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O que eu aprendi sendo Worldpacker em Pennabilli, na Itália

Em duas semanas de voluntariado aprendi tantas coisas que quero compartilhar com vocês um pouco dessa experiência única.


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Nathália

Doing and sharing an alocentric tourism, because I believe that tourism make a better world and a...

Mai 28, 2018

Paisagens em Pennabilli

Iniciei essa jornada simplesmente por me questionar tanto. Tinha acabado de me formar em turismo, minha tese final defendia um turismo onde turistas deveriam atuar como protagonistas, colocar a mão na massa, ser um potencial transformador do destino, se inserir na cultura, no dia a dia dos moradores locais e não apenas ir para tirar algumas fotos e deixar um bocado de lixo.

A partir de agora minha formação ia ser atuando, colocar em prática tudo aquilo que tinha aprendido, afinal, não fazia sentido algum defender uma coisa no papel e trabalhar fazendo outra.

Meu ganha-pão ia ser trabalho voluntário, o destino seria o mundo e sem data de retorno.

Renunciar a um emprego estável com um plano de carreira incrível, vender móveis, carro, roupas... Despir-se e se despedir, tudo isso teria que entrar em ação para que então iniciasse o capítulo da minha vida que chamo carinhosamente de liberdade!

Estar em uma jornada como essa, para mim, tem um sentido total com isso, a liberdade, ir para onde move o vento, o norte é logo ali!

Já tinha tido experiências viajando de carona, utilizando o couchsurfing, mas faltava alguma coisa e tudo isso me motivou a escolher a Worldpackers.

Seria uma excelente ferramenta facilitadora para me ajudar a viajar mais, e o melhor, com o objetivo e da maneira que eu queria, atuando nos destinos através de trabalhos voluntários, trocas.

Eu sabia que chegaria à Itália, mas para onde iria não fazia muita diferença. Como disse, o norte é logo ali.

Li diversos perfis de anfitriões e um me chamou mais a atenção, me identifiquei mais, era em uma cidade que jamais tinha ouvido falar e ficava nas montanhas, a partir daí não tive dúvidas e apliquei minha solicitação para o B&B Casa di Urbi.

Fui parar em um povoado mágico, no alto da montanha, era dezembro e no primeiro amanhecer fui recebida com lindos floquinhos brancos que caiam do céu, em poucos minutos a paisagem ficou toda branca.

Paisagem do vilarejo

Minha primeira atividade era passear com os cachorros, Candy e Cino. Como faria eu, recém-chegada do verão brasileiro, para passear com dois cachorros na neve?!

Confesso que fiquei bastante tensa, mas foi só começar para ser uma incrível diversão, os cachorros eram fissurados pela neve, foi muito engraçado.

Estar em um lugar tão excêntrico como esse só me fez ficar totalmente imersa na cultura italiana, pasta todos os dias, idioma, músicas, frio, tudo diferente. Sem dúvidas o clima foi o maior choque cultural, afinal, todos os costumes se transformam com o inverno.

Ao longo de duas semanas de experiência aprendi a fazer deliciosas “pastas” italianas, a caminhar pela neve como ninguém, a sentir frio, a entender a importância de se estocar lenha e comida em casa, a falar italiano e principalmente aprendi que era possível fazer turismo de uma maneira completamente diferente e que o dinheiro até pode comprar muitas coisas, mas o suor de uma protagonista, isso não tem valor.

A tese da graduação estava comprovada, sem dúvidas o turismo é muito melhor quando realizado dessa maneira. Me tornei muito mais segura das minhas escolhas, venci diversos obstáculos com a timidez e ampliei bastante a visão de mundo.

Despedir-se da Casa di Urbi foi muito triste, mas saí de lá totalmente transformada e realizada, passei a entender melhor meus questionamentos, o real sentido de tudo que eu estava buscando e que sim é possível aproveitar e conhecer muito mais um lugar quando você está nele por inteiro.

Acho que aprendi e cresci em duas semanas o que talvez demorasse uns dez anos se continuasse no conforto da minha rotina.

Que jornada espetacular foi Pennabilli, Grazzie Mille Worldpackers!!!



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Nathália

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Mai 28, 2018


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