Saiba como arranjar trabalho enquanto viaja pela América do Sul


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Nathalia

Eu viajo. É disso que eu vivo e eu vivo para isso. Não posso imaginar minha vida de outro jeito ...

Ago 20, 2018

A Worldpackers convidou a nômade digital Nath Generoso para compartilhar suas experiências de voluntariado pela América do Sul e como viver financeiramente através do Nomadismo Digital.

Brazil Live em:
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Viajando só com Worldpackers há um ano, a Nath não pretende parar tão cedo, já que descobriu que sua vocação é inspirar e incentivar cada vez mais mulheres a viajarem sozinhas, através do blog e de relatos nas redes sociais.

Além de poder ver a live na íntegra aqui no site ou no Youtube, você pode ler a transcrição abaixo para te ajudar com as principais dúvidas sobre trabalhar e viajar pela América do Sul: 

Allan: Como você ficou um ano pela América do Sul viajando? De onde surgiu a ideia? Como você fez?

Nath: A ideia inicial era ficar seis meses. Eu estava na minha cidade e trabalhava home office, porque meu emprego me permitia isso. Eu estava bem depressiva, não era isso que eu queria da vida, me sentir assim, presa, sabe?

Então eu conheci a Worldpackers e pensei em fazer essa experiência por algum tempo, uns seis meses. Deixei um dinheirinho separado para caso eu quisesse voltar antes e, no final, acabei ficando por lá. Fiquei dez meses, quase onze.

Quando comecei, fui pro Chile e fiz várias amizades lá, o pessoal que estava como voluntário era todo do Brasil, me ajudaram a arrumar trabalho lá na primeira semana e aí a coisa foi rendendo.

No meu blog também acabei mudando completamente o nicho, porque antes era só lifestyle e passei a escrever só dicas de viagem, principalmente para mulheres que viajam sozinha. Fui me abrindo pro mundo e descobri que essa era minha vocação, só fiquei triste por ter feito isso tão tarde. Na minha opinião eu deveria ter feito isso quando completei 18 anos. 

Não tem problema, antes tarde do que nunca, e descobri que quero fazer isso pra sempre.

Allan: Massa! Você falou que tinha se programado para ficar seis meses viajando, é isso?

Nath: Isso! Eu ia ficar até janeiro, até comecinho de janeiro, porque queria passar o aniversário com minha família, mas aí falei “gente, não, vou ficar aqui mais um pouco”, então estendi um pouco e acabei ficando até junho.

Allan: E você se planejou para esse seis meses? Como foi essa parte? Você se planejou para os seis meses inteiros ou planejou o primeiro mês, ou a primeira semana, ou os dois primeiros meses, e depois foi vendo o que ia acontecendo? É uma dúvida que a galera tem bastante.

Nath: Na verdade, eu sou uma pessoa que tem um pouco de problema em relação a isso, porque eu não sou muito de planejar. Eu não tinha dinheiro suficiente para seis meses, mas eu queria arrumar trabalho. Eu sabia o que eu ia fazer, eu ia chegar e buscar trabalho. O dinheiro que eu tinha era o dinheiro para uma passagem de volta de emergência, mas no primeiro mês eu já gastei (hahaha).

Foi isso, eu fui arrumando trabalhos. A intenção era continuar com o blog e fazer ele crescer realmente. Eu trabalhava com redes sociais também, mas no meio do caminho eu acabei perdendo todos os meus clientes e isso foi até uma porta que se abriu. No começo eu fiquei desesperada, pensei “Meus deus, eu não vou ter dinheiro nem pra comer”, mas não. Foi uma porta que se abriu porque eu passei a poder a enxergar mais além do horizonte e ver mais possibilidades de coisas que eu poderia fazer, abri o coração de verdade.

Às vezes a gente tem, ou pelo menos eu tinha, um certo preconceito com determinados trabalhos e tal, mas então você se vê numa situação que percebe que não faz sentido ter algum tipo de preconceito com algum tipo de trabalho, todo trabalho é digno.

Eu comecei a fazer vários tipos de trabalho e percebi o quão valioso isso é para o nosso crescimento pessoal especialmente.

Allan: Como você não se planejou muito, você não tinha a preocupação de como você iria continuar?

Nath: Eu tinha! Tinha muito, na verdade. Eu sempre fui muito relaxa em relação a isso. Graças a Deus eu posso contar com meus pais e minha família e se eu falasse “apertou muito, preciso ir embora”, eles poderiam me ajudar. Apesar de eu ser muito orgulhosa e nunca ter pedido dinheiro de nenhuma maneira para eles, eu sabia que se as coisas ficassem difíceis, eu ia poder falar, mas eu tentei ao máximo evitar essa situação e consegui.

Quando eu perdi meus clientes de redes sociais, eu fiquei bem desesperada, mas depender da ajuda das pessoas que estão ali com você é muito engraçado, porque você abre mão do seu orgulho e aprende coisas novas. Eu não sei nem explicar, você passa a conhecer um lado das pessoas que antes, com você sendo uma ilha, uma pessoa auto suficiente e que não precisa de ninguém, você nunca, jamais, iria conhecer. Foi bem bacana isso, foi um mês que passei meio desesperada, mas depois deu tudo certo. Você fica não em dívida com as pessoas, mas é um laço que você cria com as pessoas, entendeu? É bem bacana.

Allan: Para quem está pensando em fazer uma viagem parecida, quer ficar mais tempo viajando, na sua opinião é preciso ter uma grana inicial guardada, tem que ter a grana para a viagem toda? Agora que você já voltou é mais fácil falar, então como você diria para a pessoa se planejar com a questão da grana mesmo?

Nath: Eu acho que depende do perfil da pessoa. Se é para mochilar mesmo, crescer pessoalmente, passar perrengue, depender das pessoas, que eu acho que é o jeito mais incrível de viajar, para quem vai ficar seis meses, você não precisa guardar todo o dinheiro suficiente para esse tempo. Acho que você pode guardar uma grana só para ter ela ali, com a consciência tranquila, igual eu fiz com a grana da passagem de volta. Ai é ir vivendo e deixando aquele dinheiro guardado ali, não mexe, é só um backup mesmo.

Você procura trabalho e usa durante seu dia a dia essa grana que você ganha ali. Pesquise sobre horas extras no hostel, converse com pessoas, faça trabalhos manuais, trabalha com criação de conteúdo na internet, que é algo que tá bem na moda e é viável hoje em dia, dá pra fazer mil coisas.

Allan: Então você mesclou sua viagem fazendo o intercâmbio de trabalho, trabalhando em hostel, com trabalho remunerados. Como foi isso?

Nath: No primeiro mês eu trabalhando vendendo tours no Chile, porque a maior parcela de turistas lá são brasileiros, 85% dos turistas são brasileiros, então as agências de lá (que são muitas) só contratam brasileiros. Foi bem fácil arrumar trabalho! Eu vendia tours e só ganhava minha porcentagem, então dependia de mim vender ou não para ter o dinheiro. 

Fiquei mais ou menos um mês e meio trabalhando nisso e juntei um dinheiro bom. 

O dinheiro que eu fui guardando, fui controlando bem. Sempre comprava comida e cozinhava no hostel, para não ficar esbanjando e comendo fora, só quando tinha algo muito especial, alguma comida típica que eu queria provar, ai eu comia fora.

Nos outros lugares também, eu trabalhei em um hostel que dava para fazer hora extra e como era um lugar que não tinha muita coisa para fazer, o deserto do Atacama, geralmente eu ficava no hostel e fazia algumas horas extras e no final de duas semanas rendeu uma grana muito boa, porque a moeda do Chile é bem valorizada comparado ao real.

Quando fui pro Peru, que fiquei menos tempo, não consegui um hostel para voluntariar e acabei pagando um quarto para eu ficar com esse dinheiro. Depois segui pra Colômbia e consegui voluntariado, foi bem bacana.

Allan: Então você conseguiu mesclar bem esse trabalho de ser voluntário no hostel e um trabalho part time?

Nath: Sim, dá para mesclar tranquilamente. Geralmente varia o horário de trabalho em cada hostel, mas normalmente cinco ou seis horas por dia e dois dias livres, aí é só conversar, tanto no hostel quanto no trabalho que você conseguir, como funciona e como pode ser seu horário de trabalho. No emprego que eu vendia tours, eles eram super abertos, então eu falava até qual hora precisava trabalhar no hostel e estipulava quais horários faria na agência e não tive problemas com isso.

Eu acho que se eu trabalhasse em algum lugar como um café, ou algum lugar assim, não ia ser tão flexível, mas nada te impede de conversar no hostel sobre seus planos. Eu acho até bem bacana quando você aplica para algum hostel que quer ir você já falar sobre isso, que vai procurar trabalho lá também. De repente até o próprio hostel tem indicações, ou eles mesmo estão precisando de alguém e negociam trabalho voluntário e hora extra, acho bem interessante você estar aberto à isso.



Allan: Entrando mais para o esquema dos hostels que você ficou, como você escolhia eles pela Worldpackers, qual que era seu filtro? O que te chamava atenção em um hostel para você aplicar para aquele lugar? Como era a aplicação?

Nath: Eu sempre buscava os três primeiros que me chamavam a atenção para aplicar, escolhia os que achava bonito e com boa localização. Pesquisava quais bairros eram melhores para se hospedar na cidade de acordo com a minha necessidade. Eu não gosto de lugar muito badalado, prefiro lugares mais tranquilos, então eu sempre procurava bairros nesse perfil e hostels que estavam nesse bairro. 

Eu aplicava para esses três que eu mais gostava, se não me respondessem em três dias eu aplicava para os próximos três e ia expandindo dessa maneira. Geralmente, entre os três primeiros, pelo menos um sempre me respondia, principalmente na América do Sul que tem muito hostel e eles estão muito acostumados com voluntários, então é bem fácil conseguir. Eu fechava com alguns deles e nos próximos três dias a viagem já estava certa.

Allan: Você já tinha feito voluntariado antes, certo? Antes dessa viagem da América do Sul.

Nath: Não, foi minha primeira vez. Eu já tinha ido para a Argentina um mês antes, inclusive foi lá que conheci a Worldpackers, porque eu fui pro hostel, mas fui pagando, fiquei uma semana, e lá todo mundo era voluntário. Pensei “Gente, que legal! Quero fazer isso! Como é que é?”, ai uma menina da Colômbia me mostrou o aplicativo. Então fui lendo, pesquisando sobre, vendo relatos. Há um anos era menos falado, desse um ano pra cá foi um boom de gente viajando.

Fiquei encantada e de lá mesmo mandei mensagem pra minha mãe dizendo que ia voltar, organizar algumas coisas de banco e documentos e ia embora ficar fora por um tempo porque era isso que eu queria. 

Senti algo muito forte mesmo quando conheci esse mundo de viagens.

Allan: Sobre o roteiro, você chegava em uma cidade e escolhia a próxima ou você tinha alguns lugares que queria passar em mente?

Nath: Eu sabia que ia subir a América do Sul. Tinha a intenção de chegar em Cartagena, além do plano de ficar mais ou menos um mês em cada país, mas essas coisas sempre mudam. No Chile mesmo ia ficar um mês e acabei ficando dois para poder conhecer o Atacama. No Peru eu fiquei menos tempo. Na Colômbia acabei ficando seis meses, tive que estender o visto lá porque fiquei completamente apaixonada. De lá subi pro México, mas foi uma coisa que, assim, foi acontecendo. 

Eu tinha alguns planos na minha cabeça, mas eu estava aberta à mudanças. Se eu tivesse fechado tudo direitinho, todos os hostels para os seis meses, eu teria ficado muito frustrada de ter que ir embora de algumas cidades só para cumprir a data de outros.

Allan: Então você não fechou os hostels antes, você definia que ia ficar mais tanto tempo em tal cidade e ia escolhendo os próximos hostels?

Nath: Isso mesmo! O único hostel que eu fechei antes foi o do Chile, que era o primeiro lugar que eu ia chegar, e eu amei lá. A partir daí foi assim, 15 dias antes de viajar eu entrava em contato com os hostels e aplicava. Se não rolasse tinham outros lugares que eu poderia ir, outras cidades.

Allan: A questão do visto que você mencionou… Como funciona?

Nath: Então, depende muito de cada país. Aqui na América do Sul, acho que a maioria das pessoas sabem, os países do Mercosul não precisam de passaporte para entrar, só o RG com data de emissão menor de dez anos. Pode ficar até três meses como turista e também pode estender por mais três meses, que foi o que eu fiz na Colômbia.

Um dia antes do meu visto vencer fui na imigração pedindo para estender e eles me explicaram que eu só precisava de uma passagem de saída do país, foi então que comprei uma passagem de companhia low cost, chamava Wingo, para o México e apresentei para eles e na mesma hora autorizaram mais três meses de visto.

Allan: Uma coisa que é importante e aconteceu comigo é: quando estiver viajando, guarde todos os comprovantes de imigração que receber. É super importante.

Nath: Sim, isso foi na América do Sul, onde é super flexível, principalmente pelo Brasil ser um país super querido. Na Europa ou nos Estados Unidos eu não sei como é. Sei que na Europa você pode ficar três meses também, mas você já tem que chegar lá já com a passagem de volta, o que não é exigido na América do Sul, por exemplo.

Allan: Então é bem mais tranquilo ficar viajando por aqui por mais tempo, sem contar que é mais barato também.

Nath: Sim, com certeza. Um dos motivos de eu ter ficado quase seis meses na Colômbia foi justamente isso, os preços são fora da realidade. É muito barato.

Allan: Então dos lugares que você passou, lá é o mais barato.

Nath: Sim, o mais barato. Tá bem acirrado com o México, porque lá é bem barato para comer. Às vezes, na rua, pagava dois reais no almoço. Como o salário minimo deles é bem mais baixo comparado com o nosso, tudo acaba saindo mais barato também, então no mercado era coisa de centavos um pacote de macarrão.

A Argentina e o Chile não são tão baratos porque a moeda é mais valorizada e o salário também é maior.

Allan: Na questão de viajar um tempo pela América do Sul, e o espanhol?

Nath: Eu não falava nada de espanhol, mas eu sabia inglês e qualquer coisa eu usaria ele, mas não precisou! Primeiro que o espanhol é bem parecido com o português, vamos colocar que 80% é a mesma coisa e só muda o sotaque. Eu nunca estudei nada, mas no primeiro mês eu já sabia me comunicar muito bem, depois de dez meses eu já estava fluente no espanhol.

Allan: Pra galera que não tem o espanhol e também precisa treinar o inglês… Você acha que dá para fazer sem falar muito bem o inglês e o espanhol?

Nath: Dá, com certeza! Eu nunca mais pago curso de alguma língua. Francês, por exemplo, eu vou lá para a França passar seis meses porque compensa muito, você fica imerso na cultura deles e você tem que se virar de qualquer maneira, isso vai fazer com que seu cérebro aprenda de forma mais rápida . Então dá sim, mesmo que você não tenha o inglês.

Para a recepção precisava sim no mínimo falar o inglês, mas para a limpeza não. Inclusive, a limpeza era uma das funções que eu mais gostava porque ao terminar o trabalho você fica livre, não tem um número de horas definidos.

Se você for ficar na recepção e tiver um inglês mediano, é legal porque você vai entrar em contato com várias pessoas do mundo inteiro e vai acabar treinando.



Allan: Legal! Da parte da sua viagem era isso mesmo, agora quero entrar mais na parte de nômade digital. O que significa ser nômade digital para você? Qual era sua rotina?

Nath: A principal diferença pra mim, depois que comecei a ter esse tipo de vida, é que eu não preciso mais acordar cedo (hahaha)! Quando eu estudava jornalismo ainda, eu queria montar uma estratégia de vida em que eu não precisasse acordar cedo. Eu também era uma pessoa que não me dava muito bem com “chefes”, então conclui que ou eu mudaria muito e passaria a aceitar essa vida, que era algo que eu não queria, ou vou ter que fazer alguma coisa para eu ser minha própria chefe e comecei a desenvolver isso.

Eu já tinha a vantagem de ter feito jornalismo, poderia trabalhar no meio digital, e eu também era fotógrafa, então decidi focar nisso. Eu também tinha o blog e sempre tive o sonho de fazer ele crescer.

Decidi focar mais no blog, em criar conteúdo, e em cuidar de páginas nas redes sociais, que era o que me permitia viajar mesmo.

Allan: E hoje você vive disso, certo? Você conseguiu o estilo de vida que queria, consegui ser sua própria chefe. Há quanto tempo você de fato começou a focar nisso?

Nath: Eu comecei com isso um pouco antes da viagem, então oficialmente eu sou uma nômade digital há um ano e meio.

Allan: Quando se fala de nomadismo digital, acho que muita gente pensa em trabalhar no meio de uma praia paradisíaca. Nesse um ano e meio, quais dificuldades você enfrentou?

Nath: Olha, primeiro que trabalhar em praia paradisíaca não dá porque não tem Wi-fi. Eu preciso de um certo tipo de concentração, então eu geralmente to no hostel trabalhando e se a internet não colabora muito vou para algum café.

Allan: Última pergunta antes de abrir para a galera. Para quem tá começando a planejar isso, vale a pena ser nômade digital? Qual sua dica geral para a galera?

Nath: Vale muito a pena. No começo a carga de trabalho é o dobro, então se você está saturado de trabalho, saiba que vai ter muito trabalho, mas é muito gratificante. Independentemente do que você vai fazer, seja um projeto, se vai continuar fazendo o que faz na sua atual empresa, se for montar um blog, o trabalho nômade vai ser muito gratificante.

Tem que fazer! Se você já está pensando nisso é porque alguma coisa não está certa. Eu conheço muitas pessoas que estão descontentes com o lugar onde trabalham, que querem mudar de vida, que não sabem por onde começar, que estão com medo de dar o primeiro passo, que é o mais importante. Depois do primeiro passo as coisas fluem, sabe?

A minha dica para quem quer começar é: começa! Não tenha medo.



Perguntas da galera:

Mayara: Com quantos anos começou a viajar?

Nath: Com 25 anos. Eu fui pro Chile antes com uma amiga, mas fiquei uma semana, depois fui para Londres, viagem que ganhei de uma loja de sapatos em parceria com o blog. A primeira vez que eu fui viajar sozinha, sozinha mesmo, foi ano passado, com 25 anos, para a Argentina, e foi aí que eu decidi o que eu tinha que fazer.

Alexandre: Tenho 40 anos e queria muito viajar. Será que é muito tarde para mim?

Nath: Nunca é tarde! Só vai! A sua bagagem, a sua experiência de vida, tudo vai colaborar para sua viagem ser a mais incrível e, ainda assim, você vai descobrir que sabe muito pouco sobre a vida, porque numa viagem dessas é que você descobre quem você realmente é.

Vinicius: Quais tipos de trabalho você fez pela Worldpackers e como foi moldando sua viagem pela Worldpackers também?

Nath: Eu fiz muita coisa! Comecei com recepção, no começo eu fazia muita recepção por já ter o inglês, mas depois fui aplicando para qualquer tarefa. Eu fiz limpeza, café da manhã, fiquei em bar e organização de eventos.

A: Você arrumou trabalho remunerado durante a viagem?

Nath: Eu vendi tours no Chile, fiz horas extras em hostel, porque eles pagavam a mais por isso, e alguns hostels eu peguei para fazer as redes sociais deles, que era meu trabalho.

Gabi (bancando la gringa): O que te motiva nos dias que você acorda pensando em desistir?

Nath: Olha, tem dia que cansa um pouco. As pessoas acham que viajar é maravilhoso o tempo todo, mas não. Tem dia que a gente acorda e quer ficar mais de boa, não falar muito.

Eu penso que tudo é um aprendizado, então eu sempre acordo aberta para tudo, penso que o dia vai ser bom, penso em fazer algo diferente. 

Geralmente isso acontece quando eu faço muitas coisas repetidas durante os dias, se to trabalhando muito e não consigo sair para explorar, ou se estou fazendo o mesmo turno muitas vezes, coisas assim. Sempre tento ficar longe desses pensamentos negativos.

Allan: Em quantidade de trabalho, você acha que trabalha mais hoje ou quando tinha um emprego normal?

Nath: Hoje eu trabalho menos, mas quando comecei a ser nômade eu trabalha muito porque tinha que me posicionar como nômade digital, organizar horários. Hoje eu trabalho umas três horas por dia, mas é importante estabelecer limites.

João Paulo: Conta um pouco dos seus perrengues de viagem.

Nath: Fora o mês que fiquei sem dinheiro, que precisei depender de todo mundo e no final foi uma coisa boa, já me perdi em cidade ao pegar ônibus e parar num lugar nada a ver e em Medellín peguei alergia de um bichinho que deixou meu braço horrível.

Fernando Aguiar: Quero tirar um bom tempo do trabalho e da faculdade para viajar, mas nenhum familiar aprova. Tenho 21 anos, será que é muito precoce? Será que descubro como me manter um bom tempo fora?

Nath: Cada pessoa é um caso. No meu caso eu queria desde os 18 sair, mas não tava preparada. Graças a Deus eu tive esse tempo, esperei e sai bem mais tarde do que eu queria, mas foi algo que deu certo e eu consegui até estender isso e transformar no meu trabalho e na minha vida.

Se você tem esse sentimento, você precisa sim fazer isso. Talvez por menos tempo, uns três meses, e descobrir se é isso que você quer realmente. Às vezes estamos saturados de trabalho e faculdade, mas não é necessariamente viajar que a gente quer, mas você tem que ter essa experiência pra saber se realmente é isso que você quer ou não. Minha dica é que você vá sim.

Mayara: Conta um pouco mais das dificuldades e benefícios de ser uma mulher viajando pela América do Sul.

Nath: Eu tinha muito medo. Quando comecei a viajar eu tinha a ideia de focar meu blog para esse tema de mulheres viajando sozinhas, porque eu quero que cada vez mais pessoas tenham esse estilo de vida, que é uma qualidade de vida.

Mesmo assim eu tinha medo de que não desse certo, que o mundo não fosse tão maravilhoso quanto eu pensava. Na verdade foi surpreendente, porque o mundo é muito mais do que eu pensei, as pessoas estão dispostas a ajudar de uma maneira que não sei explicar, muito altruístas, sem querer nada em troca.

A gente está acostumado a focar muito nas notícias ruins, pessoas que morreram, e claro que tem, mas não é como a gente tá acostumado a ver todos os dias, o mundo é muito mais bonito do que a gente imagina que é.

Aline: Você foi do Chile para o Peru e depois Colômbia, você foi de ônibus? Os preços são acessíveis?

Nath: Eu fiz tudo de ônibus, do Chile para o Peru foram 36 horas de viagem. Não foi tão caro, não lembro exatamente quanto foi, mas acredito que aproximadamente 120 reais. De Cusco para Lima foi super barato, acho que 40 reais. O que foi mais caro foi do Equador para Colômbia, que foram dois dias de viagem no ônibus e não lembrou quanto custou.

Nathalia: Você pagava as passagens com esse dinheiro que ganhava nos trabalhos que fazia?

Nath: Sim, tudo com esse dinheiro. Tanto com o dinheiro dos trabalhos remunerados que encontrava no meio do caminho, como com o blog e as redes sociais. Eu recebia tudo na minha conta e dava para sacar em qualquer caixa eletrônico, apesar das taxas absurdas, é só habilitar o cartão para uso internacional.

Mauricio: Para viajar por um longo tempo, de seis meses a um ano, sem ser nômade digital, dá para fazer com a ajuda da Worldpackers? Qual sua dica?

Nath: Bom, tem que estar aberto à trabalhar nos lugares. Você pode trabalhar em cafés, restaurantes, ou no próprio hostel se eles tiverem vaga, ou juntar um dinheiro antes. Eu não conseguiria ficar um ano inteiro juntando dinheiro antes de ir viajar, sou muito ansiosa, então, na minha opinião, eu iria e lá dava um jeito. 

Emprego dá para arrumar, você chega já fazendo contatos e no próprio hostel tem muita gente que vai te ajudar. Tem lugares que têm mais trabalhos do que outros, mas é preciso estar aberto às oportunidades. O salário deles é bem menor do que estamos acostumados, mas as coisas são mais baratas também. Vai de você fazer uma renda maior para ir viajando, ou trabalhar pra ter dinheiro aquela semana, ter uma vida mais simples. Dá para conseguir sim sem precisar organizar tudo antes.

Glauber: Como você define um nômade digital?

Nath: É uma pessoa que tem a flexibilidade de trabalhar de onde quiser e, principalmente, fazer a quantia que quer por mês. Como nômade digital ainda é considerado um emprego “não oficial”, você depende do seu esforço para ganhar dinheiro, então o tanto que você trabalhar vai corresponder com o tanto que vai receber. Ser nômade digital é isso, se esforçar muito e todo mês ficar preocupada se vai entrar dinheiro ou não. Com o tempo você aprende a se organizar, a sempre ter uma reservinha.

A próxima viagem da Nath é um mochilão por toda Itália, de Milão até Palermo, então sigam ela nas redes sociais ou acompanhem os artigos dela aqui na Worldpackers para acompanhar de perto essa experiência.


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