É melhor trocar a moeda local antes de viajar ou quando chegar?


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Set 03, 2018

Idealizador do Projeto Ruas Latinas, onde mostra a rotina do trabalho voluntário pela América Latina durante o ano de 2017 por 7 países. Acesse ...

Rodolfo Montu e Felipe Santana ficaram mais de 1 ano viajando pela América do Sul. Nesse bate-papo, eles compartilham tudo que você precisa saber sobre trocar dinheiro na viagem.

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Fala galera, sejam bem vindos aí em mais um podcast da Worldpackers. Hoje a gente vai tratar de um tema muito massa e muito importante para todo mundo que se planeja para fazer uma viagem pela América do Sul, independente do país que seja.

Eu sou o Rodolfo, muito prazer! A ideia hoje é passar um pouquinho para vocês da experiência que a gente teve viajando pela América do Sul. Eu fiquei vários meses no Peru, na Argentina na Colômbia e Equador.

Felipe: Eu sou o Felipe! Fiz Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Chile, Argentina e Uruguai.

Rodolfo: A ideia é falar a respeito de como lidar com câmbio, com as moedas de diferentes países, como se planejar e quais são as melhores opções. Então vamos começar pela parte da troca da moeda.

Você sabe que cada país tem sua própria moeda. Por exemplo, no Equador é dólar, no Peru são soles, tem os pesos argentinos, pesos colombianos, pesos chilenos… então acaba ficando uma bagunça. Para esclarecer isso para você com base na nossa experiência.

Então, Felipe, você trocou a moeda antes de viajar ou quando você chegou?

Felipe: Então, eu juntei $3000, só que a minha ideia era gastar 2.000. Eu levei $1000 em cash e fiz a troca. Paguei na época 3,30 e coloquei mais $1000 em TravelMoney no cartão Visa.

O TravelMoney é facinho de fazer, na corretora mesmo eu fiz, achei um preço legal. Na época, tava uma variante de 3,30. Aí troquei tudo, coloquei no Travel Money $1000 e levei $1000 em cash.

Rodolfo: Eu fiz algo parecido também, porque é uma aposta. Tipo, as moedas aqui dos nossos países variam muito e o dólar costuma ser mais estável, então se você tá achando que vai aumentar, ou que o dólar vai valer mais reais, ou seja, de 3,30 ele vai pra 4,00, se você está nessa perspectiva, compensa muito comprar dólar e guardar para ir juntando. Mesmo se você for trocar essa grana pela moeda do país de destino ou para levar em dólares e trocar lá.

Então meio que fiz a mesma coisa, mas não com tudo. Uma parte estava em reais. Fui tentar trocar antes de viajar uma parte para já chegar com a moeda do Peru no caso, que foi o primeiro país que eu cheguei, mas nem achei soles para comprar no Brasil, então isso acontece com a moeda da Argentina e da Colômbia. Também é uma coisa que vale a pena se ligar, muitas dessas moedas você não encontra na casa de câmbio, tem que encomendar e acaba saindo mais caro. Então eu também não troquei real nem dólar pela moeda do país antes de sair.

Felipe: Eu pensei nisso, nas pesquisas que eu fiz. E aí eu falei “pô vou levar dólar, aí já era, só para conta bater, $1000 em grana, $1000 em TravelMoney e o meu backup era o meu cartão normal aqui do Brasil, que depois no fim da viagem eu acabei gastando do cartão e foi uma saída não muito legal. Precisei usar esses outros $1000 que eu tinha, mas acabei gastando muito com taxa, então talvez seria melhor eu ter colocado tudo no TravelMoney do que ficar contando com isso.

Rodolfo: Pode crer. De qualquer forma, é sempre uma boa levar mais de uma forma, não levar tudo em dinheiro e não levar tudo em TravelMoney. Cara, quase todas as minhas viagens, em algum momento, eu perdi um dos cartões. Nessa hora que você sente a gelada, tipo, “pô, se eu tivesse só isso eu tava fudido”. É bom levar separado. Inclusive, a grana é legal deixar em mais de um lugar. Na carteira, no bolso, no porta dólar. Vai separando também essa grana para se der algum B.O, não perder tudo de uma vez.

E cara, esses $1000 que você levou em cash, você trocou tudo de uma vez ou você foi trocando aos poucos?

Felipe: Então, assim, eu fui fazer um rolê de um ano. Ficar um ano fora. Aí eu ia trocando aos poucos. Como eu tava já com a grana na mão, eu podia ir na casa de câmbio e trocava a partir de $50 lá na Colômbia. Eu ia trocando aos poucos, já que a minha ideia era gastar o quanto menos, melhor, então eu ia lá, o câmbio tava legal, trocava $50, isso é algo legal quando está com dinheiro na mão.

Você pega e vai jogando com isso, é mais versátil.

Mas assim, foi total de primeira viagem. Não sabia mesmo como fazer isso e imaginei que ia ser a melhor forma. A gente nem tinha um podcast falando sobre isso, não tinha nem como buscar...eu tinha que ler blogs, imaginar mais ou menos como seria a melhor forma.

Hoje, depois, lógico, de quase um ano, eu consigo saber qual a melhor forma.

Rodolfo: Pode crer, você falou da casa de câmbio, você chegou a trocar na rua? Porque a maioria dos países tem uma galera tocando na rua. Na Argentina, na Colômbia, tem uma galera falando “câmbio, câmbio”. Eles aceitam dólares, muitas vezes reais também. Chegou a trocar com alguém na rua, em casa de câmbio, aeroporto ou banco?

Felipe: Então, eu fiquei em Cartagena. Lá eu trocava nas casas de câmbio da cidade, que é um lugar turístico. Porque no aeroporto era muito caro, mas aí eu lembro que a minha cabeça ficava bem louca porque para saber quanto eu tava gastando eu tinha que converter primeiro do real para o dólar e depois do dólar para o peso.

Então minha cabeça estava meio maluca e ao mesmo tempo eu estava falando inglês, espanhol e pensando em português. Era uma confusão mental da porra. Mas deu certo.

Rodolfo: Pode crer, na Argentina eu não troquei na rua, apesar de ter. Nos bancos geralmente, assim, é muito cara a taxa também, então eu nunca troquei em banco, tanto na Argentina quanto no Peru.

Felipe: E você ia confiar de trocar na rua, tipo o cara ali, com o bolso cheio de grana?

Rodolfo: Meu, na rua é embaçado. Eu conheço gente que trocou e não teve problema, mas eu não troquei. A taxa costuma ser um pouco mais baixa do que na casa de câmbio, mas eu não aconselho também a meter o louco e ver o que que dá, ainda mais você, que tá viajando há muito tempo e dependendo dessa grana. Eu não acho que é o mais aconselhável.

Felipe: Eu não confiava em trocar na rua também, porque por exemplo cara, na Argentina é muita grana, é muita coisa em espécie, muito papel.

“Como é que eu vou conferir tudo?”

Então preferi ir numa casa de câmbio ou então sacar direto do caixa eletrônico.

Rodolfo: E para sacar, qual que era a taxa do seu Banco?

Felipe: Para sacar em outro país saia uma média de uns 20 reais o saque no cartão de crédito, mais IOF e uma pá de coisa.

Eu já estava no final da minha trip, ali para Santiago, Argentina, e era toda vez pelo menos uns 25 reais só de taxa. Então eu fazia uma conta mais ou menos de quanto eu ia gastar, por exemplo, vou gastar tanto por dia para comer, quero fazer um tour assim, quero gastar tanto de breja... Assim fazia a conta mesmo e decidia quanto ia sacar. Ainda colocava uma sobrinha. Quando eu tava no Chile eu vi lá o meu banco e falei “Nossa, demorou, não vou pagar taxa”. Mentira.

Paguei taxa do mesmo jeito, a mesma coisa. Você vai aprender a fazer a conta de cada país que você vá. Na Argentina eu dividia por 5, no Chile fazia vezes 5.

Rodolfo: Eu tentei os aplicativos, Currency Converter e tem vários outros que te ajudam nisso. Na Argentina têm Santander, o Santander Rio e lá eu não paguei a taxa. Mas enfim, outros lugares eu pagava a taxa de 50, 60 reais por saque. Então você acaba ficando nesse dilema:

Não dá para sacar pouca grana que você fica pagando só taxa; 

x

Não dá pra sacar muita grana e ficar andando com muito dinheiro no bolso, na mochila.

Então é meio que esse planejamento de quanto de grana você vai precisar para sacar o mínimo possível. Para passar o cartão de crédito ou de débito também tem taxa, mas isso vai depender do banco. Às vezes é menor, às vezes não, porque é melhor para você não ficar andando com grana. Se você puder ter essas três opções:

  • O dinheiro;
  • Travel Money;
  • O cartão do banco.

Seja qual for o cartão do banco que você tem, lembre de desbloquear. De ligar no seu cartão, independente do banco e falar: “olha, eu vou usar meu cartão desbloqueado para Colômbia do dia tal até o dia tal”. Então é importante fazer isso.

Também já passei perrengue de mudar de país, demorar esse trâmite e eu não conseguir usar o cartão. Naquele momento era a única fonte de grana que eu tinha.

Felipe: Então, é bom planejar, fazer tudo com antecedência de uma forma geral. Já que quase um ano fora seria muito difícil eu ficar rodando com toda a grana no bolso. Eu pensei nisso, falei “não vai ser legal”. Fiquei com esse negócio na minha cabeça direto, é muito grana. Para mim, é muita grana, né? Mesmo que $3000 a longo prazo não seja tanto.

Hoje, eu sei que uma solução muito legal, que aprendi durante a trip é:

Ter alguém aqui no Brasil para transferir para você.

Por exemplo, receber uma grana que você tenha no banco no Brasil via Western Union ou também via Transferwise, que é muito bom, as taxas são menores do que banco e do que você trocar em dólar para depois trocar no país, porque em tudo você vai pagar o bendito IOF, né?

Rodolfo: Então hoje a melhor saída para mim seria isso. Seu parente ou amigo pode:

  • Fazer pela internet;
  • Ir em uma dessas agências (Moneygram, Western Union, Transferwise) e pegar o recibo.

Por exemplo, você está em Buenos Aires. É só apresentar seu documento e já está com a grana na mão. Muitas vezes não precisa ser uma agência, tem farmácia e banca de jornal que você consegue sacar essa grana.

Felipe: Também não dá para falar qual é o melhor aqui, porque é uma coisa que também oscila. As taxas disso são como de uma casa de câmbio, também vive oscilando. Sei lá, o mês passado, a Transferwise era a melhor e mais da hora. Esse mês, vai ser a Western Union.

Então você tem que fazer essa pesquisa aí também, mas aí eu se fosse viajar hoje, eu levaria lógico minha grana e ter isso de backup. Minha grana acabou? Dar um salve no WhatsApp para a pessoa que vai te dar essa força. É o melhor esquema, ainda mais se você fizer um trampo enquanto tá viajando.

Fazendo um trampo de nômade digital você acaba recebendo nessa conta e aí tem uma pessoa para te mandar, é demais!

Rodolfo: E galera, dinheiro, como qualquer outra coisa, como qualquer investimento, é legal diluir aí o risco. Então, estar viajando com várias possibilidades diminui a chance de você se dar mal nessa.

Além de tudo, nem tudo é dinheiro, então a gente tá aqui falando de planejamento financeiro e tudo mais, mas tem como trocar suas habilidades também, não só fazendo voluntariado, mas a gente bate sempre nessa tecla de ser uma opção muito boa trocar habilidades por hospedagem, por alimentação.

Cara, tem vários trampos que você pode usar como moeda de troca durante a sua trip, então dinheiro é importante, claro, tem que ter no mundo que a gente vive e tudo mais. Mas sempre lembrar que existem várias outras possibilidades de se virar.

Felipe: Se você é fotógrafo, você tá tirando foto para o hostel, mas nada impede de você fazer um tour e tirar fotos da galera lá e tentar vender suas fotos. De repente faz um vídeo, ou então você é designer, faz uma arte para um evento. As possibilidades são infinitas. Se você é músico, já perdi as contas do tanto de músico que eu conheci na trip que trampava no hostel e depois, na hora livre, ia pra rua mesmo, ganhava moeda local.

Rodolfo: É importante:

  • Pensar fora da caixa;
  • Descobrir que colaborando dá para ir muito longe;
  • Ter sempre um backup.

Então galera queria só chamar vocês para curtir, para deixar comentários no canal do SoundCloud e do iTunes. Se esse Podcast tá sendo de alguma maneira útil para vocês, se o canal foi importante para algum momento de transformação, importante para planejar sua viagem, deixe um comentário lá, dá um seguir! Por que isso que ajuda a gente a continuar levando informação de qualidade para mais gente.

Felipe: Tem uma coisa também que aconteceu comigo. Eu tô falando aqui, de fazer backup e tudo mais, mas mesmo assim, as vezes, acontecem situações adversas, tá ligado?

Eu precisava fazer um check-out no hostel que no domingo eu ia vazar de lá. O hostel acabou fazendo a conta errada e na hora que eu saquei a grana, eu saquei a grana certinho, já que eu já ia sair do país. Mas com a conta errada, ficou faltando 20 soles.

Eu tava no Peru. Beleza. Para começar, era sábado à noite e eu fui sacar a grana no caixa eletrônico. Quando eu coloquei o cartão, o negócio tragou. Puxou o meu cartão e não devolveu mais. Falei:

“Maluco do céu, e agora?”

Eu já não tinha mais grana do TravelMoney, não tinha mais nada. Só tinha aquele meu cartão de crédito. Cheguei no hostel eu falei

“Olha, não vou conseguir porque o caixa engoliu meu cartão, às 16h da segunda-feira eu vou”. Aí beleza, passei o domingo pensando o que faria e se conseguiria recuperar esse cartão.

O que aconteceu: eu tinha amizade com outros voluntários do hostel e essa galera me ajudou a pagar. Consegui ir embora na segunda-feira, só que antes disso, eu passei lá no banco e lá estava meu cartão. Nossa, foi bom demais!

Aí eu fui embora, mandei depois por Western Union para a menina que me emprestou, foi demais. Então esse lance de fazer amizade também interessante, né? É uma das coisas que pode acontecer, podia ter acontecido com qualquer um.

Rodolfo: Então, quando você for pela primeira vez sacar ou esteja em uma situação dessa, que você só tem aquele cartão, tenta fazer isso na hora que a agência está aberta, porque isso acontece muito e se engolir o seu cartão você consegue entrar na hora e resolver. Se não, meu amigo, você sabe lá quando você vai voltar. Se for final de semana, só na segunda-feira.

Felipe: Então, real, é muito importante e bom pensar nisso aí. Pois eu não pensei e hoje eu penso muito. Galera, você vai fazer um mochilão na América do Sul, é muito importante que você saiba que você vai ter que fazer um monte de conta maluca na cabeça e é bom fazer no papel.

Não tente fazer uma média ou não pôr no papel, porque saber realmente quanto você tá gastando te ajuda muito economizar.

Rodolfo: Valeu galera! Obrigado a todo mundo que tá escutando! Mais uma vez, vou pedir para vocês curtirem nosso canal no SoundCloud, no ITunes e no site da Worldpackers. Dá essa força, deixa o comentário da sua sugestão e vamos para cima!

Boa viagem! Bora viajar!

Felipe: Isso aí! Valeu! Bora viajar!


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Set 03, 2018

Idealizador do Projeto Ruas Latinas, onde mostra a rotina do trabalho voluntário pela América Latina durante o ano de 2017 por 7 países. Acesse ...


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