Jovens aproveitando a viagem para Paraty no mar

Minha primeira experiência como Worldpackers foi na Pousada Paraty Paradiso, em Paraty (RJ). Chamo essa experiência de versão beta do meu mochilão, que serviu de aperitivo para o que viveria na estrada hoje.

Não conhecia a cidade e imaginava que poderia ser cara como qualquer cidade turística (era ainda mais cara do que pensei!), um verdadeiro desafio para quem tem pouca grana e muita vontade de descobrir novos lugares.

Nesse relato quero dividir com vocês como é possível gastar pouco em uma viagem para Paraty:

1. Alimentação

Na pousada eu tinha direito ao café da manhã, e como era gostoso! Aproveitava para comer bem e ter energia para as horas de trabalho que começavam após o café.

Fora isso, as demais refeições eram por minha conta, e por isso, fiz compras básicas no Rio de Janeiro e levei para Paraty. Foi a melhor coisa que fiz! Os itens duraram uma semana e precisei fazer poucas compras em Paraty-Mirim, bairro onde está localizada a pousada. Como é uma localidade pequena e afastada do centro, os poucos mercadinhos da área cobram caro pela conveniência. Também fiz uma compra em um mercado no centro, que era um pouco mais em conta.

Minhas idas a restaurantes foram limitadas, mas tive sorte por só ter escolhido locais que servem comidinhas gostosas.

Não posso deixar de contar que nas duas semanas que fiquei como Worldpacker, em algumas ocasiões almocei e jantei com os anfitriões e isso já ajudava a economizar um tantinho mais!

Como foi uma experiência de mochilão, evitei gastos com bobagens. Resisti a sorvetes com sabores extraordinários e cafés super aromáticos do Centro Histórico, sempre que saía levava minha garrafa d’água que enchia na pousada e só comprei umas três cervejinhas (também sou filha de Deus!).

Esses foram os gastos:

  • Compras no mercado do Rio: R$ 40,75.
  • Compras nos mercadinhos de Paraty-Mirim: R$ 26,40.
  • Compras mercado Carlão em Paraty: R$ 20,34.
  • Padaria Melissa: R$ 3,80.
  • Restaurante Casadinho: R$ 14,50.
  • Restaurante Branca’s: R$ 31,50.
  • Restaurante Istanbul: R$ 31.
  • Total em duas semanas: R$ 168,29.

2. Transporte

Aqui foi onde aconteceu o rombo no cofrinho dessa viagem.

Embarquei cedinho na rodoviária Novo Rio, no ônibus da viação Costa Verde, no dia 17 de fevereiro de 2018. A viagem é bem demorada, pois essa linha – como chamamos no Rio Grande do Sul – é pinga-pinga, ou seja, vai parando em tudo que é canto pra subir e descer gente. A demora na viagem foi compensada pela paisagem que a Rio-Santos (BR-101) proporcionou em uma manhã perfeita de verão.

Quando cheguei a rodoviária de Paraty, tive que aguardar por uma hora o ônibus para Paraty-Mirim. Ao embarcar um pequeno susto: o preço absurdo da passagem municipal (R$ 4,25).

Como citei lá em cima, eu fiquei distante do centro e para poder sair do bairro é necessário pegar no mínimo um ônibus, pagando essa tarifa aí o transporte pesou demais. Só para ir a Trindade, contando ida e volta, foram quatro ônibus.


Estrutura do hostel

Sentindo o golpe que estava tomando nesse quesito, criei um alerta de carona no aplicativo BlaBlaCar para acompanhar quem oferecia carona de Paraty para o Rio de Janeiro, os horários e valores cobrados. Consegui fechar carona para o dia que ia sair da pousada (04 de março de 2018) conciliando bem com os horários do transporte público. Perfeito! Ia economizar e aproveitar as facilidades desse app pela primeira vez. Foi ótimo! Viagem tranquila e segura. Uma pena não ter conseguido essa facilidade na ida da minha viagem para Paraty.

Aqui estão os valores desde o momento que saí da minha casa no Rio até o momento que retornei:

  • Ônibus executivo da minha casa até a rodoviária Novo Rio: R$ 14.
  • Ônibus Rio de Janeiro x Paraty: R$ 93,45.
  • Viagens de ônibus em Paraty durante esses dias: R$ 34.
  • Carona BlaBlaCar – Paraty x Rio de Janeiro: R$ 52,50.
  • Ônibus comum de onde a carona acabou até minha casa: R$ 3,40.
  • Total em duas semanas: R$ 197,35.

3. Passeios


Camila durante sua viagem para Paraty

Aqui o gasto foi praticamente ZERO REAIS. Por quê? Não fui a lugar algum que cobrasse entrada! Gasto mesmo só na locomoção, fora isso, nadinha saiu da minha carteira.

No Centro Histórico você pode fazer degustação de cachaças locais nas cachaçarias espalhadas pelas ruas centenárias de pé-de-moleque. A predileta foi no Armazém da Cachaça, onde você pira com tantas cachaças e guloseimas delícias em prateleiras que vão do chão até o teto.

A única igreja que queria visitar, a de Santa Rita, onde funciona o Museu de Arte Sacra, tem entrada gratuita, só que cheguei na hora que estavam fechando e perdi essa.

Em Trindade você pode economizar explorando mais por menos, nas trilhas que ligam praias e cachoeiras, em vez de pagar aos barqueiros que fazem as travessias marítimas. Na hora de comer algo no centrinho, principalmente se for uma refeição, pesquise bastante, pois parece que os preços são tabelados, já que quase todos os restaurantes cobram o mesmo valor no prato feito.

Em Paraty-Mirim existem ótimas opções de praias e cachoeiras que você pode conhecer a pé, além de uma trilha para o famoso Saco do Mamanguá, que não fiz por preguiça, confesso. Pegando um barco para ir ao Mamanguá, saindo de Paraty, o valor médio cobrado era de R$ 60.

O mais frustrante foi não ter andado de barco pelas praias da região. Fui a várias agências que promovem esses passeios e encontrei preços variáveis, de R$ 100 a R$ 40, mas segurei minha onda e fiquei em terra firme mesmo.

4. Gastos totais

Em duas semanas, entre alimentação e transporte, gastei R$ 365,64. Até que não foi muito, mas passou bastante do que tinha estipulado (R$ 200,00). Analisando agora, meses depois dessa viagem, acho que valeu muito a pena ter feito esse investimento.

Conheci uma cidade nova, praias e cachoeiras incríveis, tive muito contato com a natureza, descobri como funciona o dia a dia em uma pousada e convivi com diversas pessoas, desde a menina que trabalhava na pousada e cresceu em uma pequena ilha da região até um bando de alemães malucos que estavam hospedados lá.


Descubra tudo que a natureza de Paraty tem a oferecer

Se eu tivesse gastado menos, para respeitar o valor estabelecido, minhas experiências seriam limitadas e a vibe não é essa. No Aurélio, o verbo mochilar significa “explorar o mundo com o espírito livre” (tá, essa parte eu inventei agora rsrs não existe esse verbo no dicionário, só o espírito dele), mas é isso que esse mochilão versão beta me ensinou pra vida. 



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Camila

Eu e meu namorado estamos viajando pelo país em uma moto de 1984. Nosso desejo é explorar e conhe...

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Out 14, 2018


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