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Se você tem 4 desses 8 sintomas, então você precisa viajar

Doutor, tô me sentindo meio estranho ultimamente.


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Allan

I'm on a lifetime mission to forge a future of sustainability, equality, altruism & fulfillment. ...

Jul 27, 2018

E parece que tem mais gente com a mesma coisa. A vizinha me falou que tá rolando uma epidemia. A prima dela ficou um tempo mal. Disse que pegou andando de metrô. Sabe como é, muita gente em lugar fechado, seguindo no mesmo caminho, dá nisso.

Tem um remédio forte pra me receitar? Não vejo a hora disso passar, dessa dor de cabeça sumir.

Escuta o que eu tô sentindo, doutor…

1. Meu emprego só serve para o próximo salário

Todo dia eu acordo e a mesma batalha recomeça: levantar, me aprontar e me preparar para aguentar mais 8 (pelo menos) horas naquele lugar.

Rola aquela sensação de preguiça eterna, misturada com desânimo e medo. 

Medo de sentir que, não importa o que eu faça, não consigo dar meu melhor e que posso ser mandado embora a qualquer momento. Isso me faria bem ou mal afinal?

Vou ali tomar um café, porque minha mesa não me inspira. Jogar um papo fora, achar gente pra reclamar da minha vida alheia. Ouvir quem reclama também. É foda, mas tamo junto!

Meu deus, não vejo a hora de chegar 18h para dar o pé dali e aproveitar o pouco do dia que ainda falta pra finalmente fazer o que realmente gosto. Ou usar esse tempo para remoer mais um pouco sabendo que dali a poucas horas vou vestir o uniforme de guerra para mais um dia que há de começar.

Meu emprego é tão bom! Me dá estabilidade e segurança. Meu emprego é tão ruim… me sinto preso e insatisfeito.

Chega dia 1º, a conta cheia, a camiseta nova, a viagem do próximo feriado e o conforto parcelado. Tudo valeu a pena.

Despertador apita pela terceira vez. Hoje é mais um daqueles dias. Mas desse mês não passa! 

Eita cafezinho azedo.

2. O meu dia passou tão rápido que nem percebi

Passou voando, sem escalas.

Também, era tanta coisa pra fazer. Tanto e-mail pra ler, conta pra pagar. 

Só sei que almocei rapidinho, pra aproveitar aqueles 15 minutos antes de voltar. O que foi que eu comi mesmo? 

Quando dei por mim, já era janta. O dia já se ia e o olho já pesava. 

Que gosto tem a comida? Como é um dia de outono? Que cor é o céu depois das 6?

Como vou saber, nem me lembro do que eu fiz ontem. 

Por outro lado, tem coisa que a gente nem sabe o porquê, mas acaba grudando na cabeça. Meu irmão um dia disse: alguns comandos do avião se desligam quando ele entra em piloto automático. 

A respiração é vazia, o batimento passa despercebido e já estamos em Fevereiro.

Hoje vi um cabelo branco. Hoje a vida passou. Hoje entendi que meu irmão era um cara sábio. 

Aperto o cinto, é hora de pousar.

3. Não vejo mais sentido nos rolês que faço

Hoje é sábado.

Dia do bar. Dia do desabafo. Dia do fodasse.

Acordei tarde porque aproveitei o dia até cedo. 

Não há água gelada que lave aquele gosto cinza na boca. Que dor miserável na cabeça. Da pra ouvir o chiado do pulmão.

Tá complicado. Daqui a pouco começa tudo de novo. Tá beleza.

Hoje é domingo. Acordei cedo de superstição, pra tomar água gelada com limão antes do sol subir. 

Sentei, respirei, espreguicei, alonguei e reguei o jardim. Li outro capítulo que me deu vontade de escrever sobre a vida de segunda a sexta. Comi mamão e deixei o arroz de molho. Varri a casa, corri até a praça e encontrei o Rafa.

Hoje o dia rendeu. Amanhã vai ser o melhor dia da minha vida.

Hoje é sábado. Hoje é sexta de noite. Hoje é feriado. Todo dia é dia, depende de como eu vou levar minha vida.

4. Eu fico puto quando meus pais me ligam

Ligam pra saber como estou. Se a gripe passou. Se eu vou no almoço de família semana que vem.

Que absurdo. Como se eu não tivesse nada melhor pra fazer do que dar satisfação. 

Já que ligou, então fala logo pra eu não perder mais tempo.

Meus pais, o resto da família, os amigos que não vejo mais. Não tenho paciência com ninguém.

Se eles soubessem como senti falta deles da última vez que fui viajar, não ligariam mais.

Se eles sentissem o que eu senti quando fiquei longe. 

Se eles soubessem que são o motivo para eu ter voltado. 

Se eu conseguisse sentir tudo isso de novo.

Por que damos valor para as pessoas só quando estamos longe delas?

Se eu me lembrasse disso toda vez que eles ligam, os convidaria para ficar um pouco mais, contar mais uma história, preparar mais um café, deixar mais um abraço.

5. Eu me sinto mal toda vez que compro uma coisa que não preciso

Semana passada aconteceu de novo.

Dessa vez foi uma camiseta com a estampa de árvore da Amazônia. 

Tive que pedir um cabide emprestado porque não tinha mais lugar no armário. 

É uma sensação doida. Um eu me dizendo que preciso dela, outro eu me falando que não preciso dela.

No final, um eu ganha e eu fico mal. Sem saber o que fazer com tanta coisa.

Fico mal porque lembro da vista da montanha, do som do mar, do cheiro da begônia. De tudo que é simples e me faz feliz. De tudo que não é a mais. 

Fico mal porque lembro do dia que visitei uma família na Tailândia. Como eles me receberam bem, me deram de tudo, sendo que não tinham quase nada. 

Depois não sinto mais nada. Porque só uma coisa vem na cabeça: a vida é simples, doutor, assim como as coisas que nos fazem bem.

6. Me dei conta que todo mundo a minha volta é igualzinho a mim

O mesmo estilo de vida. As mesmas roupas. Os mesmos cortes de cabelo. Os mesmos crachás. Os mesmo lugares. O mesmos objetivos.

É quando percebo que vivo numa bolha, numa caixinha.

Lembro do medo que sinto quando saio dessa caixa, como me sinto despreparado, como naquela viagem do ano passado. 

Pensando bem, é um medo libertador. Quase fácil de superar depois de 1 semana fora da caixa. 

Então me dou conta de que não me conheço tão bem assim e que ser igual a todo mundo não é tão necessário como eu pensava.

Por isso mesmo que, toda vez que volto de viagem, quero me vestir diferente de todo mundo, raspar cabelo, fazer tatuagem. É a tentativa final de mostrar que tô em outra, segui outro caminho.

7. E mesmo assim, me sinto um peixe fora d’água

Me perguntando porque eu faço isso comigo mesmo, porque eu aceito que me imponham um estilo de vida, um trabalho ou uma verdade que não me pertencem.

Todo mundo seguindo com a sua vida e eu me perguntando o que diabos estou fazendo com a minha.

Afinal, o que que eu tô fazendo aqui? Por que eu voltei de lá?

E não vejo outra opção a não ser ir.

Por um final de semana, dois. Um ano inteiro que passa.

8. Sinto que não tenho ideia do que quero fazer da vida

Dia após dia, ela (a vida) passando sem me dizer se devo segui-la. 

No que vou trabalhar? Como vou me sustentar? Como vou pagar meu cafofo? Quem vai bancar a viagem pro Peru? 

A sensação de estabilidade nunca vai ganhar do que eu sinto quando tomo a decisão de ir.

Na dúvida — e é sempre na dúvida — jogo tudo pra dentro da mochila. Hora de conhecer outra realidade, de me descobrir um pouco mais, de mandar o futuro praquele lugar. 

Na dúvida, não vou ficar esperando as respostas sentado, me condenando, condenando o resto do mundo. Sigo em movimento até que elas reapareçam pelo caminho.

Pelo jeito, o que eu tenho não tem cura. 

Lá vou eu de novo, Dr.


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Allan

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Jul 27, 2018


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