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Como foi voluntariar no Casa D’Alagoa Hostel

Nesse primeiro artigo, vou contar como era meu dia a dia de voluntária no hostel Casa D’Alagoa, na charmosa cidade de Faro, em Portugal.


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Sueli

Adoro conhecer pessoas e lugares. Conversar, dar dicas, contar histórias e, principalmente, ouvir...

Mai 10, 2018

hóspedes e voluntários na praia

1. Tarefas

Oito horas de trabalho por dia e duas folgas semanais pareciam ser condições normais de um trabalho também normal.

O mês estava só começando e as tarefas de limpeza são as primeiras experimentadas pelos voluntários. Nunca havia trabalhado tantas horas seguidas com limpeza e, confesso, achei um tanto cansativo.

Entretanto, logo nos primeiros dias, surgiu uma necessidade de ser um ajudante de cozinha no hostel e meu perfil se adaptava plenamente. Fui consultada e aceitei.

Passei a trabalhar das 14h às 22h, colaborando com o voluntário-cozinheiro.

A cada dia o anfitrião decidia o menu do jantar, logo pela manhã, e fazia um cartaz para anunciar aos hóspedes, o preço poderia variar de seis a dez euros com direito a vinho.

Gostei muito de voluntariar nesse horário porque tinha as manhãs livres para dormir, passear, fazer compras.

O trabalho começava pela limpeza da cozinha. Muitos hóspedes costumam cozinhar seu próprio almoço e nem sempre deixam o local completamente limpo.

Era comum perguntar ao colega cozinheiro as quantidades de ingredientes e a forma como gostaria de tê-los, descascados, cortados, ralados. 

Essa era a parte mais divertida do trabalho: chorar de tanto cortar cebola, se “emperfumar” de pepino, rir das diferentes formas e nomes dos ingredientes e conversar com as pessoas que por ali passavam a perguntar o que e como estávamos preparando o jantar. 

2. Animação

O hostel é bastante grande: cinco quartos compartilhados e mais uns três privados.

No total, hospedam-se mais de 50 pessoas. Recepção, sala de estar, sala de jantar, cozinha e varanda, todos no rés do chão (como se diz “térreo” em Portugal), concentram a circulação de pessoas e área de convivência deste confortável hostel.

O jantar diário é um momento de festa, com gente de muitos países. Ali na mesa se faz novas amizades, marcam passeios, trocam experiências e curiosidades de cada cultura, de cada língua.

Toda segunda feira é “sagrada” a visita à Fábrica, um lugar muito especial da cidade, com comida, bebida, música, dança e exposições culturais. Um lugar “único”. Visita imperdível em Faro.

Ali, naquele ambiente de respeito às diferenças, os oito voluntários, os funcionários e os anfitriões se misturam e tudo flui descontraidamente.

Tive ótimos relacionamentos. Fiz amigos e estive lá mais uma vez só para revê-los. Se puder, ainda volto.

Quando ali trabalhei, dois dos recepcionistas tiveram a ideia de criar um grupo no Whatsapp, esse grupo só cresce e estamos sempre tendo notícias uns dos outros.

3. Extras

Além da hospedagem, o hostel oferece toda a alimentação. Há ingredientes variados, usados para o jantar e café da manhã que podemos consumir no preparo de nossas outras refeições. Os voluntários têm livre acesso a toda a comida disponível.

Ao redor do hostel não faltam comodidades também. Mercados, farmácias, lojas, bares, restaurantes, centro histórico, marina, rodoviária, estação de trem, tudo acessível a menos de quinze minutos a pé. 

Em 20 minutos de ônibus chega-se à praia, uma boa opção para o tempo livre. Ali, ao redor da marina, também dá para pegar um barco e visitar as ilhas da região. A Deserta é lindíssima, mas faz jus ao nome e é preciso levar água e comida se não quiser gastar no único restaurante ali existente.

area social do Casa D

4. Tradução Português/Português?

Sim, a parte mais atraente e divertida foi o idioma. Embora Brasil e Portugal falem português, são línguas bem diferentes.

Primeiro pela velocidade. Se no Brasil falamos “a 50 km por hora”, em Portugal, especialmente no Algarve, fala-se “a 100 km por hora”.

O vocabulário? Totalmente novo. Para ir do aeroporto ao hostel peguei um autocarro (ônibus). Para visitar as cidades vizinhas, melhor o comboio (trem). Aqui, os cêntimos (centavos) são muito importantes. Se sentir fome na rua, come uma bifana (sanduíche de bife de porco). A lista é longa. Dá um dicionário inteiro.

A reunião do staff é em inglês porque a maioria do pessoal é estrangeiro.

Quem fala ou ao menos entende outras línguas se dá melhor. O espanhol, francês e alemão são as mais frequentes.Por ali também não faltam japoneses, russos, finlandeses, italianos. A grande maioria deles fala inglês. Portanto, afie seu inglês antes de encarar a tarefa.

O espanhol e o francês são muito requisitados.

A dica mais valiosa é deixar em casa tudo o que conhece, como hábitos, comidas, conceitos e preconceitos para tornar-se um bom ouvinte, aberto a novas experiências, novas culturas.

Com certeza, quando voltar para casa, terá uma bagagem interna muito maior que a mochila.



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Sueli

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Mai 10, 2018


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