Palestina Livre #2: como passar pela imigração e entrar no país

Não é uma tarefa muito simples, tenho que admitir, tanto por conta dos vários meios de transporte para chegar do aeroporto até o hostel, quanto pela segurança de Israel, que, se desconfiar de você, pode te dar alguma canseira. No entanto, seguindo as orientações e as dicas deste artigo, as coisas ficam muito mais tranquilas.


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Gustavo

Fundador do Trip Voluntária e autor do livro "Africanamente: o que vivi e aprendi como voluntário...

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Ago 22, 2018

Terminal de onibus na Palestina

Fala aí, galera da Worldpackers!

Estou de volta com o segundo artigo sobre voluntariado na Palestina - desta vez já escrevendo direto da Cisjordânia. Acabei de chegar aqui no Hostel in Ramallah e vou aproveitar que as informações estão frescas na mente para contar para vocês a respeito de como chegar até aqui.

Vamos lá?

Israel x Palestina

Você já deve saber disso, mas nunca é demais lembrar: Israel e Palestina vivem um conflito que vem desde a fundação do estado judeu, há décadas.

Como o caminho mais prático, seguro e, provavelmente, barato de chegar à Palestina é via Israel, mais especificamente pelo aeroporto internacional Ben Gurion, em Tel Aviv - não há aeroportos por aqui- você necessariamente vai precisar passar pela imigração israelense e driblar a segurança, que vai pegar bastante no seu pé e atrasar sua viagem caso sintam alguma desconfiança.

É bem provável que na conexão do seu voo você já perceba que a segurança é diferenciada, com uma revista mais intensa, tanto da sua bagagem de mão quanto de você mesmo.

Quando chegar no aeroporto de Tel Aviv, caso fique alguns minutos de bobeira no saguão de desembarque ou mesmo na área comum, a chance é grande de um agente se aproximar, pedir para checar seu passaporte e te fazer algumas perguntas como “o que você veio fazer em Israel”, “onde você vai ficar hospedado”, “quanto tempo vai passar no país”, “seus pertences ficaram o tempo todo sob sua vista”, “conhece alguém em Israel” e “quando você vai embora”.

Por conta disso, a primeira dica é: desde o momento em que embarcar, jamais mencione Palestina, muito menos que você está indo trabalhar lá como voluntário!

“Ok, Gustavo, mas então o que eu digo?”. É o que vamos ver a seguir.

Na imigração

Desembarcando em Tel Aviv, o primeiro “chefão” que você terá que superar é a imigração.

As perguntas serão parecidas com as que acabei de listar acima. Lembrando de nunca falar sobre Palestina, aí vai a segunda dica: diga que você vai passear por Israel e não entre em detalhes a menos que eles te perguntem.

No meu caso, costumo dizer que vou ficar hospedado em Tel Aviv e Jerusalém e que pretendo viajar pelo país, mas ainda não fiz meus planos.

Neste ponto, é possível que eles te façam duas perguntas: se você conhece alguém em Israel e onde ficará hospedado.

No primeiro caso, seja franco: se não conhecer ninguém, não invente. Se conhecer, diga que sim e, caso perguntem o nome ou onde vive, mencione o primeiro nome e a cidade.

Já com relação à hospedagem, a dica é: faça reserva de uma ou duas noites em um hostel de Jerusalém e deixe o papel impresso à mão, mas, não custa reforçar, somente mostre-o se alguém solicitá-lo.

Se seu voo chegar em Tel Aviv tarde da noite, pode realmente ser útil dormir em Jerusalém e deixar para ir a Ramallah só na manhã seguinte.

Com relação a outras informações que eventualmente peçam, como a sua profissão ou seu emprego, use o bom senso e responda só o necessário. Evite falar que você é jornalista ou que trabalha para organizações internacionais, por exemplo, pois isso pode chamar a atenção deles.

Uma última dica que pode ser excesso de precaução, mas cuidado nunca é demais neste caso: apague do seu celular, computador e redes sociais todos os contatos e mensagens relacionadas à Palestina. Na dúvida, eu acabo inclusive suspendendo meu Facebook por 2 dias, antes de voltar a conectá-lo.

Normalmente, eles não chegam a esse ponto: logo te devolvem o passaporte e te entregam o visto, um papelzinho azul em separado, que você deve guardar com cuidado e evitar perdê-lo. A partir daí, é só passar pela catraca e pegar sua bagagem na esteira. Bem-vindo a Israel!

De Tel Aviv a Jerusalém

Saindo da área de desembarque, é só seguir em frente pela porta automática que você vai dar de cara com o bus shuttle até Jerusalém. Custa 64 NIS e é, de longe, o transporte mais caro pelo qual você vai ter que pagar entre Tel Aviv e Ramallah.

Os motoristas costumam deixar cada um dos passageiros nos seus próprios destinos, por isso não custa nada pedir para ser entregue em frente ao Damascus Gate, uma das entradas da cidade antiga de Jerusalém e ponto de referência para a rodoviária árabe, de onde sai o ônibus para Ramallah. Se o motorista topar, você encurta o caminho e ainda economiza uma condução. Caso contrário, peça para que ele te deixe na Central Station.

placa de indicação da estação central de Jerusalém

De Jerusalém para Ramallah

Caso você desça do ônibus na Central Station, procure o bonde elétrico que fica em frente à entrada do prédio da estação. Compre seu bilhete por 5,90 NIS e espere pelo bonde que vai no sentido ‘Heil Ha-Avir. 

Bonde elétrico em Jerusalém

Assim que entrar, valide seu bilhete na máquina que fica em frente à porta e permaneça com ele em mãos, pois um funcionário passará conferindo as passagens.

Ande seis estações e desça na Damascus Gate. Bem à sua frente você verá uma rodoviária árabe, com vários ônibus azuis e brancos.

Desça a avenida, andando no sentido de onde você veio com o bonde, e contorne a rodoviária virando à esquerda. Continue andando e repare que a cidade antiga está do outro lado da rua, à sua direita (não tem como não ver, é um lugar cercado por um muro de pedra gigantesco). Caminhe até o Damascus Gate, uma das entradas da cidade antiga, onde uma grande escada sobe de lá até o nível da rua. Se tiver dúvidas, haverá indicações nas placas da rua e você também pode perguntar para as pessoas na rua que elas te indicam o caminho.

Portão de Damascus

Chegando no Damascus Gate, vire as costas pra ele e você verá, à sua frente, do outro lado da avenida, uma ruela estreita, cheia de vendedores. Atravesse a avenida e caminhe alguns metros por essa ruela até ver, à sua esquerda, a rodoviária árabe com ônibus na cor verde. 

Ali, procure pelo ônibus de número 218, em cujo letreiro aparecem indicados destinos como Ramallah e Qalandia Checkpoint. Geralmente ele para na vaga indicada como “19 - Ramallah (Direct)”.

Ruela a caminho da rodoviária árabe

Suba neste ônibus, que custa 7,60 NIS. Ele vai passar pelo checkpoint de Qalandia e seguir até o ponto final, a rodoviária de Ramallah. Bem-vindo à Palestina! Você está quase lá…

Da Rodoviária para o Hostel

Saindo da rodoviária, continue caminhando pela mesma rua de onde veio o ônibus, no sentido do trânsito, até chegar na praça com estátuas de leões.

Praça na Palestina com estátua de leões

Ali, vire à esquerda na rotatória e pegue a segunda saída. Siga em frente até chegar em mais uma praça, desta vez com uma bandeira da Palestina tremulando lá no alto. Essa é a Arafat Square.

Mais uma vez vire à esquerda na rotatória e pegue a segunda saída. Pode começar a comemorar: você está na rua do hostel.

Caminhe por ela até o número 12, um prédio antigo do lado esquerdo. Passe pelo portãozinho e interfone. Você chegou ao Hostel in Ramallah!

Muro do Hostel In Ramallah

Nos próximos artigos, vamos falar sobre as instalações do hostel, a culinária árabe e também esclarecer um pouco a confusão que é a região. 

Fica ligado!



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Gustavo

Fundador do Trip Voluntária e autor do livro "Africanamente: o que vivi e aprendi como voluntário...

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Ago 22, 2018


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