Descobri que posso trabalhar em qualquer lugar do mundo

Como qualquer pessoa, ano passado inteiro eu esperei ansiosamente pelas minhas férias. Dessa vez, com todas as expectativas e borboletas no estômago imagináveis, pois iria fazer a minha primeira viagem para o Norte do país, com meu melhor amigo, seria incrível! Porém a viagem se transformou em muito mais que isso.


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Ana Paula

Arquiteta e Mochileira • Buscando, reconhecendo e admirando as novas versões de mim a cada dia • ...

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Out 10, 2018

Amigos que fiz durante minha viagem como voluntária

Em vinte dias atravessamos uma extensão enorme de terras e rios entre Manaus e Belém, passando pela Amazônia, Santarém e Alter do Chão. Conhecendo pessoas, lugares, hostels e voluntários incríveis.

Esses últimos mudaram toda a intenção dessas férias ao me contarem suas histórias e por onde tinham conseguido viajar com pouco dinheiro e aproveitando cada cantinho dos estados. 

Eu cheguei a conclusão de que, se um dia tivesse qualquer brecha no meu emprego, gostaria de me aventurar pelo mundo, já que adorava essa troca e convivência com os mais diferentes tipos de pessoas. Foi sempre algo que me atraiu.

Eis que, quando desembarcamos de volta à rotina, bem no primeiro dia, meu chefe na empresa me contou o quanto as coisas haviam mudado por ali, que ele precisaria fazer alguns cortes de gastos e ajustar o fluxograma de funcionários para que não precisasse mandar ninguém embora. No meu caso, o que ele poderia fazer comigo era me enviar para trabalhar de casa, economizando o gasto com meu deslocamento.

Uma chavinha virou dentro da minha cabeça: eu poderia trabalhar de qualquer lugar do mundo!

Não tive nem tempo para o luto dessa nova fase trabalhando em casa sozinha, pois logo entrei em contato com os amigos que havia feito na viagem e tirei todas as dúvidas a respeito da Worldpackers, montando um roteiro e me apaixonando cada vez mais com a ideia. Isso porque, nas minhas buscas, sempre encontrava lugares que poderiam parecer comigo, em cidades que sonhei em conhecer e que agora podia!

Nesses dias e noites, navegando ininterruptamente pelo site, algo me surpreendeu muito: um hostel com muitas oportunidades de aplicação, localizado em Recife, que é uma capital cultural que sempre desejei visitar, um lugar com uma decoração incrível e que, além de tudo isso, funcionava também como coworking. Perfeito para minha nova realidade de trabalhar remoto.

Daí em diante foram horas resgatando todas as curiosidades que tinha sobre Recife e Pernambuco, lembrando o quanto essa terra é mágica, de frevo, de coco, de cinema, de artes, de pluralidade. A partir daí foi rápida a decisão de me aplicar para uma das inúmeras vagas do Piratas da Praia.

Que decisão assertiva!

Depois de três semanas em Maragogi, no Alagoas, passeando bastante e adquirindo uma experiência incrível com as pessoas que conheci, cheguei em Recife e me surpreendi com o quanto o hostel é uma amostra grátis da cidade: cada cantinho tem história, tem música, tem arte, tem gente livre. 

Dentre essas pessoas, muitos viajantes que conviviam, socializavam e ainda utilizavam o espaço do coworking para desenvolverem seus trabalhos, num espaço tranquilo e separado da rotina da casa.


Sala do Piratas da Praia

Conheci inúmeros mochileiros com histórias diferentes de porquê começaram a viajar e entendi que cada um tem um baque ou um chamado distinto. O meu foi o trabalho que permitiu e eu devia me dedicar a essa chance de viver um sonho: trabalhar e conviver num hostel, caminhar na praia de Boa Viagem pela manhã e, ainda, desenvolver minhas tarefas, continuar sendo arquiteta.

Ali eu pude retomar todos os projetos atrasados, adiantar serviços e pude, pela primeira vez, me sentir confortável com a situação de home office. Isso porque o Piratas consegue mesmo ser uma extensão de casa como hostel e, ao mesmo tempo, um empreendimento comercial, já que é impecável na limpeza e organização, além de oferecer esse serviço de escritório compartilhado para hóspedes e público em geral.

Em resumo, acredito que foi um conjunto de ótimas escolhas a partir de uma situação ruim e que rendeu excelentes ensinamentos. Primeiramente, nós não precisamos sofrer com as surpresas que a vida coloca na frente, nós temos que procurar enxergar cada uma como oportunidade. Oportunidade de crescer, de reviravoltas, de autoconhecimento, de aproximação com os outros, de humildade. Em qualquer área, em qualquer susto, em qualquer momento de transição isso funciona.

Por fim, é possível conhecer o mundo viajando, voluntariando e trabalhando sim! Não estou nem na metade do meu caminho ainda, aproveitei intensamente por onde passei, prossigo ganhando um dinheirinho para continuar e ainda me dedico de coração ao voluntariado de cada lugar. 


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Ana Paula

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Out 10, 2018


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