Viajar é encontrar quem você realmente é

Uma viagem não é apenas o quão bonitas vão ficar suas fotos ou quantos pontos no mapa você vai visitar, mas também as pessoas que cruzam seu caminho, as experiências que você vivencia. O resultado disso tudo é sempre uma nova você.


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Karina

Jornalista, leitora, viajante y otras cositas más. Uma forasteira que se perde no mundo para, no...

Ago 21, 2018

Voluntária e amiga

Na terra de Camões lembrei do chileno Pablo Neruda: “Algum dia em qualquer parte, em qualquer lugar, indefectivelmente encontrarás a ti mesmo, e essa, só essa, pode ser a mais feliz ou a mais amarga de tuas horas”.

Eu estava sentada na muralha do Castelo de São Jorge, era 30 de dezembro de 2016, o sol já caía para além do Tejo. Lisboa, Portugal

Lembrei do poeta porque ali já faziam uns 45 dias que eu estava longe de casa, que havia cruzado o Atlântico pela primeira vez, que havia ficado sem os abraços da minha família na noite de Natal. Entretanto, mesmo sozinha, eu fui feliz. Imensamente feliz.

Antes de embarcar nessa viagem e ser recebida pelo staff mega animado do Lisbon Chillout Hostel, onde eu fazia o night shift, eu tive medo por várias vezes, quase todas as pessoas próximas pra quem eu contei que iria deixar o Brasil por três meses para desbravar o velho continente me diziam que eu era doida de ir sozinha.

Bem, sou doida sim, mas não queria correr riscos. Me falaram que era perigoso, perguntaram o que eu faria se algo desse errado. Eu não sabia responder, mas naquela altura já não tinha como dar um passo atrás. Então eu fui.

A viagem, como todas as melhores coisas da vida, foi cheia de surpresas. Fizemos um amigo-secreto no hostel entre o pessoal do staff. Tinha gente dos EUA, Austrália, Itália, Brasil, Holanda, Portugal. Foi demais. Eu ganhei um livro, melhor presente.

No Natal, entre os que estavam longe das famílias ou não puderam deixar a cidade para visitá-los, fizemos um jantar. Vinho, arroz com bacalhau, bolo de chocolate na sobremesa. Foi incrível.

Eu fui feliz em diversos momentos, mas só naquele fim de tarde sentada no castelo foi que eu me dei conta disso. Às vezes a gente vive os dias sem perceber a beleza de cada instante. 

Vendo o sol e tomando um vinho, recuperei as ainda recentes lembranças de tudo aquilo que havia se passado na viagem. Conversas na sala de estar, assistir a filmes e séries juntos nas noites de chuva, sair para o Bairro Alto e beber uma cerveja em cada bar, ficar amiga dos garçons do Hard Rock.

Eu não achava que fazia grande coisa em viajar sozinha por três meses. Era uma aventura, mas não seria nada de mais. Porém, a forma como escolhi viajar, trabalhando para economizar na hospedagem, me deu também amigos, me deu mais tempo em cada lugar, me deu uma rotina de moradora de Lisboa.

Eu tinha meu bar preferido, o mercadinho do indiano onde comprei pimenta africana achando que era pimentão (não façam isso em casa), ia à lavanderia, pegava o metrô, sentava no Cais das Colunas a ler Saramago.

Eu sou uma Karina diferente a cada esquina que viro numa cidade desconhecida. Viajar, antes de tudo, é sobre conhecer quem se é, e gostar disso. Especialmente se estiver sozinha.


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Karina

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Ago 21, 2018


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