Enfrentei meus medos e pude viver uma experiência Worldpackers única

Sobrecarregado com as cobranças do dia a dia, eu precisava viajar e me conhecer. Então, conheci a Worldpackers e pude viver uma experiência além do que esperava. Confira!


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Thiago

Nov 06, 2019

Goiano, fotógrafo, 26 anos. Curto a vida com sobriedade e ansiedade, enquanto ando por aí ouvindo músicas, admirando paisagens ou comendo comida bo...

Relato - São Sebastião

Em 2016 minha vida entrou em uma fase muito conturbada. Problemas de saúde na família fizeram com que consultórios, hospitais e até mesmo UTI’s se tornassem rotina para mim.

Além disso, a carreira de fotógrafo autônomo ainda não estava me proporcionando a segurança financeira que eu precisava para planejar de forma mais concreta os meus sonhos, entre eles o sonho de viajar.

Toda essa situação fez com que eu decidisse buscar a psicanálise. Minha queixa mais frequente era a profunda sensação de desgaste e de que não havia nada de diferente ou positivo para esperar da vida. No decorrer das sessões, ia ficando nítido como eu estava perdendo minha individualidade em detrimento dos problemas familiares e criando uma série de bloqueios sentimentais, nocivos em vários sentidos.

Com a alma de viajante latente em mim desde criança, quando eu vivia folheando revistas de turismo, eu sabia que viajar poderia me ajudar, mas, naquele momento, pagar por um pacote de viagem parecia um sacrifício financeiro muito grande.

Eu também já tinha ouvido falar de lugares que aceitavam trabalho voluntário em troca de hospedagem, porém, ainda muito apegado às formas convencionais de viajar, sentia que era tudo muito arriscado e até trabalhoso, pois achava que eu teria que fazer por conta própria todo o processo de pesquisa e negociação. Até que um dia, ao compartilhar esses pensamentos com minha psicóloga, ela comentou:

- Não sei como funciona, mas se você pesquisar na internet você vai encontrar, tem um site onde eles oferecem várias dessas oportunidades.

A princípio confesso que não me empolguei tanto, mas diante da necessidade desesperadora de fugir da minha realidade e ter um tempo só para mim, saber ao menos que havia uma plataforma onde todas as informações eram organizadas, já me pareceu um bom facilitador. No mesmo dia, ao chegar em casa, comecei a pesquisar a respeito, então a Worldpackers surgiu como um mundo de possibilidades.


Praia de São Sebastião

Nos dias seguintes, lembro-me de passar horas vasculhando o site e, à medida que ia conhecendo melhor a plataforma, percebi que minha perspectiva sobre viajar também estava mudando. Não era mais apenas sobre estar em um lugar confortável e com grande potencial turístico, era sobre conhecer, compartilhar e evoluir.

Em menos de dois meses consegui aproveitar uma fase de calmaria nos problemas familiares para começar a aplicar para alguns anfitriões. Ainda que tomado por certa insegurança, me permiti aplicar tanto para oportunidades que estavam próximas da minha zona de conforto, como outras que pareciam desafiadoras, pois eu e minha psicóloga concordamos que era uma ótima chance de flexibilizar os meus limites.

Minha primeira atitude nesse sentido foi não aplicar somente para anfitriões que tinham referências. Ora! Descartar anfitriões por eles não terem referências significava dar autorização para eu ser descartado por também não ter referências.

Para minha surpresa, logo recebi respostas positivas e em poucos dias ficou definido que eu iria para Flor da Vida Pousada e Espaço Holístico, em São Sebastião (SP).

Seria a viagem mais longa que eu já havia feito sozinho. Por isso, eu era muito honesto em que reconhecer que a empolgação logo se encontraria com a insegurança, mas eu sabia que iria até o fim, pois sempre tive uma qualidade da qual eu me orgulho, a determinação.

Chegado o dia da viagem, o sentimento de angústia crescia conforme a estrada se prolongava. O caminho de ida me pareceu especialmente exaustivo e minha consciência parecia repetir a frase: agora não dá mais pra voltar! Na mesma medida, eu tentava me lembrar de todas as vezes que me senti amedrontado e que mesmo assim eu segui em frente.

Essas situações sempre me encheram de orgulho e revelaram a mim a coragem que muitas vezes eu não sabia ter. Internamente eu sabia que se passasse por essa experiência da maneira mais positiva possível, depois de tudo eu me sentiria ainda mais forte, pois é do desafio, do confronto, que a nossa força evolui.

Depois de quase 12 horas de viagem, somando avião e ônibus, fui recebido pelas minhas anfitriãs Mônica, Cláudia e Miraci. De cara, ‘o santo bateu’! Eram pessoas extremamente agradáveis.

Ao constatar que eu era o único worldpacker na acomodação, me senti confortável por ter o espaço todo para mim, mas por outro lado também me senti frustrado, pois como a viagem também tinha a função de ser um exercício de flexibilização e autoconhecimento, eu queria ter a experiência de ‘morar’ com um pessoa desconhecida. Experiência que ainda espero viver futuramente dentro da plataforma!

Os dias seguintes foram intensos, de muitas atividades na pousada e também de andanças pela cidade. Confesso que até exagerei nessa parte, pois diante do sentimento insaciável de explorar os arredores, em alguns momentos levei meu corpo ao limite. Em contraponto à exaustão física, minha mente parecia imersa em uma sensação de bem-estar.


Cachoeira

Em São Sebastião experimentei um estilo de vida que parecia pacato, considerando que cidade estava pouco movimentada por ser baixa temporada, e ao mesmo tempo descolado, devido à cultura do surf que é tão pulsante ali.

Em uma atmosfera tão diferente do lugar onde eu moro, Goiânia, tudo parecia fascinante, até mesmo escolhas simples, como escolher onde vou comer ou por onde vou passar, pareciam experiências especiais.

Logo percebi que a sentimentalidade negativa que havia me levado até aquele lugar e que outrora me parecia tão sólida, estava sendo suprimida pela oportunidade de praticar minha autonomia, como também pelas novidades que os lugares e as pessoas de São Sebastião me apresentavam a todo o momento, justamente como eu queria que fosse.

Mais tarde, eu também descobri que a solidão é um sentimento muito curioso, que, as vezes, se afastar de tudo para se ouvir e se sentir é a melhor escolha que você pode fazer, pois somente estando bem consigo mesmo é que você consegue se doar para os outros, e que é através da solidão que a gente redescobre a gentileza nos estranhos que estão ao nosso redor. Como no caso do moço de uma loja de celulares que, sabendo que eu estava a pé, longe da pousada e durante a noite, se ofereceu para me levar até lá de carro.

Nos últimos dias eu estava muito consciente sobre aproveitar cada detalhe, pois sabia que sentiria muita falta de tudo quando voltasse e também me sentia profundamente grato por mais uma vez ter enfrentado meus medos e ido rumo ao desconhecido.


Orla

Ao voltar para casa eu sabia que muitos problemas continuavam à minha espera, mas ao menos eu estava com as energias renovadas e até com novos planos profissionais, como transformar algumas fotos que fiz em quadros decorativos.

Por fim, permaneceram também as amizades das minhas anfitriãs com quem falo até hoje e, principalmente, a sensação confortante de que quando tudo parecer ruim, sempre haverá outros lugares para ir, outras pessoas para conhecer e outras experiências para viver.


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Thiago

Nov 06, 2019

Goiano, fotógrafo, 26 anos. Curto a vida com sobriedade e ansiedade, enquanto ando por aí ouvindo músicas, admirando paisagens ou comendo comida bo...


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