Viagem para Ilhabela: tudo o que fazer

Com praias, cachoeiras, trilhas, locais de mergulho e escalada, as possibilidades do que fazer em Ilhabela são infinitas! Neste guia vou te dar um monte de dicas.


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Bruna

Jul 15, 2019

Formada em Direito e estudante de Jornalismo. Viajar e escrever estão entre as coisas que mais gosto de fazer na vida.

Guia do que fazer em Ilhabela

Localizada ao litoral norte de São Paulo, foi um dos primeiros locais a ser explorado pelos portugueses ao chegarem no Brasil. Segundo registros de cartas da época das navegações, eles estiveram por lá pela primeira vez em 20 de janeiro de 1502 e, por ser dia de São Sebastião, esse foi o nome dado à ilha.

Com cerca de 300km² de extensão territorial, é a segunda maior ilha marítima do Brasil. Sua orla tem cerca de 130 km e está separada do continente por uma distância de mais ou menos 18 km. 

Hoje, São Sebastião é o nome da cidade que fica no continente e, pela beleza de sua paisagem e por uma disputa dos moradores, foi chamada de Ilhabela. 

Confira minhas dicas do que fazer em Ilhabela:

1. Como chegar em Ilhabela 

O jeito mais fácil de chegar em Ilhabela é por São Sebastião, que fica exatamente em frente à ilha. O modo mais fácil, e que a maioria das pessoas usa para atravessar, é a balsa. De ônibus, algumas linhas param na porta do local da travessia, pergunte na hora de comprar sua passagem. 

Não se preocupe! Se seu ônibus não fizer uma parada por lá, a rodoviária é bem pertinho e dá pra ir andando se você não estiver com malas pesadas. A travessia é gratuita para pessoas a pé ou com bicicleta, basta chegar lá e aguardar o portão abrir.

Geralmente são feitas travessias a cada 20 ou 30 minutos - o serviço pode ser suspenso se o tempo estiver ruim. É possível acompanhar o perfil da empresa que faz a travessia no twitter para saber a situação da balsa. 

Se você chegou de carro ou de moto, também é possível usar a balsa para atravessar, mas é preciso pagar uma taxa que você pode consultar e reservar online no site da empresa responsável pela travessia.

Na alta temporada, a fila da travessia pode levar umas boas horas, então é bom se programar para chegar com antecedência. Se você nunca foi à ilha, a primeira travessia é especial. Tente ficar na parte da frente da balsa, o visual vale a pena.

2. O que fazer primeiro

É importante se lembrar que, apesar de a ilha ser um lugar conhecido e muito visitado, ainda é uma cidade pequena e algumas coisas não funcionam como em cidades maiores. 

É o caso dos aplicativos de carro particular ou táxi. Por isso, o meio de transporte mais usado são as bicicletas, que podem ser alugadas ou fornecidas pelo local que você estiver hospedado. Há uma longa ciclofaixa por quase todo litoral da parte continental da Ilha.

Também há o transporte coletivo. Você pode fazer um cartão de ônibus para facilitar no deslocamento. A empresa responsável fica perto da descida da balsa, basta perguntar por ali. Em algumas épocas do ano são dados ótimos descontos se você usa o cartão ao invés de pagar no dinheiro. No carnaval, a passagem no dinheiro custava por volta de R$ 3 e no cartão R$ 1.

3. As praias

A maior parte das praias de Ilhabela estão distribuídas pela faixa virada para o continente - o que também é o motivo pelo qual elas não tem ondas fortes e são ótimas para praticar esportes e levar crianças. 

Alguns locais emprestam itens como prancha de stand up e snorkel gratuitamente aos hóspedes, mas você também pode alugá-los em algumas praias.

Nas praias mais ao norte é possível ver o mar aberto, como a Praia do Jabaquara e a Praia da Fome. O transporte público não chega até elas, então a melhor opção é ir de carro. Entretanto, muitas pessoas pegam o ônibus até o último ponto, na Praia da Armação, e caminham ou pedem carona na estrada até lá - são cerca de 8km de distância até Jabaquara e 12km mais uma trilha em mata fechada até a Praia da Fome. Elas não têm muita estrutura de quiosques e costumam ficar mais vazias.

As praias da região norte são lindas e valem a distância pelo visual. Vá preparado: a ilha é conhecida pelos borrachudos - mosquitinhos que picam e fazem a pele coçar - e nessas praias eles dominam tudo. O ideal é comprar um bom repelente e ir preparado. Há o Citroilha, repelente criado pelos moradores que é vendido em quase todos os quiosques.

Um pouco mais ao sul, há a Praia do Sino. O nome é dado por causa das pedras que ficam ao lado da praia e que, quando batidas com um martelo, fazem barulho idêntico ao de sino. A praia conta com restaurante e locais de hospedagem próximos. Aos finais de semana recebe uma grande quantidade de pessoas.

A Vila é a região mais central da ilha, com supermercado, bares, lojas, pontos históricos e sorveteria. Quase tudo acontece por lá! Não há uma faixa de areia, mas você pode curtir o pier e caminhar pela orla. 

Descendo um pouco mais, chegamos no Perequê! Uma parte também bastante movimentada, com muitos hotéis, hostels e pousadas. Nessa região rola mais a prática de esportes, então existem quadras de areia, locais de aluguel de bote a remo e pranchas de stand up paddle. 

Já na região sul, há a Ilha das Cabras, uma pequena ilhazinha, bem próxima à Ilhabela. Essa região é repleta de peixinhos e vida marinha, e é o melhor lugar para mergulhos ou para levar um susto com uma tartaruga nadando pertinho de você. Se você tem um snorkel, esse é o lugar para ir.

As praias do sul, na minha opinião, tem o melhor pôr do sol de toda ilha. Quanto mais ao sul, melhor é a visão do sol indo embora em mar aberto. Recomendo sentar no pier da Praia da Feiticeira e aproveitar a vista. Bem pertinho dali está a Cachoeira dos Três Tombos. O caminho é fácil e dá pra aproveitar a cachoeira e voltar pra praia.

Um pouco mais ao sul, entre as praias São Pedro e Taubaté, estão as piscinas naturais. Neste lugar, a maré sobe e, entre as pedras, são formadas piscinas de água cristalina. Costuma ficar bastante cheio em alta temporada e nos finais de semana porque o lugar é realmente lindo!

Existem ainda praias que não estão na região do continente e o acesso é um pouco mais difícil. As principais são a praia de Castelhanos e o Bonete. Muitas empresas oferecem passeios pagos até essas praias, de barco ou de jipe. Castelhanos fica a cerca de 10 km da praia do Perequê e é possível ir de barco, de carro, moto - também dá pra ir andando, mas não recomendo, já que muitos jipes e carros passam por lá o tempo todo.

Com uma longa faixa de areia, Castelhanos tem uma boa estrutura de restaurantes e hospedagem. A praia fica muito perto da cachoeira do Gato, que tem fácil acesso e é linda. O mar é mais agitado, já que aqui estamos do outro lado da ilha, de frente para o mar aberto. Em uma das pontas da praia, há uma trilha para o Mirante do Coração, onde é possível ver toda faixa de areia da praia que se parece com um coração!

A praia do Bonete é ainda mais afastada e só é possível de ser acessada de barco - numa viagem de mais ou menos uma hora, ou por uma trilha de 12k m em meio a Mata Atlântica. A visão que se tem ao chegar faz a distância valer a pena. Além disso, no caminho até lá você passa por cachoeiras e pode ir fazendo paradas, aproveitando o caminho. A praia, eleita uma das 10 mais bonitas do Brasil pelo The Guardian, honra o título que recebeu. Para quem gosta de praias mais vazias e com ondas, esse é o local ideal.

4. O pico do Baepi

Para quem gosta de uma trilha em picos, há o Baepi. São cerca de 4 km de trilha, sempre subindo. Localizado dentro do Parque Estadual de Ilhabela, recebe dezenas de visitantes e muita gente faz o caminho de madrugada para pegar o sol nascendo quando chegar lá em cima. 

Não existem muitos pontos de água no caminho, por isso, leve bastante. De lá é possível ver boa parte da Ilha e do continente. Se você tem alguma experiência, dá pra fazer sem guia, mas você pode contratar alguém para te levar até lá.

5. Cachoeiras

Existem muitas cachoeiras na ilha e provavelmente todas vão te deixar maravilhado, mas a que você não pode deixar de ir de jeito nenhum é a Cachoeira do Paquetá. É preciso pegar um ônibus até a região Sul e caminhar um pouco até a entrada da trilha - há um estacionamento por lá, se você estiver de carro. Depois disso, é preciso caminhar um pouco. 

De novo, estamos falando de Ilhabela, então sempre que você for entrar em trilhas e matas fechadas lembre-se: borrachudos! Leve repelente e, se possível, use roupas de manga comprida no caminho.

A cachoeira é formada por duas quedas d’água cristalina. A primeira parte da trilha leva até a primeira cachoeira. É lindo, mas não é o destino final, atravesse para o outro lado para continuar a trilha. A segunda cachoeira é maior que a primeira e é um ótimo lugar para mergulhar e aproveitar a água. 

Entretanto, a trilha ainda não acaba aqui, é possível subir na parte superior da cachoeira. É preciso ter muito cuidado, já que a trilha é estreita e escorregadia. Ao chegar lá em cima, há uma visão linda da cachoeira, a mata e o mar! A vista é quase um absurdo de tão bonita. 

A Cachoeira da Toca é a única cachoeira paga da ilha, mas conta com muita infraestrutura, com quiosques pertinho da cachoeira e um open bar de repelente! Assim que você chega, há uma barraquinha e você pode se servir de óleo de citronela. Também é possível comprar cachaça artesanal e fazer um mini tour aprendendo sobre a produção da bebida. A cachu é bem divertida e forma um tobogã natural que você pode escorregar.

6. Passeio histórico

Por ser um dos primeiros lugares ocupados pelos portugueses, Ilhabela tem bastante história pra contar. A Vila, mais na região norte, é o principal centro histórico da cidade. 

A igrejinha da cidade, de Nossa Senhora D’Ajuda e do Bom Sucesso, foi construída por volta de 1700, usando pedras, conchas e óleo de baleia. Localizada num ponto mais alto, é possível ter uma bonita visão da região central.

O Museu Náutico conta a história das diversas navegações que naufragaram na costa da ilha. Ilhabela tem o maior número de naufrágios do Brasil e mais de 250 peças foram coletadas e levadas para o museu. 

Algumas empresas oferecem mergulhos com cilindro onde é possível ver as embarcações naufragadas. Além disso, existem itens e descobertas arqueológicas das populações indígenas da ilha, além de um esqueleto com mais de dois mil anos. 

A Rua do Meio é repleta de lojinhas, bancos, sorveterias e merece entrar na rota do passeio. O pier da Vila oferece uma visão muito bonita do mar e do continente. Se estiver na Ilha no carnaval, o pier tem um papel central no tradicional Banho da Dorotéia. Na terça-feira, os foliões desfilam pela cidade e depois caminham até o pier e pulam no mar.

7. A noite na Ilha

Depois de curtir as praias, cachoeiras e o dia na Ilha, ainda falta curtir a noite! Na Vila e na Praia do Perequê estão a maior parte dos bares e restaurantes. Você pode caminhar pela Vila, sentar em um quiosque na beira da praia, curtir um show ao vivo. As opções são muitas e variam atendendo a todos os gostos.

Se você quer ir em um lugar mais agitado, conhecer gente e ouvir musica boa, o local é o Estaleiro Bar. Com uma decoração de temas náuticos e frases escritas no teto, é o local com as melhores festas da ilha. Nas noites de quarta-feira, é obrigatório curtir o forró no Estaleiro e não dá para ir até lá e não tomar um submarino - drink servido por lá.

8. Seja um worldpacker em Ilhabela

A minha primeira experiência como worldpacker foi em Ilhabela e foi maravilhoso! Fiquei no Granola Hostel, que fica pertinho do centro, e é um lugar ótimo, cheio de gente massa! 

O Hostel Central também é destino de muitos viajantes! Já fiquei hospedada por lá e recomendo.

Quando fui dei azar e peguei uma temporada de chuva, mas isso me ajudou a conhecer os hóspedes, fazer amigos e não impediu de curtir cachoeiras e nem de pular do pier na chuva. 

Então, se você está pensando em viajar, mas não sabe pra onde ir: vá para Ilhabela! Você já viu que tem muito o que fazer por lá, então não perde tempo não!


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Bruna

Jul 15, 2019

Formada em Direito e estudante de Jornalismo. Viajar e escrever estão entre as coisas que mais gosto de fazer na vida.


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