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Peço permissão, pois o tema guarda conexão profunda comigo e acredito que com você também.

Logo, a melhor forma de estruturá-lo aqui, para que ele não se limite a comentários acerca do empoderamento feminino com pitadas de “mais do mesmo”, é contar minha experiência pessoal.

Estudante de direito (e também de Química Industrial), filha, amiga e namorada: é como geralmente eu costumava me definir ao questionamento das pessoas. Também, pudera, era a sensação que eu tinha sobre o que as pessoas queriam saber de mim.

A depender de um (a) ou outro (a) sujeito (a), as informações ganhavam proporções de grande importância: é o chamado status, que tanto nos acomete no nosso cotidiano. E era assim que me definia até ir conquistando a minha individualidade interna, há quatro anos, quando comecei a viajar sozinha.

A mudança na minha percepção pessoal não é pelo fato de que deixei de ocupar, mas sim pelo fato de que entendi neste caminhar que Ana Manuela (eu, mesma, prazer!) transcendo a elas.

Explico: a nossa realidade é muitas vezes um mundo hermético de variáveis conhecidas. Sabemos o “quê”, o “como” e o “quando” de muitas situações do nosso cotidiano, que nos coloca uma caixa limitadora de que o mundo é justamente nossa realidade.

Eis que de repente, você se lança no mundo em que não se tem nem mesmo as certezas das variáveis. E o mais interessante: as pessoas desse mundo limitam a perguntar o seu nome e limitam o seu interesse e a sua vida ao que você quer dizer a elas. Esse é o mundo do viajante “by yourself”. A perspectiva sobre si se amplia através de momentos de introspecção e em contato com o “novo, que aguçam a sua criatividade e te forçam – não raras vezes – a ter “jogo de cintura”.

Tudo isso, além de te proporcionar boas histórias para contar, desenvolve sua confiança. Por exemplo, eu já me vi num chuveiro de joelhos, vestindo uma espécie de túnica branca, com um pastor coreano me batizando, em uma Igreja Evangélica da Austrália.

Dificilmente esta e outras histórias pitorescas teriam ocorrido se eu estivesse com uma amiga (o). Isso porque nem todos estão disposto a querer desviar um roteiro pré-definido para ouvir duas coreanas na sinaleira, que gostariam de falar sobre o porquê seu “Father” (que na verdade era o “Pai Celestial”) pediu para que elas falassem comigo.

Depois desse episódio, descobri que a quantidade de evangélicos na Coreia do Sul tem crescido expressivamente e muitos deles partiam em missões evangelizadoras. Eu jamais esperaria isso de um “asiático”. Ah: peço desculpas pelo termo preconceituoso, pois sei que há uma miscelânea de costumes e culturas diferentes em cada país que constitui o continente asiático, e que a percepção homogenia dessas culturas podem ofender seriamente essas pessoas.

Exemplo: jamais confunda um Paquistanês com um Indiano e vice-versa.

E é revisitando mentalmente as situações pelas quais passei nas minhas viagens que posso dizer que nas viagens que comecei sozinha, absorvi mais a cultura local. Por questões de escolhas de passeios – ou até mesmo de sobrevivência – nos mantemos mais atentas à realidade do local.

Viajando sozinha fui absorvendo com outro olhar as outras culturas, aprendendo a enxergar a beleza no diferente e a respeitar opiniões (por mais que elas confrontassem com as minhas).

Através de um tempo totalmente dedicado a mim e fui fortalecendo a minha confiança sobre o que sou e o que almejo, através de momentos de introspecção em que senti verdadeira calmaria interna.

Comecei a me desprender de certas preocupações com a consciência de que isso é um verdadeiro treino a condição humana, a “ter jogo de cintura” e a entender que os imprevistos são uma constante no roteiro da vida.

Entretanto, saber como agimos nessas situações é o diferencial para que eles nos afetem menos. Afinal, a jornada é também do autoconhecimento e a liberdade sempre será sua melhor companheira.

E nunca esqueçam: liberdade é substantivo feminino.

Por Ana Manuela Borges, colaboradora do M pelo Mundo


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Nathalia

Sou jornalista de formação e conto com passagens por diversos veículos de imprensa. No entanto, f...

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Ago 21, 2018


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