Quer viajar sozinho, mas se considera introvertido demais e acha que se hospedar em hostels e conhecer gente nova não faz parte do teu perfil? Vou te contar um pouco da minha experiência, quebrar um pouco do paradigma que se espera do comportamento de um viajante e te encorajar a abraçar e dividir o seu verdadeiro eu com o mundo afora.

Se você já leu algum dos meus artigos, deve saber que estou viajando e me mudando há cerca de três anos. Interagir socialmente sempre foi um aspecto um tanto complicado na minha vida, cansativo e me fazia sentir como se fosse um alienígena por gostar mais de ficar sozinha. 

A maior parte das pessoas que me conhecem jamais me considerariam uma pessoa introspectiva, mas pouco sabem do esforço que faço toda vez que estou em grandes grupos de amigos.

Me considero 45% extrovertida, 40% introvertida e 15% preguiçosa, mas esse excesso de extroversão deve ser só o meu eu tentando ser socialmente aceito e menos excêntrica. Ser introvertido é mais complicado do que parece, não há definição exata e é constantemente confundido com timidez e incapacidade de interação social. A pressão é ainda maior por ser brasileira, mundialmente conhecido como o povo que adora festas, extremamente sociável, caloroso e adepta ao contato físico e beijinhos no rosto.

Aqui estão algumas dicas que me ajudam a equilibrar o meu tempo curtindo a minha própria companhia ou conhecendo pessoas do mundo inteiro.

Confira as 7 dicas para pessoas introspectivas que querem viajar: 

1. Fique em hostels

Se a ideia de dividir um quarto e banheiro com estranhos te deixa com o estômago embrulhado, existe sempre a opção de ficar em quartos privativos, mas eles costumam ser o dobro do preço de uma cama em quarto compartilhado. 

Independentemente da acomodação que escolher, o hostel ainda é a melhor opção pela sua área comum, facilitando a interação com outros hóspedes. Não se sinta na obrigação de conversar com todo mundo o tempo todo, se quiser ficar no teu canto lendo um livro ou curtindo uma música, é totalmente normal.

No começo eu me sentia extremamente desconfortável quando queria um tempo sozinha e achava que se ficasse na área comum do hostel seria obrigada a conversar com todo mundo. Com o tempo aprendi a respeitar as minhas necessidades e a me importar menos com as opiniões alheias. Afinal, a viagem é tua e você decide qual é a melhor forma de aproveitar o teu tempo.

Sim, existem inúmeras vantagens sociais e financeiras em se hospedar em um hostel, mas existem outras opções além do quarto compartilhado. Varie entre os beliches, quartos privativos, B&Bs, hotels, você quem decide. Caso ficar hospedado em hostel durante a tua viagem inteira seja demais pra você, não há problema nenhum em alternar o tipo de hospedagem.

2. Abuse das frases prontas para começar qualquer conversa

As famosas perguntinhas clichês como “da onde você é?” e “pra onde está indo?” são chave para começar uma conversa e descobrir algo em comum com alguém. Acho incrível como é fácil se conectar com desconhecidos e pode apostar que muitas vezes você vai se identificar muito mais com os viajantes que encontrar no meio do caminho do que com os seus amigos de longa data. Não se acanhe em se intrometer na conversa alheia, supere um pouco a timidez e abrace o seu eu. Um dos diversos benefícios em se hospedar em um hostel é que todo mundo é de todo lugar, com gostos e histórias diferentes, você não precisa se adaptar a nenhum padrão estabelecido por ninguém.

Sim, saia da sua zona de conforto, experimente o novo e evolua, mas faça respeitando o seu limite e o seu tempo. Ao longo desses três anos na estrada conheci pessoas maravilhosas com histórias incríveis e aprendi muito com cada uma. 

Tenha em mente também que embora todos estejam de passagem, nada te impede de manter contato e te garanto que ao fim do dia você vai ter um ser humano querido em cada canto desde mundão.

3. Aproveite os Day Tours para conhecer gente

Pessoalmente, se você quiser acabar com o meu dia, me coloque em um desses Day Tours. Eu não participo deles, odeio roteiros pré estabelecidos e eu sou bem do contra mesmo, então se você disser que eu preciso visitar tal lugar, vou pesquisar e pensar duas vezes se temos o mesmo gosto a ponto de querer dividir o meu tempo com alguma indicação alheia. Chata? Sim! Gosto de elaborar o meu próprio roteiro e me perder pelas ruas, mas jamais vou negar que já participei de alguns passeios, principalmente quando estou cansada e sem criatividade e de quebra conheci pessoas maravilhosas. 

Vá, abuse desses tours que muitas vezes são gratuitos e se você ainda não tem muito traquejo em se socializar enquanto viaja, esse é definitivamente uma das situações a ser explorada ao menos uma vez.


Tours são boas opções de socialização para pessoas introspectivas

4. Sem pressão

Sou conhecida por curtir o meu tempo sozinha, faço o que tenho vontade, tranquila e algumas vezes até rabugenta, mas ao mesmo tempo sou alegre, barulhenta, “saquinho de risadas”, pró ativa e estou sempre disposta a ajudar quem precisa. A descrição parece meio bipolar, mas ninguém tem a obrigação de estar a todo momento disposto a interagir com todo mundo.

Essa ideia de que quem é mais reservado não vai se adequar em hostels é extremamente equivocada. O hostel é um dos lugares em que você não precisa atender às expectativas de ninguém, até porque ninguém tem expectativas nenhuma sobre você e se tiver, é totalmente aceitável você ser o que quiser, desde que mantenha o respeito aos outros.

Se hospedar, trabalhar e morar a longo prazo em hostels quebrou muitos paradigmas e visões que tinha da vida, pessoas e muitos pré conceitos. Independente do seu perfil, se você ainda não tem experiência com hostels, te digo com 100% de certeza que você está perdendo a melhor oportunidade da sua vida de sair da sua zona de conforto, se descobrir, se redescobrir e abrir a visão desse mundão maravilhoso em que vivemos.

5. Localize pessoas com os mesmos interesses

Vai ficar cansativo, mas vou repetir mais uma vez: existem pessoas de todo tipo no hostel. Seja primeiramente você e se um dos objetivos da viagem é se conhecer melhor, aproveite a oportunidade pra ser o que você quiser, experimentar o novo e desconhecido, dar uma chance ao o que você jamais faria e saia da sua zona de conforto. Estar próximo de pessoas com interesses similares vai te ajudar a ter novas companhias durante a sua viagem, mas dê uma chance ao diferente e mantenha a mente aberta também, pode ser que entre o desconhecido esteja a peça que você tanto esteja procurando.


Pessoas introspectivas com interesses em comum podem se tornar grandes amigos

6. “Você atrai aquilo que transmite”

Outro clichê? Sim! Sou cheia deles e adoro cada frase clichê, mas essa é a mais pura verdade e elas existem por alguma razão. Sei que é fácil falar e dizer que mudar de sintonia faz toda a diferença, mas nem sempre é fácil ser serelepe e nem todos os dias estamos de bem com a vida, ainda mais se você pretende estar na estrada por um período mais prolongado é mais complicado ainda se você é introvertida.

Pessoalmente, demorei e apanhei um pouco para aprender sobre a energia que transmito. Adoro conhecer gente nova, adoro uma farra, mas também amo um bom livro acompanhado de uma xícara de chá e por quê não um dia de edredom e Netflix? Ah, mas você vai perder um dia de viagem pra assistir séries e filmes? Sim, vou! Ainda mais se você pretender ficar viajando por um bom tempo, ter um dia ou outro pra localizar o seu centro e recarregar as energias é sempre bem vindo. Se desprenda das expectativas e pressões alheias, interaja quando e somente se sentir confortável e se permita um tempo de paz e dedicado somente a você se precisar e o mais importante, sem culpa. 

Garanto que após o devido descanso você vai estar recalibrada, transmitindo a energia certa e atraindo o melhor pra você no momento.

7. “Ah, mas sou velha demais pra ficar em hostels”

Fiz o meu primeiro mochilão pela Europa aos 24 anos sozinha. Tinha a concepção de que iria encontrar crianças de 18 anos, todo mundo bêbado, drogado e camisinhas perdidas a cada canto. Sim, você encontra tudo isso e mais um pouco, mas existem hostels com concepções diferentes atraindo diferentes grupos de pessoas.

Na minha primeira viagem conheci duas senhoras de 65 e 74 anos, ambas viajando sozinhas, deixaram os maridos para trás e embarcaram numa aventura de alguns meses. Ambas tinham tantas histórias incríveis, experiência de vida, eram independentes e donas de si. Ficar em hostel não era problema nenhum para elas, viajar ia muito além de ficar em um quarto de hotel de luxo sozinhas com uma cama e um lugar para tomar banho. Malas? Apenas uma mochila. 

Tenho muitos modelos de vida, pessoas em que me espelho, mas essas duas foram cruciais para modificar a minha concepção de viagem e mudar o meu estilo de vida.

Seja você extrovertido ou introvertido, viajar é definitivamente o melhor investimento que você vai fazer na vida. Se você quer mudar e acha que ser introvertida é inadequado durante as suas viagens, não tem problema nenhum. Use e abuse dos melhores métodos que encontrar para ser mais sociável, eu faço yoga, meditação, apelo à uma ou muitas cervejinhas e sempre respeito o meu tempo. Se quiser abraçar o seu lado introvertido, se orgulhe e não deixe que isso te impeça de ver o mundo, conhecer gente ou não conhecer ninguém. Entre ser uma Kardashian, um monge franciscano ou algo entre os dois, é você quem decide. 


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Torisa

Nascida em Taiwan, criada no Brasil, morando atualmente em Taipei. Estou viajando e me mudando po...

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Nov 26, 2018


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