paisagem de Ilha Grande

Fiquei um mês trabalhando no Hostel Papagaio. A vivência neste hostel foi muito positiva pra mim e, por isso, vou descrever um pouco de como foi para que tenham a oportunidade de conhecer também.

1. Como era o dia a dia de trabalho

O trabalho no hostel era muito simples e agradável, consistia basicamente em ajudar na recepção e limpeza do hostel. Trabalhávamos seis dias na semana, seis horas por dia, normalmente das 9h às 15h ou das 14h às 20h.

Os horários eram intercalados para que todos os staffs pudessem aproveitar um pouco de tudo. Podíamos escolher qual dia de folga queríamos, isso era algo muito flexível e fácil de manejar.

A limpeza não era nada complicada, lavávamos os banheiros e dávamos uma geral nos quartos, cozinha e áreas comuns.

Vanessa, a dona do hostel, nos primeiros dias nos explicou detalhadamente como tudo deveria ser feito, quais produtos utilizar e em que ordem, tornando tudo mais fácil e automático. Não demorou muito para que pegássemos o jeito.

Na recepção tínhamos que fazer o check-in dos novos hóspedes, arrumar sua acomodação, tirar as dúvidas em relação ao local e dar dicas de passeios turísticos, fazer o check-out certificando que saíssem até horário determinado e também confraternizar com a galera, algo que não era sacrifício nenhum, pelo contrário, fluía naturalmente. 

2. Como era a estrutura do hostel

O hostel era pequeno, o que também facilitava a questão da limpeza, e tinha três andares. No primeiro andar havia a cozinha a qual dividia o mesmo espaço da sala, onde os hóspedes se alimentavam e socializavam.

Somente havia dois quartos para hóspedes, cada um com três triliches, situados no segundo e terceiro andar. No terceiro andar também ficava o quarto dos staffs e cada andar tinha um banheiro.

Era uma das hospedagens mais próximas, se não a mais, do cais onde desembarcavam os barcos. Para chegar é somente entrar no beco logo em frente à orla, não tem erro.

Ficava perto de todos os estabelecimentos comerciais necessários, como mercados, restaurantes, farmácias, agências de viagens, entre outros.

3. Como foi minha interação com as pessoas

Vanessa e Quentin, os anfitriões do hostel, eram muito boa gente, super alto astral, brincalhões, simpáticos. Conversávamos um bocado e na minha despedida Quentin deu uma de chefe francês, a qual era sua real nacionalidade, e fez um baita lanche gourmet que estava delicioso.

Lá tive a chance de conhecer mais três voluntários, uma do Chile, outro da Argentina e o terceiro meu conterrâneo de São Paulo. Passávamos muito tempo juntos e ficamos muito próximos com o tempo. Pude conhecê-los bem, aprender sobre suas raízes, suas experiências de vida, seus planos futuros, algo que considero como uma das partes de maior valor numa viagem.

Sempre nas horas menos atarefadas ou fora de nosso turno era possível confraternizar com os hóspedes, trocávamos experiências de viagem, saíamos para praia ou para as festas e nos divertíamos muito.

Aprendi muito com eles também e passamos momentos inesquecíveis juntos. Com alguns deles ainda mantenho contato e até já nos encontramos em outras oportunidades durante esse meu mochilão. 

Festa no hostel

4. O que ganhei em troca do trabalho

Além da acomodação também recebíamos o café da manhã, o qual tomávamos juntamente com os hóspedes, tendo opções de frutas, cereais, pães, sucos, bolos e biscoitos, e o almoço, preparado diariamente pelos anfitriões, que por sinal eram ótimos cozinheiros. Também tínhamos serviço de lavanderia, algo muito útil durante uma viagem longa.

5. O que fazia durante o tempo livre

Obviamente aproveitava o tempo livre curtindo as belezas naturais que a ilha oferecia. Há muitas opções turísticas no local, muitas praias, trilhas, monumentos históricos, cachoeira e o pico do Papagaio, atração esta que deu origem ao nome do hostel.

Apesar de somente ter um dia de folga na semana, durante os dias de trabalho também foi possível aproveitar bem o lugar, pois há muita coisa bacana muito perto de onde ficávamos.

Em relação às atrações dou destaque para:

  • Praia Preta, uma das praias mais próximas do hostel, muito tranquila e aconchegante;
  • Cachoeira e a praia da Feiticeira, um local com uma energia revigorante, sempre ia para esses lados e não fica muito longe, aproximadamente uma hora de caminhada;
  • Praia de Lopes Mendes, uma das praias mais famosas da ilha, já classificada como uma das mais lindas do país, uma praia extensa onde é possível ir de barco ou também por trilha bem demarcada de em média duas horas. Uma dica é levar água e alimento, pois as coisas não são tão baratas por lá;
  • Praia do Cachadaço, uma das praias mais lindas que presenciei na vida, com águas cristalinas, cercada por vegetação e costões rochosos. O acesso pode ser feito por barco ou por trilha, porém esta somente se você tiver experiência e equipamento de localização confiável, pois o caminho não é muito bem definido, sendo de fácil perda.

6. Dicas para se dar bem

O voluntariado no hostel não é um bicho de setes cabeças, porém, é um trabalho como qualquer outro e temos que levar com seriedade. É importante ser responsável, cumprir com os horários e realizar as tarefas com dedicação.

Ser uma pessoa extrovertida ajuda, mas é compreensível se esse não for o seu jeito de ser, contudo todo esforço em socializar com os demais é positivo.

É importante também poder se comunicar em mais de uma língua, de preferência o inglês, que é a língua universal, o qual me foi questionado previamente pela anfitriã se era algo que eu dominava.

No mais, aproveitar cada momento, afinal você está lá primeiramente para viajar também, se divertir e relaxar. Para todas as situações, sejam elas boas ou ruins, há algo que podemos levar de aprendizado, sempre temos algo a ganhar. Aproveite. Viva.



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Emerson

Sou Biólogo Marinho. Trabalhei alguns anos numa empresa mas não estava satisfeito com aquela vida...

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Ago 22, 2018


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