Minha experiência no melhor hostel de Boa Viagem: a praia de Alceu Valença

Nunca imaginei morar à duas quadras da praia que inspirou a canção de Alceu Valença, mas a vida é maravilhosa, e ainda mais no melhor hostel de Boa Viagem, em Recife.

7min


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Brisa

Out 16, 2020

Saí do Cerrado com um único objetivo: Conhecer o mar. Depois de dois anos de praias, de profundo autoconhecimento, de encontros incríveis e inúmera...

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Talvez você conheça a música “La belle de jour” do Alceu Valença. Uma das minhas preferidas do cantor que diz “Eu lembro da moça bonita da Praia de Boa Viagem…”, o que eu nunca imaginei foi que um dia estaria morando à duas quadras da praia que inspirou a canção, mas bem, como a vida é muito maravilhosa, acabei morando 5 meses no bairro de Boa Viagem, em Recife e aproveitando várias tardes de domingos azul.

Depois de alguns meses viajando com a Worldpackers e descobrindo meu amor pelo voluntariado em hostel, meu pé de meia acabou. Então uma voluntária que eu conheci no Ceará me indicou o Piratas da Praia, em Recife, pelo qual ela era completamente apaixonada, dizendo que eles ofereciam uma ajuda viagem para quem ajudasse na recepção. Me lembrei que tinha conhecido outra voluntária na Bahia que também só tinha elogios ao tempo que passou nesse hostel.

Se tem uma coisa que eu confio nessa vida de mochileira, é na experiências de outros mochileiros, afinal, estamos no mesmo barco. Decidi me abrir para essa possibilidade. Dei uma conferida no perfil deles na plataforma e me apaixonei pela alegria que era transmitida em cada foto e relato, apliquei para ficar 2 meses e meio, fui aceita e viajei para a capital Pernambucana.


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Logo ao chegar ao hostel, num prédio misto comercial e residencial, a falta de uma fachada externa e a normalidade de um prédio urbano contrastava com todas as cores da decoração vibrante que me recepcionava já no corredor do terceiro andar. Só de bater o olho na entrada do Piratas, você já sente que a energia mudou completamente. O hostel foi pensado para ser um lugar divertido, interativo, cheio de surpresas e detalhes afetivos.

O check-in foi feito de forma profissional e ao mesmo tempo leve. Com direito à um shot de boas-vindas! Pierre me recepcionou com um sorriso acolhedor e uma alegria genuína. Chegar em um local desconhecido pode ser fonte de ansiedade para algumas pessoas, como é para mim, entretanto no Piratas, eles te recebem tão calorosamente que nem dá tempo de sentir esse desconforto.

Fui conduzida à um tour, conheci alguns voluntários nesse primeiro momento e meus olhos brilhavam por ver o cuidado em cada ambiente e a atenção que eles dedicavam a cada um que ali entrasse. Spoiler: O tour pelo hostel, acabou se tornando minha tarefa favorita enquanto trabalhei na recepção, pois era o momento em que começávamos a nos conectar com os hóspedes e novos voluntários e mostrávamos cada tesouro-pirata nosso.


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Quando um novo pirata-anfitrião - que é como são chamados os integrantes da equipe - chega, há um momento de conversa com o gerente, Luigi e o “capitão”, Paulo para explicarem a filosofia do hostel, o aspecto lúdico, horários, tarefas e a escolha do nome pirata. Todos os piratas-anfitriões adotam um novo nome, o que nos permite a liberdade de nos abrirmos à novas possibilidades e abraçar quem realmente queremos ser. Pelo meu recém-descoberto amor ao mar e à minha natureza ambivalente, tranquila e suave, porém forte e mutável escolhemos o nome Brisamar, que utilizo até hoje com imensa devoção e carinho, pois acredito me representar muito bem.

Passei dois dias, me habituando, conhecendo melhor a dinâmica do hostel e fazendo amizades, antes de iniciar meu treinamento. Ia trabalhar no turno da madrugada e precisava conhecer todas as rotinas para passar horas sozinha cuidando do lugar e dos hóspedes. Durante todo o treinamento os funcionários foram gentis, pacientes e divertidos, fazendo com que eu aprendesse rapidamente como cuidar da recepção, entendesse minhas responsabilidades e estivesse apta para tomar decisões em momentos críticos. 

Eu já passei por 8 voluntariados diferentes e posso afirmar com convicção que foi o melhor treinamento que já tive. Me ajudou a ser mais responsável e independente, me proporcionou muita confiança e sempre se colocaram à disposição para auxiliar, tirar dúvidas e socorrer caso necessário. Depois de ser treinada no Piratas, tenho convicção de que posso trabalhar na recepção de qualquer hostel, foi um aprendizado para a vida. 


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As tarefas da recepção variam de acordo com o turno e, durante o treinamento alternei entre todos para apreender as diferentes funções. Minha memória mais afetiva é da primeira tarefa do dia: Fazer café às 5 da manhã, o que me proporcionava, pela janela da cozinha, uma vista inacreditável do sol nascendo no mar enquanto o cheiro do café se espalhava pelo hostel silencioso. Logo os hóspedes começariam a sair dos quartos com roupa de praia, enchendo o local de risadas e conversas animadas. Até hoje esta é a minha definição de uma manhã perfeita.

Logo nos primeiros dias os outros voluntários se mostraram receptivos e amáveis. Fiz amizades que carrego até hoje. Juntos, fazíamos compras no mercado aberto, onde podíamos comprar mais barato e ainda dividíamos as compras e para economizar na viagem ainda mais, cozinhávamos juntos (mentira, eu lavava a louça todas as vezes para compensar a falta de habilidades culinárias), comíamos juntos, fazíamos passeios juntos, que aliás conseguíamos com desconto ou gratuitamente por sermos voluntários. Isso nos conectou profundamente.

Quando alguém estava doente, triste ou preocupado, nos apoiávamos. Quando alguém estava feliz, apaixonado ou confiante, celebrávamos.

Ali no Piratas renovei o conceito de amizade e família. Pessoas com personalidades, objetivos e histórias completamente diferentes, criando laços por simplesmente estarem vivendo uma experiência similar. Aprendi muito com cada pessoa que passou por ali, não só voluntários e funcionários, mas com hóspedes também. Muitos hóspedes acabavam ficando 2 semanas além do planejado por curtirem a atmosfera do hostel e por terem criado conexões significativas. Nos 5 meses que passei ali, vi inúmeros viajantes que acabaram voltando após algumas semanas, por se sentirem em casa.

Aliás, é exatamente esse o intuito de Paulo e o motivo para não ter uma fachada externa, “Quem coloca um letreiro na própria casa?” diz ele. Logo acabei percebendo que também me sentia em casa ali e que estava gastando muito menos do que pensei ser possível.


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Morando há poucos metros do mar, podia ir à praia sem gastar nada. Tínhamos desconto em vários passeios e assim conheci praias paradisíacas também sem custo. Segredo: Fazer sanduíches na cozinha do hostel e levar na mochila para os tours de um dia, assim você não paga caro por um lanchinho numa praia afastada.

Uma coisa boa de estar em hostel é que você acaba encontrando muita gente viajando sozinha ou grupos que estão abertos à novas amizades. Aprendi a convidar hóspedes que acabaram de chegar para conhecer os pontos turísticos comigo nas minhas horas livres e oferecia dividir o uber. Eu passava mais tempo com pessoas novas e de diferentes culturas, fazia novas amizades e acabava ficando mais barato para todos nós, quase o mesmo valor de pegar ônibus. Dica: Em Recife às terças-feiras você não precisa pagar entrada em alguns museus. Se informe antes!

Minhas baladas eram a Terça do Vinil, que é uma festa noturna com DJ, super divertida, que toca músicas brasileiras bem conhecidas nossas numa pegada dançante, entrada gratuita e chopp com preço amigo de mochileiro. Além dos ensaios semanais do Carnaval de Olinda que eram à céu aberto e duravam o domingo todo, também com latão super em conta. Ah, não deixe de provar o Axé, a bebida da cidade, mas vá com calma ou depois não diga que eu não avisei.

Para conhecer a cidade ainda existem opções como o Walking Tour que sai do centro de Recife e a contribuição é um quilo de alimento ou andar de bike, já que a ciclovia margeia toda a orla e te leva à Olinda tranquilamente.


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Me apaixonei tanto pela vida em Recife, pelo voluntariado no Piratas e por ser a Brisa, que antes de finalizar meu tempo pré-determinado, fui conversar com o capitão me oferecendo para mais um período assim que voltasse de outro voluntariado, felizmente ele me aceitou e acabei passando ali o Natal, a virada do ano e o Carnaval. 

Durante a ceia do 24 de Dezembro, hóspedes e staffs trocaram presentes e o meu, foi a visita da minha mãe, que se hospedou pela primeira vez em um hostel e saiu encantada.

Minha estadia em Pernambuco foi mágica e enriquecedora. Acabei saindo de lá uma pessoa muito melhor do que a que chegou. Mais confiante, mais alegre, mais comunicativa e mais apaixonada pelas pessoas. 

Sou grata ao staff do hostel Piratas da Praia por colocarem tanto esforço em tornar o hostel em um local de experiências. A paixão de todos os que trabalham lá é contagiante. 

Os benefícios vão muito além de uma cama confortável, roupa lavada e auxílio viagem. Voluntariar te propicia uma vivência tão mais ampla que vi inúmeros hóspedes desejarem isso e alguns que inclusive realmente entraram para o Worldpackers e passaram um período como parte da equipe neste ou em outros anfitriões. Com certeza recomendaria o Piratas para qualquer pessoa que queria aprender novas habilidades, fazer grandes amigos, aproveitar o Nordeste brasileiro e se apaixonar pela experiência de work exchange



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Brisa

Out 16, 2020

Saí do Cerrado com um único objetivo: Conhecer o mar. Depois de dois anos de praias, de profundo autoconhecimento, de encontros incríveis e inúmera...


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