda é diferente e tem uma história específica, existem as mais tradicionais e outras modernas, a semelhança entre elas é que todas servem cervejas alemãs.

A primeira cerveja é servida após meio dia, quando o prefeito da cidade oficializa a abertura do festival, com uma banda tocando músicas tradicionais, ele desfila acenando para a multidão dentro de cada tenda.

Para conseguir cerveja todos se tornam amigos, trocam de lugar, cantam e celebram. A energia é incrível, as pessoas conversam, sobem nos bancos, dançam, se abraçam e brindam.


Primeiro dia de festival na Oktoberfest, Alemanha

2. A cerveja

São cervejas produzidas exclusivamente para o festival, com porcentagem alcoólica em torno dos 6%. São servidas em canecas de 1 litro, que podem ser de vidro ou cerâmica.

O custo é de aproximadamente 10 euros por litro.

3. As garçonetes e os seguranças

Só os fortes sobreviverão aos litros de cerveja consumidos, e para ficar dentro da tenda é preciso se comportar e beber continuamente, dar gorjeta as garçonetes é um adicional que as faz voltarem com mais frequência na mesa.

4. A comida

A comida é bem tradicional, além do famoso Brezel, aquela massa de pão com sal, você encontra outros pratos típicos como o currywurst, frango e peixe.

Para adoçar o festival têm os biscoitos em formato de coração coloridos, sorvete, frutas com chocolate e outras opções.

As comidas dentro das tendas são mais caras e específicas, mas fora você encontra batata frita por 3 euros, crepes e sanduíches por 5 euros e pratos vegetarianos/veganos.


Comidas típicas vendidas no Oktoberfest, Alemanha

5. O Graveyard

Como já diz o nome, o Graveyard é um lugar para você morrer depois de comer e beber muito, um gramado extenso onde as pessoas deitam e descansam ou rolam bêbadas colina a baixo. É muito engraçado, mas também preocupante. O bom é que existe uma equipe com enfermeiras checando o pulso da galera e verificando se todo mundo está ok.

6. A história

O festival gera muitos empregos e gira a economia de Munique, são milhares de turistas de todo o mundo juntos celebrando o casamento do príncipe herdeiro da Baviera, Ludwig, e a princesa Teresa da Saxónia e Hildburghausen, que aconteceu em 1810. 

A primeira festa foi tão incrível que a população quase que ordenou que o rei fizesse uma segunda edição no ano seguinte, e esse é o verdadeiro motivo pela realização da Oktoberfest, que se tornou uma oportunidade para celebrar e beber cerveja.

A história é super interessante e eu recomendo dar uma lida sobre ela no site oficial do evento, e se estiver em Munique fazer o free walking tour, que explica tudinho, além de apresentar outros lugares famosos da região, como o English Garten, igrejas e até o bar onde aconteceu a primeira festa nazista. 

7. As roupas

Os vestidos são chamados Dirndl, consistem em uma saia com um avental, uma blusa (que pode ser com ou sem manga) e um corpete.
Um detalhe super importante é o nó do avental, pois ele representa o estado civil da mulher que está usando. Um nó do lado esquerdo indica que ela é solteira, o nó do lado direito significa que ela é casada ou comprometida e o nó atrás significa que ela é viúva, ou no caso das garçonetes do Oktoberfest, simboliza que elas estão trabalhando.

Os homens usam a famosa Lederhosen, e significa “calça de couro”, que na verdade é um shorts. Existem 3 modelos: “kurse Lederhosen”, que termina acima do joelho e é, na maioria das vezes, utilizada por crianças, “Kniebundlederhosen”, que termina abaixo do joelho e é o modelo mais popular, e “Lange Lederhosen”, que vai até o tornozelo. A cor tradicional da Lederhosen bávaro é preta ou marrom. 

Mas nós, voluntários e viajantes, usávamos nosso jeans e moletom para trabalhar, ir ao festival e dormir. Essa foi a vantagem de trabalhar em um camping.


Roupas tradicionais usadas no Oktoberfest, Alemanha

8. O transporte

Depois de dois dias utilizando o transporte público, é bem fácil de se locomover na cidade. Nós compramos o passe de trem/metro/ônibus para uma semana por aproximadamente 16 euros e podíamos usá-lo ilimitadamente, para ir ao festival e ao centro da cidade, que é lindo, cheio de flores, prédios antigos que contam a história de uma nação.

9. É um parque de diversões

O festival é um parque de diversões para pessoas de todas as idades. Nós amamos tanto o festival que fomos praticamente todos os dias, bebemos muita cerveja, fizemos amigos, dançamos na chuva e celebramos a vida e os encontros.


Atrações do Oktoberfest, Alemanha

10. O clima

Setembro é início do outono na Europa, blusa sem manga e pés descalços era o nosso look do dia, mas a noite era frio e chuvoso.

Para quem estava sobrevivendo a litros de cerveja, encarar uma tempestade em uma das madrugadas foi fichinha! O clima era o que tornava os banhos quase que missões impossíveis, e por isso escapávamos da ducha um dia ou outro.

11. Os outros voluntários

A minha maior certeza é que nada teria sido tão incrível sem a galera que estava junto comigo nessa aventura.

Pessoas que compartilhavam a mesma paixão, viajar e se conectar. Construímos nossa própria história na vila onde moraram os heróis da Oktoberfest, nós mesmos! 

Trabalhamos duro para que os hóspedes tivessem uma experiência tão incrível como a que estávamos vivendo, a música era alta e a cerveja sempre gelada.

Criamos nossas próprias leis e constituição:

A constituição

  1. O amor é a lei;
  2. Se você tocar uma fatia da pizza, você tem que comer a fatia da pizza que você tocou;
  3. Não morra;
  4. Não seja expulso da tenda;
  5. Nós não julgamos aqui;
  6. Apoie seus amigos;
  7. Se você tem  uma cerveja você deve bebê-la até o final;
  8. Siga o sol;
  9. Nós devemos nos encontrar novamente!

Para quem quiser saber mais sobre cada tenda, história, hospedagem ou outras informações acessem o site oficial da Oktoberfest: https://www.oktoberfest.de/en/ ou me envia uma mensagem aqui no chat! :)


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Carolina

Jan 16, 2019

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