Aprenda a montar um roteiro de viagem perfeito para sua trip

O convidado especial para esse podcast é o viajante Glauber. O papo de hoje vai ser a respeito de como montar um roteiro de viagem para gastar pouco como voluntário worldpacker.


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Glauber Vinícius

Worldpacker a quase dois anos, sempre fazendo de tudo um pouco e ajudando a quem precisa

Ago 21, 2018

Viajante Glauber

O Glauber viajou por 14 meses pela América do Sul, conheceu diversas cidades na Bolívia, Peru, Chile, Argentina e Uruguai. Agora está em sua segunda viagem sabática, dessa vez no Nordeste brasileiro. Em todas elas curtiu a chance de voluntariar em hostels e conhecer pessoas do mundo todo, praticar o espanhol e conhecer muitas cidades de uma forma menos turística e mais próxima da vida local.

Como bom mochileiro, descobriu diversas formas de economizar durante a viagem e deu algumas dicas que podem te ajudar a viajar de forma mais barata, como montar um roteiro de viagem ou como curtir a cidade e contou um pouco do que aprendeu.

Você pode ouvir o podcast na íntegra ou ler os principais momentos dessa entrevista aqui em baixo. 


Glauber nos Lençóis Maranhenses 

Felipe: Glauber, obrigado por sua presença. Fala ai pra gente para onde você foi, quanto tempo ficou, se ainda está na estrada.

Glauber: Eu to falando agora de Teresina, no Piauí, estou viajando pelo Nordeste brasileiro desde janeiro deste ano. Essa é minha segunda viagem sabática, vou terminar ela dia 25 no Maranhão. Minha primeira viagem foi para a América do Sul, minha primeira viagem para o exterior e minha primeira viagem sabática. Eu passei pelo Bolívia, Chile, Peru, Argentina e Uruguai.

Felipe: Você demorou muito tempo para montar um roteiro de viagem? Você já sabia para onde ia ou foi planejando no caminho?

Glauber: Na primeira viagem, minha primeira experiência em uma viagem longa de ano sabático, eu montei mais ou menos uma rota. Não sei se exatamente um itinerário, mas uma rota de onde eu sairia, quais lugares eu gostaria de passar na América do Sul, como Machu Picchu, o Salar de Uyuni, coisas assim, que eram os pontos fundamentais que eu precisa conhecer. Eu tinha uma rota que ia começar na Bolívia e depois descer até o Uruguai.

Felipe: Então o que ia acontecer ali no meio você não sabia?

Glauber: Não sabia. Eu acabei conhecendo mais cidades do que eu imaginava, várias cidades que eu não esperava.

Fui me planejando ao longo da minha viagem. Como eu estava viajando com calma e não sabia quanto tempo ia ficar fora do Brasil, mas sabia que ia ficar um tempo longe e era minha primeira experiência com intercâmbio de trabalho, eu não ficava muito grilado com essas coisas de ter tudo certinho para viajar nem nada.

Agora aqui no Nordeste tá igual. Com mais experiência em viagens longas e tudo mais, eu vou planejando as coisas aos poucos, sem muita antecedência. Só organizo algumas coisas que necessitam antecedência, como aplicar para anfitriões na Worldpackers.

Felipe: Você foi da Bolívia para a Argentina, foi isso?

Glauber: Peru primeiro. Eu comecei na Bolívia, em La Paz eu fiquei dois meses como voluntário de um hostel, foi minha primeira experiência, e depois eu fui pro Peru.

Ai no Peru aconteceu muita coisa muito louca. Eu fiz muitas amizades lá em La Paz e falei que ia voltar em aproximadamente um mês e meio. Ia ficar lá por um mês, procurar um hostel como voluntário e aproveitar para conhecer Machu Picchu de forma mais econômica e depois voltava a La Paz. Só que o que aconteceu foi que acabei ficando sete meses em Cusco, no Peru.

Felipe: Você trabalhou com o que lá em Cusco?

Glauber: Eu dei muita sorte! Comecei como voluntário em um hostel que eu encontrei e eles estavam passando por uma expansão e acabaram me contratando, me chamaram para ficar um tempo e começaram a me pagar. Além de me pagarem, eu ainda tinha os mesmos benefícios que tinha como voluntário, cama e café em um hostel maravilhoso com uma ótima localização. O hostel chamava Supertramp.

Aí foi isso, acabei ficando no Peru, gostei muito de Cusco e fiquei por lá um tempo.

Felipe: Você é economista, né? Como foi largar isso para viajar?

Glauber: Uma das coisas que mais me ajudam a viajar hoje, a ter esse estilo de vida, é ter tomado uma decisão muito precoce. Eu queria isso para mim, sabe? Desde o dia que entrei na faculdade eu já tinha em mente que eu queria viajar, queria fazer uma viagem depois que eu terminasse a faculdade, como muita gente sempre quer.

Durante a faculdade fui lendo e pesquisando muita coisa e fui descobrindo esse mundo de intercâmbio de trabalho, conheci a Worldpackers e outras novas tecnologias que tornam a viagem de muita gente mais acessível.

Grana não é fácil mesmo, tem que se virar para se manter em viagem. Tem muita gente que consegue ser nômade digital, que é uma coisa ótima e tenho muita admiração por quem consegue, um dia quero tentar seguir assim.

Todo trabalho que eu fiz durante a faculdade, estágio e coisas assim, eu ia juntando a grana para viajar e foi assim que aconteceu. Me formei no final de 2015 e sai para viajar pela América do Sul em abril de 2016.

Felipe: Você consegue aplicar as coisas que aprendeu na faculdade na sua viagem? Você consegue estar ativo profissionalmente enquanto viaja? Porque afinal, economia está em tudo…

Glauber: Então, como depois da minha faculdade eu não tive muito tempo de parar pra ficar em casa e me reorganizar na questão profissional, eu acabo não fazendo muitos trabalhos na área de economia durantes minhas viagens. A grana que eu juntei lá trás é o que me banca hoje. Se eu conseguir um trabalho, o que aparecer por aí e eu conseguir fazer, eu topo.

Felipe: Com quanto tempo de antecedência você acha bom para procurar um anfitrião? Com quanto tempo mais ou menos você planeja isso?

Glauber: Sempre começo a buscar hostel ou algum outro projeto com pelo menos quatro ou três semanas de antecedência da minha data de chegada. Acho que esse é o tempo ideal porque com muita antecedência os anfitriões ainda não estão planejados, pelo menos em hostels onde foram minhas experiências era assim. Quando é muito perto da data também, faltando por exemplo uma semana, o risco é muito grande, aí é na sorte.

Felipe: Isso se você já está viajando, né. Se você vai sair do Brasil e vai pro Peru, precisa planejar passagem e tal, você mantém essas três semanas ou precisa de um pouco mais de antecedência?

Glauber: Verdade! O primeiro destino você pode planejar com uma antecedência maior. Nessa viagem pela América do Sul eu tive um pouco de sorte porque eu tinha um primo que estudava em uma cidade na Bolívia e fiquei cerca de duas semanas por lá, de lá mandei a aplicação para um hostel em La Paz. Mas realmente, meu primeiro destino de viagem agora eu mandei uma aplicação para um anfitrião na Chapada Diamantina com um mês de antecedência e me responderam super rápido, então eu comecei a me planejar.

Felipe: Você chegou a mesclar com outro tipo de estadia, como Airbnb ou Couchsurfing?

Glauber: Sim, usei. Eu sempre combino diversas formas de viajar. Eu adoro a Worldpackers, adoro trabalhar em hostel, é um ambiente muito bom de trabalhar e um trabalho muito tranquilo. Você vai ter a oportunidade de treinar outros idiomas, conhecer gente do mundo todo, conhecer outras culturas, trabalhar com outra cultura. Só que às vezes a cidade que eu estou indo não é tão turística e aí eu tento outras formas, o Couchsurfing é uma delas, que é uma plataforma de hospedagem em casa de pessoas locais, só que para hospedagem de poucos dias.

Felipe: Por quanto tempo você acha que a pessoa tem que ficar no local para conhecer bem? 

Glauber: Depende do lugar, mas eu gosto de pelo menos quinze dias e isso no Couchsurfing é impossível, então a Worldpackers te dá uma liberdade maior.

Eu acho que quinze dias dá para conhecer bem o lugar, mas realmente depende muito. Por exemplo, na Chapada Diamantina eu fui para ficar trinta dias no anfitrião, já tinha combinado tudo. Só que trinta dias na Chapada Diamantina, pra mim, foi pouco, então eu acabei ficando cinquenta. Lá tinha muita coisa para conhecer e eu queria conhecer, como eu já estava ali combinei de estender um pouco mais!

Então é isso, Couchsurfing, Worldpackers e casas de amigos são as ferramentas que uso. Ao longo da minha viagem eu fui conhecendo pessoas que depois eu encontrei lá na frente. Eu trabalhei no hostel em Cusco com um cara que era do Uruguai, Montevidéu, e depois ele foi viajar o Brasil e eu fui descendo a América do Sul. Combinei de encontrar ele em Montevidéu e fiquei na casa dele.


Glauber em Machu Picchu

Felipe: Quando você sai para viajar, você precisa ter uma média de custo com o que vai comer, para gastar com transporte, até para tomar uma cerveja. Você pesquisou antes ou só foi?

Glauber: Eu pesquisei. Hoje tá um pouco mais fácil porque tem muitos relatos em blog de viajantes, mas às vezes esses gastos não são compatíveis com seu estilo de viagem. Tem que pesquisar bem porque cada um tem seu estilo de viagem.

Pesquisei e vi que Peru e Bolívia são países baratos e eu realmente confirmei isso. Chile, Argentina e Uruguai são países um pouco mais caro, só que o país mais caro é aproximado do padrão brasileiro. Uma dica para comer barato é procurar pelos mercados centrais.

Felipe: E como você fazia com a grana? Na América do Sul você saiu da Bolívia, foi pro Peru, depois vai pro Chile, tudo em moedas diferentes. Como você fez? Pesquisou antes, levou uma grana, levou cartão, levou em dólar?

Glauber: Essa foi uma parte da viagem um pouco complicada porque tinha muita taxa e não tem jeito. Eu ia usar mais meu cartão de crédito, porque quando eu saí do Brasil o real estava muito desvalorizado e com meus conhecimentos de economia eu sabia que a tendência era o preço do dólar cair. A dificuldade foi que eu tinha pouco dinheiro em espécie e eu sempre precisava para alguma coisa, então eu precisava sacar do cartão e era uma taxa altíssima.

Quanto ao câmbio, eu levei um pouco de real em espécie, troquei na Bolívia por pesos bolivianos, depois eu ganhava em soles no Peru, levei um pouco de soles de lá e depois fui trocando soles.

Felipe: Alguma parte do trajeto você fez de avião ou fez tudo de ônibus?

Glauber: Eu moro no interior de Minas Gerais e peguei uma carona pelo Blablacar até Belo Horizonte, lá peguei um ônibus até Campo Grande, depois outro ônibus até a fronteira da Bolívia. Eu queria entrar na Bolívia pelo trem da morte, então da fronteira da Bolívia eu peguei o trem até Santa Cruz de la Sierra, aí foram uns três dias só de viagem.

Felipe: Você pegava ônibus noturno para aproveitar e não pagar pela estadia ou ficou em alguma cidade no caminho?

Glauber: Eu pegava só o ônibus noturno. Cheguei em Campo Grande, capital que eu não conhecia, depois de uma viagem super longa, e passei o dia conhecendo lá. Tomei banho na rodoviária e peguei um ônibus para Corumbá, cheguei lá de manhã e o trem saia no começo da tarde.

Felipe: Como você se planejava com os horários de ônibus? Você já tinha isso planejado?

Glauber: A maioria do meu trajeto eu fiz de ônibus. Bolívia e Peru são países com a passagem de ônibus muito baratas, então compensava muito andar de ônibus. Era só chegar na rodoviária que já tinham várias pessoas anunciando destinos e, apesar de eu pesquisar antes, por lá não adiantava muito porque as companhias não têm site, não dá pra comprar online. Era chegar na rodoviária e perguntar, eram várias companhias.

Eu uso de vez em quando o Home2Rio, um aplicativo bom para te dar uma média de preço, mostrar algumas companhias, opções de trajeto. É bom para ter uma noção.

Bolívia e Peru são países que não tem muito uma organização em relação aos ônibus como tem quase no Brasil inteiro. A Argentina já tem várias companhias grandes que você pode comprar pelo site, Chile e Uruguai também.

No Chile eu andei de carona de estrada mesmo pela primeira vez. De São Pedro do Atacama até a costa chilena eu fiz tudo de caminhão. De Santiago até Mendonza, na Argentina, eu fiz de ônibus. De lá até Buenos Aires eu fiz de carona, atravessei a Argentina inteira de carona, parando em cidades. 

O ponto ideal para pegar carona é em posto de gasolina. A maioria eu peguei com caminhoneiros, mas alguns carros pequenos também me deram carona.

Felipe: Separando por viagens, qual foi o custo total? Somando tudo, transporte, alimentação...Quanto você gastou?

Glauber: Exato, exato, eu não sei. Pela América do Sul eu calculo que foi aproximadamente R$7500. Fiquei viajando um total de 14 meses. 

O segredo é esse que eu falei, voluntariar em hostel, usar couchsurfing, ficar na casa de amigo, pegar carona na estrada, cozinhar sua própria comida ou comer nos lugares mais baratos, também consegui economizar por ter trabalhado no Peru.

Felipe: Para encerrar, me conta o que não pode faltar no planejamento de como montar um roteiro de viagem?

Glauber: O primordial é ter pelo menos o primeiro local certo. Na viagem pela América do Sul eu tinha a casa do meu primo, nessa pelo Nordeste tinha o hostel na Chapada Diamantina. Também é importante saber quais principais cidades quer passar durante a viagem. Peça muita ajuda ao pessoal local sobre dicas de como chegar, qual ônibus pegar ou coisas assim. Por último, é importante saber onde você quer chegar, a última cidade.


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Glauber Vinícius

Worldpacker a quase dois anos, sempre fazendo de tudo um pouco e ajudando a quem precisa

Ago 21, 2018


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