Como apoiar a Floresta Amazônica através de um voluntariado

Compartilhei minha história de voluntariado na Amazônia e selecionei algumas instituições que apoiam a proteção da floresta.


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Julia

Set 02, 2019

Comunicadora desbravando o mundão. Curto tagarelar sobre o meio ambiente e trocar conhecimento!

Opções de voluntário na Amazônia

Em julho, eu e mais outras 30 pessoas nos dividimos em três comunidades ribeirinhas do Baixo Rio Madeira em Rondônia para voluntariar com projetos sociais dentro do contexto amazônico. Cada pessoa que viajou comigo tem uma percepção extremamente pessoal sobre a experiência toda, mas acredito que o substantivo que prevalece é: resistência.

Durante o nosso tempo por lá ouvimos sobre os impactos da cheia de 2013/2014, a frustração da escola parada por todo o Baixo Rio Madeira desde o início de 2019 e a ausência de atendimento médico dentro e próximo das comunidades.

Os povos tradicionais e a Floresta Amazônica estão diariamente resistindo. Há anos elas resistem às queimadas e desmatamento, a tomada da terra e falta das políticas públicas. Eles vão continuar a rotina mesmo com o aumento das queimadas e a dificuldade para respirar.

O instituto de pesquisa Imazon divulgou no dia 16 de agosto que houve um aumento de 66% no desmatamento da Amazônia Legal no mês de julho de 2019, em comparação com o mesmo período no ano anterior.

No mesmo mês, detectaram o desmatamento de 1.287 km² na região - área equivalente à cidade Rio De Janeiro. Estudos do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) mostram que a principal forma de desmatamento é pela queimada, uma das etapas na preparação da terra para a produção pecuária. Um monitoramento do Greenpeace, de janeiro a agosto de 2019, mostra o aumento de 145% das queimadas na região Amazônica.

Com o atual desmonte das políticas ambientais e o grave aumento do desmatamento, mais pessoas começaram acompanhar e se sensibilizar com o impacto dessas decisões irresponsáveis com a nossa sociedade e planeta.

Podemos reagir contra isso no nosso dia a dia, por exemplo, fortalecendo as instituições que lutam pelos povos e pela floresta em pé. Você pode apoiar a Floresta Amazônica voluntariando, doando e compartilhando os projetos pelas mídias sociais. São diversas organizações e eu separei algumas para compartilhar com você.


Foto: Júlia Celli

Confira as opções de ONGs com voluntariado na Amazônia:

1. SOS Amazônia

A Associação SOS Amazônia foi criada no auge do desmatamento em 1988 e tem como objetivo, além da proteção florestal, apoiar as comunidades tradicionais. Foi fundada no Acre por professores, universitários, representantes do movimento social e pelo ambientalista e referência, Chico Mendes. Desde então, a organização denúncia, sensibiliza e mobiliza a sociedade sobre a causa socioambiental.

A atuação da SOS Amazônia acontece no Acre e no Amazonas com projetos que promovem a geração de renda, propõe e implementa políticas públicas para preservação da biodiversidade e desenvolvimento sustentável, além de ser referência no desenvolvimento da educação ambiental. As chamadas Unidades de Conservação são as principais áreas em que a instituição trabalha, como, por exemplo, o Parque Nacional da Serra do Divisor e a Reserva Extrativista Alto Juruá.

Eles estimulam diversas formas de colaboração para a causa: divulgação das mídias sociais, Facebook, Twitter e Instagram; realização de denúncias de crimes ambientais pelos canais de comunicação, escrevendo conteúdo sobre a luta pelas florestas em pé; e se inscrevendo para o trabalho voluntário na Amazônia. Para isso, basta acessar esse link.

Para doar para a Associação SOS Amazônia, acesse o site deles.

2. SOS Fundo Amazônia

Devido às políticas ambientais tomadas pelo governo em 2019, foi criado o movimento SOS Fundo Amazônia para lutar pela existência do Fundo Amazônia, maior projeto de financiamento para proteção da Floresta Amazônica, e pressionar o Ministério do Meio Ambiente. O Fundo investiu nos últimos 10 anos em projetos de combate ao desmatamento, queimadas e de incentivo ao desenvolvimento sustentável na floresta.

Pela postura do governo sobre a destinação do dinheiro doado ao Fundo Amazônia e o grave aumento no desmatamento, alguns países suspenderam as doações. No mês de agosto a relevância do Fundo ficou ainda mais clara, parte do dinheiro é investido em equipamentos para combate aos incêndios. Outra destinação do recurso é na prevenção e fiscalização, realizados pelos órgãos IBAMA e ICMBio, que sofreram cortes orçamentários.

Para apoiar a Floresta Amazônica e o Fundo Amazônia é só entrar nesse link!

3. NAPRA - Núcleo de Apoio à População Ribeirinha Da Amazônia

O NAPRA, há mais de 20 anos, além de apoiar as comunidades ribeirinhas do Baixo Rio Madeira em Rondônia, também promove a formação de estudantes e profissionais de diversas áreas para atuar no contexto amazônico. É o projeto que eu melhor conheço, pois a experiência que eu tive de trabalho voluntário na Amazônia foi com eles. Me tornei voluntária no início de 2019 e, por mim, fico por muitos anos.

A organização tem regionais em seis cidades de São Paulo: Ribeirão Preto, Araraquara, Catanduva, Campinas, São Paulo e São Carlos - onde também acontecem reuniões gerais uma vez por mês.

Para voluntariar no NAPRA é necessário participar do processo seletivo que normalmente acontece no final do ano, e então participar da formação durante o primeiro semestre, que além dos estudos, desenvolve ações para captação de recursos e cria projetos nos eixos de saúde, educação, cultura, saneamento, produção de renda e organização social. Todos os projetos são pensados considerando a valorização e respeito pela cultura tradicional dessas comunidades.

Não é um problema você não ser estudante ou formado em algum desses eixos, a formação é a chance de aprender sobre novas áreas e é possível que de alguma forma você possa trazer os seus conhecimentos para dentro da organização. Por exemplo, eu sou formada em Relações Públicas e consegui encontrar uma maneira de aplicar a minha formação tanto no organizacional do NAPRA mas também durante atuação na Amazônia.

Falando na atuação, ela acontece em três comunidades ribeirinhas durante todo o mês de Julho. Atualmente as comunidades são São Carlos do Jamari, Nazaré e a Reserva Extrativista Lago do Cuniã. É um mês de trabalho intenso com a aplicação dos projetos, imersão na cultura local e de muito aprendizado com os comunitários sobre os saberes da floresta.

Para apoiar o NAPRA além do voluntariado na Amazônia, você pode doar pelo link e também seguir a organização no Instagram e Facebook.

4. Associação Doutores Sem Fronteiras

A Associação Doutores Sem Fronteira atua em comunidades tradicionais da Amazônia no Baixo Rio Madeira desde 2014 e surgiu após o fundador, Caio Eduardo Machado, presenciar o descaso do poder público com a saúde nas comunidades ribeirinhas e indígenas. O projeto tem o objetivo de ser a conexão entre os profissionais da saúde, dispostos a contribuir voluntariamente, com as comunidades que necessitam de assistência.

A organização teve início com projetos focados em odontologia, mas a partir de 2017 implementaram a “Área Médica” para aplicação de projetos em UBS locais, atendimento voltado para Medicina da Família e situações de emergência.

Para poder participar do processo seletivo, primeiramente, você deve se tornar um associado. Dessa forma, a organização compartilha seus objetivos, conceitos e práticas antes de você assumir o compromisso de um intercambista ou ativista - nomeação dos voluntários que colaboram com o desenvolvimento dos projetos e atuam na prática dentro do contexto amazônico. Para se tornar um associado, você deve se registrar aqui.

Para conhecer mais a Associação, esse é o Instagram e Facebook deles.

Outras formas de colaboração é doar pelo link ou transformar a sua empresa em uma parceira da Associação.

5. ISA - Instituto Socioambiental

O Instituto Socioambiental é uma organização fundada em 1994 com o objetivo de propor soluções de forma integrada a questões socioambientais, com foco na defesa dos direitos civis das comunidades tradicionais. O ISA propõe e monitora as políticas públicas, desenvolve modelos participativos de sustentabilidade socioambiental e colabora para o fortalecimento de instituições locais


Foto: Instituto Socioambiental

A organização é referência pela produção, análise e difusão de informação sobre os povos indígenas do Brasil e pelos três programas permanentes: Bacia do Rio Xingu, Bacia do Rio Negro e Vale do Ribeira. São projetos voltados à proteção da sustentabilidade, viabilização da agricultura familiar, adequação ambiental da produção agropecuária, produção e geração de renda, valorização da diversidade socioambiental e a proteção dos recursos hídricos.

Os canais de comunicação do ISA são os meus preferidos. É um portal completo de notícias sobre o meio ambiente, manifestações, povos indígenas e campanhas para proteção e valorização das comunidades tradicionais. Vale a pena acompanhar!

Além disso, se você quer aprender sobre produção e geração de renda nas comunidades tradicionais, um dos livros publicados pela organização é o “Xingu - Histórias dos produtos da floresta”, eu li quando estava participando do desenvolvimento dos projetos de produção de renda para o NAPRA e o livro colaborou muito para melhor entendimento das cadeias produtivas, contexto e organização social, além de contar a história do território indígena do Xingu.

Para acompanhar o ISA: site, Instagram, Facebook e para doar é só clicar aqui.

6. IPAM - Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia

Formada em 1995 por pesquisadores de Belém/PA, o IPAM - Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônica - é uma organização que trabalha para o desenvolvimento sustentável da floresta, colaborando a partir da produção de conhecimento científico dentro do contexto amazônico.

Eles possuem projetos para produção familiar sustentável, proteção de territórios naturais e agropecuária de baixo carbono, e trabalham, principalmente, com o desenvolvimento e disseminação do conteúdo técnico-científico.

O IPAM estuda a floresta, realiza pesquisas e possui dados sobre desmatamento, queimadas, cadeias produtivas, impactos ambientais, entre outros. É reconhecido pela proposta de “Redução Compensada do Desmatamento” para enfrentamento das mudanças climáticas, conceito que influenciou na criação do Fundo Amazônia, e pelo estudo do comportamento do fogo na Floresta Amazônica e os impactos ambientais causados por este.

No site, disponibilizam diversos artigos científicos, cartilhas, documentos e relatórios que a instituição desenvolveu ao longo desses 20 anos atuando na Floresta Amazônica. Acompanhando e fortalecendo o IPAM, estimulamos os estudos e conhecimento sobre a floresta, além de fortalecer projetos de desenvolvimento sustentável.

Para doar, esse é site, e esses são o Instagram e Facebook

Essas são algumas das instituições que eu acompanho e confio para a proteção da Floresta Amazônica. A experiência de trabalho voluntário na Amazônia me ensinou muito sobre a cultura brasileira e comunidades tradicionais.

Espero que você se identifique com algum desses projetos e tenha a chance de apoiar a Floresta Amazônica ativamente! A valorização do trabalho dessas e outras instituições, principalmente no cenário ambiental atual é muito importante e, dentro da sua realidade, qualquer forma de fortalecimento é válida. Seguimos na luta pela nossa floresta em pé. 


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Julia

Set 02, 2019

Comunicadora desbravando o mundão. Curto tagarelar sobre o meio ambiente e trocar conhecimento!


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