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Continuando agora meu relato sobre a minha viagem pelo Nordeste do Brasil. Para quem ainda não leu a primeira parte, dá uma passada lá rapidinho para ver o começo dessa jornada :-)

8º Destino - Paraíba

Passagem comprada - de Salvador para João Pessoa - pois assim eu economizaria dinheiro e evitaria o sobe e desce de ônibus em ônibus. Quinze horinhas dentro do ônibus! Isso porque o ônibus ia de Sampa a Natal! Doideira!

Chegando em João Pessoa, recebi a notícia que Walter, um amigo worldpacker, se acidentou em São Luís e o transladaram para Olinda, onde o conheci como voluntário. Queria revê-lo, assim como outros amigos da cidade, mas não tinha planos de voltar a Recife.

Tentei couchsurfing e voluntariado como worldpacker, desde Paraíba até São Luís e não consegui. Infelizmente os couchsurfers às vezes demoram muito para responder e quando eu já estava em outra cidade, recebia a resposta. E a época de baixa temporada dificulta que os hosts aceitem voluntários. Ainda bem que consegui um dinheirinho como worldpacker remunerada e com os meus freelas e, assim, pude viajar mais tranquila.

Em João Pessoa, fiquei hospedada em um hostel onde conheci Diego, um uruguaio muito simpático que estava viajando o Brasil. Algo me dizia que iria encontrá-lo novamente, pois estava indo para o norte. Ele me deu várias dicas de passeios por lá e fui à praia mais próxima, Manaíra. Praia tranquila, areia fininha, mar calmo.

No dia seguinte, fui ao centro de ônibus, que além de barato, ajuda muito a se locomover facilmente pela cidade. Caminhei muito pelo centro, conheci o Parque da Lagoa, o Parque Zoobotânico, a Igreja São Francisco, a Academia Paraibana de Letras, as casinhas coloridas da Avenida General Osório. Me emocionei com o artesanato do Museu Casa do Artista Popular, porque ali pude ver um resumo de todas as coisinhas lindas que os artesãos brasileiros realizam e percebi que temos muita cultura para conhecer, aprender e ver nesse país.

João Pessoa é uma cidade limpa, organizada e cheirosa! Eu moraria ali, com certeza. Tem praia, um centrinho com muita coisa interessante e a comida é boa e barata.

Voltando para o hostel, conheci Lemuel, um potiguar que pediu demissão do trabalho e estava viajando por uns dias. Fomos até o Cabedelo, ver o típico pôr-do-sol no cais do Jacaré. Valeu muito a pena, é algo inesquecível mesmo!

Lemuel me contou que estava louco para conhecer Recife e claro que me juntei a ele, mudei um pouco a rota e pegamos a estrada!
Fomos para Olinda fazer uma surpresa a Walter. Ainda fiz outras surpresas a outros amigos que fiz por lá. Foi muito bom voltar ao lugar onde comecei a viagem e ouvir todos dizendo que eu estava muito feliz e que parecia estar mais leve e livre.

Aliás, era algo que eu escutava frequentemente das pessoas, que eu parecia uma pessoa livre, resolvida, que sabia o que queria da vida e que não parecia ser brasileira. Este último comentário me intrigava, pois onde eu ia, as pessoas falavam comigo em inglês ou espanhol. Diziam que eu tinha toda a alegria de uma brasileira, mas que no fundo, parecia não ter nascido no Brasil e que aquela viagem era minha despedida do país. Fiquei pensando nisso, pois realmente já tinha viajado para fora do país e tinha me adaptado bem aos outros lugares. De fato, sentia que estava me despedindo de todos os lugares que ia e todas as pessoas que conhecia. Vivia tudo aquilo, como se fosse o último dia, mas feliz. Mas não sabia o que queria, não estava tão resolvida assim, apenas sempre soube que queria viajar e viajar.

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9º Destino - Rio Grande do Norte

Depois de 5 dias no Recife, voltei com Lemuel para João Pessoa e ele tinha que ir para Natal. Aproveitei a carona no Bla bla car e fui com ele!

Chegando lá, fiquei na casa dele e do primo Francisco de Assis, que me adotou e me ensinou tudo sobre forró, reggae, brega e todas as comidas típicas de lá. Cada estilo de música tinha uma história e um jeitinho de dançar, cada comida tinha um sabor peculiar e um tempero novo. E eu no meu mundinho, achava que conhecia o Nordeste.

Depois de uma semana, fui sozinha passar o fim de semana na praia de Pipa. Depois de um ônibus e duas vans, cheguei ao hostel. Dois voluntários me receberam e fui para o quarto. O hostel era horrível: banheiro, lençóis, chão, tudo sujo! Reservei com café da manhã e me disseram que não tinha.

Corri de lá, procurei na internet outro hostel que, por sorte, era novinho, limpo, cheiroso e muito bem decorado!

Fui caminhar na Praia do Amor para descansar. Já tinham me falado que Pipa era linda, mas eu havia passado por tantas praias maravilhosas, que duvidei. As falésias fazem as praias serem quase desertas, pois o acesso é mais difícil em algumas partes, é muito diferente de tudo que vi, enfim, é divino!

Depois fui ver o pôr do sol no Chapadão. É um lugar alto, muito bonito, mas voltei correndo antes que escurecesse, pois é meio longe do centrinho.

No dia seguinte fui à Praia do Centro e caminhei até a Praia dos Golfinhos. Parei para descansar, entrei no mar e quase morri do coração! Achei que era um tubarão, mas só eu me assustei! Então olhei bem e não acreditei. Eram golfinhos! Nunca havia visto golfinhos na vida e de tão perto! Eles nadavam bem perto de nós e apareciam toda hora, todos juntos! Incrível! Caminhei mais um pouco até a Praia do Madeiro. Ufa, é uma longa caminhada!

Na volta, encontrei um dos voluntários do hostel sujinho. Ficamos conversando sobre a vida e Gastón me contou que saiu do Chile, largou tudo e decidiu morar em Pipa por pelo menos 1 ano.

Eu contei a ele que no Carioca Hostel, onde eu estava, estavam precisando de gente para trabalhar. No dia seguinte Gastón conversou com os donos do hostel e conseguiu o trabalho! Saímos para comemorar seu emprego novo e conversar sobre essa vida de viajante. Nos despedimos e no dia seguinte voltei à Natal muito feliz por Gastón estar em um lugar melhor.

DICA: preste atenção nos horários dos ônibus de Pipa à Natal ou ao contrário, pois são meio complicados e não cumprem os horários de saída e chegada.

Fiquei quase 15 dias na casa de Francisco de Assis e Lemuel, saímos muito para dançar, descansei bastante também e fizemos poucos passeios de turista, mas foi tudo ótimo: Praia de Ponta Negra, Parque das Dunas, Praia da Redinha, muitas receitas, músicas e lágrimas de despedida.

10º Destino - Ceará

Não era um desejo meu conhecer Fortaleza, acho que por isso demorei tanto para sair de Natal. Mas estava nos meus planos visitar uma amiga que mora numa cidadezinha lá perto, então fui.

Fiquei no Albergaria Hostel próximo a Praia de Iracema, muito aconchegante e com cara de casa! Lá pude voltar a fazer meus freelas mais tranquila, tinha espaço e tranquilidade para isso. Achei incrível aqueles prédios enormes e em frente uma imensidão de mar! Caminhei pela Praia de Iracema e entrei no mar a cada 5 minutos.

Em Fortaleza faz muito calor! Muito mesmo! O bom é que a região tem bastante vento e o mar não tem muita onda, bom para fazer esportes como o kitesurf, windsurf e também stand up paddle. Eu só ficava olhando aquele marzão, com a cidade no fundo, as manobras de kite e de vez em quando uns golfinhos indo e vindo. Lindo!

Fui à Caixa Cultural ver a exposição do Henri Matisse, gostei bastante do prédio e da exposição. Caminhei até a Catedral Metropolitana e visitei o Mercado Central, enorme e cheio de lembrancinhas para comprar. Continuei caminhando e vários museus que eu queria visitar, estavam fechados. Mas consegui visitar: o Museu do Ceará, bem completo contando a história do Ceará; o Museu da Indústria, com máquinas antigas e objetos curiosos da história da indústria cearense e o famoso Theatro José de Alencar, com sua arquitetura maravilhosa e uma visita guiada rápida e com diversos horários. Ótimo!

Penúltimo dia, fui de ônibus até a Praia do Futuro. Tive a impressão que aquela cidade já tinha sido mais bonita, já teve seu auge. Chegando próximo a praia, desci na parada errada e caminhei um pouco até chegar lá. Duas pessoas por lá, me avisaram que o caminho era bem perigoso e me orientaram a ter cuidado. Na praia, as barracas estavam vazias, algumas destruídas, fiquei bem desanimada e logo voltei para o hostel.

No meio do caminho desci e fui ao Jardim Japonês, totalmente destruído e com moradores de rua dormindo lá. Fui até o Museu da Fotografia, o prédio é lindo por dentro e por fora e às quartas-feiras é grátis. À noite, fui a grandíssima Feirinha Beira Mar, ótima para quem quer levar uma lembrancinha de Fortaleza.

Em geral, a cidade é grande, com muita coisa interessante para ver e fazer, mas infelizmente está descuidada e alguns lugares são bem desertos, com muitos moradores de rua.

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No dia seguinte, cedinho, peguei o ônibus e fui encontrar Geisa em Paracuru, uma cidadezinha a 90 km de Fortaleza.

Conheci Geisa em Itacaré e ela falou tanto sobre a cidade dela, que eu fiquei curiosa para conhecer e também porque estava morrendo de saudades dela. Ela é muito alto astral, ama a cidade onde mora e me levou para conhecer tudo: a Praça do Farol, comemos peixe fresquinho na praia, fomos às dunas, comemos muito caranguejo, fomos à Praia do Kite, onde ficam todos os kite surfistas, comemos scargot super baratinho na beira da praia, comi mungunzá até explodir e todos os dias víamos o pôr do Sol em algum lugar. Lá o Sol se põe diferente e muito grande. É inesquecível! Fiz uma coleção de fotos de pôr do Sol e experimentei muita comida boa!

Numa das nossas longas conversas e resgatando meu sonho de ir para à Europa, decidi comprar minha passagem para a Espanha e seguir minha viagem por lá. Há anos eu tinha essa vontade e então usei minhas economias para comprar também minha passagem de São Luís para São Paulo.

Chegando no meu último destino, teria que voltar para Sampa e fazer novamente as malas: dessa vez trocaria as roupas de verão pelas de inverno!

Decidir essa próxima viagem me deixou mais aliviada. Era mais um sonho saindo do papel e que eu estava deixando de lado. Essa viagem no Brasil me fez entender que tudo era possível e não tinha como pensar ao contrário mais!

Era meu último dia em Paracuru, com uma certa tristeza eu e Geisa nos despedimos, mas com a certeza de que vamos nos encontrar de novo.

Foi quando meu amigo Diego me escreveu dizendo que estava saindo de João Pessoa. Chegaria em Fortaleza e depois iria direto a Jericoacoara. Falei para ele me esperar e aproveitei a companhia para ir também.

Para chegar a Jericoacoara, a melhor maneira é sair de Fortaleza até Jijoca e então pegar um 4x4 até o Parque Nacional de Jericoacoara. Toda essa logística já está incluída na passagem que você compra na rodoviária de Fortaleza. Fácil, porém cansativo!

Ficamos conversando na rodoviária sobre as viagens e decidindo que hostel ficaríamos em Jeri, enquanto esperávamos o ônibus.

Seis horas de viagem até Jijoca e mais 1 hora no 4x4, no sobe e desce na areia, chegamos! O céu estreladíssimo, fomos dormir no Hostel La Tapera.

O hostel era lindo, rústico e o café da manhã maravilhoso! Ma-ra-vi-lho-so! Tapioca, ovo de todo tipo, cuscuz, sucos, café, pães! Eita Nordeste!

Fomos para a praia e ficamos impressionados com a beleza do lugar. A praia era tranquila, linda, o mar calminho, o vento na medida! Caminhamos até a Praia Malhada e estávamos os dois muito felizes e surpresos com tudo aquilo.

Voltamos para o hostel e fizemos amizade com 3 argentinos, que estavam no mesmo quarto que o nosso. Conhecemos mais uma galera e fomos para a famosa festa na praia. Jeri tem vários eventos diferentes à noite. E tem essa festa na praia, com um DJ e um monte de carrinho de bebidas em volta dele, formando uma pista de balada ao ar livre!

Na festa, conheci Lucas e os amigos dele. Fomos até a praça central, que é linda e lá eles começaram a fazer um “lual”. Jeri tem dessas coisas, as pessoas se juntam do nada, quando vemos parece que todos se conhecem há muito tempo, sem julgamento e com muito respeito entre as pessoas. É algo que nunca senti em outro lugar e só sabe quem foi lá e viveu.

Conversando com Lucas, ele me contou que estava empreendendo lá em Jeri e que precisava de um designer para fazer o material gráfico dele. Ele ficou super animado quando eu disse que poderia ajudá-lo e no dia seguinte, encontrei ele e o sócio dele, Marcelo.

Eles criaram o Jeri Experience, para vender experiências e não passeios, diferente do que todo mundo fazia ali. A ideia era muito boa e para ajudá-los eu precisaria ficar em Jeri por mais uns dias. Me deram um espacinho para dormir e trabalhar, fizemos a troca de hospedagem por serviços de design e tudo deu super certo! Eles já estavam com tudo quase pronto para começar e o Jeri Experience hoje é um sucesso, com pub crawl, passeios noturnos nas dunas, tour gourmet e muitas outras ideias ótimas!

Todo dia eu ia à praia com os argentinos e com Diego e a tarde ajudava no Jeri Experience. Mas pude curtir a vila, conheci também a Pedra Furada, vi muitos pôr do Sol das dunas, fui ao Forró de Trás da Igreja e ao Samba Rock.

Fiz muitas amizades em Jeri, nacionais e internacionais, descansei, trabalhei, me diverti e aprendi muito.
Numa conversa com Lucas estávamos falando sobre o que tínhamos aprendido ao largar tudo e partir para o mundo e lembro que ele me disse: “Aprendi que tudo é possível!”.

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Sai de lá já com muitas saudades de tudo e de todos! Foi difícil, era uma despedida em cada lugarzinho de Jeri.

Diego foi para Sampa e eu peguei um 4x4 que passaria por Teresina, no Piauí e iria até Barreirinhas, no Maranhão. Essa é a melhor opção, pois não existem ônibus que saem de Teresina até Barreirinhas, somente transfers e são mais caros.

No carro fui eu e um casal de franceses, Rami e Charlie. Em Teresina, embarcou também um figurassa, o Constantino.

Consta, como preferia ser chamado, era um pessoa muito simpática e estava há 9 meses viajando, como eu. A diferença é que ele viajava também para outros continentes, sem seguir um roteiro. Ele deixou seu cargo de “homem de negócios” em uma ótima empresa e estava viajando o mundo! Ainda bem q ele chegou, pois me ajudou a falar inglês com os franceses, além de ser o nosso guia em Maranhão.

Chegamos em Barreirinhas e os franceses foram para um hotel e nós, os mochileiros, fomos para um hostel, no centro. Fomos visitar a cidade e encontramos os franceses passeando também. Tomando uma cervejinha na beira do Rio Preguiça, decidimos que faríamos todos os passeios no dia seguinte e já partiríamos para São Luís.

Acordamos cedo e Consta, com sua simpatia e dom para os negócios, conseguiu que um nativo, dono de um barquinho, nos levasse para um passeio no Rio Preguiça e pagamos menos que nas agências de turismo. O passeio foi lindo. Fizemos uma pequena parada em Vassouras, um lugar cheio de macaquinhos, depois fomos para Mandacaru e subimos no Farol Preguiças com uma vista incrível.

Depois, mais um tempinho no barco e chegamos à Caburé. Lá tem uma barraca enorme que serve frutos do mar fresquinhos. Antes de comer, fomos de quadriciclo até a pontinha da praia e vimos o encontro do mar com o rio. Foi uma experiência muito linda e cheia de adrenalina! Na volta, paramos o barco e mergulhamos no meio do Rio Preguiça, geladinho e refrescante!

Chegamos em terra e corremos para a agência de turismo. Faríamos o passeio até o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses! Subimos no 4x4, que pulava muito e chegamos até lá.

Ao chegar no alto da primeira duna, ficamos calados! O que era aquilo? Era a coisa mais surreal que eu tinha visto na vida. Eram dunas até o infinito e muitas lagoas azuis! O calor é de matar, o reflexo da luz do Sol na areia cega os olhos, mas é lindo!

Dica: para o Nordeste em geral, parece óbvio, mas muita gente esquece: leve com você água, óculos, protetor solar e roupas leves, sempre!

O passeio era guiado e fazíamos umas pequenas caminhadas e umas paradas nas lagoas! A cor do céu se misturava com as dunas e estávamos realmente de boca aberta, não tão aberta para que não entrasse areia com o vento! Aproveitamos o cenário para fazer muitos vídeos e milhões de fotos, que quase pareciam montagens. Saltávamos e rolávamos do alto das dunas até a lagoa! Tudo lindo!

Pausa final para o pôr do sol e começamos a ficar preocupados com o horário do ônibus. Antes do Sol se esconder já estávamos dentro do 4x4 esperando todo mundo. Chegando na cidade, paramos um carro no meio da rua e pedimos uma carona! Não ia dar tempo! O rapaz do carro ficou assustadíssimo, mas depois começou a rir da nossa saga. Corremos até o hostel, pegamos as malas e depois fomos até o ônibus. Entramos todos, mas onde estava Consta????

Cinco minutos depois, ele chegou com 4 hot dogs! Rimos muito, estávamos cansadíssimos, mas valeu a pena cada segundo daquela saga.

Enfim São Luís!

Nos hospedamos perto da Lagoa da Jansen e na verdade não era a melhor localização. Não tinha supermercado por perto, nem muita coisa para fazer, mas o hostel era muito cômodo e tranquilo.

Nos despedimos do casal de franceses e fui com Consta conhecer o centro da cidade. Nos indicaram comer no Cafofinho da Tia Dica e foi ótimo! Novamente eu estava aproveitando de todas as comidas brasileiras e me despedindo das delícias que temos no Nordeste.

Caminhamos pelo centro, amamos os prédios com os azulejos coloridos. Fomos ao Museu Huguenote Daniel de La Touche e ali entendemos um pouco da história de São Luís. À noite, saímos para a despedida de Consta. Nos divertimos muito! Dançamos samba, o reggae do Nordeste, conversamos com um morador de rua, paulista e conhecedor nato de todo o rap de São Paulo! Foi muito engraçado!

No dia seguinte, fui conhecer melhor o centro. Fui até o Ceprama comprar uma lembrancinha com os azulejinhos de São Luís, passei pelo Convento das Mercês que possui uma arquitetura linda e histórias interessantes sobre São Luís. Na frente do convento fui ao Cafua das Mercês e segui caminhando. Entrei no Centro de Cultura Popular Domingo Vieira Filho e aprendi muita coisa sobre as festas típicas e o folclore do Maranhão. Passei pelo Mercado das Tulhas, a Casa do Maranhão, Palácio dos Leões e Casa de Nhozinho.

Era tanta cultura e pessoas importantes que fizeram história e eu nem conhecia, que fiquei muito feliz de terminar minha viagem ali.
Os funcionários que trabalhavam nos pontos turísticos eram muito simpáticos, bem informados e pareciam amar o que faziam: contar a história da cidade.

No último dia, dei uma passadinha na praia do Calhau, fiz as malas e parti para Sampa!

Confesso que não tinha a menor vontade de voltar. Como lá não tenho casa, voltei a fazer voluntariado e tive a minha primeira experiência ruim como worldpacker. O donos do hostel se irritavam quando estávamos no hostel nas nossas horas livres, nos culpavam por todas as coisas erradas que aconteciam, enfim, não tive muita sorte e paguei um hostel até chegar o dia da minha próxima viagem.

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Depois disso, na Espanha, estive em dois hostels como worldpackers, mas hoje estou empregada em uma empresa de design e também sigo fazendo freelas.

Estava um pouco cansada da vida de hostel e quando trabalhamos em recepção, com contato direto com o público, é normal querermos estar alguns dias sozinhos, por isso hoje moro em um apartamento compartilhado.

Dica: é muito importante intercalar uma temporada no hostel, com outra em um lugar mais privativo.

Outra dica: Às vezes não viajamos por medo de gastar dinheiro, mas na verdade não se gasta tanto assim como imaginamos. Podemos compartilhar gastos da comida com alguém, ou ganhar um almoço feito por um hóspede, podemos fazer passeios em grupo e pagar menos, visitar lugares não tão turísticos e assim economizar uma graninha, pegar carona e transportes alternativos ao ônibus e táxi, caminhar ao invés de pegar ônibus coletivo. Além do que, a troca de hospedagem por trabalho já ajuda muito a economizar a maior parte da grana.

Última dica:nós sempre sabemos a hora certa de partir. O corpo e a alma começam a pedir lugares novos. Escute-os! Eu estou há 3 meses na Espanha e já estou começando a sentir falta da estrada.

É isso, na dúvida, vá.

Se na hora de ir, der medo, vá com medo mesmo.

Se você não planejou, relaxe que as coisas vão acontecendo e te levando para onde você deveria estar. E como você pôde ver, eu nunca estava sozinha de fato e, nos perrengues, sempre aparecerá alguém para ajudar. Se você não tem dinheiro, lembre-se que não é só o dinheiro que tem valor nessa vida. O resto, a gente só agradece.

Vem!


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Claudia

Viajera e designer! Um dia decidi que a vida tinha que ser vivida e fui lá ver e fazer! Viajei 10...

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Ago 21, 2018


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