Voluntário em experiência ecológica em Minas Gerais

1. A escolha do projeto

Foi fazendo voluntariado em uma escola que foi construída através da bioconstrução e permacultura, na cidade de Guaporé (RS), que aprendi que é possível colaborar com locais que respeitam a natureza.

Descobri que existiam centenas de lugares onde eu poderia ficar e voluntariar para aprender mais e evoluir meu conhecimento em hortas, permacultura e bioconstrução.

Já estava programando fazer meu mochilão pelo Brasil e, por isso, eu já tinha a ideia de visitar Minas Gerais em algum momento da viagem.

Foi quando encontrei uma ecovila no sul de Minas. Me certifiquei de verificar as imagens do local, os depoimentos de outros worldpackers, o propósito do projeto e as atividades a serem desenvolvidas como voluntário.

A ecovila é composta por monges e monjas hare krishnas que respeitam o tempo e as escolhas do viajante e onde toda a construção feita no local é usando a bioconstrução e a permacultura. Além de tudo, eles cultivam os próprios alimentos que a terra oferece.

Ou seja, era o lugar ideal para mim! Então, entrei em contato com o anfitrião pela Worldpackers e, em poucas horas, recebi a confirmação.

O anfitrião mostrou-se solícito o tempo todo e me orientou como chegar até o projeto ecológico, incluindo horários de ônibus ou caronas e o que seria preciso levar como essencial para ficar no local.

Tudo fluiu no tempo certo para que eu pudesse colaborar como worldpacker em na Ecovila Vrinda Bhumi.


Tiago em plataforma de trem em Minas Gerais

2. Chegada no anfitrião

Ao chegar na ecovila, fui recebido pelo coordenador dos voluntários, que me mostrou as atividades e fez um pequeno tour pelo local.

Eu estava no interior de Minas Gerais (em meio a Mata Atlântica!) em um projeto onde que recebe pessoas para que possam se reconectar com sua essência e a natureza.

Para os novos voluntários (como eu), é feita uma entrevista para verificar o perfil de cada um, suas habilidades e também suas necessidades diárias. Pude escolher onde eu poderia trabalhar de acordo com minha disponibilidade e minha experiência. Por isso, escolhi ajudar na horta, onde os moradores locais e voluntários plantavam e colhiam seus alimentos.

O horário de trabalho era de apenas quatro horas diárias, revezadas com outros 13 worldpackers e outros 20 moradores que vivem na ecovila.


Estrutura da ecovila

3. Aprendendo sobre a natureza e sobre mim mesmo

Pude expressar o que acredito, além de compartilhar conhecimentos e histórias com os moradores locais e com os outros worldpackers da ecovila.

Ao trabalhar na terra, pude entender que a natureza é capaz de oferecer a abundância que precisamos, de uma forma simples e objetiva. Conheci a economia colaborativa e fui parte dela, ajudando como worldpacker no local.

Auxiliar neste projeto é um retorno para casa, uma volta para nossa essência. Pude absorver o máximo de conhecimento de como lidar com a terra, reparar a horta, remover ervas daninhas e preparar o solo para novos alimentos serem cultivados. Tudo isso de forma orgânica e pura, sem aditivos ou elementos químicos.

Aprendi a criar valas para escoar a água da chuva e a limpar o composto orgânico que não é mais necessário para na horta. Também aprendi que, mesmo esses dejetos, podem ser reaproveitados, pois na natureza tudo pode ser reutilizado.

Aprendi que não é necessário plantar todos os alimentos de uma vez só - para que não seja um projeto de monocultura - e que é necessário saber a estação certa para o plantio de cada semente e, assim, colher diferentes frutas ou legumes em períodos distintos.

Dentre todos os aprendizados e trocas destas atividades, foi o intercâmbio com outras pessoas que estão em busca do autoconhecimento e da reconexão consigo mesmas, o que mais me marcou.

Escolher voluntariar em projetos ecológicos pelo Brasil é transformador.

Sempre me questionei como posso contribuir através das minhas habilidades e conhecimentos para melhorar o local onde vivo. Participar da ecovila foi como uma faculdade, uma reconexão com a natureza de forma a me lapidar e sentir a terra.

As amizades que fiz nessa experiência (além das pessoas incríveis das caronas que peguei para chegar na ecovila) me deram certeza de que é possível viajar trocando suas habilidades por hospedagem de forma segura.

Amizades, histórias e risadas compartilhadas com brasileiros e também voluntários do Chile, Argentina e Uruguai. Ou seja, além de tudo isso, deu pra treinar o espanhol, conhecer outros costumes e descobrir novas culturas.



4. Os benefícios que você recebe na ecovila

No período em que estive em Vrinda Bhumi, aprendi muito com os monges e monjas hare krishnas: suas culinárias, seus costumes e rituais, o respeito com a terra e com o próximo.

Através da troca voluntária, recebia café da manhã e jantar. Era refeições saudáveis, vegetarianas e o bacana foram as comemorações específicas do local, onde haviam banquetes especiais para cada momento.

Pela manhã a prática de yoga e meditação era gratuita, ministrada por uma worldpacker argentina. Ao encerrar o voluntariado às 15h, ficávamos livres para aproveitar o entorno e eu aproveitava então para fotografar a ecovila e visitar as cachoeiras do interior de Minas - que por sinal são dezenas e de longa queda!

Nada melhor que um banho de cachoeira após terminar as atividades.


Um dos benefícios da experiência são as aulas de yoga e meditação

5. Os gastos da minha experiência

Após a aplicação para a ecovila, o anfitrião orienta aos voluntários que as contribuições são espontâneas e feita de bom grado, podendo variar entre R$ 10 a R$30 por uma diária. Esse dinheiro é usado como contribuição para manter a alimentação dos voluntários, assim como os gastos com energia, água, etc.

Também existe a opção de trabalhar poucas horas a mais sem nenhum custo diário. O importante é que tudo é negociável com o anfitrião.

Para minha estadia, ficou estipulado o valor de R$15 a diária. Como estive no projeto durante cinco dias, os gastos com a hospedagem foram de R$75.

Para chegar na ecovila, é preciso ir até a cidade de Caxambu, onde peguei outro ônibus até Baependi pelo valor de R$3,65. Ao chegar na cidade, peguei outro ônibus até o bairro de Piracicaba pelo valor de R$11. Chegando no ponto final do ônibus, consegui uma carona de um morador local junto com outro worldpacker até Vrinda Bhumi.

Para retornar, após o final da estadia, gastei R$ 10 de contribuição de uma carona e o valor igual dos dois ônibus para chegar até a rodoviária de Caxambu. Acredito ser um custo que vale a pena, por todo o conhecimento, trocas e estadia no local!

6. Dicas do que fazer em Baependi e Caxambu

  • Parque de águas minerais

Aproveitando essa caminhada até o interior de Baependi, aproveitei para conhecer a cidade de Caxambu, casa de uma parque de águas minerais (considerado o maior complexo hidromineral do planeta), onde existem capitólios com o nome de cada membro da família real da época da colonização portuguesa no Brasil.

É possível experimentar a água mineral (com gás) que jorra da terra. Cada uma tem composição diferente, o que pode auxiliar na recuperação de diversas enfermidades.

Existe uma lenda local que diz que a Princesa Isabel, ao saber que existiam águas hidrominerais por ali, decidiu se mudar junto do marido, Conde D'eu, para Caxambu até que ele se recuperasse de uma doença.

O parque conta também com uma piscina de água mineral para os frequentadores e a entrada no parque é de R$5,00. Recomendo levar uma garrafa para provar a famosa água com gás que sai da terra.

  • Igrejas históricas

Caxambu também tem algumas das igrejas mais antigas do Brasil, construídas na época da família imperial portuguesa. Uma delas é a Igreja de Santa Isabel da Hungria, construída pela Princesa Isabel em homenagem a cidade que a recebeu tão bem durante o período que esteve em Caxambu.

Partindo do parque, existe um teleférico que leva até o mirante do Morro Caxambu, de onde é possível avistar toda a cidade. O valor é de R$20,00, mas eu optei pela forma econômica e contornar a montanha fazendo o trajeto a pé (o que leva em torno de 30 minutos até o alto do morro).

Outra cidade próxima é São Lourenço, onde é possível andar de Maria Fumaça e conhecer a região de forma descontraída e alegre!

  • Baependi

Após pegar um ônibus até Baependi, resolvi conhecer a cidade. Com suas ruas estreitas e prédios de arquitetura portuguesa, ela ainda preserva os traços da colonização no local.

É possível visitar a igreja matriz Nossa Senhora de Mont Serrat, tombada pelo patrimônio público, e também o santuário de Nhá Chica, uma famosa moradora local que viveu toda a sua vida de forma simples em prol da caridade e foi beatificada no Vaticano em 2013.

Aproveitei também para conhecer as cachoeiras locais do interior de Baependi, como a cachoeira Caldeirão, cachoeira Três Quedas, cachoeira Honorato e as demais cascatas em torno da ecovila. A abundância da natureza, cultura e culinária do local é algo surreal!



Com a mente aberta e leve, eu trago comigo toda esta experiência desde Caxambu até chegar em Vrinda Bhumi, interior de Baependi, de forma a compartilhar boas vibrações como voluntário e worldpacker. Se eu puder te ajudar no seu voluntariado em ecovilas de Minas Gerais, conte comigo!



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Tiago

Sou fotógrafo, aprendiz e arquiteto deste vasto e infinito universo e pretendo contribuir minhas ...

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Set 17, 2018


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