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O que aprendi com minha experiência Worldpacker em Portugal

Faro foi minha quarta experiência como Worldpacker, as anteriores ainda tinham um tom de férias porque, embora diferentes, tinham datas de ida e volta marcadas. Faro não.


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Sueli

Adoro conhecer pessoas e lugares. Conversar, dar dicas, contar histórias e, principalmente, ouvir...

Mai 18, 2018

Amigos aproveitando tempo livre

Ali eu tinha expectativas de ser uma cidadã portuguesa, de conhecer mais a fundo o modo de vida português. A permanência e a volta eram prazos abertos ao que surgisse pelo caminho.

Embora o hostel estivesse sempre cheio de hóspedes dos mais variados países, fui naturalmente me aproximando mais dos funcionários. Nem todos eram portugueses, mas todos, sem exceção, muito simpáticos, prestativos, atenciosos e amigos.

A responsável pela organização geral e pelo trabalho dos voluntários, uma portuguesa “muito fixe”, em poucos dias já era grande amiga. Exigente no trabalho, compreensiva, paciente. Enfim, alguém confiante e profissional naquilo que faz.

Passei a observar com mais atenção as diferenças culturais, o custo de vida. Os recepcionistas eram excelentes fontes de informação e fundamentais nas minhas avaliações e escolhas.

O maior contraste cultural foi a confirmação de que as distâncias sociais praticamente não existem em Portugal, quando comparadas ao Brasil. Ali, naquele hostel, soube que a pessoa responsável pela limpeza e que, efetivamente, também limpa sempre que necessário (e não apenas “manda limpar”), fala três línguas e ganha mais que os recepcionistas.

O tempo de trabalho no mesmo local é o que justifica, em primeira instância, os níveis de aumento salarial. Sem que me dissessem quanto ganham porque são discretos, procurei pesquisar em sites e agências de emprego para entender os níveis de salário.

Em Portugal, entre os que ganham salário mínimo (cerca de 2.400 reais) e os níveis médios, a diferença fica entre 2.800 e 3.000 reais. Dos níveis médios para os altos salários a distância não chega a dobrar.

Enquanto no Brasil, dos mais baixos salários aos níveis executivos ou de profissionais liberais, os número vão de 900 reais a 30.000 reais. O IBGE informa que o salário médio do brasileiro é de pouco mais de dois mil reais, porém, a metade dos trabalhadores tem renda mensal menor que o salário mínimo. Em Portugal essa condição é inaceitável.

amigos no hostel

Ao mesmo tempo em que buscava conhecer, me informar e experimentar, também dedicava boa parte do meu tempo a ouvir queixas pessoais, desabafos, problemas. Essa experiência ressaltou minha habilidade em lidar com as diferenças pessoais e, principalmente, reconhecer meus limites e respeitar a mim mesma em primeiro lugar.

Para não entrar em detalhes mas explicar quando foi preciso estabelecer limites, vou resumir um episódio desagradável.

Houve um voluntário com quem, inicialmente, fui solidária e prestativa, mas percebi que ele não respeitava o coletivo, que só buscava seu prazer pessoal. Não se importava em desperdiçar comida, desde que seu paladar fosse satisfeito, e comia antes de todos, sem pensar se haveria suficiente para os demais. Tal personagem virou “inimigo geral” no hostel e todos torciam para que fosse logo embora.

Triste, pensei. Entretanto, em dado momento, precisei ser firme e não deixar que ultrapassasse meus limites de tolerância para entender que somos livres para escolher e deixar o rastro ou lastro que queremos.

Colhi muito mais amizades ali e espero ter deixado um sentimento de colaboração. Só quero ser igual. Somos todos seres humanos terrestres. As diferenças, com respeito, nos fazem melhor.

Continuei e continuarei viajando como Worldpacker. É sensacional!



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Sueli

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Mai 18, 2018


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