Categorias

O que eu aprendi sendo Worldpacker em Ilhabela

A princípio, eu só sabia que queria começar a voluntariar em um lugar não tão distante, pois eu viajaria sozinha e estava um pouco insegura. Então, pensei que se algo acontecesse, seria mais fácil voltar pra casa se estivesse próxima de São Paulo. Minha ideia mudou totalmente depois em relação a isso, mas esta foi minha decisão inicial.


Ea3dc39ca0b2f6b5f17abddec1f0e9a4

Thaís

Filha de nordestinos, aprendeu à apreciar a cultura e comida brasileira. Iniciou uma jornada em ...

Jun 19, 2018

Voluntária em cachoeira de Ilhabela

A princípio, eu só sabia que queria começar a voluntariar em um lugar não tão distante, pois eu viajaria sozinha e estava um pouco insegura. Então, pensei que se algo acontecesse, seria mais fácil voltar pra casa se estivesse próxima de São Paulo. Minha ideia mudou totalmente depois em relação a isso, mas esta foi minha decisão inicial.

Procurei por oportunidades em São Paulo mesmo e encontrei algumas em Ilhabela, lugar que eu não conhecia, mas sabia que era um lugar incrível, pois foi o que mais ouvi de mochileiros que tinha encontrado.

Não tinha uma visão sobre o lugar, então fui baseada no que haviam me falado. Até então só estava preocupada em como sobreviveria a duas semanas num lugar conhecido por ter tantos “borrachudos”, mosquito típico da região famoso pelas reações alérgicas de sua picada.

Logo que cheguei de balsa na Ilha, tive que pegar um ônibus para chegar no hostel, e quando saí do ônibus já fui “recepcionada pelo anfitrião ilustre”.

Mas nada que muito repelente não resolvesse. Sobrevivi.

A minha maior surpresa foi conhecer um lugar que faz parte do estado de São Paulo, mas não se parece com, pois é totalmente diferente da agitação a que estava acostumada, lá era um lugar calmo.

Usei muito mais a bicicleta para me locomover do que o ônibus, pois mesmo que haja a ciclofaixa, também é possível andar na rua mesmo, uma vez que há um respeito aos ciclistas.

Uma experiência marcante pra mim foi pegar carona com um completo desconhecido, pois como mulher sou frequentemente alertada a nunca na minha vida recorrer a caronas de estranhos. 

No entanto, com a presença de turistas de várias partes do Brasil e do mundo, os moradores estão completamente familiarizados ao ato de dar carona, e muitas mulheres que se hospedaram no hostel também usaram este recurso. Então, não vi mal algum.

Fui para a praia do Jabaquara, e apesar de ter um ônibus que vai até lá, seu destino final é a 10km da praia, ou seja, ou o turista vai andando ou recorre à carona, que no meu caso foi mais viável. 

pessoal curtindo tempo livre no Granola Hostel

Eu tive a sorte de perguntar para uma mulher sobre pegar carona para a praia e ela disse que ia descer no mesmo ponto e que alguém a buscaria, então poderia me dar carona e me deixar na metade do caminho, e eu logo aceitei.

Ainda faltariam alguns quilômetros para o meu destino, então decidi tentar outra carona. Um homem me ofereceu carona na estrada, eu pedi para sentar no banco de trás, por precaução. Foi bastante tranquilo, e confesso que tive sorte, pois no lugar onde estava, quase não paravam carros para dar carona, e eu consegui chegar a praia num tempo razoável.

No retorno, eu fiz amizade com uma família na praia, que me emprestou repelente, pois me viram coberta de hematomas das picadas dos famosos borrachudos, e acabaram me “adotando”: deram-me comida, água e depois uma carona de volta para o hostel, já que era caminho para eles. Foi uma experiência incrível, trocamos o número de telefone e ainda paramos para tirar uma selfie.

Aprendi muito nessa viagem, pois eu recebi muito mais do que dei. Acabei conhecendo hóspedes cuja língua nativa era o inglês, então perdi totalmente meu medo de falar este idioma, usei palavras “chave”, mímicas e aprendi muito.

Além da competência linguística, aprendi a ser mais independente, pois tive que “me virar” sozinha mesmo, só recorria a informações do meu anfitrião sobre como chegar em determinados lugares. Quando me perdia, perguntava para alguém na rua e não tinha erro.

Perdi meu medo de viajar sozinha e quando estava indo embora já planejava qual seria minha próxima viagem. Quando cheguei em casa, me senti totalmente diferente, como se pudesse ver as coisas de uma outra perspectiva.

A experiência foi ótima para me conhecer, pois me coloquei em situações totalmente diversas as do meu dia a dia, então comecei a pensar sobre quem eu sou, o que gosto de fazer e até me direcionou para o que eu quero futuramente.

Como mulher, você sente que não existe lugar onde você não possa ir, ou não tem nada que você não seja capaz de fazer, pois todos os lugares são perigosos, mas você também pode encontrar pessoas boas, que vão te ajudar. Tudo depende de como você pensa, se você for com pensamentos positivos, sem preocupações e medo, a possibilidade de dar certo é maior. É só se jogar!



Ea3dc39ca0b2f6b5f17abddec1f0e9a4

Thaís

Filha de nordestinos, aprendeu à apreciar a cultura e comida brasileira. Iniciou uma jornada em ...

Jun 19, 2018


Gostou? Não esqueça de deixar thaalexandre saber :-)


Comentários