O guia completo para curtir e se apaixonar por Salvador

Salvador, na Bahia, é conhecida como uma capital cheia de história, belezas naturais e alegria. Confira esse guia com dicas para conhecer e se encantar pela cidade.


19bcc04c9cf258dc33e81f4eb3004119

Karina

Set 11, 2019

Jornalista, leitora, viajante y otras cositas más. Uma forasteira que se perde no mundo para, no instante seguinte, poder se encontrar. Seis paíse...

Se houvesse a necessidade de definir a capital baiana em uma única palavra, seriam necessárias somente três letras: axé. Mas não se trata do gênero musical, apesar de este também ser um bom representativo da cidade.

Na língua iorubá, axé significa poder, energia ou a força presente em cada ser ou objeto, nas religiões de matriz africana esse termo representa a energia sagrada dos orixás. De modo geral, é usado como uma saudação para desejar felicidade e boa energia. Exatamente o que uma viagem a Salvador pode oferecer ao mochileiro.

O calor durante todo o ano, praias e a história da primeira capital do Brasil são atrativos mais do que suficientes para visitar a cidade. O grande destaque, entretanto, é mesmo o povo soteropolitano, dono de um sotaque tranquilo, marcado pelo duro trabalho para garantir o pão de cada dia e, claro, cheio de uma felicidade que só quem sabe celebrar a vida consegue ter.

É impossível estar lá e não ficar amigo de ao menos um baiano, o que, aliás, é mais do recomendado, para se ver de perto um Brasil diferente daquele que existe em outras regiões, especialmente mais ao Sul.

Se todos esses argumentos não foram suficientes, aqui vai mais um: Salvador é uma cidade relativamente barata para o viajante. Um acarajé custa entre 8 e 10 reais. Água de côco pode ser encontrada até por 1,50.

Além disso, muitas atrações são gratuitas e mesmo as pagas não têm valores exorbitantes. É possível andar de ônibus pela cidade e, a depender da região em que ficar hospedado, consegue visitar muitos lugares a pé. Uma maravilha, não?

Confira um guia completo para conhecer Salvador, na Bahia:

1. Um pouco da história


Cruz, Pelourinho, Salvador

A região de Salvador, até o ano 1000, era habitada por índios tapuias, que foram expulsos após um confronto com o povo tupi, que ficou na região até a invasão portuguesa, a partir de 1500.

Desde então, o local passou a ser habitado com construções de casas e, claro, capelas e igrejas. A cidade mesmo só surgiu a partir de 1549, quando o rei mandou uma comitiva chefiada por Tomé de Souza para construir uma cidade-fortaleza, chamada “São Salvador”, que se tornou a capital do novo país e foi, por muitos anos, a maior cidade das Américas.

Foi alvo de invasões de holandeses e revolta de escravos e demais trabalhadores. Era também a porta de entrada dos europeus recém-chegados ao novo mundo, além dos escravos africanos que acabavam por ser levados ao restante do país.

Hoje, é um cidade moderna, com muitas construções antigas renovadas e outras, infelizmente, nem tanto. É um retrato do Brasil: desigualdade social, muito trabalho e, claro, alguma festa também.

2. Como chegar

Quem chega pelo Aeroporto tem como opção pegar ônibus comum e executivo, metrô, táxi ou utilizar aplicativos de transporte. Logo no desembarque, estão localizadas as empresas que fazem este percurso.

É importante escolher o meio de deslocamento conforme o horário que for chegar, até porque o aeroporto fica a 26 km da área central de Salvador. Quanto aos custos, é possível gastar menos de 5 reais com o metrô (um shuttle leva os passageiros até a estação e o desembarque é no Centro da cidade, na linha 2), ou 25 reais com o ônibus executivo (opção com melhor custo-benefício, por ser mais rápida e segura).

3. Quando ir

Mesmo no inverno há calor e ótimas condições para pegar praia em Salvador, com umas chuvinhas leves e rápidas ao final do dia. Então, qualquer época do ano é boa para se aproveitar a cidade.

É claro que, quem não curte muito agito e filas, deve evitar o verão e especialmente o Carnaval. O São João também é uma data muito celebrada no Nordeste do Brasil e, claro, na capital baiana, que conta com uma decoração temática e programação de shows principalmente no Pelourinho. As festas de rua, regadas a forró e duas caipirinhas por 10 reais são imperdíveis.

4. Onde ficar

Uma dica para se hospedar barato é fazer voluntariado em Salvador. A Worldpackers conecta anfitriões e viajantes interessados em uma troca voluntária de algumas horas de trabalho por dia em troca de acomodação e outros benefícios.

Agora confira alguns bairros da cidades para se hospedar ou fazer voluntariado: 

  • Pelô (Pelourinho)

Pelourinho

É a zona mais antiga da cidade e que passou por uma renovação ao longo dos anos 1990, então há um clima muito charmoso, por conta das casas coloniais, em estilo português, e das igrejas. Muitos dos espaços estão ocupados por museus e restaurantes, então você conseguirá ver por dentro a arquitetura dos locais. Entre as opções para ficar por lá como Worldpacker, estão trabalhar na recepção, ajudar na limpeza e fazer pintura e consertos gerais.

  • Rio Vermelho

É a zona cool da cidade, cheia de bares e onde ocorrem os agitos da vida noturna. Lá, entre as opções como Woldpacker estão ajudar na recepção de um hostel ou ajudar com várias tarefas no The Hostel.

  • Barra e Porto da Barra

É uma zona que foi renovada há poucos anos e conta com bom policiamento, por ser bastante turística. Tem muitos bares e, claro, praias bonitas. Lá, é possível voluntariar tarefas no Porto das Palmeiras Hostel ou no Hostel Mar à Vista, por exemplo, para morar um tempo bem pertinho de alguns dos cartões-postais da Bahia.


Hostel em Porto da Barra

5. Segurança

O tempo todo, todas as pessoas vão dizer pra você ter cuidado ao andar pela cidade. Sendo brasileiro(a), é claro que você já sabe que não pode caminhar sozinho(a) à noite em locais fora do circuito turístico ou pouco movimentados. Prefira sempre sair com companhia.

Além disso, utilize câmeras ou o celular somente nos momentos em que for necessário, carregue dinheiro e documentos em locais seguros e desconfie de quem oferece ajuda sem você ter perguntado.

Evite ainda colocar as fitinhas do Bonfim no braço, há inúmeros ambulantes que vão tentar fazer isso em você e, apesar de serem bonitinhas, também facilitam que você seja identificado como turista.

Salvador, como toda grande cidade da América Latina, tem problemas de desigualdade social, criminalidade e drogadição. Isso não impede que a cidade possa ser explorada com segurança.

6. O que fazer em Salvador

Elevador Lacerda


Elevador Lacerda

É o primeiro elevador urbano do mundo, tendo sido inaugurado em 8 de dezembro de 1873. À época, era também o mais alto, com 63 metros. Ele cumpre a função de ligar a Cidade Baixa, na região das Praças Cairu e Tomé de Sousa, à Cidade Alta, onde está o Pelourinho.

Da parte alta, pode ser vista a Baía de Todos-os-Santos, o Mercado Modelo e ainda o Forte São Marcelo. A viagem dura 30 segundos e é barata, custando apenas R$ 0,15. Aqui vai um spoiler: o elevador não é panorâmico, o que acaba por ser meio decepcionante, porque estando dentro, é como outro qualquer, mas muito útil para ir da parte alta à baixa e vice-versa. Embaixo, logo à frente, há um terminal por onde passam várias linhas de ônibus.

Mercado Modelo

Basta atravessar a avenida, logo após descer pelo Elevador Lacerda, que chegará facilmente ao Mercado Modelo. É um espaço cheio de lojinhas onde você consegue comprar itens artesanais, ajudando a economia local, a preços muito acessíveis. Bonés, camisetas, chaveiros, ímãs, cachaça, há de tudo por lá. Ideal para garantir presentes ou lembrancinhas, além de ter alguns dos restaurantes mais tradicionais da Bahia (estes com preços mais salgados).

Pelourinho

Popularmente chamado de Pelô, é o bairro mais famoso de Salvador, localizado no coração do Centro Histórico, entre o Terreiro de Jesus e o Largo do Pelourinho. O conjunto arquitetônico em estilo colonial barroco brasileiro é preservado e integra o Patrimônio Histórico da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.

As casas coloridas, igrejas e ruas estreitas de paralelepípedos por si só já valem a visita. A Igreja e Convento de São Francisco são parada obrigatória para ver de perto onde era colocado o ouro extraído do Brasil. Vale entrar em cada loja, museu, antigo convento, enfim, sentir a energia do local para compreender a nossa própria história.

Outra experiência essencial é acompanhar a missa afro-católica que ocorre às terças-feiras na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Sendo religioso ou não, é impressionante ver como cantos e a cultura africana foram incorporados à religião católica, numa celebração que, antes de qualquer coisa, é de união.

O Pelô tem muitas ladeiras, então é bom estar com calçados e roupas confortáveis durante a visita.

Por onde andou Michael Jackson

O astro pop teve parte de um clipe gravado no Pelô, da música “They don’t care about us”, em 1996. A pequena varanda em que ele aparece cantando o som no vídeo pode ser vista da rua, de graça, ou ainda é possível ficar nela, com algum custo. O local está sinalizado com um banner com uma foto do cantor e fica no Largo do Pelourinho.

Ver o Olodum


Artistas do Olodum

Além da loja oficial do grupo, que fica na Rua das Laranjeiras, no Pelô é possível acompanhar os ensaios abertos do Olodum. Basta ficar ligado nas redes sociais da banda.

Se der sorte de pegar algum jogo importante da seleção, poderá acompanhar a apresentação antes e no intervalo do jogo, no Largo do Pelourinho, onde geralmente fica montado um telão e a galera se reúne para torcer pelo país.

Baixa dos Sapateiros

É um local muito popular, ideal para compras baratas e cheio de lojas de roupas, principalmente. Caso precise de alguma peça e tenha pouco orçamento, é melhor procurar aqui primeiro. Fica ao lado do Pelô, sendo fácil para chegar a pé ou de ônibus.

A dica, é claro, é ter atenção com bolsas, carteiras e celulares, porque como há muita movimentação, visitantes desatentos acabam por ser alvo de pequenos furtos.

Casa do Rio Vermelho e Fundação Jorge Amado

Aos amantes da literatura, são dois locais indispensáveis. A Casa Rio Vermelho fica no bairro de mesmo nome, enquanto a Fundação está no coração do Pelourinho.

A primeira foi comprada em 1960 com a renda obtida pela venda dos direitos do livro “Gabriela, Cravo e Canela” para a MGM. Além de ter sido lar do autor e, portanto, parte importante de seu processo criativo, foi também onde ele recebeu ilustres visitantes, como Glauber Rocha, Pablo Neruda, Tom Jobim, Dorival Caymmi, Roman Polanski, Jack Nicholson, Sartre e Simone de Beauvoir, só para citar alguns. Zélia Gatai eternizou a morada na obra “Casa do Rio Vermelho”, publicada em 2002, a contar a história vivida pelo casal quando residiu no imóvel. O ingresso custa 20 reais, mas a entrada é gratuita às quartas-feiras.

Já a Fundação Casa de Jorge Amado, um belo casarão azul no Largo do Pelourinho, conta com acervos bibliográficos e artísticos do escritor e atua na preservação da cultura baiana. O visitante poderá ver uma exposição permanente de documentos, fotografias, livros e prêmios, entre outros. A entrada custa 5 reais e também é grátis às quartas-feiras.

Uma dica de leitura para acompanhar a viagem a Salvador é Capitães da Areia, que mostra a força de um grupo de crianças a sobreviver nas ruas de uma cidade esquecida de alegrias. Uma cidade antiga na história, mas ainda atual num Brasil com tanta desigualdade.

Bairro Santo Antônio Além do Carmo

Fica ao lado do Pelô e vale avançar por suas ruelas, cheias de sobe e desce. Tem menos atividade comercial que o bairro vizinho, então é uma chance de ver a arquitetura colonial sem tantos turistas.

Rio Vermelho

O bairro cool e boêmio da cidade, repleto de bares e onde a festa rola solta. Ideal para um chopinho no fim de tarde ou curtir as festas que avançam pela madrugada. Se estiver por lá na Festa de Iemanjá, em 2 de fevereiro, poderá acompanhar a bela e emocionante celebração à rainha do mar. Entre as opções de alimentação, estão os famosos acarajés da Cira, Dinha e Regina. Não deixe de provar.

Amarrar a fitinha na Igreja do Bonfim


Fitinhas do Bonfim

Tradição, fé e superstição existem para serem seguidas, é claro. Portanto, não é possível ir a Salvador sem deixar sua fitinha na Igreja do Bonfim. Para além, a vista que se tem da cidade é belíssima.

Para chegar, se estiver pelo Pelô, pode ir de ônibus, numa interessante experiência para vivenciar um pouco do dia a dia da cidade. O trajeto é longo, então reserve um bom tempo para a viagem. Se estiver com pouco tempo, a dica é táxi ou usar aplicativos de transporte. A igreja é bonita e tem uma sala dedicada às ofertas feitas em agradecimento pelas graças alcançadas.

Cada cor da fita representa um orixá. A tradição, para amarrar no pulso ou tornozelo é dar duas voltas e fazer três nós, com um pedido cada, a serem realizados mentalmente e que devem ficar em segredo. Quando a fita se rompe pelo desgaste natural, é sinal de que foram realizados. A igreja toda é repleta de fitas, então vale deixar os seus pedidos por lá também. As fitinhas são encontradas em toda a cidade para compra, e também em lojas que ficam perto da igreja.

Comer acarajé e tomar água de coco de frente pro mar

Por apenas 11 reais, salvo algum eventual aumento nos preços, você pode ter uma experiência gastronômica em Salvador que nenhum restaurante irá oferecer. No Farol da Barra, basta comprar um acarajé, uma água de coco e sentar na grama do morro próximo ao monumento. A vista pro mar, a energia do sol, os pés na grama, somados a uma comida típica, fazem desta uma das melhores sensações. Anote a dica!

Praias do Porto da Barra e Farol da Barra

Cartões postais da cidade, estão em uma área que foi renovada recentemente. As praias não contam com extensas faixas de areia, então se a visita ocorrer na alta temporada, a dica é ir cedo para garantir lugar.

O pôr do sol é magnífico e a orla do Porto da Barra é cercada de bares com cerveja gelada e petiscos deliciosos a preços justos. Eventualmente, rolam shows por lá, então é bom estar ligado na agenda cultural.

Passar uma tarde em Itapuã


Pôr do Sol em Itapuã

Vinicius e Tom eternizaram a poesia que está nos coqueiros, areia e na deliciosa água de Itapuã. Dá pra chegar lá de ônibus ou com aplicativos de transporte. Pra quem for voltar para casa de avião, a dica é aproveitar ao menos um dia por lá, já que é uma região próxima ao aeroporto e acaba ficando no caminho para o retorno.

As ruas são ao estilo praiano, de chão batido em maioria, há coqueiros na praia e estátuas que homenageiam Vinícius, para além do farol junto à praia. O mar é lindo, apesar de ter algumas pedras ao fundo.

Salvador é uma cidade com muita história e belas paisagens, com certeza vale a pena a visita pelo menos uma vez na vida, assim como toda Bahia. Além disso, é uma cidade barata e que pode ser visitada durante o ano todo, o que permite viajar fora de temporada, economizar ainda mais e conhecer uma parte do nosso Brasil!

Qualquer dúvida ou sugestão, é só deixar um comentário! 


19bcc04c9cf258dc33e81f4eb3004119

Karina

Set 11, 2019

Jornalista, leitora, viajante y otras cositas más. Uma forasteira que se perde no mundo para, no instante seguinte, poder se encontrar. Seis paíse...


Deixe seu comentário aqui

Escreva aqui suas dúvidas e agradecimentos ao autor