Sozinha na Índia: inseguranças e aprendizados da viagem da minha vida

Para algumas pessoas, viajar é algo simples: comprar as passagens, fazer as malas, pegar o passaporte e ir ao aeroporto. Eu achava que por fazer uma breve pesquisa sobre os pontos turísticos, eu estava preparada para explorar os lugares. O fato de eu ser uma viajante mulher sempre foi algo que ficava na minha cabeça, mas nunca como uma preocupação. Pensava que era mais uma mulher que estava viajando e conhecendo o mundo. Até decidir viajar para a Índia.

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Como toda viajante indo para um lugar novo, decidi fazer uma breve pesquisa, para tentar me familiarizar com o que viria pela frente.

Assim, essa pequena pesquisa se transformou em uma intensa pesquisa sobre a história, cultura, o que fazer e o que não fazer, o que visitar e não visitar, mas também em milhares de inseguranças sobre o fato de que lá eu não seria somente mais um viajante, eu seria uma viajante mulher.

Depois de pequenas crises, comecei a tentar superar tais inseguranças, tanto as relacionadas ao lugar quanto às minhas próprias.

A primeira coisa que fiz foi tentar me familiarizar com o lugar que eu iria ficar

Mesmo faltando 4 meses para eu viajar, entrei no google maps e coloquei o endereço de onde eu iria ficar.

Depois fui procurando onde estavam os pontos principais e ai comecei a traçar os trajetos entre eles.

Ao poucos, algumas inseguranças foram diminuindo enquanto outras cresciam.

Essas "novas" inseguranças estavam relacionadas ao fato de eu estar indo viajar sozinha para um lugar no qual eu não conhecia nada e nem ninguém.

Devo admitir que não consegui sanar essa insegurança até chegar lá e começar a interagir com as pessoas e fazer amizades.

Antes disso, tentei trabalhar internamente essa questão e o que me ajudou muito foi ler relatos de mulheres que viajaram sozinhas, não só para a Índia, mas para o mundo.

A partir daí, comecei a me sentir um pouco mais à vontade com a ideia de viajar sozinha e comecei a procurar as cidades que eu mais queria ir.

Em um piscar de olhos o grande dia chegou

Depois de 1.000 horas no avião, finalmente cheguei em Nova Delhi, onde minha aventura começaria.

Como fui para Nova Delhi para fazer um projeto social, no hostel que eu estava tinha milhares de voluntários, majoritariamente brasileiros, o que facilitou muito a questão de não ter que explorar a Índia sozinha, o que era uma das minhas maiores preocupações e medos.

Apesar disso, como fui a única no meu projeto a ficar por um longo tempo, tive que aprender a me virar na cidade e com as pessoas.

No começo, isso foi bem difícil. Coisas como, lidar com os tuck-tucks, com o trânsito caótico, com o longo trajeto até a ONG e com os olhares dos locais que ficavam me encarando como se eu fosse um E.T..

O que me ajudou a me sentir mais segura foram as pesquisas que fiz antes de ir sobre a cultura local, onde vi que para eles eu realmente era um ser estranho e por isso olhavam tanto.

Além disso, ter um chip de celular indiano me deixou mais tranquila com relação a como chegar nos lugares e a me localizar.

Depois de alguns dias consegui me acostumar com a correria da cidade, com os olhares das pessoas da rua e até aprendi a pechinchar com e como os locais.

Apesar de ter conseguido superar várias inseguranças ao longo da minha viagem, algumas permaneceram.

A principal delas era o fato de eu não conseguir ir para nenhuma outra cidade sozinha.

Como tínhamos os finais de semana livres, eu e meu grupo de amigos viajamos quase sempre juntos, porém alguns finais de semana tínhamos planos diferentes e eu acabava ficando em Delhi mesmo.

Então eu programei uma viagem para Mumbai. Olhei como chegava lá, vi hostels legais e dicas do que fazer por lá, mas quando chegou na hora de finalizar os pagamentos, dei para trás e acabei não indo.

Senti como se eu tivesse falhado comigo mesma, ainda mais vendo uma das minhas amigas indo sozinha visitar o norte da Índia.

Foi aí que percebi que eu queria tanto romper com o meu medo de ser mulher e estar viajando sozinha para Índia que estava me forçando a fazer algo que eu ainda não estava pronta.

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Ao final da minha viagem, tentei fazer um resumo mental de tudo, das experiências que vivi e o que aprendi na minha curta vivência na Índia.

Consegui então ver como foi desnecessário o sofrimento antecipado que eu tive antes mesmo de chegar lá, apenas por conta das minhas pesquisas. Fui muito preocupada com o que poderia acontecer ao invés de levar isso como algo que eu deveria tomar cuidado.

Percebi também que não é só porque comecei uma viagem sozinha que irei terminá-la sozinha.

Descobri que podemos fazer grandes amizades em hotéis e achar companheiros(as) não só de viagem, mas também de vida.

Além disso, vi que não preciso superar todas as minhas inseguranças e medos de uma vez só. Cada uma de nós tem o seu próprio ritmo e momento de se empoderar e se sentir segura.

Seja você viajando o mundo sozinha ou mesmo fazendo uma viagem em grupo.

Viajar pode ser algo simples. Tudo depende de como encaramos e nos conectamos com o lugar e com as pessoas ao nosso redor.

Viajar pode ser sim só ir para um lugar e visitar os pontos turísticos, mas também pode ser um processo de autoconhecimento e auto superação.

Mesmo depois desta minha experiência incrível, continuo sendo a mesma pessoa com várias inseguranças sobre o mundo e sobre mim mesma.

Mas também aprendi muito sobre mim, sobre a importância de estar aberta a novas experiências, de tentar entender e ouvir opiniões e visões de mundo diferentes das minhas e de acreditar mais em mim mesma e nas minhas capacidades.


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