De voluntária a funcionária num dos melhores hostels da Espanha


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Ethiene

Gaúcha, jornalista e apaixonada pela vida. Traveler lover movida pela certeza de que sempre há mu...

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Set 21, 2018

Nessa entrevista entrevista com a worldpacker Ethiene, você vai saber como ela conseguiu um trabalho na Espanha depois de viajar para lá como voluntária.

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Oi viajantes! Eu sou a Marla, sejam super bem-vindos a Worldpackers. Recebemos neste Podcast a Etienne, viajante que tem uma super experiência bacana na Europa para compartilhar com a gente.

Hoje vamos falar então sobre este tema:

“Dá para viajar e trabalhar na Europa?”

Etienne, muito obrigada pela sua participação com a gente em mais um Podcast da Worldpackers! Para começar, conta pra gente da onde você vem, quem você é e por que resolveu viajar pela Europa.

Etienne: Obrigada, o prazer é meu. Então, meu nome é Etienne Antonello, eu sou de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. A primeira vez que eu vim para a Europa já faz quase dois anos, eu vim estudar inglês em Londres. Eu fiquei um ano em Londres e depois fui para a Itália, tirei meu passaporte italiano e quando estava lá conheci a Worldpackers. Já que eu já tinha meu passaporte, eu poderia viajar pela Europa e ficar por aqui mais um tempo. Descobri um hostel bem legal aqui na Espanha pela Worldpackers, então estou aqui.

Inicialmente ia ficar só dois meses, acabei mudando para quatro e estou aqui até agora, ainda não fui embora, vai fechar seis/sete meses.

Marla: Caraca, quanto tempo! E aí você foi só estudar inglês em Londres, como você tinha passaporte, você poderia também trabalhar em Londres, mas não conseguiu achar nada?

Etienne: Quando estava em Londres tinha visto de estudante. Eu só estudava inglês. Depois que eu fui para Itália fazer minha cidadania italiana e, agora sim, eu posso trabalhar de tudo.

Marla: O que te levou a escolher essa vaga na Espanha?

Etienne: A cidade que estou é San Sebastian, no norte da Espanha. Escolhi porque aqui é praia, é de surfista, uma vibe bem legal...e era o que eu queria, morar na praia em um lugar que falasse espanhol. Eu me identifiquei bastante aqui com o lugar, estou bem feliz.

Marla: Que legal! E antes de você viajar, você estudava, se formou no Brasil?

Etienne: Sim, eu me formei em jornalismo e uma semana depois da formatura fui para Londres.

Marla: E como era seu dia a dia como voluntária? No início, o que você ganhava de benefício?

Etienne: Bom, quando eu cheguei aqui eu trabalhava sexta, sábado e domingo (só durante o dia). Em troca disso eu ganhava hospedagem e o café da manhã. Era bem tranquilo, eu ficava na recepção aqui das três às nove horas e era isso.

Marla: E esse foi seu primeiro voluntariado pela Worldpackers, né? Deu aquele medinho?

Eu estava até comentando hoje com o pessoal, que na minha primeira vez eu fiquei com tanto medo que arrastei meu irmão para ir junto comigo!

Inclusive eu fui até para a Espanha, pra Málaga. O hostel era também super fofo, também na praia, com café da manhã. Mas meus pais ficaram meio assim, né?

Aproveitei que era a época de férias e falei pro meu irmão: “você quer ir comigo fazer voluntariado?” Arrastei ele! E você, como você superou esse medinho que a gente tem, de viajar sozinha para um lugar diferente, ter essa experiência?

Etienne: Sim, foi meu primeiro voluntariado e como primeira vez foi uma experiência diferente. Quando eu tava na Itália, eu morava com uma amiga brasileira e ela tinha feito Worldpackers no Uruguai com o namorado, daí ela que me falou, eu nem conhecia, assim, essa história de voluntariado. Ela me apresentou e eu vim para Espanha mais segura em relação a isso.

Marla: Ah, legal, então você não foi totalmente às escuras, né?

Etienne: Não, mas antes de vir para cá eu liguei aqui para os donos e conversei, porque eu tava com um pouquinho de medo.

Marla: E você já tinha intenção de trabalhar por aí quando você foi ou você foi porque você queria ter uma experiência diferente e “vamos ver no que vai dar”?

Etienne: Eu até escrevi um artigo sobre isso. Eu tive um fim de relacionamento quando estava em Londres e não tinha muito para onde ir, não sabia muito bem o que fazer. Daí fechou tudo assim, com a Worldpackers, eu já não queria voltar para o Brasil, queria ficar pela Europa por mais um tempo. Eu já tinha intenção de trabalhar na Europa para não ter que voltar e a Worldpackers foi tudo de bom na minha vida.

Marla: Ai que legal! E como foi então? Você voluntariou por quanto tempo?

Etienne: Eu voluntariei por dois meses e daí eu voltaria para o Brasil. Tinha minha passagem comprada já, só que aí eu não queria voltar, eu queria ficar aqui mais tempo e os meus chefes também gostaram do meu trabalho, não queriam que eu voltasse. Como eu estava voluntariando, não tinha dinheiro para comprar outra passagem para o Brasil. Eles decidiram que iam me contratar. Já faz um mês quase que eu estou contratada, eles estão me pagando, aí eu comprei minha passagem para o Brasil e vou ficar até 30 de Outubro aqui, mais dois meses.

Marla: E como foi esse processo? Acho que como você tem o passaporte é mais tranquilo a questão de regularização do visto, né?

Etienne: Então, na verdade, eu só pude ficar por causa do passaporte, se não, teria que ter voltado. Se você não tem passaporte, o visto é de três meses.

Marla: Como é que você trabalha aí? Mudou alguma coisa de quando você era voluntária? Tirando, obviamente, o pagamento, como foi esse processo de voluntária para uma pessoa que trabalha contratada?

Etienne: Eu gostei mais, porque agora eu me sinto mais parte da equipe. Não que antes eu não me sentisse, mas agora eu só tenho que trabalhar três noites a mais, da meia noite às cinco e o resto fica igual. Tem mais responsabilidade eu acho. Inicialmente era eu pela Worldpackers e mais três voluntários. A gente era em quatro. Aí assim que eles resolveram contratar ficou eu e outro menino mexicano.

Marla: E você sofreu algum tipo de preconceito por não ser espanhola? Alguma coisa do tipo, ou não?

Etienne: Não, na verdade, eu sempre me senti muito em casa. Todo mundo me tratou bem. Pelo contrário, quando eu falo que eu sou brasileira, eles sempre acham legal. “Brasil, Brasil!” eles falam.

Marla: O seu estilo de vida mudou depois que você virou contratada?

Etienne: Ah, melhorou um pouco, né? Porque antes eu ficava no hostel junto com os hóspedes e assim que me contrataram eu e meu colega mexicano fomos para um espaço só para nós, que não é junto com os hóspedes no hostel. Eu trabalho um pouquinho mais as vezes, fico um pouquinho mais cansada, mas a gente mora a uma quadra da praia, então dá para ir na praia de manhã, trabalhar de tarde, um estilo de vida bem bom.

Marla: E o custo de vida daí é de boa? Eu lembro que em Málaga, apesar de ser famosa, é uma cidadezinha pequena. Mil vezes mais barato do que Madrid ou Barcelona.

Etienne: A Espanha na verdade é um dos países mais baratos da Europa. Mas aqui é a segunda cidade turística mais visitada da Espanha. A primeira é Barcelona, San Sebastian é a segunda. Tem muito turista aqui, muito mesmo, então isso acaba elevando um pouco preço das coisas. A hospedagem é um pouco cara, mas como não pago, então não muda muito. De resto, alimentação, eu não gasto muito dinheiro para falar a verdade, eu gasto bem pouco. Eu faço compras no supermercado, aí a gente cozinha aqui e acaba economizando bastante.

Marla: Você já se virava em Londres, né?

Etienne: Em Londres e na Itália eu sempre me virei, fiz mil coisas.

Marla: Eu não cozinho nada, tanto que quando eu iniciei essa vida de voluntária eu pensei “Vou aprender a cozinhar, é uma meta”, mas cara, eu tive tanta sorte, porque eu conhecia outras pessoas que também estavam trabalhando que cozinhavam. Aí eu não precisava... tipo, as pessoas falavam “Vamos cozinhar tal coisa”. Cada um de uma nacionalidade diferente, tinha alguma especialidade do país, então eu nunca precisei aprender a cozinhar, tipo, oficialmente, né? Eu só mesmo me virei. Quando você sabe cozinhar, você se torna uma atração entre a rede de amigos, né?

Etienne: Sim, na verdade, eu vou te falar que eu não sou muito diferente de ti. Eu aprendi a cozinhar na marra, mas entre os meus amigos tem gente que cozinha bem, então eu sou ajudante! Mexo a panela, corto a cebola, lavo a louça..

Marla: Uso essa tática também, eu ajudo! É legal você fazer amigos, né? E quais são os planos agora, para retornar para o Brasil?

Etienne: Pois é, agora 30 de outubro eu volto para o Brasil, comprei a passagem e dessa vez eu vou voltar. Daí eu não sei na verdade, eu quero passar o verão no Brasil, que já faz dois verões que estou na Europa. Aqui está bem calor, mas agora em setembro tá passando um pouco, né? O pôr do sol era 10 horas da noite, agora é às 9 horas.

Volto para o Brasil, pretendo ficar até fevereiro, março, e daí eu não sei. Voltar para Europa, achar alguma vaga de emprego em jornalismo na Espanha ou Portugal.

Marla: Você acha que ajuda de alguma forma, estar trabalhando aí, no seu currículo?

Etienne: Assim, eu acho que sim. Porque aqui eu falo muito, muito, inglês e espanhol. Isso ajudou muito para melhorar meu inglês.

Marla: Você já falava espanhol antes?

Etienne: Eu fiz no Brasil quatro anos de espanhol e quatro anos inglês antes, mas aqui no dia a dia, assim, trabalhando, que você aprende mesmo, né?

Marla: Você conheceu muito brasileiro por aí?

Etienne: Aqui nessa cidade não tem muito brasileiro. Nesses três meses que eu estou aqui vieram três brasileiros só se hospedar no hostel. Eu não sei, aqui não é um lugar muito famoso no Brasil.

Marla: Pra quem não tem passaporte Europeu, como que é trabalhar na Europa?

Etienne: É bem complicado, porque antes de ter o passaporte eu não podia. É ilegal. Ele só contratam com passaporte ou com alguns requisitos, mas não é fácil. Eu nunca consegui em Londres.

Marla: Eu estou indo estudar agora em Berlim, e dei uma pesquisada, assim, por cima, e parece que se você tem visto de estudante, você tem direito a trabalhar meio período.

Etienne: Na Alemanha é permitido? Seria bom, porque com o real do Brasil você troca por Euro e não rende nada.

Marla: Não sei se tem aí em San Sebastian, o Montaditos? De quarta e domingo a cartela inteira saia por 1 euro, aí você pegava porção de batata frita por 1 euro, era legal.

Etienne: Aqui tem um evento que é toda quinta feira, que é uma comida e uma bebida por dois euros. Amanhã, inclusive!

Marla: Como que é o nome do hostel que você tá aí?

Etienne: Se chama Surfing Etxea. Aqui é um país Basco né, aqui no norte, daí eles falam metade espanhol metade basco. Etxea significa casa em espanhol, aí fica “Casa do Surf” . Eu aprendi a surfar aqui, eu nunca tinha surfado antes.

Marla: E aí você consegue no seu tempo livre, além de surfar, conhecer outros lugares?

Etienne: Dá para conhecer outras cidades sim. Aqui é quase fronteira com a França, dá 50 minutos de ônibus. Aí dá para passear por lá de manhã, voltar a tarde. É perto dos pirineus franceses também. Na verdade eu acabei descobrindo chegando aqui, foi bem bom.

Marla: Muita surpresa boa, que bom! Você tem alguma dica para galera que está com dúvida nesse primeiro passo?

Etienne: Sim! Eu aconselho todo mundo que esteja pensando, que vá, se jogue. Veja bem um lugar que se sente bem e que goste de ficar e se joga porque é uma oportunidade única, você vai ver experiências incríveis, vai aprender muita coisa e vai levar para o resto da vida com certeza. Não vai se arrepender.

Marla: É isso mesmo, né? Você tem que se jogar. Parece suspeito a gente falar porque viveu isso, mas é uma coisa que só vivendo para entender como é que é. Muito obrigada Etienne! Seguimos acompanhando você nas redes sociais!

Etienne: Muito obrigada vocês! Um beijo!

Marla: Então é isso galera, se você ainda não segue nossos canais no ITunes e SoundCloud, não deixe de seguir para receber dicas sobre voluntariado, economia, enfim...todos os tipos de viagem!

Tchau galera, até o nosso próximo Podcast!


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Ethiene

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