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No dia em que eu estava indo para o aeroporto rumo a Califórnia, minha mãe me disse:

“Aninha, eu vou sentir muita saudade de você. Mas de que adiantaria você ficar aqui, a gente se ver todos os dias e levarmos uma vida comum? Estou muito orgulhosa da sua decisão, sei que você vai viver coisas incríveis lá longe”.

Sim, minha mãe é uma pessoa maravilhosa. E percebi que tenho muito que aprender com ela.

Às vezes, deixamos de fazer coisas incríveis porque somos apegados. Apegados a família, a rotina, ao carro, a casa, a cama, ao conforto... Mas o apego é egoísta. Ele nos agarra e nos impede de vivermos experiências incríveis.

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Tem gente que confunde apego com amor.

Mas na verdade, eles estão longe de ser a mesma coisa. São opostos. O apego te agarra, te quer perto, imóvel, imutável. O amor te quer livre, voando, explorando, vivendo.

O amor de verdade existirá onde quer que você esteja. Ele vai torcer por você, vai te incentivar, vai acreditar. Ele é tão tranquilo que sabe que, onde quer que você esteja nesse mundo, ele também está.

Eu morei em Belo Horizonte por dois anos. Sabia que no fim desses anos, eu iria morar no Rio de Janeiro, que era o meu maior sonho.

Nesses dois anos, tive crises de enxaqueca, gastrite, sinusite e todas as “ites”. Em BH eu tinha carro, comida e roupa lavada. No Rio, era busão, ou eu cozinhava ou não comia, e muito perrengue. Adivinha onde eu era mais feliz?

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Eu abri mão de confortos diários para viver experiências que jamais teria vivido se tivesse escolhido ficar.

Fui pro Rio sem olhar para trás e, rapidinho, nem lembrava mais o que era ter carro, já sabia tudo sobre as linhas de ônibus. Troquei as “ites” pela brisa do mar carioca, pelas aulas de teatro, pelo sonho de estar onde eu queria estar.

A cama que eu dormia no Rio era dura. Quando eu digo dura, é tipo um chão mesmo. Acostumei também. Sentia saudade da minha família, dos meus amigos, mas sabia que eles sempre estariam lá por mim. Porque eles me amam. Não porque são apegados a mim.

Acostumei com essa saudade. Fiz amigos no bairro. Andava pela Rua do Catete e parava toda hora para me atualizar da vida da cabeleireira da rua e do moço da mercearia - sempre com direito a abraços apertados. De certa maneira, criei minha família por lá também.

Cresci como nunca. Passei por muitas coisas difíceis. Chorei de saudade e de alegria. Evolui e sigo evoluindo.

Sempre na certeza de que coisas incríveis acontecem quando você sai da sua zona de conforto. 

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Se lá atrás eu tivesse decidido permanecer em Belo Horizonte na vida fácil que eu levava, é muito provável que hoje eu não estaria indo sozinha para outro país.

No Rio eu me tornei forte, corajosa, independente.

Essa escolha que eu tive lá atrás reflete diretamente na minha vida até hoje de uma maneira incrível. Hoje eu me jogo por inteira. Não tenho medo mais de sair dessa tal zona de conforto. Na verdade, acho que sou viciada em sair dela. Sempre uma novidade, um desafio, um aprendizado.

É muito importante sair do ninho. Larga logo desse apego! Existe um mundo inteiro te esperando. Ele quer te ensinar e aprender com você. Vai logo!


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Ana

Ana, 23 anos, vivendo e compartilhando o sonho de viajar sozinha pela primeira vez! 📍San Diego- CA

Ago 20, 2018


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