O que aprendi em dois anos como nômade digital

Os prós e contras de trabalhar de qualquer lugar do mundo, sem salário fixo, sendo minha própria empresa.


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Dez 24, 2018

Cinco intercâmbios, um mestrado no exterior e rolês por 30 países me ajudaram a superar inseguranças e “abrir as janelas” pra o mundo. Desde 2012 c...

Prós e contras de ser nômade digital

Faz exatamente dois anos que coloquei meu dedo na maquininha pra “bater ponto” pela última vez. No dia seguinte, acordei sem despertador - e sem chão. Li e-mails de despedida de colegas queridos e chorei até acabarem as lágrimas. Eu gostava da empresa, adorava o que fazia e tinha boas companhias. Não foi uma ruptura fácil, mas foi necessária.

Afinal, como diz o livro Como Encontrar o Trabalho da Sua Vida, “a forma de arrependimento mais emocionalmente corrosiva ocorre quando deixamos de agir em relação a algo que é profundamente importante para nós”.

Era hora de agir em direção aos meus sonhos: ser location independent (ou seja, poder trabalhar de qualquer lugar do mundo, o que não é a mesma coisa que ser nômade digital) e me dedicar mais ao meu blog de viagens e outros projetos importantes pra mim.

1. Sobre gratidão

Sou jornalista e trabalhei em lugares tradicionais como assessorias de imprensa, redação de jornal e agência de marketing digital. Nos últimos dois anos, no entanto, meu tempo se dividiu entre o trabalho no blog, que criei em 2012, e freelas de planejamento e produção de conteúdo pra sites e redes sociais.

Nessa vida de empreendedora e freelancer, agradeço todos os dias por não precisar acordar cedo quase nunca (odeio), nem ficar presa em engarrafamentos todo dia (odeio mais ainda). Por poder fazer meus próprios horários e viajar sem esperar por feriados ou férias.


Expert Luísa quando começou sua vida de nômade digital

Mais do que isso, sou feliz por poder fazer o que amo e dedicar a maior parte do meu tempo pra meus próprios sonhos, e não os de outro alguém. Por outros tantos privilégios, como fazer escolhas que refletem meus valores e colocar minha criatividade à prova sem as limitações de chefes e clientes.

Privilégio: é preciso falar nisso. Porque essa história de “largar tudo pra seguir seu sonho” não é uma realidade factível pra milhões de pessoas mundo afora (e bem aqui na nossa esquina), que não têm nem as necessidades mais básicas atendidas. Também é muito mais fácil dentro da bolha de classe média “mente aberta” de que faço parte.

Ainda assim, não “larguei tudo”: resolvi, sim, investir em um projeto ao qual já vinha dedicando muitas horas da minha vida em paralelo ao emprego formal. Depois do pedido de demissão, dediquei ainda mais horas de trabalho sem certeza de retorno, mas repleta de motivação e paixão.

Consegui conversar sobre o que amo com muito mais gente, provocar reflexões e rever minhas próprias concepções. Recebi apoio de amigos, familiares e instituições que admiro. Conheci leitores e produtores de conteúdo incríveis, desenvolvi novas habilidades e alcancei várias metas que estabeleci.

Enquanto isso, fiz um monte de coisas que dificilmente faria na rotina de escritório. Visitei mais de 50 cidades e uns 15 novos países, inclusive através de work exchanges inesquecíveis. Repensei minha forma de viajar e me superei física e psicologicamente.



Fiz dezenas de amigos de diferentes partes do mundo, me aproximei de pessoas queridas que moram longe e fiz cursos que me abriram os olhos. Descobri várias partes de mim que não conhecia e tive muito mais qualidade de vida.

Por mais que seja infinitamente grata todos os dias, essa vida fora da caixinha da estabilidade tá longe de ser fácil.

2. Sobre desafios

Sim, nos últimos dois anos eu fui MUITO feliz, mas também me questionei infinitas vezes, tive muitas dúvidas sobre que caminhos seguir e perdi o foco com frequência.

Custei a tirar vários projetos da gaveta - e muitos ainda estão lá. Penei pra conciliar a vontade de estar sempre na estrada com meu apreço pela rotina (desde que determinada por mim).

Perdi o sono pensando no que priorizar e em quais passos dar, me preocupei com dinheiro e desejei não precisar decidir tudo sozinha.


O privilégio de trabalhar em qualquer canto do mundo

Me culpei por não conseguir ser tão produtiva viajando quanto em casa. Me comparei com outras pessoas mais vezes do que posso contar e pensei muito mais no que ainda não realizei do que em tudo que já alcancei.

Dediquei muitas horas a formular orçamentos, fazer cobranças, responder a propostas que não foram a lugar algum, emitir notas fiscais, calcular e recalcular minhas reservas financeiras e outras tantas tarefas burocráticas que pouco têm a ver com o “core” do meu negócio.

Passei dois aniversários longe de casa e perdi muitas celebrações de pessoas queridas. Tive que dizer “não” pra vários rolês pra me dedicar ao trabalho infinito que é ser uma “eupresa” e pra economizar grana. Tive, como em tudo na vida, que fazer renúncias.

3. Sobre sucesso

Se você me perguntar se toda essa montanha-russa emocional tem valido a pena, não vou pensar nem um segundo antes de responder: mais do que qualquer coisa que já fiz na vida.

Vale a pena pela liberdade, pelo prazer de ser dona do meu tempo, pelas experiências incríveis que vivi mundo afora, pela certeza de que a vida é muito mais cheia de possibilidades do que nos fazem crer e, acima de tudo, pelo tanto que aprendi.


Sucesso é viver feliz

Depois de dois anos de muitas viagens e muito trabalho, consegui alcançar uma renda média superior à que tinha no mercado de trabalho tradicional. Mais do que isso: consegui ter mais clareza sobre meu propósito, sobre minha definição de sucesso e sobre quem quero ser. Que venham os próximos desafios!


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Dez 24, 2018

Cinco intercâmbios, um mestrado no exterior e rolês por 30 países me ajudaram a superar inseguranças e “abrir as janelas” pra o mundo. Desde 2012 c...


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