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Diário de uma Worldpacker no Hostel Moreré

Um relato dos meus dias, como Worldpacker,  trocando trabalho por hospedagem na Bahia Decidi que em 2018 iria realizar um antigo sonho: passar um ano viajando o mundo. Resolvi começar pelo Brasil e estava procurando um lugar tranquilo, isolado, onde eu tivesse bastante tempo para ficar sozinha pensando na vida e no que eu espero desse ano.


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Camila

Já está com o pé na estrada para uma grande viagem ao redor do mundo em 2018. Já foi worldpacker ...

Mar 18, 2018

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Minha vontade era passar pelo menos duas semanas no lugar, para realmente conhecer todos os cantinhos, as pessoas locais e ter uma vida parecida com a de quem mora lá de verdade.

Encontrei na Worldpackers um anúncio do Hostel Moreré Camping do Cajueiro, em Moreré, Bahia.

Nunca tinha ouvido falar. Bom sinal. Apliquei e alguns dias depois, fui aprovada!

Nesse texto conto um pouco de como era meu dia-a-dia lá.

Dia 1 - a chegada

Saí de São Paulo às 8h da manhã com destino à Salvador. Moreré fica bem escondida e chegar até lá foi uma jornada.

Foi um avião, um uber, uma balsa, um ônibus de 2h, uma lancha rápida e um quadriciclo. 12 horas depois, finalmente cheguei no meu anfitrião! Ufa!

Fui bem recebida, me deram uma cama na suíte compartilhada com hóspedes e me mostraram a cozinha.

Por sorte, eu tinha embalado um pouco de comida, exatamente para quando chegar depois de uma longa viagem, não ter que ir ao mercado e cozinhar.

Lembrando que Moreré é um vilarejo minúsculo (não tem nem sinal de celular) e eu estava viajando na baixa temporada, quando são pouquíssimos os restaurantes que permanecem abertos.

Depois do jantar, troquei uma ideia com os hóspedes da Holanda e Argentina que estavam no meu quarto, escrevi no meu diário de papel e fui dormir.

Dia 2

Hoje conheci o Guilherme e a Marcela, responsáveis pelos voluntários.

Foram super receptivos, simpáticos e me disseram que eu estava de folga!

Aproveitei o dia para ir ao mercado e conhecer a Praia de Bainema.

Super linda, gigantesca e cheia de coqueiros. A praia estava praticamente deserta e eu senti como se aquele paraíso fosse só meu!

Moreré é famosa por suas piscinas naturais, já que tem recifes de coral protegendo as praias. Isso faz a água ser mega quentinha e não ter ondas.

No fim do dia, mais uma voluntária, a Fernanda, chegou.

Jantamos juntas e ela me contou várias das suas aventuras como Worldpacker pelo Brasil.

Ela é chilena e está viajando pelo Nordeste faz 4 meses e não pensa em voltar para casa.

Dia 3

Acordei cedo e às 7h já estava ajudando na limpeza do hostel.

Aqui os Worldpackers ajudam a limpar as áreas comuns, como cozinha, banheiros e varanda.

Fiz uma boa faxina na cozinha, organizei todos os utensílios, varri toda a varanda e deixei tudo tinindo.

Quando Fernanda acordou começou a fazer o almoço. A parte ruim de Moreré é que a comida é bem cara, já que a vila tem um acesso tão difícil.

De qualquer forma, aproveitamos a tarde para ficar de boa no hostel e quando o sol já não estava tão quente fomos conhecer outras praias.

Uma mais linda que a outra. Na maré baixa é possível andar bastante para "dentro do mar" e ver as piscinas naturais que se formam.

Enquanto o sol se punha, demos mais um mergulho naquela água quentinha. Foi bem difícil sair de lá...

Dia 4

7h sempre começa a limpeza. Lá pelas 9h a gente termina e se dedica à outras tarefas.

Hoje fizemos uma reunião para decidir tudo que precisava ser feito para melhorar o hostel.

Fizemos uma lista enorme e depois ajudei os anfitriões a criarem uma programação para os Worldpackers.

Eu os ajudei bastante a desenvolver melhor o programa de voluntariado e a criar alguns procedimentos para o hostel.

Então a partir de hoje eu sempre ajudo na limpeza e depois vou para o computador montar treinamento, escrever procedimento de check in e check out, automatizar as reservas, enfim, as coisas nas quais sou boa!

Depois da praia, convidei os hóspedes para jantarmos em algum restaurante. Reuni a galera e fomos atrás de algum que estivesse aberto.

Comemos muito bem, tomamos uma breja e conversamos por horas.

Adoro esse intercâmbio entre pessoas de diferentes países.

Na mesa tinha eu de brasileira, um inglês, três franceses, uma italiana e um alemão.

Em Moreré tudo fecha cedo e às 23h não tinha mais nenhum bar aberto. O jeito foi voltar para o hostel.

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Dia 6

Percebi que criei uma rotina em Moreré.

Ajudo no hostel de manhã, preparo o almoço, leio ou escrevo na rede e às 16h vou para a praia.

Faz menos de uma semana que cheguei, mas já tenho meus cantinhos favoritos, onde sempre vou para ficar sozinha e devorar meus livros.

Uma coisa muito legal aqui é que você encontra todo mundo que conhece na praia ou na rua todos os dias.

Nem tem porque se despedir, já que você logo mais vai encontrar a pessoa de novo.

É uma vida de cidade de interior onde todo mundo fala bom dia, boa tarde e boa noite. SEMPRE.

Se você não fala, será considerado mal educado.

Você também se sente claramente um estrangeiro por ali.

São pouquíssimos habitantes, então eles sabem direitinho quem é de lá e quem é visitante.

Rola uma curiosidade, mas são poucas as pessoas que vem puxar papo.

No geral, os locais ficam bem na deles. Aí está a vantagem de ter anfitriões, pois eles te apresentam para a galera. Assim fica mais fácil.

Dia 8

Hoje é meu aniversário! Estou de folga e acordei querendo ir para a Ponta dos Castelhanos, que dizem que é o lugar mais lindo das redondezas.

Mas infelizmente amanheceu chovendo e não rolou. Mas sem problemas, aproveitei o dia para relaxar e Fernanda e eu fomos à praia de tardezinha.

A maré estava baixa e conseguimos andar até um banco de areia no meio do mar e dali ver o pôr do sol.

À noite, Marcela e Fernanda organizaram uma comemoração para o meu aniversário.

Eu fiz o bolo, elas compraram as comidas e fizemos um jantar comunitário, para nós e para os hóspedes.

Teve violão, cantoria, parabéns e fiquei muito feliz de ter pessoas que, mesmo conhecendo há pouco tempo, se importaram em fazer uma coisa legal para mim. Gratidão eterna!

Dia 10

Mais um dia de trabalho pela manhã na limpeza e administração.

Estou meio cansada e decidi passar mais tempo no hostel ao invés de ir para a praia.

Organizei minhas finanças, escrevi no meu diário, terminei um livro. Um dia super tranquilo!

De noite, a Fernanda chegou e me convidou para um jantar na praia. Fizemos algumas comidinhas e junto com alguns hóspedes encontramos Hilton, que vive em Moreré há 5 anos, na praia.

Ele já tinha feito um buraco na areia, acendido o fogo e estava assando vários peixes.

O jantar foi uma delícia e demos a sorte de ter o céu limpo.

Milhares de estrelas brilhando sobre a nossa cabeça, apagadas somente pela luz da lua que já estava quase cheia no céu.

Dia 12

Hoje finalmente rolou o passeio para Castelhanos! Acordamos bem cedo, ajudamos na limpeza do hostel e às 9h já estávamos a caminho.

Guilherme foi o nosso guia e nos levou por toda a praia de Bainema até chegar ao mangue. Que passeio incrível pelo mangue!

Muito lindo e no meio do caminho você pode andar pela lama e se lambuzar todo.

Logo mais chegamos ao rio Catu, o atravessamos de barco e chegamos! Era uma mistura de rio, mar e mangue. Lindo demais.

Passamos todo o dia lá aproveitando e na volta fomos por outro caminho, pela floresta.

Passamos por uma árvore gigante, bebemos coco direto do pé e paramos para ver o pôr do sol na praia de Bainema.

Em pouco tempo, a lua foi se erguendo no céu, exatamente na nossa frente. Cheia. Foi mágico e ninguém conseguia desgrudar os olhos dela.

Tinha uma fogueira ali, música e amigos. O que mais alguém pode querer?

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Dia 15

Hoje é meu último dia como Worldpacker em Moreré.

Ajudei como de costume, e decidi ir até as piscinas naturais ver os peixinhos.

A maré estava perfeita para isso e passei um bom tempo por ali.

Essa é a parte mais turística, então várias lanchas param nas piscinas, colocam o som altíssimo enquanto os turistas, muitos com latas de cerveja na mão, nadam nas piscinas.

Fiquei longe disso tudo e nadei até não aguentar mais.

Fui passando pelas trilhas, praias e ruas, meio que me despedindo de tudo. "Adeus, paraíso", pensava eu enquanto voltava para o hostel.

Essas duas semanas foram incríveis, exatamente o que estava procurando: paz, silêncio, natureza e novas amizades! Tudo graças aos meus anfitriões e à Worldpackers!

Agora terminei a mochila e estou prontíssima para seguir viagem amanhã de manhã.

Próxima parada: Chapada Diamantina!



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Camila

Já está com o pé na estrada para uma grande viagem ao redor do mundo em 2018. Já foi worldpacker ...

Mar 18, 2018


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