Viajando sozinha aos 37

Hoje vou expor um pouco da minha experiência viajando sozinha aos 37 anos, porque decidi me tornar uma viajante solo, o que venho aprendendo e porque isso tem me feito tão bem.


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Aline Fernanda

Travel blogger - www.clicknaviagem.com.br | Writer | Explorer | Photographer | Nature Lover

Ago 28, 2018

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Hoje vou expor um pouco da minha experiência viajando sozinha aos 37 anos, porque decidi me tornar uma viajante solo, o que venho aprendendo e porque isso tem me feito tão bem.

Desde muito cedo eu tinha vontade de explorar o mundo, conhecer pessoas e culturas diferentes, viver em lugares novos, e quando definitivamente tive essas oportunidades passei por um processo transformador, me encontrei, e tudo na minha vida começou a ficar mais claro e leve.

Com essas vivências aprendi que quando algo gera um impacto positivo na vida como um todo, o melhor é se deixar envolver e aproveitar o máximo possível, pois cada oportunidade é única, assim como o aprendizado que ela nos traz.

Não lembro de ter sido uma adolescente cheia de medos, até porque a primeira vez que sai de casa para morar com uma amiga que tinha acabado de conhecer foi aos 17 anos, e mesmo tendo a experiência durado apenas alguns meses, foi de grande valia.

Depois de uma fase tentando fazer várias coisas que não deram certo, quem sabe por falta de maturidade e conhecimento, entrei para a faculdade e nesse período acabei desenvolvendo uma insegurança que não tinha antes, provavelmente porque naquela época ouvia muito que para “ser feliz” deveria seguir os padrões ditados pela sociedade, de concluir a faculdade, ter um bom emprego, comprar uma casa e um carro, casar e ter filhos, então vivia bitolada a isso.

Tirando a parte de “ter filhos”, o resto fiz, para então concluir que não era isso que me completava, pois me sentia presa aos compromissos profissionais, bens materiais, afazeres do lar, e isso estava me sufocando.

Somente aos 33 anos é que entendi que precisava ir em busca da minha essência, me redescobrir e deixar aqueles desejos mais profundos virem a tona.

Então iniciei um processo de muitas mudanças

Tomei a primeira decisão: não iria mais esperar pelos outros para fazer aquilo que gostava, e que a melhor companhia era a minha mesma, porque eu poderia fazer as coisas do meu jeito e de acordo com a minha disponibilidade. A segunda decisão foi: vou viajar!

Com uma vontade incontrolável de desafiar-me e sair por aí desbravando, escolhi o destino para a minha primeira viagem internacional sozinha: África do Sul, ou melhor, um vilarejo com 2.000 habitantes chamado Cintsa, situado na Wild Coast da África do Sul, e em plena epidemia de ebola.

Tudo bem que o ebola não chegou lá, mas como convencer a minha família disso? Enfim, fui, curti muito e o problema de saúde mais sério que tive foi amigdalite.

Nessa primeira viagem já consegui quebrar duas barreiras, a de sair viajando sozinha e a de que nunca é tarde para se redescobrir e viver fortes emoções.

Depois dessa viagem vieram outras, pelo Brasil e exterior, cada uma com as suas particularidades, mas todas muito intensas, repletas de novidades boas e com resgate de valores pessoais imensuráveis.

Uma mulher viajando sozinha às vezes precisa se privar de algumas coisas

Bom, saindo um pouco do “meu mundo” e tratando do assunto de forma geral, uma mulher viajando sozinha às vezes precisa enfrentar situações chatas, mas tudo isso faz parte do processo de aprendizado e não é difícil superar.

Por exemplo, sair a noite em um lugar desconhecido e sem companhia é algo que não faço, mas geralmente conheço uma galera no hostel e saímos para algum programa juntos.

O importante é não se tornar uma pessoa neurótica, pensando que o pior pode acontecer o tempo todo ou que não existem pessoas confiáveis. É legal tomar alguns cuidados, mas sem exageros.

Passando pela primeira experiência tudo fica mais fácil, pois começamos aperfeiçoar técnicas e isso traz mais segurança.

Não quer dizer que o medo vai desaparecer, e acho que ter um pouco de medo é até saudável, mas certamente tudo vai fluir com mais naturalidade para que essa incrível sensação de liberdade seja melhor aproveitada.

Particularmente, sair por aí viajando sozinha com a minha idade tem sido muito especial, pois o tempo me ensinou muitas coisas e hoje me sinto preparada para encarar qualquer situação.

Quem sabe se eu tivesse feito isso antes voltaria frustrada por criar muitas expectativas, mas hoje não, eu vou cheia de curiosidade e volto super feliz por ter conhecido pessoas e lugares legais, ter feito amigos, muitos bem mais novos que eu, e especialmente, estar tendo a oportunidade de compartilhar minhas experiências, pois muitas vezes recebo o feedback de pessoas que se inspiraram ouvindo as minhas histórias.

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Assim como eu me motivo a continuar quando encontro pessoas como uma senhora inglesa de quase 80 anos que conheci no ano passado enquanto trabalhava como voluntária pelo Worldpackers em um hostel na Ilha de Malta. Ela ficou viúva, não tinha filhos e estava viajando sozinha pelo mundo, se hospedando apenas em hostels.

Esses exemplos me fazem acreditar que não comecei tarde demais, mas na hora certa, e que o medo do novo só desaparece quando nos expomos à situação, antes disso não passa de uma ansiedade não fundamentada.

Leia também: Como aprender inglês sendo voluntária


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Aline Fernanda

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Ago 28, 2018


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