Como um mochilão pode restaurar sua fé na humanidade

Nesse artigo vou contar como aprendi através das minhas viagens e experiências de voluntariados que um mochilão pode te ajudar a restaurar sua fé na humanidade.


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Mariane

Jan 23, 2019

I'm a full time traveler and I'm trying to show the world that a life change is possible and is easier than it seems to be.

Ensinamentos do meu mochilão

Como primeiro destino do meu mochilão pela Europa, fechei um voluntariado em Le Haut Bouffey

Escolhi esse lugar por oferecer três refeições ao dia, quarto privado, apenas exigir inglês intermediário e por ser a uma hora de trem de Paris. 

A oportunidade tratava-se de uma casa de um casal inglês, com filhos já adultos e morando fora, que precisava de uma ajudinha com reformas na casa.

Desde as primeiras mensagens trocadas pelo chat da Worldpackers com a anfitriã (Jan), ela já se mostrava muito solícita. Eu fazia muitas perguntas porque seria minha primeira vez em outro continente e queria ter certeza de estar preparada, de que iria chegar no endereço certo, de que tinha as habilidades que ela precisava...

Pesquisando sobre roupas adequadas para o inverno europeu, notei que seria mais barato deixar para comprar o que precisasse por lá. 

Questionei se teria algum problema caso eu chegasse um dia após o combinado para que pudesse fazer as compras em Paris. Nesse momento, tive minha primeira surpresa: minha futura anfitriã me perguntou minha numeração e disse que haviam muitas roupas que a sua filha havia deixado na casa, que eu poderia experimentar e deixar para comprar somente o que ficasse faltando. 

Isso pode parecer  bobo para alguns, mas fiquei feliz pela gentileza porque ela até então não me conhecia, não sabia se eu seria uma boa voluntária ou não, e isso por si só meu causou uma ótima impressão, me deixou um pouco mais tranquila para viajar sozinha para outro continente e ficar na casa de pessoas que nunca havia visto.


Rua de casas com quase mil anos no centro de Bernay

Cheguei na cidade à noite, e após uma situação engraçada de não nos encontrarmos na estação de trem, Jan me levou para sua casa, onde havia uma janta me esperando e do lado do prato quatro livros de culinária com marcações coloridas em diferentes páginas. 

Ela me falou que embora tivesse trabalhado como chef de cozinha por muitos anos, não tinha experiência com comida vegetariana, mas que no dia seguinte eu poderia olhar os livros e escolher as receitas que mais me agradassem que ela tentaria botar em prática. Aquilo encheu meu coração e foi mais um sinal de que iria me sentir muito bem por lá.

No dia seguinte, por mais que eu tivesse insistido por muito tempo que poderia cozinhar, montamos um cardápio para a minha estadia, e a partir dali eu tive muitas das melhores refeições da minha vida. Em alguns dias chegou um novo voluntário. Como ele era americano e o casal de anfitriões britânicos, todos me ajudaram muito ( e com muita paciência) a aprimorar o inglês.

Como pegamos um período de muita neve, não podíamos fazer a parte externa da reforma. Tivemos mais dias livres do que o previsto e no restante do tempo focamos na parte de pintura interna, que era muito divertida. 

Michael (marido de Jan) nos mostrava e nos corrigia quando necessário sempre com muita leveza e bom humor. Eu e meu colega de voluntariado colocávamos nossas playlists para tocar, e o tempo voava. Éramos interrompidos por nossos anfitriões para uma xícara de chá e uma boa conversa (hábito tipicamente britânico).


Janela do quarto que fiquei hospedada

Durante e após as refeições, nós todos conversávamos muito. Aprendíamos sobre história da Europa, reformas, viagens, motocicletas, culinária... 

Uma noite contei que tinha o sonho de visitar a Inglaterra, mais especificamente Londres. Eles fizeram brincadeiras dizendo que para quem veio do Brasil, a Inglaterra poderia parecer tediosa, mas para minha maior surpresa disseram que gostariam de me ajudar a fazer meu sonho virar realidade.

Em poucos dias, Michael pegaria uma balsa que sai do norte de França e leva ao sul da Inglaterra porque tinha negócios a resolver, e eu poderia pegar uma carona com ele, mas por fim fizeram muito mais que isso. 

Vi Jan por uma hora compenetrada e fazendo algumas ligações, e depois de algum tempo disse que estava tudo resolvido, mas para isso teria que finalizar meu voluntariado alguns dias antes. Com muita gratidão e empolgação, aceitei o plano.

Depois da balsa, Michael me levou até uma cidade no sul do Reino Unido onde fiquei hospedada na casa dos seus filhos por quatro noites sem gastar absolutamente nada. De lá peguei um trem com um dos filhos até Londres, ele tinha um evento para participar e me ajudou a me situar na cidade. Por lá ficamos em um hostel por uma noite até que eu pudesse encontrar amigos que me hospedariam por lá.

Se eu soubesse como planejar tudo isso desdo o Brasil não seria tão perfeito!

Para além de ter compartilhado momentos maravilhosos com pessoas inacreditáveis, eu percebi que fui infinitamente mais ajudada do que pude ajudar. Não sei se um dia poderei retribuir tudo isso a eles, mas decidi que em troca ajudarei as pessoas dessa maneira sempre que puder.


Primeiro dia em Londres

Londres foi tudo o que que eu esperava e mais um pouco, porque pra além de toda a sua história e riqueza cultural, teve pra mim um gostinho de aventura e história para contar.

Essa foi minha primeira experiência no mochilão e foi definitiva para eu acreditar que existe sim muita gente disposta a te ajudar simplesmente porque teve a oportunidade e acredita que é a coisa certa a fazer.

Posso garantir que voluntariar em outro país vai no mínimo te ensinar um pouco sobre outra cultura, te mostrar novas paisagens e vai te fazer sair da zona de conforto. Mas existe ainda uma grande chance de você conhecer pessoas que entrem em sua vida e que com suas ações te ajudem a crer em um mundo melhor, e é por isso que eu viajo.


La Haut Bouffey


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Mariane

Jan 23, 2019

I'm a full time traveler and I'm trying to show the world that a life change is possible and is easier than it seems to be.


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