Nômades Digitais: um guia completo para se tornar um

Os nômades digitais têm conquistado seu espaço e a liberdade de trabalhar pelo mundo e com uma rotina diferente. Entenda mais sobre esse estilo de vida que encanta viajantes.


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Tati Bertucci

Fev 26, 2019

Ama viajar e compartilhar suas experiências e dicas para viver a vida dos sonhos no canal Tati Bertucci do youtube e no blog Quero Ir.

Guia para nômades digitais

Nômade digital é o termo usado para as pessoas que usam tecnologias de telecomunicações para trabalhar remotamente, ganhar dinheiro e viver sem a necessidade de se fixar em um só lugar.

A seguir você vai conseguir compreender com tranquilidade como funciona o universo dos nômades digitais, quais as vantagens e desvantagens de se levar uma vida assim e como você também pode ser um, se inspirando nas experiências de pessoas que já vivem assim.

1. Afinal, o que é o nomadismo digital?

O nomadismo digital basicamente é um estilo de vida que teve início no final dos anos 1990.

Uma das primeiras vezes em que o termo “nômade digital” foi utilizado foi em um título de um livro de Tsugio Makimoto e David Manners, publicado pela editora Wiley em 1997.

O livro aborda como as possibilidades tecnológicas combinadas com o desejo natural de viajar de algumas pessoas podem permitir com que a humanidade viva em constante movimento. Não se sabe ao certo se o termo foi criado nesse livro ou se os autores o retiraram de outro local.

De qualquer maneira, fica claro que o nomadismo digital é um modo de viver a vida e não uma profissão específica. Na realidade, existem diversas profissões ou atividades que englobam esse estilo de vida ou que podem até mesmo serem adaptadas a ele.

A comunidade de nômades digitais geralmente inclui pessoas jovens ou simplesmente indivíduos que mantêm a juventude mesmo com a maturidade. São pessoas que gostam de explorar o mundo, que não gostam de rotina, que se dão bem com a tecnologia e que conseguiram unir esses três fatores para criar um novo estilo de vida.

Com a tecnologia da internet rápida, dos smartphones e dos laptops, esses indivíduos viram uma oportunidade de trabalhar remotamente. Com isso eles podem trabalhar em qualquer parte do mundo, o que consequentemente os faz viajar mais e certamente fugir da rotina.

Além desses motivos, muitos dos nômades digitais que existem hoje não planejaram propriamente a saída de um emprego em um posto físico para então seguir uma vida com mais liberdade.

Frequentemente ocorre de algumas pessoas se tornarem nômades digitais “por acidente”, uma vez que estão desempregadas e enxergam a internet como um meio de usar sua criatividade para empreender e ganhar dinheiro.

Planejado ou não, pode-se dizer que o nomadismo digital é um movimento que tem dado muito certo para milhares de pessoas ao redor do mundo. É possível fazer dinheiro trabalhando remotamente, aumentando a sua qualidade de vida não apenas no lado financeiro, mas também na satisfação pessoal de ter uma vida muito mais flexível.

2. Vantagens e desvantagens de ser um nômade digital

As vantagens de ser um nômade digital são inúmeras e podem já ter ficado bem claras, como a maior liberdade de ir e vir e também a flexibilidade de horário de trabalho.

Imagine o seguinte cenário: você decidiu acordar às 6 da manhã hoje para finalizar um trabalho até o horário do almoço e ter o restante da tarde para explorar uma cidade que está visitando pela primeira vez. E que após um dia de turista, você decidiu fechar a noite com uma festa.

No dia seguinte, provavelmente você vai acordar um pouco mais tarde após ter festejado, mas tem a possibilidade de trabalhar até de noite, já que seus horários são flexíveis e você tem a liberdade de fugir da rotina quando tiver vontade.

Porém, não são todas as pessoas que têm automotivação para trabalharem sozinhas, sem ter um chefe comandando ou os horários da empresa para cumprir. Outro problema é não ter habilidade para se organizar financeiramente.

Geralmente, quando se trabalha em uma empresa, o indivíduo já sabe o valor fixo que receberá ao final de cada mês e que terá férias pagas e, quem sabe, mais alguns outros benefícios como seguro saúde, dentista, vale alimentação, e por aí vai.

O nômade digital tem que saber o quanto precisa trabalhar para pagar todas as suas contas e também as suas refeições, as visitas ao médico e também guardar dinheiro para o futuro. Investir dinheiro é muito importante, porque senão vive-se apenas para pagar as viagens e não se enriquece nunca.

Quando o nomadismo digital começou a ficar conhecido, se via muito fotos de pessoas na praia trabalhando no computador, para divulgar esse estilo de vida como “o emprego dos sonhos”. Mas você consegue se imaginar trabalhando em seu laptop com areia voando no seu rosto e a luz do sol ofuscando a sua visão? Precisamos ser realistas.

Bons nômades digitais separam muito bem a sua hora de trabalho da sua hora de lazer e, normalmente, as horas de trabalho são passadas dentro de um quarto de hotel, sentados em uma mesa, totalmente focados em sua atividade.

Também pode-se trabalhar em coworkings (locais de trabalho compartilhado), áreas comuns de hostels ou em cafés.


Os nômades digitais podem trabalhar de qualquer cidade que tenha acesso à internet

3. Como se tornar um nômade digital

Para se tornar um nômade digital você precisa estar totalmente de acordo com esse estilo de vida, considerando tudo o que já foi dito neste artigo, incluindo as vantagens e desvantagens. Você acredita estar dentro do perfil?

Se a resposta foi sim, agora você só precisa de uma boa dose de coragem e um pouco de planejamento. Sem dúvida, ter coragem é o passo mais difícil, uma vez que muita gente ainda trabalha em um emprego fixo e tem insegurança de abandoná-lo ou então tem dificuldades em deixar para traz sua tão conhecida rotina, além de família e amigos, que vão ficar longes fisicamente.

Cadu Cassau, por exemplo, que é um brasileiro nômade digital desde 2014, decidiu trocar de profissão. Ele era biólogo quando viajou para a Austrália e teve a ideia de viver trabalhando como freelancer.

No início, ele trabalhou como barman, mas já havia criado um canal no YouTube e pesquisava muito sobre produção de vídeo. Foi então que ele decidiu produzir vídeos institucionais, para começar a trabalhar como freelancer.

O primeiro cliente foi o próprio bar em que trabalhava como barman e o vídeo serviu como portfólio, para conquistar outros clientes e fechar mais trabalhos. Além da coragem de deixar o Brasil, Cadu teve muita iniciativa em oferecer o seu serviço, mesmo sem experiência, e ainda construir a sua nova carreira.

Após trabalhar muito tempo como freelancer, hoje o Cadu vive do compartilhamento do seu conhecimento adquirido nos últimos anos. Ele tem seu próprio curso de como ser um nômade digital e cria conteúdos sobre viagem e desenvolvimento pessoal para um público de mais de 200 mil pessoas em seu canal Se Joga Cara no YouTube.

No caso dele, podemos dizer que a vida de nômade digital foi acontecendo no caminho, mas ela também pode ser pensada e planejada antes. Pesquise bastante sobre o trabalho nômade para se inspirar e já comece a estudar se já tem ideia do que gostaria de seguir. Em como viver financeiramente através do nomadismo digital você pode ter ideias de profissões que podem se encaixar nesse estilo de vida.

Já o americano Will Carmack, por exemplo, que é nômade digital desde setembro de 2018, passou muitas horas de almoço do seu antigo trabalho estudando como editar vídeos e muitos finais de semana escrevendo roteiros de vídeos. Ou seja, ele sacrificou os seus momentos de lazer para poder se tornar um filmmaker e viajar o mundo, que era o seu maior sonho.

Com seus vídeos criativos e inspiradores, ele saiu de Los Angeles e conquistou uma audiência de mais de 50 mil pessoas em pouquíssimo tempo, que o ajuda a viver gastando muito pouco, enquanto ele trabalha como freelancer de edição de vídeos e guarda o dinheiro do seu trabalho para o futuro.

Will usa seu Instagram para encontrar pessoas que o hóspede por alguns dias em suas casas em cada cidade que visita. Quando ele não encontra um anfitrião, entra em contato com hostels para trocar o seu trabalho de produção de vídeo por hospedagem.

O planejamento também engloba poupar dinheiro durante algum tempo, para poder viajar com alguma reserva financeira e estar preparado para emergências. Também é importante pesquisar sobre seu primeiro destino e sobre o visto que precisará, além de fazer o passaporte, fechar um seguro viagem e todos os trâmites necessários para se fazer uma viagem, que você pode conferir em quais documentos levar para uma viagem nacional ou internacional.

Algo que não é imprescindível, porém muito importante, é saber falar inglês. Saber falar o idioma abre portas para se comunicar no exterior, além de proporcionar mais possibilidades de se fechar um trabalho.

Você pode já sair do Brasil trabalhando como freelancer, no entanto, não faz muito sentido entregar trabalhos para seus clientes brasileiros, receber em reais, se está morando em um país onde a moeda é mais cara, como o dólar ou o euro.

Além da questão de trabalhos, se você fala apenas o português, pode ler textos e assistir vídeos somente em português, mas se sabe o inglês, pode ter acesso a inúmeros conteúdos, já que pessoas do mundo todo criam conteúdos no idioma e um bom nômade digital está sempre pesquisando e estudando para se desenvolver cada vez mais.

Se não sair do Brasil falando o inglês, você sempre pode aprendê-lo durante a viagem, junto com outras línguas, se dedicar a estudar e falar com estrangeiros no dia a dia. O importante é sempre se manter em movimento e ter proatividade para aprender mais.

4. Como fazer a vida de nômade digital dar certo?


nômades digitais  precisam ter um bom planejamento

A coisa mais interessante de ser nômade digital é justamente o fato de poder morar apenas alguns meses em cada lugar, se conectando com pessoas do mundo todo e tendo uma experiência de viajante muito mais autêntica.

Para começar, principalmente quando não se tem uma reserva financeira alta, procure por países onde o custo de vida é mais baixo do que o Brasil. Faça uma breve pesquisa sobre moedas que valem menos do que o Real e o quanto se gasta com alimentação e transporte, para começar com a vantagem de viver com menos do que se está acostumado a viver hoje no Brasil.

Conseguir alugar casas ou apartamentos pode ser um pouco complicado dependendo da documentação exigida, além de taxas a serem pagas, mas esse custo pode ser eliminado fazendo voluntariado.

Todos os anos listas dos países com custo de vida mais baixo para se viver são divulgadas, e alguns dos países que sempre fazem parte do ranking são Panamá, México, Malásia, Colômbia, Portugal e Tailândia. E todos eles possuem hostels cadastrados na Worldpackers, onde pode-se trocar o seu trabalho por hospedagem e, em alguns casos, por alimentação também.

O voluntário trabalha algumas horas por semana e tem dias livres, que podem ser usados para trabalhar como freelancer ou então para explorar mais a cidade. Além da vantagem de se economizar com hospedagem e alimentação, viver em hostels dá muito mais oportunidade de fazer contatos.

Entre um bate e papo e outro no quarto compartilhado e nas áreas comuns do hostel com outros voluntários e hóspedes do local, você pode fazer amizades é claro, mas também conhecer outros nômades digitais ou pessoas que podem te indicar novos trabalhos, ou simplesmente alguém que, em uma conversa, vai abrir a sua mente para novas oportunidades profissionais.

Ser nômade digital também é ser uma pessoa aberta a crescer pessoal e profissionalmente e ter visão para novas formas de negócio.

Agora acredito que você esteja mais bem preparado para planejar a sua vida nômade digital. Encontre a sua paixão, pois você vai se dar muito bem trabalhando com o que ama e terá muita motivação para querer estudar e se desenvolver cada vez.

Aproveite os conteúdos do site da Worldpackers, que está cheio de dicas para viajantes e relatos de experiências de pessoas que já estão voluntariando pelo mundo.


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Tati Bertucci

Fev 26, 2019

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