5 motivos para incluir a Romênia na sua lista de destinos

Pensando em conhecer a Romênia em uma viagem alternativa para o Leste Europeu? Nesse artigo juntei dicas de cidade e tudo que você precisa saber antes de ir para lá!


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Mar 11, 2019

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a Romênia é conhecida por seus grandes castelos

Se você não sabe onde fica a Romênia no mapa, não se preocupe. Eu também não sabia antes de ir e, para ser sincera, ainda cheguei no país sem saber direito.

A Romênia fica no Leste Europeu e faz fronteira com outros países como a Hungria, a Moldávia, a Sérvia, a Ucrânia e a Bulgária. É um país grande para os padrões do leste europeu e é lá onde fica a famosa Transilvânia e o Castelo do Drácula, dois lugares que não são só conhecidos na literatura: eles realmente existem!

A Romênia é um destino pouco incluído nas listas de viagens e é justamente por isso que vale a pena conhecê-la. Em primeiro lugar porque o povo romeno, principalmente das cidades menores, quando descobre um estrangeiro viajando pelo país, não hesita em tratá-lo como um rei: oferece comida, informação e boa conversa, fazendo questão de mostrar o quanto os estrangeiros são bem-vindos. Segundo porque não há concorrência para fotos e selfies nos pontos turísticos, além do fato de que a baixa procura pelo país faz com que viajar por ele seja extremamente barato.

Dito isso, o transporte para os lugares mais legais de se conhecer não é excelente, embora não seja necessariamente ruim. Na verdade, o maior desafio é conseguir informações, não por questões linguísticas, já que a geração mais jovem fala inglês muito bem e a mais velha saberá falar italiano, espanhol ou algum outro idioma de origem latina que com certo esforço nós entendemos; mas sim porque os canais de informação sobre transporte (horário de ônibus/trem) não são muito claros ou atualizados.

A Romênia não é um país rico, apesar de fazer parte da União Europeia. Seu povo sofreu muito ao longo do período em que o país foi governado pelo regime fascista de Ion Antonescu que, a exemplo de Hitler, exterminou os judeus, além de muitos ciganos.

Após esse período, a Romênia foi ocupada pela União Soviética, o que não foi muito melhor: a resistência anticomunista do país foi uma das que lutou por mais tempo contra o regime comunista no Bloco Leste. Depois de tudo isso, o país lentamente conseguiu se reerguer até finalmente entrar para a União Europeia.

Como consequência de sua história, a Romênia ainda conta com uma considerável dívida externa, problemas de infraestrutura e corrupção, tendo, apesar disso, conseguido reduzir o desemprego e o índice de pobreza da população. Por isso, esse país é repleto de castelos e belezas naturais, mas também possui muitos contrastes. Para quem ama história e antropologia, é um prato cheio!

Mas o que há para conhecer em uma viagem para Romênia? Vamos ao que importa:

1. Castelo Bran


Viagem para a Romênia: Castelo Bran

O Castelo do Drácula! A verdade é que o castelo não é bem do Drácula, mas na verdade pertenceu ao príncipe Vlad Tepes, também conhecido como Vlad Dracul, que serviu de inspiração ao escritor Bram Stoker. Segundo a lenda, ele era chamado de Vlad, o empalador, e foi um torturador bem famoso na época. As lendas se espalharam e como os romenos são muito supersticiosos, as histórias de espíritos malignos e vampiros surgiram a partir dessa figura histórica.

A maneira mais fácil de chegar ao Castelo Bran é pegar um ônibus a partir de Brasov, uma cidade linda e repleta de construções medievais que vale a pena conhecer. O ônibus parte do Terminal 2 de Brasov e sai a cada 30 minutos durante a semana e de hora em hora nos fins de semana. No terminal, procure pelo ônibus Brasov-Moeciu.

A passagem custa menos de 2 euros (aproximadamente 7 lei, na moeda local). É possível também ir de táxi por 20 euros, contratando uma empresa de serviços de táxi especializada, com motoristas bilíngues. A empresa chama Bratax.ro. Eu utilizei esse serviço e é realmente muito bom: motoristas educados, carros de excelente qualidade e viagem tranquila.

O castelo abre todos os dias do ano e custa aproximadamente 40 lei por adulto (8,50 euros). Os horários de funcionamento são:

Do mês de abril a setembro: segunda, das 12h às 18h. Terça a domingo, das 9 às 18h.

De outubro a março: segunda, das 12h às 16h. Terça a domingo, das 9 às 16h.

2. Brasov (se pronuncia “bráxov”/”bráshov” como o “s” dos cariocas)


Centro de Brasov, Romênia

Brasov é uma cidade de aproximadamente 300.000 habitantes, onde está a Universidade da Transilvânia, bem como a Poiana Brasov (um local para a prática de esqui), a região de Tampa, onde há uma reserva natural, sem contar as inúmeras construções medievais da região.

Uma delas é a Cidadela de Rasnov, onde há uma imponente fortaleza do século 14. A vista é simplesmente incrível. Para chegar à Brasov, saindo da capital a melhor opção é o trem. A viagem pode ser feita durante o dia ou à noite, demora 2h30 e custa aproximadamente 29 lei (25 reais). Opte pelo Intercity (IC) se possível, é mais confortável.

Já para chegar à cidadela de Rasnov, a opção mais econômica é o ônibus Transbus Codreanu. A viagem sai aproximadamente R$6 e demora 25 minutos. É possível consultar os horários do ônibus nesse site. Fique atento e pesquise o horário de volta também! De táxi a corrida sairia por R$35.

3. Sinaia e o Castelo Peles (se pronuncia “pelex”/”pelesh”)


Viagem para a Romênia: Castelo Peles, Sinaia

Sinaia é uma cidade de 15.000 habitantes sustentada principalmente pelo turismo, que gira bastante em torno do Castelo Peles, um dos mais lindos que já vi, apesar de bem pequeno. Esse castelo inclusive foi o cenário de um filme natalino do Netflix chamado "O príncipe do Natal: o casamento real". Se tudo isso ainda não te convenceu, esse castelo foi eleito um dos mais belos da Europa.

Para chegar à Sinaia, de Bucareste, pegue o trem na Bucaresti Gara Nord A. A viagem é feita pela Romanian Railways, dura 1h30 e custa aproximadamente R$25.

Há a opção de ir de ônibus, no entanto, nesse caso a viagem é de Bucareste a Câmpina e de Câmpina a Sinaia, e se tem algo que eu aprendi na Romênia é que viagens diretas são a melhor pedida (como eu já disse, encontrar informações precisas nas rodoviárias e estações pode ser um pouco confuso). 

No meu caso, eu viajei de Brasov a Sinaia com um ônibus direto. Há duas companhias que fazem o trajeto de 50 minutos: a Transbus Codreanu, saindo uma vez ao dia da rodoviária Autogara 1 de Brasov, e a Avanti Trade, saindo 2 vezes ao dia. Recomendo a Transbus, que possui informações mais claras no site. A passagem sai por 10 lei (R$9).

4. Timisoara (a pronúncia é “timixoara”)


Castelo Corvin, Timisoara, Romênia

É a maior cidade histórica da região, a terceira cidade mais populosa do país (com 350.000 habitantes) e foi eleita um centro de cultura da Europa. As principais atrações são os edifícios religiosos e o Castelo Huniade, também conhecido como Castelo Corvin ou Hunedoara.

Para chegar a Timisoara, saindo de Bucareste, as opções são, em ordem de tempo e conforto, avião (3h), trem (10h30) ou ônibus (10h30). Em termos de preço, a ordem é inversa, claro: ônibus, trem, avião.

5. Bucareste (em romeno “bucurexti”/”bucureshti”)


Viagem para a Romênia: Bucareste, capital do país.

É a capital do país, portanto, um contraste em relação a todos os castelos e atmosfera medieval das cidades menores. Bucareste tem uma cena musical bastante interessante, principalmente para quem gosta de música eletrônica.

A maneira mais comum de chegar à Romênia é pelo aeroporto internacional da capital, Henri Coanda. Cuidado ao pegar táxis nesse aeroporto. Se puder, reserve o transfer pela internet antes de chegar. Eu não fiz isso e quase levei um golpe com o taxista que fingia não falar inglês e queria cobrar um valor absurdo pela corrida. Por sorte, um dos funcionários do hotel onde me hospedei no dia em que cheguei percebeu a situação e me ajudou.

Inclusive, vale reforçar, em geral, romenos são bastante solícitos com viajantes e irão te ajudar se você pedir ou se perceberem que você precisa. Isso acontece um pouco menos na capital, como é de se esperar, mas nas cidades menores é realmente algo digno de nota.

Bucareste é repleta de monumentos, parques e cafézinhos. O principal destaque é o prédio do Parlamento Romeno, o maior palácio do mundo. Com seus 350.000m², a vista é de tirar o fôlego!


Parlamento Romeno, o maior palácio do mundo

Muitos dirão que a cidade é cinza e um pouco deprê, mas tudo depende da sua maneira de olhar: não dá para comparar cidades pequenas, coloridas, medievais e simpáticas à capital e querer que ela seja tão alegre quanto o interior romeno. 

Ainda assim, é uma cidade que vale a pena conhecer, principalmente para captar um pouquinho da atmosfera de desenvolvimento econômico que a Romênia está vivendo e entender como é a vida urbana e moderna nesse país de tantas paisagens antigas e históricas.

O que mais eu preciso saber antes de embarcar para a Romênia:

Dinheiro:

A moeda romena se chama Leu (pronuncia-se “lei”). Ela é um pouquinho mais barata do que o real. Para comprar essa moeda, você precisa ter euros para então trocar o dinheiro pela moeda romena no aeroporto.

Se você precisar trocar o dinheiro em outros locais além do aeroporto, pergunte a um romeno onde ele recomenda. Normalmente as casas de câmbio ficam na rua, mas há as mais confiáveis. Não me lembro qual casa de câmbio eu usei, mas me lembro de ter feito exatamente isso: perguntei para alguns romenos qual local eles indicariam e fui no que foi mais comentado.

Segurança:

A Romênia é, em geral, um local seguro. É menos seguro do que outros países da Europa Ocidental, mas é bem tranquilo se você tem o leste como referência. Há um pouco de assédio e machismo, porém, na minha opinião, com uma frequência bem menor do que no Brasil.

Acomodação:

Se hospedar na Romênia não é caro. Você encontra hostels muito bons em Bucareste que custam R$27 a noite. Tanto Brasov quanto Sinaia já são mais turísticas, por isso o preço mais barato será entre R$45 e R$60 a noite. Em Timisoara, você encontra bons hostels a partir de R$35.

Para quem está pensando em economizar na acomodação, a Worldpackers também tem um bom número de opções de voluntariado de trabalho em Brasov, Bucareste e Cluj-Napoca, essa última conhecida por ser uma cidade estudantil.

Saúde:

Tenha um seguro de viagem/saúde internacional bom em sua viagem para a Romênia. Sério. O sistema público não é muito elogiado pelos locais, que quando podem contratam um plano de saúde particular, assim como no Brasil.

Quando eu caí na neve e me machuquei, ter o seguro fez toda a diferença, embora o que realmente tenha me impressionado mais nesse dia tenha sido a gentileza dos próprios romenos de Brasov: teve o velhinho que chamou a neta para ligar para alguém que pudesse me levar para o hospital, a moça que me deu carona sem cobrar nada, o universitário que me acompanhou no caminho fazendo tradução simultânea para o inglês quando necessário e a atenção dos médicos e enfermeiros.

Alimentação:

A comida da Romênia é vendida a um preço bem semelhante ao praticado no Brasil. Os restaurantes tendem a ser um pouco mais baratos. Para vegetarianos(as), como eu, o desafio é um pouco maior, pois come-se bastante carne na Romênia.

Como eu fui no inverno, sopas, pães e massas me ajudaram bastante e eu ia muito ao mercado também em busca de opções para cozinhar. Quanto às comidas locais, os doces me agradaram mais: o típico gogosi (se fala “gógóxi”, é um tipo de donuts) e a franquia de pretzels Gigi’s. São barraquinhas de pretzels espalhadas pela cidade. A minha dica é: experimente todos os sabores. Serão os melhores pretzels da sua vida!

Transporte:

O transporte na Romênia é mais pontual do que no Brasil e menos do que em outros lugares da Europa. Os ônibus não tem catraca, mas você precisa comprar os bilhetes na bilheteria antes de entrar no ônibus. Ninguém confere se você comprou mesmo o bilhete, mas não tente dar uma de esperto: frequentemente há fiscais que entram para conferir se todos os passageiros têm seus bilhetes e, se você não tiver, além do constrangimento, precisa pagar uma multa bem salgada de 40 euros.

Nenhuma companhia aérea faz voo direto Brasil - Romênia. Você terá que fazer conexões e nessa brincadeira a viagem pode levar até 30h. Eu voei pela Lufthansa e fiz escala em Frankfurt. Comprando com antecedência e aproveitando super promoções, a passagem pode custar R$1.900. Quando o preço sobre um pouco chega a R$2.500, podendo sair até R$3.000. Você não precisará de visto antes de viajar: eles carimbam o seu passaporte com um visto de 90 dias na chegada ao aeroporto.

Clima:

As temperaturas no inverno são rigorosas (para nós brasileiros). Quando eu estava lá, chegou a -24ºC, o que foi uma temperatura inesperada até para os romenos. Geralmente no inverno ela gira em torno de 0ºC a -10ºC. Nem tente usar suas roupas de inverno da América Latina lá, não vai dar certo. Aproveite que as roupas na Romênia são super em conta e renove o guarda-roupa para o frio do leste europeu. Já no verão, a temperatura fica entre 20ºC e 22ºC, sendo essa a época de maior precipitação do país.

É isso aí pessoal! Multumesc (obrigada) e boa viagem!


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Mar 11, 2019

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