Música, viagem e voluntariado: a banda que chegou ao Grammy Latino com a Worldpackers

Em 2015, nós (a banda Vitrola Sintética) fomos indicados ao Grammy Latino como Melhor Artista Novo e Melhor Engenharia de Gravação. Sem dinheiro para fazermos a viagem, logo surgiu a ideia de trocarmos shows pela estadia, para reduzir os custos. Éramos seis pessoas, quatro integrantes da banda, um produtor e um cineasta (que registrou a viagem).

Integrantes da banda Vitrola Sintética

Nós saímos de São Paulo para Los Angeles, onde alugamos um motor home (aproximadamente 635 dólares por 10 dias). De lá, seguimos direto para o primeiro destino: San Diego.

No mesmo dia que chegamos a San Diego, fizemos nosso primeiro show no Zoo Hostel. Alguns hóspedes e funcionários nos ajudaram a transformar a sala em um espaço apropriado para o show.

Alguns dos equipamentos que precisávamos para os shows e para as viagens, depois de comprados pela internet, foram enviados para o hostel e guardados com muito cuidado em uma sala reservada.

Apesar dos problemas com o idioma, a receptividade do público foi ótima e após o show colocamos alguns produtos da banda à venda. Acreditamos que haviam cerca de 60 pessoas durante o show.

Trocamos ideias com pessoas de várias nacionalidades e encontramos uma cantora australiana maravilhosa, com quem tocamos e gravamos um vídeo no dia seguinte.


Integrantes da banda Vitrola Sintética

No dia seguinte acordamos, tomamos café da manhã no hostel e seguimos para nosso segundo destino, Big Bear.

Já no segundo dia de viagem fizemos nosso segundo show, no ITH Hostel. Antes disso, tivemos tempo para jantar, oferecido pelo próprio anfitrião.

Havia um espaço externo reservado para o show do lado de fora, mas como fazia muito frio e o palco estava congelado, fizemos o show na bela e acolhedora sala do hostel.

Em Big Bear tivemos mais dois dias livres, quando aproveitamos para descansar e aproveitar as dependências do hostel. Curtimos a neve enquanto dávamos uma volta pelas redondezas. Tivemos direito a café da manhã e jantar todos os dias.

Nosso terceiro destino foi Las Vegas, onde ficamos no Sin City Hostel. Como nos outros hostels, fizemos o show no primeiro dia e na sala principal do hostel. Nesse show, havia cerca de 40 pessoas. Fomos muito bem recebidos por pessoas de várias nacionalidades.

Esta troca de experiências foi uma das coisas mais gratificantes da nossa viagem. Como tínhamos muitos compromissos em função do Grammy Latino, cuja cerimônia acontece em Vegas, ficamos por cinco dias no hostel.

Não temos os gastos detalhados da viagem, mas como estávamos em seis pessoas, pelas nossas contas, economizamos cerca de dois mil dólares.


Integrantes da banda Vitrola Sintética

Porém, notamos que não trata-se apenas de ter feito essa economia. De fato, o que poderia ter sido uma simples hospedagem, transformou-se numa experiência muito rica e transformadora. Ali, nós oferecemos nossa energia em forma de música, para todas aquelas pessoas, que, em troca, também nos ofereceram muitas coisas: conversas, histórias, serviços e momentos.

No mundo de hoje, muitas vezes dominado pela individualismo, a vivência de passar pelos hostels oferecendo música nos fez refletir como uma grande parte da qualquer viagem é estar com as pessoas, e com elas, viver uma experiência de compartilhamento.


Integrantes da banda Vitrola Sintética

O valor monetário, enquanto moeda de troca, não é o único. Há valor na troca de afeto, de sorrisos, de abraços, de atitudes. A experiência que passamos com a Worldpackers nos mostrou que isto é possível, o que nos traz a esperança de um mundo mais fraterno e mais coletivo, onde os encontros tornam-se mais verdadeiros, mais reveladores, mais profundos. Ou seja, há a possibilidade de nutrir uma sociedade mais justa, menos tensa.

Esperamos um dia poder retornar. Claro, fazendo música em troca de energia positiva. A hospedagem, no final das contas, é só um detalhe.



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