Barcos de Veneza

1. A Rotina

Existiam dois tipos de turno, o da manhã e o da noite, que poderiam ser trocados durante a semana conforme os voluntários combinassem.

No da manhã devíamos acordar às 09h e estar disponível para responder dúvidas dos hóspedes, o que nos dava um bom tempo para tomar café da manhã e trocar uma ideia com todo mundo. Às 10h era hora de ver quem estava para chegar e sair do hostel e começar a limpeza. A partir das 11h eram realizados os check-outs, ou seja, hora de arrumar as camas e cuidar da lavanderia.

Depois que os quartos estivessem prontos era só dar uma geral em tudo, varrer o chão, cuidar do banheiro e cozinha. A limpeza não era pesada já que era feita todos os dias. Por volta das 13h estava tudo pronto e o turno da manhã finalizado.

Quem ficava com a parte da tarde deveria esperar os check-ins e cuidar da lavanderia. Uma parte bem fácil, já que os check-ins tinham horário marcado, assim, se o hóspede só chega a noite, a tarde é livre (ou se não chega ninguém não há trabalho).

Normalmente, nós, voluntários, combinávamos entre nós essa divisão de dias, podendo, inclusive, dividir a limpeza de manhã e as saídas no turno da tarde, tudo bem tranquilo, bem flexível.

2. O hostel

O hostel era muito aconchegante. Uma sala, uma cozinha, uma sala de staff (lavanderia) e mais três quartos de hóspedes. Era um lugar pequeno, bonito e limpo. Nós dividíamos quarto com os hóspedes, o que, como tudo na vida, tinha seu lado bom e ruim.

Para mim era incrível poder conversar e fazer amizade com quem estava no quarto, combinava com o clima do lugar que buscava, uma relação mais próxima com quem se hospedava ali. O ruim era que nem sempre nossas rotinas eram compatíveis, mas nada que não pudesse ser contornado.

3. Relação da galera

O clima do hostel era de amizade, seja no trato dos voluntários entre si, com o host ou com os próprios hóspedes. Uma das coisas que mais curti foi justamente poder conversar livremente com a host Mimi, que tinha nossa idade e era super aberta com tudo. 

Da mesma forma era com os hóspedes. Como dividíamos quarto e muitas vezes também a cozinha, na hora de comer todo mundo ficava amigo e o lugar ficava bem família. Não foram poucas as vezes que saímos todos juntos a noite ou durante o dia para explorar Veneza.


Amigos feitos no hostel

4. Benefícios

Tínhamos um dia de folga por semana e também uma parte de todos dias livres. Podíamos usar a lavanderia a vontade e as três refeições do dia eram garantidas. Fazíamos mercado e depois com a nota fiscal recebíamos o reembolso do que comprávamos de comida (desde que fossem veganas, já que o hostel era vegano).

Isso ajudou a economizar muito, já que o maior gasto em Veneza é justamente a comida. Além disso, a Mimi muitas vezes nos surpreendia com um passeio de barco e vinho pelos canais de Veneza - sensacional!!

Veneza é linda e pequena, mas muito fácil de se perder. Depois de uma semana entrando em becos errados e saindo em canais sem ponte você aprende. Por ser bastante turística tudo que precisar está fácil e perto.

Uma coisa que muitas pessoas (por incrível que pareça) não sabem é que em Veneza não tem carro. Nem ônibus. Nem metrô. Isso significa que ou vai de barco, ou vai de gôndola ou com seus pés. Para mim isso foi uma das melhores partes da cidade, muda toda a lógica viver em um lugar sem carro. Eu fazia tudo a pé, assim consegui não gastar um centavo em transporte e, de quebra, conhecer cada canto da cidade.

5. Tempo livre

Como eu estava no esquema economia total, o meu tempo livre era andar.

Veneza é um monumento ao ar livre, assim que basta colocar os pés pra fora de casa que já começa a se surpreender. Também costumava sair a noite em bares com os outros voluntários, hóspedes e os hosts.

6. Idioma

A comunicação era basicamente o inglês, deu para dar uma arranhada no italiano e no espanhol também. Ter um nível médio de inglês facilita, já que a Mimi é polonesa e fala também inglês. Porém alguns voluntários que só falavam espanhol também trabalharam lá para melhorar o inglês.

Se dar bem no The Vegan Academy Hostel é basicamente ser amigável e ter disposição. Não é um lugar em que são feitas cobranças o tempo todo, mas sim um lugar em que todos têm o bom senso de se ajudar e manter as relações tranquilas e leves.



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Marine

Está faz um ano viajando no meio de uma pausa "o que faço com a minha vida". A cada lugar novo en...

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Ago 22, 2018


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