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Mochilão pelo Brasil: 10 meses viajando o Nordeste | Parte 1

Planejando um mochilão pelo Brasil? Saiba tudo sobre a minha experiência mochilando pelas principais capitais do Nordeste com a Worldpackers!


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Claudia

Viajera e designer! Um dia decidi que a vida tinha que ser vivida e fui lá ver e fazer! Viajei 10...

Jan 30, 2018

mochilao brasil worldpackers

Lembro que eu tinha uns 7 anos e que meu avô fez uma viagem, mas que não era uma viagem qualquer. Ele ia de avião para a Espanha! Eu nem sabia onde era, mas aquilo me trouxe muito entusiasmo e comentei com o meu irmão:
- Um dia faremos uma viagem dessas, não é mesmo?
- Sim, mas para isso você tem que trabalhar muito e ganhar muito dinheiro.

Na minha cabecinha só passava a ideia de que um dia eu estaria naquele avião!

Eu também queria ir ao aeroporto, queria viajar! Queria fazer como meus dois avós fizeram: o paterno foi de Pernambuco para São Paulo e o materno foi da Espanha para São Paulo.

Eu achava aquilo uma aventura linda e de uma coragem incrível. Por causa deles eu morava em São Paulo, mas estava infeliz. Afinal, eu estava trabalhando muito, para ganhar dinheiro, para um dia poder viajar. Me sentia presa 8 horas por dia numa sala e mais 3 horas no trânsito.

Um dia, no meio do expediente de trabalho, olhei meu histórico do navegador e minhas buscas eram todas sobre viagens, nomadismo digital e liberdade: “como ser feliz”, “como viajar sem gastar”, “mochila ideal”, “como vencer seu medo”, etc, etc, etc.

DICA: veja seu histórico do navegador, ele sabe mais sobre você, do que você mesmo!

Neste momento eu percebi que a teoria toda eu sabia, mas não fazia nada por mim mesma, por não ter tempo, nem disposição.

Pedi demissão!

Durante 1 ano, devorei livros, fiz cursos, fui em palestras, workshops, conheci muita gente que queria mudar de vida e vi que não estava sozinha.

Transformei minha profissão chata de dentro do escritório, em algo mais prático, rápido e totalmente online: agora não era mais a designer presa no escritório e sim, a designer freelancer, onde quer que eu quisesse estar.

Eu estava em São Paulo, trabalhando cada dia em um lugar diferente e dormindo em hostels, porque tive que sair de casa por probleminhas técnicos e então pensei: “E porque não trabalhar e morar em outro estado?”.

Eu já conhecia o Worldpackers e trocar hospedagem por trabalho, seria ideal naquele momento. Procurei algum lugar com praia, sol e gente simpática, mas que eu pudesse fazer o que já sabia fazer.

E encontrei uma vaga de designer em um hostel, em Pernambuco, onde meu avô nasceu!
As passagens de avião estavam baratas, era só ir. E fui? Não!

O medo me consumia por dentro! E todo o dinheiro que economizei todos esses anos trabalhando, ia tudo embora? Será que não era melhor eu manter aquela vidinha padrão? Será que daria certo?

E então, meu computador quebrou! Era um sinal para não ir!

Liguei para a assistência técnica e o técnico simpático me disse que eu teria que deixar o computador lá por um tempo.
- Mas moço, eu quero ir para Recife, não tem assistência técnica lá não?

No momento que eu disse isso, o técnico, que já havia morado no Recife, se animou e começou a me dar dicas sobre a cidade, me incentivando a ir.

Não pensei mais duas vezes. Era hora de começar meu mochilão pelo Brasil!

mochilao nordeste - recife

1º Destino - Uma Pirata em Recife!

Passagem comprada, beijos na família, eu estava animada e fui com medo mesmo.

Fiquei como worldpacker no Hostel Piratas da Praia, na praia de Boa Viagem. Isso mesmo, aquela da música, “... eu lembro da moça bonita da praia de Boa Viagem...”.

Lá recebíamos um nome pirata, o meu foi Lala, pois tive uma professora com esse nome e em uma conversa com Paulo, o proprietário do hostel, descobrimos que tínhamos essa amiga em comum. Daqueles milhares de cursos que fiz, um deles foi com Lala Deheinzelin e com ela aprendi muita coisa, inclusive a dar outros valores para o dinheiro.

Eu já estava colocando isso em prática, pois trocar hospedagem por trabalho, te faz enxergar o mundo com outros olhos. Passei a valorizar meus dons e talentos, a entender que sempre há alguém no mundo que precisa deles e você receberá algo em troca por isso.

Todo dia eu acordava às 8h da manhã, pesquisava os eventos do dia na cidade e os enviava aos hóspedes no grupo de whatsapp do hostel. Então, fazia alguns serviços de design para o hostel, como: criações de cartões, folhetos, convites, atualização das redes sociais e registros em fotos e vídeos das atividades.

Às 15hs já estava livre para conhecer a cidade ou fazer meus freelas de design para ganhar uma graninha extra. À noite, eu também ajudava os outros voluntários a organizar eventos e festas. Eu tinha 3 folgas na semana e podia escolher quando tirá-las.

Chegamos a ser 12 worldpackers, mais os funcionários fixos e cada um na sua função, éramos uma família de piratas e de gente boa de várias partes do Brasil e do mundo.

Fiquei lá como worldpacker por 1 mês e já não estava conseguindo conciliar os freelas, com o trabalho no hostel. Decidi então me hospedar em outro hostel, para terminar os freelas e curtir melhor a cidade.

Recife tem muita história e dá para conhecer bastante a cultura passeando pelo Recife Antigo: o Paço do Frevo, o Cais do Porto, a Torre Malakoff, o Paço Alfandega e de noite, muitas festas nos barzinhos do centro. Ali perto, visitei também o Palácio do Campo das Princesas e o Teatro Santa Isabel, onde pude escutar maracatu e frevo tocados pela Orquestra Sinfônica de Recife! Emocionante!
O Mercado São José, o Pátio de São Pedro, o Fort das Cinco Pontas e o Instituto Ricardo Brennand, são imperdíveis e dá pra ir de ônibus ou pegar o Uber, que é baratinho! Visitei algumas praias incríveis, de carona com amigos que fiz por lá e também de ônibus: Gaibu, Calhetas, Porto de Galinhas e Maracaípe.

Os ensaios de carnaval em Olinda, começam em janeiro e são super animados! Também fui para a capital do forró, Caruaru e as cachoeiras de Bonito. Comi muito bolo de rolo, caranguejo, carne de sol, tapioca e cuscuz. Eita, só coisa boa!

O trabalho como worldpacker me ajudou a conhecer melhor essa parte do país, entender melhor meu avô e seus costumes pernambucanos, fazer muitos amigos e até uma figuração para um filme na praia!

Depois de um tempo, eu queria fugir um pouco de tudo que me lembrasse estresse e trabalho. Então senti que era hora de partir e continuar meu mochilão pelo Nordeste.

mochilando pelo brasil em maragogi

2º Destino - O Azul de Maragogi

Encontrei no site do Worldpackers um hostel de frente para o mar!

Aaaah, que bom seria! Enviei a solicitação para ficar lá por um mês. Em poucas horas me aceitaram e alguns dias depois, comprei a passagem e fui!

Peguei um ônibus na rodoviária de Recife, que faz uma parada em Barreiros e depois vai direto para Maceió. Maragogi está exatamente entre Recife e Maceió, ou seja, eu teria que estar atenta para descer no meio do caminho. Mas Marcelo, o dono do hostel, me enviou um mapinha e foi bem fácil!

Fui recebida por Brígida, também dona do hostel e com muita simpatia, me explicou tudo sobre a cidade, as praias e como seria meu trabalho.

Eu era a primeira worldpacker do Maraga Beach Hostel, inaugurado há 1 mês e eu só tinha que agradecer por tudo ser tão novinho e limpo!

Me levantava todo dia às 9h, tomava um ótimo café da manhã e ia para a praia. Lá eu meditava, fazia exercícios, caminhava, me bronzeava, descansava e descansava.

Às 13h voltava para o hostel para almoçar e ficava na recepção até as 17h. Quando tudo estava tranquilo por lá, eu podia fazer meus freelas de design e criar alguns materiais gráficos para o hostel.

Também revisava a limpeza, arrumava a cozinha, recebia os hóspedes e indicava os passeios e serviços da cidade. Descobri que eu amo ajudar as pessoas e sou boa nisso!

Maragogi tem um centrinho onde você encontra tudo, as pessoas são muito simpáticas e estão sempre dispostas a ajudar.

Lá, você não pode perder o passeio das Galés, a caminhada até o mirante e os shows do Ponto de Encontro.

Ah! E só existem 3 bancos em Maragogi e pouco dinheiro nos caixas eletrônicos. Fiquem ligados!

DICA: ao viajar pelo Nordeste, é bom ser cliente do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, pois estes bancos você encontra em qualquer lugar e não vai passar perrengue!

Para conhecer as praias você pode ir caminhando (com disposição!), de bike ou com as vans que são baratas e eficientes!
Saindo do hostel, para a esquerda, estão as praias Bugalhao, Barra Grande, Praia de Antunes (a famosa praia da Bruna), Xaréu e Ponta do Mangue.

Realmente o mar é de um azul incrível, por isso a região é conhecida como o Caribe brasileiro. Com as vans, você pode chegar até a belíssima Praia de Carneiros e também Porto de Galinhas.

Saindo do hostel, para a direita, o mar não é tão azulzinho, mas as praias são lindas: Camacho, São Bento, onde tem as ruínas do Mosteiro de São Bento com uma vista linda para o mar, Japaratinga, com muitos restaurantes, bares e um mirante no finalzinho.
Me aventurei a pegar um moto-taxi ultra rápido e com os cabelos ao vento, até Porto das Pedras. Ele me deixou lá e atravessei o rio em uma balsa. Do outro lado, peguei outro moto-taxi para chegar a São Miguel dos Milagres, Praia do Patacho e a Associação do Peixe-Boi.

Ver o peixe-boi de pertinho foi emocionante e saber que estão fazendo um lindo trabalho para evitar a sua extinção, foi um grande aprendizado.

A cada dia você tem uma praia diferente, pois a natureza faz um espetáculo no sobe e desce das marés.

DICA: Consulte a tábua das marés em todas as praias do Nordeste, pois o mar sobe rápido e se você está caminhando na praia, talvez não consiga voltar pelo mesmo caminho.

Ser worldpacker no Maraga Beach Hostel me trouxe qualidade de vida nessa etapa do mochilão.

Pude trabalhar, descansar, economizar a grana e conhecer pessoas incríveis, que são meus amigos até hoje. Pessoas com quem compartilhei quarto, refeições, conversas admirando a lua, o pôr do sol e o nascer do sol.

Ganhei o passeio para as Galés, conheci a casa dos pescadores, comi arraia fresquinha, dancei, bebi cerveja barata do bar da dona Mara.

Amo Maragogi e pretendo voltar em breve!

Aproveitei minha estadia em Alagoas também para dar um pulo em Maceió.

mochilao brasil - aracaju

3º Destino - A Simpática Aracaju

Em Aracaju eu precisava economizar!

Uma amiga me falou, que um amigo dela poderia me ajudar oferecendo hospedagem em troca de aulas de espanhol. Conversei com Fabrício e combinamos 2h de aula, todos os dias e ele disse que me daria o café da manhã e que faria o jantar.

De estômago cheio, começávamos as aulas, com exercícios, vídeos, áudios e etc. Ele era bem esforçado, só precisava melhorar um pouco a pronuncia e durante essa semana, percebi que gosto muito de dar aulas!

Nas horas vagas, eu alugava as bicicletas da cidade e visitava os museus e parques: Museu da Gente Sergipana, Palácio do Governo, Centro Cultural Aracaju, Parque da Cidade e Parque da Sementeira.

Achei muito interessante que todos os funcionários desses locais recebiam treinamentos para nos contar cada detalhe da história da cidade.

Próximo a orla, você não pode perder o Oceanário, a Praia do Atalaia e a Passarela do Caranguejo, com bares e restaurante que fazem a agitação noturna.

Um passeio inesquecível foi o dos Cânions do Xingó. Ver a dimensão do Rio São Francisco, poder mergulhar nele e ver aquelas rochas imensas nas suas margens, é de impressionar. Imperdível!

Gostei muito de Aracaju: organizada, limpa, bem sinalizada, com muitas ciclovias, Uber barato e gente simpática. Aracaju tem um ar de cidade grande, mas é pequena e ainda tem praia!

De baixo de chuva, me despedi de Aracaju e fui de Bla Bla Car para Salvador.
Aaaahh, finalmente a Bahia!

mochilao pelo brasil - por do sol bahia

4º Destino - Carnaval em Salvador!

Dei a sorte de chegar a Salvador com a motorista mais simpática e divertida.

A baiana Nayane me deu dicas sobre o carnaval e a viagem toda foi regada a pagode e axé!

Aproveitei para conhecer o Mercado Modelo, o Pelourinho e o Solar Ferrão. Não há como passar ali e não sentir a energia do lugar ao entrar naqueles casarões antigos e lembrar de toda a história do Brasil.

Saí de lá pensando na vida, fui para a Igreja do Senhor do Bonfim, agradeci umas coisinhas da vida, amarrei umas fitinhas e depois fui para o Farol da Barra, pois já começava o pré-carnaval!

No dia seguinte, encontrei um amigo que tinha conhecido em Maragogi (um baiano arretado chamado Diego Maradona!) na casa da tia dele, onde eu ficaria todos os 7 dias do carnaval.

A festa foi organizada, sem brigas, tudo muito lindo!

Dancei, bebi, comi acarajé, vatapá, abará e feijoada baiana. Sou muito grata por tudo que vi e vivi durante esses dias.
Viajar é bom por isso: podemos conhecer os lugares e as pessoas como realmente são.

Eu fiquei impressionada com o tamanho da cidade, a quantidade de prédios, viadutos, carros e mesmo com todos os problemas, vi muita gente animada e dando um jeitinho para tudo aquilo acontecer.

Eu não queria ir embora, mas tinha passagem comprada para Lençóis, na imperdivel Chapada Diamantina.

5º Destino - As Belezas Naturais da Chapada Diamantina

Encontrei na internet uma marcenaria em Lençóis que estava procurando voluntários para fazer móveis com pallets, em troca de hospedagem!

Achei incrível, pois em São Paulo eu fazia móveis de madeira, na garagem de casa com meu pai. Então, peguei o ônibus e fui!

Estava super animada para aprender coisas novas, mas não estava muito feliz porque o quarto, o banheiro e a cozinha, eram muito sujos - na verdade, inabitáveis :-(

Saí para dar uma volta e para pensar se valeria a pena fazer aquela troca.
Pelas redes sociais, vi que Rodrigo, um colega do curso de nomadismo digital, também estava em Lençóis!

Finalmente o conheci, um fotógrafo que também largou tudo para viajar e fomos até uma cachoeira conversar sobre a vida. Desabafei que não queria estar ali e queria voltar a Salvador.

Não tinha como ficar naquele alojamento, então desisti do voluntariado e fui para um hostel. Aproveitei o repouso para fazer uns freelas.

No dia seguinte conheci a algumas cachoeiras e o Morro do Pai Inácio. Incrível, tudo muito lindo mesmo, mas precisava voltar pra Salvador, para a praia.

6º Destino - De Volta a Salvador

Fiquei durante quase um mês hospedada em um hostel e também em um quarto alugado, na Barra.

Foram dias de muita tranquilidade para fazer meus freelas e curtir a cidade.

Toda vez que pensava em seguir viagem, seguir aquele mochilão brasileiro, me dava um abatimento e então respeitei o meu desejo de ficar. Comecei então a procurar voluntariados, freelas ou trabalhos fixos.

Salvador é cheia de eventos culturais, a comida é barata. O transporte é um pouco confuso, mas logo você entende como funciona.
Conheci muitos lugares interessantes: o Museu de Arte Moderna, Caixa Cultural, Palacete das Artes, Museu de Arte da Bahia e a Casa de Jorge Amado. À noite, aproveitava a cerveja barata dos barzinhos em frente do Forte de Santa Maria.

Reencontrei um amigo argentino e mochileiro. Conheci o Nico em Sampa e por coincidência também estava procurando voluntariado em Salvador.

Pela Worldpackers, Nico encontrou uma vaga na recepção do The Hostel Salvador, no Rio Vermelho. Uma semana depois, estávamos os dois trabalhando lá e ganhando uma graninha por trabalhar 8 horas por dia.

Eu servia o café da manhã, ajudava nos check outs, revisava a limpeza e cuidava do caixa. Em troca, tínhamos um bar, uma piscina linda, eventos no hostel, café da manhã maravilhoso e um quarto lindo!

Logo conheci o Rafael, o organizador de eventos do hostel e juntos criamos o projeto Laje, um espaço para receber gente de toda a cidade que quisesse fazer eventos no hostel.

Foi um sucesso e conseguimos abrir o hostel para shows, exposições, performances, workshops, aulas e etc. Durante um mês aprendi muita coisa e conheci muita gente interessante!

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7º Destino - Litoral Baiano

O The Hostel é uma rede brasileira de hostels e uma nova unidade no Morro de São Paulo foi inaugurada!

Era um sonho meu conhecer a ilha e eles me convidaram para trabalhar lá.

Aceitei na hora e fui feliz da vida, passar dois meses como worldpacker e ainda ganhando um dinheirinho!

Ajudava na recepção das 14h às 22h e também auxiliava no design de todas as outras unidades. Conheci quase toda a ilha e ajudei as pessoas com o que eu amava fazer.

De verdade, viver numa ilha durante muito tempo é uma experiência única.

Antes de ir embora da Bahia, dei um pulinho em Itacaré, conheci um pessoal super animado lá e depois fui para Lauro de Freitas.

Decidi que queria subir e realizar outro sonho, chegar aos Lençóis Maranhenses! Arrumei as malas e fui para a próxima etapa dessa jornada. No próximo artigo, vou contar tudo o restante do meu mochilão pelo Brasil, atravessando nosso Nordeste maravilhoso! Maranhão, Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba, aí vou eu!

Confira a 2ª parte do meu relato!


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Claudia

Viajera e designer! Um dia decidi que a vida tinha que ser vivida e fui lá ver e fazer! Viajei 10...

Jan 30, 2018


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