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O que é um ano sabático

Aprendizados de uma viajante e alguns conceitos que você precisa saber.


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Estela

Half Brazilian, half Spanish, completely into discovering the world. I left my Public Relations c...

Ago 08, 2018

Um ano sabático é uma período de pausa

Por mais popular que a ideia de ano sabático tenha se tornado nos últimos tempos, ainda há muitas controvérsias por aí. Em sentido literal, “sabático” é um período em que algo ou alguém não cumpre suas atividades laborais corriqueiras e descansa para recuperar energias.

É tempo para cuidar de si mesmo, para dedicar-se a um projeto pessoal. Parece simples, não? Mas como a vida é cheia de nuances e complexidades, esse conceito tão básico se desdobra em tantos outros que seria impossível não falar sobre eles.

Antes de escrever esse texto, perguntei a alguns amigos como definiriam um ano sabático e qual sua importância para a vida de uma pessoa. O resultado me assustou: entre as respostas que obtive, muitas diziam que “era um período em que a pessoa não faz nada enquanto não sabe o que fazer da vida”, “coisa de filhinho de papai” ou “é para quem não quer ter responsabilidades”.

Como algo tão maravilhoso e necessário como cuidar da saúde mental e fazer aquilo que se ama pode ser visto com maus olhos?

É verdade que em muitos países – Brasil incluso – existe a cultura de condenar o ócio. Se você não tem um emprego estável das 8h às 18h em uma multinacional, deve ser um rebelde ou ainda não se encontrou na vida.

Eu discordo e ainda cito Gerard Abrams: “Só porque meu caminho é diferente, não significa que eu esteja perdido”. 

Tem tanta gente por aí nesse mundão que está vivendo seu sabático praticamente sem dinheiro, trocando gentilezas e levando uma vida cheia de significado, que compará-los com alguém que não tem objetivos beira o absurdo.

O meu ano sabático nasceu de uma paixão que eu já alimentava há tempos: viajar sozinha. Eu sempre amei a adrenalina de chegar em novos lugares e me desafiar a fazer novos amigos, aprender a ler os mapas, comer coisas diferentes e falar outros idiomas.

É verdade que eu tinha sim coisas em minha vida rotineira que queria mudar, mas em nenhum momento me passou pela cabeça mudar de carreira, odiar meu emprego, querer ir embora do meu país ou fugir de responsabilidades. O que eu tinha, mais do que tédio, era um sonho.

Eu sabia que, à medida que fosse envelhecendo, seria cada vez mais difícil realizá-lo. Foi assim que com 25 anos e uma mochila nas costas eu saí de casa um pouco sem roteiro, mas sabendo exatamente aonde eu queria chegar.

Ao fim dos meus 12 meses eu cresci tanto que posso dizer com toda certeza que nada do que eu tenha feito antes na vida me ajudou a construir meu caráter tanto quanto essa viagem.

Assim, elaborei uma definição de ano sabático que une minhas experiências, conceitos literários e opinião de conhecidos: é um ano em que uma pessoa decide sair de sua rotina habitual para dedicar-se a um projeto pessoal, seja ele relacionado a estudos, trabalho voluntário, cultura, viagem ou qualquer outro aspecto que tenha como foco engrandecer sua alma, mas não o bolso.

Se você também tem vontade de viver essa aventura incrível e realizar o seu sonho, confira cinco aprendizados que tive e que considero essenciais para quem planeja esse período:

1. Seja verdadeiro com seu sonho:

Sonho é aquilo que a gente deseja com todo o coração e que faria até o impossível para conseguir.

A oportunidade de um ano sabático normalmente é única e você tem que aproveitá-la para fazer aquilo que realmente tem sentido para você, seja aprender um novo idioma, ajudar pessoas carentes ou conhecer uma das praias mais bonitas do mundo.

Lembre-se de que as fotos do Instagram vão ter sumido daqui alguns anos, mas o calor no coração por ter se realizado um sonho vai te acompanhar por toda a vida. 

Uma viagem sabática traz muito auto conhecimento!

2. Elimine completamente a ideia de fugir das responsabilidades

Tirar um ano de folga da sua vida quotidiana é completamente diferente de estar de folga. ​O trabalho, as provas, os prazos de entrega e seu chefe podem até ter ficado para trás, mas estar sozinho significa no mínimo dobrar suas responsabilidades. ​Ser irresponsável não é condizente com o planejamento e organização que um ano sabático requerem e você vai ter​ que cuidar da sua saúde, segurança e de seu dinheiro mais do que nunca.

Se você vai viajar pela Worldpackers, tenha em mente que o anfitrião conta com você e não é nada legal deixar essa responsabilidade de lado.

3. Entenda que você não está largando tudo

Você no máximo está largando, temporariamente, um salário fixo. Ao sair de casa por um

ano, você não deixará de ser o filho da maria, irmão do José, apaixonado por aquela série da Netflix, torcedor do Corinthians e formado em engenharia.

Pedir demissão não é o fim do mundo. Você ainda tem seus conhecimentos, amigos, experiências, medos e ambições, assim como toda a sua capacidade de produzir e ganhar dinheiro, e quando você voltar depois de um ano, tudo estará praticamente como você deixou.

Assim como as coisas boas sobre você não se vão, as não tão boas assim permanecem. Pode apostar que mais da metade dos problemas que você tem atualmente são reflexo de como você vê o mundo, então haverá muitos momentos em que você terá que confrontar-se para conseguir seguir em frente. Não adianta mudar de aeroporto se a sua bagagem segue sendo a mesma.  

4. Prepare-se para a volta

O maior medo de quem tira um ano sabático é não ter para onde voltar. Por isso, é imprescindível que haja muito planejamento e dedicação aos detalhes da sua volta.

Hoje em dia, muitas empresas oferecem e inclusive incentivam a saída para período sabático, então converse com seu chefe e explique seus planos e objetivos com esse descanso. Se não for possível manter sua vaga, leve em consideração que você será uma nova pessoa quando voltar.

Você aprenderá a ser mais independente, verdadeiro, corajoso e resiliente. Provavelmente será mais organizado, mais comunicativo e proativo também. Com tantas habilidades novas desenvolvidas, será mesmo que você ainda vai querer se manter no mesmo cargo? Aproveite o seu tempo livre também para pensar como sua vida poderia ser melhor quando você voltar e trace planos para chegar lá.

5. Planeje-se financeiramente

Antes, durante e depois da viagem, a todos os momentos. É claro que é preciso ter algum dinheiro para fazer uma viagem de um ano, mas não uma fortuna.

A minha, por exemplo, custou bem menos que um carro popular, ainda que eu tenha ido para a Europa, onde há uma conversão monetária extremamente desfavorável para os brasileiros.

Esse valor não pagaria o nível de conforto que muita gente gostaria, mas pagou pelo meu sonho e pra mim isso vale mais que qualquer hotel cinco estrelas.

Além disso, existem hoje muitos tipos de investimento bancário que permitem que as pessoas se organizem tanto para sair de folga, quanto para manter-se estáveis quando voltarem. O que eu quero dizer é: encaixe seu sonho dentro do seu orçamento, mas não deixe de fazê-lo por acreditar que precisa de uma fortuna. 


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Estela

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Ago 08, 2018


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