De monastérios a ONGs: fazendo trabalho social na Ásia


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Gustavo

Living my dream of travelling the world! :) After 12 months volunteering in Asia/Oceania, now ...

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Out 30, 2018

Após tirar um sabático pela Ásia, Gustavo conta mais sobre como é voluntariar na Ásia, o dia a dia como colaborador em um projeto social e os custos totais da viagem.

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Rodolfo: Salve, salve galera! Muito bem-vindos a mais um podcast da Worldpackers! Eu sou o Rodolfo e hoje estou aqui com meu amigo Gustavo.

E aí, tudo bem Gustavo, beleza? O tema de hoje é voluntariado de impacto social no Sudeste Asiático, e ele está com dicas imperdíveis para quem está se planejando, está cheio de dúvidas, acha que não pode fazer isso sozinho e que não fala a língua do país que você quer visitar, então se prepare e acompanhe a gente que vamos transformar essa sua viagem e realidade.

Primeiro eu queria saber, quantos voluntariados você fez no total e quanto tempo você passou nessas propriedades no Sudeste Asiático?

Gustavo: Cara, no Sudeste Asiático eu tive uns três voluntariados de impacto social. Os maiores, que eu acho legal da gente conversar, são os de Myanmar e o do Camboja.

Rodolfo: E por que você escolheu a Ásia e o Sudeste Asiático principalmente?

Gustavo: Então, eu conheci 15 países em um ano sabático entre a Ásia e Oceania. O Sudeste Asiático é um lugar interessante porque ele também se completa com outras localidades, porque é um lugar mais barato. Então, você vai para países mais caros e, claramente, quando a necessidade do dinheiro vem, você também tem o Sudeste Asiático.

Lá é um lugar muito interessante de uma história muito pesada, muito profunda, que você estando lá, aprende muito da história dos países onde a gente nem aprende quando está fora.

Quando estamos no Brasil, nós não aprendemos na escola, então uma vez lá, você vê que tem muito problema social, muita coisa para voluntariar. A Worldpackers foi a plataforma mais rápida onde eu consegui me linkar com esses lugares e principalmente no Myanmar e no Camboja, onde eu fiz voluntariado.

Rodolfo: Pode crer. Você falou de grana, você usou algum aplicativo para te ajudar a economizar na viagem, seja com transporte ou, enfim, quando você não estava voluntariando para economizar com alojamento, com comida?

Gustavo: Eu tenho até uma consultoria que eu falo sobre isso, mas os aplicativos mais importantes, que mais me ajudaram para realmente me fazer chegar em um budget menor foram o CouchSurfing e a Worldpackers. É bom deixar claro que o Couchsurfing é uma plataforma de troca cultural. Tendo isso em mente, você consegue ter algumas acomodações em troca de experiências.

A Worldpackers, que acho que nem precisa falar muita coisa, você realmente vai ter experiências profundas, de significado e também com acomodação, com comida e de repente outras facilidades em troca.

Rodolfo: E como você escolheu o anfitrião? O que você levou em consideração? Você falou de comida, alojamento, às vezes as horas de trabalho, o que você fazia lá e o que te davam em troca...

Gustavo: Então, eu não consegui me planejar e nem queria muito me planejar durante a viagem, né? Então eu comecei no Japão e sabia que ia passar pela Ásia. Uma vez estando por lá, eu sempre pesquisava na Worldpackers o que que tinha, quais eram as minhas opções e, enfim, facilidades também, como o custo das passagens e tal.

Uma vez achado coisas interessantes que eu poderia realmente me aplicar, porque eu teria alguma coisa para dar em troca, eu me aplicava. Independente de qual é o país, eu ia atrás da experiência. Deu que em certo momento eu fui para o Sudeste Asiático e a Worldpackers me devolveu essas experiências interessantes.

Rodolfo: Você chegou aplicar para mais de um ao mesmo tempo ou você aplicou para um esperou ele te responder?

Gustavo: Olha, dependia do tempo em que eu tinha para chegar no lugar. Então assim, quanto menor o meu tempo, às vezes eu me aplicava com duas semanas antes de estar no lugar, então aí, para a gente ter um pouco mais de opções, eu já me aplicava para mais de um.

Eu não sei se foi sorte ou e se realmente o que eu escrevi foi bem interessante que as pessoas me aceitaram logo de cara. Acho até que uma dica interessante é, na hora da aplicação, colocar realmente quais são seus valores, quais são suas habilidades e porque isso vai dar uma troca legal. Se vender mesmo, porque isso que vai fazer a pessoa te escolher.

Rodolfo: Massa, massa! E como é viajar como voluntário no Sudeste Asiático? Como você se sentiu nesta posição lá?

Gustavo: Cara, é muito gratificante e engrandecedor. Provavelmente uma das melhores experiências da minha vida por vários motivos, mas, quem já foi para esses lugares e não foi com essa mentalidade de festa, mas de realmente viver a cultura, de viver o lugar e tentar fazer uma diferença, vê que é um povo especial. Um povo que tem sua pobreza, que passou uma história muito difícil com comunismo, capitalismo, guerras. Uma vez você está voluntariando, você realmente se sente engrandecido e ao mesmo tempo humilde, porque você faz parte daquele ambiente e vive aquilo que aquelas pessoas estão vivendo, sabe das dificuldades, ajuda e faz a diferença na vida das pessoas.

“Isso não tem como comprar e é exatamente neste ponto que eu agradeço a Worldpackers.”

Porque esse link rápido, entre você e uma experiência que muda a sua vida desse tipo, é o que faz todo o valor da Worldpackers. É super rápido e certeiro.

Rodolfo: E você está falando de dois voluntariados que você fez de impacto social, um no Camboja e outro em Myanmar. Quais eram as tarefas que você fazia, como é que você colaborava com esse projeto?

Gustavo: Primeiro, é que quando você está em uma situação daquela, você se deixa aberto a viver qualquer coisa que as pessoas estão precisando e ajudar. Dito isso, no Camboja, que na verdade é uma ONG que fica em uma vila bem afastada, a 25km de Battabang, que é uma cidade já pequena que cresceu do nada, cresceu de um pântano. Chegando lá, é uma escola de inglês para ajudar a comunidade. Eles também têm um viés de tentar formar aquela pessoa para trabalhar na hospitalidade, em hotéis, restaurante. Então, eu fiz paredes, cozinhei, claramente ensinei inglês e tudo, tudo que eles precisavam. Eu fiz concreto, fui psicólogo, babá...foi uma das melhores experiências que tive.

Eu escrevi um artigo sobre isso, vocês podem dar uma olhada lá. Desde o banheiro até tudo o que você come, é tão diferente, tão desconfortável em um primeiro momento, que te traz uma mudança vida, de mentalidade e um crescimento. 

Em Myanmar, eu fiquei em um monastério budista, que era também uma comunidade de 3.500 pessoas, onde tem velho, tem doente, tem cego, tem criança, desabrigados, portadores de HIV, tem de tudo. Então assim, obviamente por ser um monastério, tem os monges e as atividades lá iam desde você ajudar os monges nos almos, que eles dizem que são as rondas.

Então você vai passando pela cidade pegando comida, eu nunca vi tanto arroz na vida. Também ajuda os pacientes. Tem gente lá que tem doenças, machucados, câncer. Você ajuda nos cuidados, a dar banho em senhoras. Às vezes é assim, você bota uma senhorinha numa cadeira de rodas para andar com ela. Esse tipo de coisas simples e, ao mesmo tempo, tão importantes. Todo mundo precisa tomar banho todo dia e as pessoas não têm como se dar banho lá, então essas duas oportunidades realmente me mudaram. Mudaram o meu caráter, como ele evoluiu hoje. Claro, que ninguém está no 100%...

Rodolfo: E o que que você fazia antes de sair aqui do Brasil e se jogar assim, para essa viagem. Você viajou por 365 dias exatamente, né?

Gustavo: Então, muita gente fala que vai um ano, né? Mas eu nem tava planejando a minha viagem de volta, quando eu decidi que eu tinha que dar um tempo. A minha volta para o Brasil caiu no mesmo dia que eu viajei, então foi interessante.

Rodolfo: E assim, como é que foi esse despertar que você falou “Cara, não dá mais para mim, eu vou embora”. O que você estava fazendo, como é que foi isso?

Gustavo: Cara, eu não tive nenhuma crise de meia-idade, eu fazia vendas em uma empresa de TI, estava crescendo na carreira bastante, eu tinha tudo. Estava ganhando uma grana legal, morando no Itaim, em São Paulo, com dinheiro, uma vida super confortável.

“Mas, ao mesmo tempo, teve um ponto, não sei se é uma coisa da nossa geração, em que eu percebi que eu estava evoluindo muito como um ser produtivo e não tava evoluindo como ser humano”

Empatia, enfim, habilidades humanas, interpessoais, outras culturas. A gente vive numa bolha e acha que está comandando essa bolha.

A gente não sabe nada, então eu precisava ter essa lição de humildade, de como ser um ser humano e como evoluir como um ser humano. Foi por isso que eu me demiti, vendi minha casa, vendi meu carro, vendi tudo para poder viajar.

Rodolfo: Você acha que essa viagem de voluntariado que você fez te ajudou de alguma forma também na sua vida profissional hoje?

Gustavo: Assim, ainda está super recente, eu voltei agora em junho. Então assim, em termos profissionais, em termos de ter um emprego, eu não sei, porque ainda não passei por isso.

O que eu sei é que a minha área, a área de vendas (e eu tava mexendo mais com vendas internacionais), isso me deu uma base, um skill que me trouxe. Eu tenho conhecimento de novas culturas e como lidar com interações com outras culturas, isso é algo interessante, mas acho que mais interessante nessa viagem, não que você busque isso, mas que você acaba tendo, é networking. São os contatos que você faz.

Eu conheci um Tcheco enquanto ajudava reformando um banheiro e uma semana depois que a gente ficou amigo descobri que ele era CEO de uma empresa de iogurte na China, em Xangai. Então são contatos que realmente o dinheiro não compra, te abrem portas e novas oportunidades profissionais que eu ainda não vivi, então, realmente eu ainda não sei no que que vai dar.

Rodolfo: Entendi, então talvez, mais do que os lugares, são as pessoas que você conhece que te marcam, não acha?

Gustavo: Sim, tanto é que o lugar pelo lugar não é nada. Assim, se eu tiver que falar do lugar pelo lugar, sem as pessoas, falo da natureza. Eu nunca me conectei tanto com a natureza antes, principalmente eu, que sempre fui uma pessoa de cidade urbana. Na Índia, você olha para frente e vê camelos, elefantes e vacas no mesmo cenário.

Fora isso, realmente são as pessoas, é a interação e o modo que as pessoas agem e interagem. Você aprendendo um pouco disso, é a empatia mesmo. Podemos dizer que é estar no sapato daquela pessoa, mesmo que ela cague diferente de você, que ela coma, que ela fale, enfim, tudo diferente de você, a gente tem algumas verdades absolutas na nossa cabeça que são bobeiras.

Rodolfo: Fantástico, Gustavo! Cara, muito obrigado mais uma vez, satisfação aí pela sua história, de verdade. A gente, que é viajante também e está trampando com aquela cabeça “Quero viajar, quero viajar”, quando a galera vem aqui dar uma reenergizada assim, é muito dahora. Muito obrigado mesmo.

Para a galera que quiser falar com o Gustavo, ele tá lá na plataforma como expert e vocês já entenderam porque, né? Também tem os artigos dele lá sobre essas viagens que ele falou!

Gustavo: Valeu galera, quem quiser me seguir também lá no Instagram é @gavosantos. Valeu, gente!

Rodolfo: E galera, se você tiver algum assunto que gostaria que a gente falasse a respeito, envie aqui nos comentários para a gente produzir para você. Até os próximos Podcasts!

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A gente tá aqui para te ajudar a realizar a melhor experiência da sua vida.

Até mais! Valeu.


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Gustavo

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Out 30, 2018


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