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Quanto custa viajar por 10 meses pela América do Sul?

Quando eu saí de casa, disse para minha família que tentaria ficar seis meses fora, tudo ia depender da parte financeira e das experiências que teria durante as primeiras semanas. Hoje, recém chegada desse mochilão que praticamente dobrou de tempo (acabei ficando 10 meses) vim contar para vocês como foi que consegui ficar fora todo esse tempo.


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Nathalia

Eu viajo. É disso que eu vivo e eu vivo para isso. Não posso imaginar minha vida de outro jeito ...

Ago 09, 2018

Bogotá  é uma das capitais mais baratas para se viajar

Assim como a maioria da população brasileira, eu não sou rica e não tinha dinheiro guardado.

Tudo aconteceu de uma maneira bem engraçada: meus dois primeiros países foram também os mais caros: Chile e Argentina.

Quem já foi sabe que comprar comida, fazer passeios e usar o transporte, seja trem ou Uber, acaba ficando bem caro no final das contas.

Eu tinha menos de dois mil reais guardados para essa viagem, mas eu sabia que teria que trabalhar em algum momento, tanto para usar no dia a dia, quanto para poder voltar para o Brasil no final. 

Com sorte, eu consegui um trabalho de vendedora de tours em Santiago, assim pude repor todo o dinheiro que gastei no primeiro mês, que me deixou zerada.

A vantagem de ser uma viajante Worldpacker é que você ganha a hospedagem (um dos custos mais altos da viagem, especialmente uma tão longa como esta) em troca de alguns serviços prestados para o hostel que você escolher ficar.

Esses serviços podem ser desde limpeza, recepção, aulas de algum idioma que você domina, lavanderia, manutenção, jardinagem, café da manhã ou cozinha em geral, até guia turístico, barman ou barwoman, redes sociais e muito mais.

Então, eliminar este custo é parte essencial do processo de organizar um mochilão antes mesmo de pensar na grana que você vai disponibilizar. Depois disso, o ideal é fazer uma pesquisa sobre os melhores e mais econômicos países para se viajar com um orçamento limitado, coisa que eu deveria ter feito e tive que aprender na marra.

Depois de Argentina e Chile, eu segui para o Peru, Equador e Colômbia, os três países mais baratos que eu passei, respectivamente e que me ajudaram a aliviar o orçamento que foi praticamente todo perdido no Chile.

Não é tão fácil colocar na ponta do lápis quanto pode sair uma viagem dessas, já que cada pessoa tem um estilo diferente de fazer as coisas dentro de uma viagem: sair para comer aos finais de semana, comer na rua, levar seu lanchinho nos tous, cozinhar no hostel, usar transporte público, usar taxi e uber, viajar para cidades vizinhas ou ficar só no seu bairro mesmo. 

Santiago é uma capital excelente para quem quer viajar pela América do Sul

Vou contar minha experiência.

Eu quase não saía para comer fora, a não ser as coisas que eu comprava em mercadinhos quando estava com muita fome na rua e sabia que ia demorar para voltar ao hostel. Isso me ajudou a economizar bastante, principalmente para fazer os tours, que sempre foram meu principal foco.

Posso afirmar que com menos de mil reais por mês, fazendo voluntariado, é possível sim passar um tempo em países como a Colômbia, por exemplo.

Aliás, teve um mês que eu gastei apenas R$400 ao todo, incluso transporte e alimentação, já que eu raramente como carne, a compra de frutas, verduras e legumes é muito barata, pois essa região da Colômbia tem um solo muito rico e de fácil cultivo. Sem contar que neste mês especificamente choveu bastante e eu quase não saía para fazer nenhum tour, apenas passeios para conhecer os bairros da cidade mesmo.

Vamos imaginar que você deseja fazer alguns tours no mês e também tem que contar com passagens de ônibus de uma cidade a outra, dentro do país. Os mil reais são mais que suficientes para tudo isso e ainda te sobra para provar algumas comidas típicas na rua, inclusive, em Medellín não deixe de provar as empanadinhas que vendem em quase toda esquina!

A vantagem de países como Peru e Colômbia é que a moeda local tem praticamente o mesmo valor que o nosso Real, a diferença é que nesses dois países o salário mínimo é muito, mas muito mais abaixo do que estamos acostumados, por isso as vezes a impressão que temos é que nosso dinheiro rende mais do que o normal por lá.

Portanto, não se esqueça que para eles, muitas vezes, os preços das coisas podem parecer bem absurdos, por isso, é comum ver moradores, vendedores ambulantes e pessoas na rua tentando tirar “proveito” da boa vontade e dos bolsos dos turistas.

Compreender e respeitar esta questão é a chave para, entre outras coisas, criar uma convivência saudável entre locais e estrangeiros.

O custo de um mochilão pela América do Sul nesses termos que acabei de mencionar é, sem dúvida, bem mais baixo do que ter uma moradia fixa no Brasil, pagar contas, sair aos finais de semana e gastar com coisas que, para quem vive para juntar dinheiro para viajar, pode parecer um pouco supérfluo. Por isso, eu costumo brincar que rico mesmo é quem pode morar no Brasil, sair com amigos várias vezes por mês e comprar roupa nova sempre que pode.

Ou seja, 10 mil reais para 10 meses de mochilão é mais do que suficiente. Na verdade, se você for controlado, dá e sobra pra viajar mais algumas semanas!


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Nathalia

Eu viajo. É disso que eu vivo e eu vivo para isso. Não posso imaginar minha vida de outro jeito ...

Ago 09, 2018


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