Fui viajar sozinha para aprender o que não ensinam na faculdade

Depois de trancar a faculdade e pedir demissão, decidi viajar sozinha no Brasil e focar em aprender com a escola da vida. Aqui compartilho 8 lições que aprendi depois de 2 meses viajando.


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Victória

Jan 16, 2020

Viajo para abrir a mente, ouvir histórias, perder medos e olhar para dentro. Pausei o plano perfeito - diploma, emprego e estabilidade - para desco...

viajar sozinha no brasil

Eu amo viajar e tenho a sensação que viajando fui obrigada a encarar situações diversas intensamente. Elas me fizeram aprender sobre mim mesma e sobre a vida de uma forma mais rápida e mais forte do que aprenderia em casa. 

Reuni então, durante dois meses de viagem no Brasil, os 8 principais aprendizados para compartilhar com você, que também quer parar de adiar a vida.

8 lições que aprendi ao viajar sozinha pelo Brasil 

1. Fazer amigos é mais fácil do que parece

Fazer amizades era de longe o meu maior medo antes de viajar sozinha. Sempre fui tímida e introvertida, por isso, fazer novos amigos nunca foi tarefa fácil para mim. Eu tinha um medo enorme de estar sempre sozinha e não conseguir me conectar com ninguém. 

Eu já sabia que em alguns momentos eu estaria por conta própria. Afinal, esse é o ponto de viajar sozinha né? Mas e se eu não conseguisse fazer amizades?


viajar sozinha brasil amigos

Li várias dicas sobre viajar sozinha, mas de todas, a que mais me ajudou foi: hospede-se em hostels.

As pessoas que ficam em hostels geralmente são abertas e muito receptivas a conversar e interagir. Essa dica vale tanto para as mulheres que viajam sozinhas, quanto para quem vai acompanhada. 

Viajar me ajudou a perceber que fazer amizades não é esse bicho de 7 cabeças que eu costumava achar. É começar uma conversa, puxar um assunto, um simples “de onde você é?” pode ser porta para uma amizade para a vida. Ou para achar a companhia pra explorar a cidade junto. 

Seja com hóspedes, com voluntários ou com desconhecidos na rua, dali podem sair amizades incríveis. Meus melhores passeios foram os que eu estava rodeada das pessoas que conheci. Minhas melhores memórias também.

2. Menos desconfiança, mais generosidade

Lembro que logo no começo da viagem umas hóspedes que conheci me chamaram para jantar com elas, e eu logo pensei: “devem estar oferecendo por educação”

Depois delas insistirem, eu aceitei e botei só um pouco no meu prato. Elas logo disseram “menina, pega mais!”

Eu ainda pensando que era só por educação falei que não comia muito mesmo não. Até que é verdade, mas naquele dia eu estava morrendo de fome.

Com o tempo comecei a perceber que as pessoas realmente estão oferecendo de coração aberto quando oferecem. É pura generosidade, o que é bem comum em hostels, diga-se de passagem. Assim como comi da comida de alguém tantas vezes, também dividi a minha outras tantas. 

Aprendi viajando sozinha a ser mais generosa e confiar que as pessoas estão honestamente querendo dizer o que elas dizem. 

3. Se permita mudar e se redescobrir

Durante a viagem descobri coisas que amo fazer e que antes eu achava que odiaria ou simplesmente nunca tinha imaginado. Cozinhar é um exemplo. Sempre fui a pessoa que só sabia fritar um ovo e hoje amo aprender uma nova receita, experimentar um tempero novo e cozinhar junto com mais gente ou para mais gente.

 Também descobri que amo fazer trilha e ando louca para experimentar uns esportes radicais.


viajando sozinha trilhas

Isso tudo só aconteceu porque eu me permiti experimentar coisas que achava já ter uma opinião sobre. 

Descobri assim que sair da minha zona de conforto me permitiu mudar de opinião e descobrir novos hobbies e gostos. Imagina se eu não tivesse tentado?!

4. Cada viagem é única, nao compare. Viva o melhor de cada uma

Meu primeiro destino foi o voluntariado em Ilhabela, cheguei em um hostel maravilhoso e fiquei lá por 5 semanas, até mais do que tinha planejado. 

Na minha primeira experiência com a Worldpackers éramos 4 voluntários, todas as atividades eram bem organizadas e estruturadas, lá aprendi que um hostel pode ser mais muito mais que um lugar para se hospedar e honestamente não podia ter começado melhor. 

Quando me despedi de Ilhabela, parti para voluntariar em Paraty com a expectativa de ter uma experiência parecida e tão incrível quanto. Mas, logo percebi que seria bem diferente

O hostel que eu fiquei parecia mais uma pousada e quase não tinha hóspedes, o voluntariado não era muito organizado e a única outra voluntária já estava de saída. Em Ilhabela eu conhecia pessoas no próprio hostel para sair junto, cozinhava praticamente todas as refeições e tive momentos incríveis sem nem sair do hostel. 

Já em Paraty fiz muito mais passeios turísticos, conheci restaurantes, conheci mais gente que morava na cidade e tive que me virar mais sozinha. No começo, achei que não ia me adaptar e fiquei frustrada porque queria algo mais parecido com o que tinha encontrado em Ilhabela. 

No final, aprendi que: duas experiências podem ser completamente diferentes e ainda serem muito boas, cada uma por seus motivos.

5. Anote tudo, por favor!

Agora que voltei e essa viagem acabou, é muito especial e significativo ler grandes insights que tive. Confesso que algumas memórias ficaram perdidas, por que não anotei logo que aconteceram, o que me deixa frustrada.

Natály Neri tem um vídeo excelente sobre como nossa evolução não é linear e sobre como temos muito a aprender com as nossas versões passadas. Ler o que eu escrevi é sempre uma oportunidade para aprender com a minha versão do passado.

Em uma viagem onde tudo acontece tão rápido, ler o que eu escrevi me devolve detalhes que eu já teria esquecido se não tivesse guardado em palavras. Já estou planejando o próximo mochilão e dessa vez, vou escrever com muito mais frequência.


viajando sozinha paraty

6. Tudo sempre flui no final

Eu costumava ser bem organizada, ter tudo muito bem planejado e sob controle. Já saí de Salvador, onde morava, com voluntariado certo em Ilhabela e em Paraty e com bastante tempo para planejar o que viria depois. Mas, eu não tinha decidido qual a data voltaria e tudo se embolou

Eu decidi de última hora que iria para Ubatuba depois de Paraty, dois dias antes de acabar meu voluntariado. Bateu um leve desespero por não ter planejado isso antes. Mas no meio da tarde do último dia, um anfitrião do Couchsurfing me respondeu e no final deu tudo certo.

Isso não quer dizer que tudo vai dar certo e acontecer como eu quero, é muito mais sobre entender que no final vai aparecer uma saída. Se organizar e planejar com antecedência pode prevenir vários pequenos problemas, mas entender que tudo vai fluir ajuda a manter a calma para resolver os perrengues que aparecerem.

7. Se mostre curiosa, aceite o convite e flerte com o cara

Em outras palavras: viva intensamente e se permita viver tudo que tá ali para ser vivido. O sim para um convite inusitado de sair para um lugar que não é muito a sua vibe com outros hóspedes pode trazer grandes amizades e um dia bem divertido. 

Sabe o clichê sobre “viva o hoje porque ninguém sabe do amanhã”? Em viagens isso fica bem claro. Porque geralmente o que se sabe sobre o amanhã é que as pessoas que tão ali já vão embora. Aproveite para não se arrepender depois.

Falando por experiência, me arrependi diversas vezes de muita coisa que deixei de fazer, quase sempre por medo ou alguma paranóia louca, e depois não dava mais. A lição que levo sobre isso é: 

  • Me deixar ser espontânea 
  • Fazer tudo que fizer sentido no momento


8. Cada pessoa é um universo: respeite

Viajar sozinha, especialmente ficando em hostels, significa conhecer gente nova quase todo dia. Isso ajuda a perceber como existem pessoas bem diferentes no mundo, com os mais variados hábitos e costumes. 

Essa experiência ajuda a respeitar o que há de diferente em cada um e conviver com essas diferenças em harmonia.

Viajo para aprender o que não ensinam na sala de aula

Eu estava ansiosa para viajar sozinha pela primeira vez e ver, por conta própria, tudo que tinha lido sobre fazer um mochilão sozinha. Ao embarcar levei comigo um monte de expectativas e medos. 

Depois de trancar a faculdade e pedir demissão, minha expectativa, por ter arriscado tanto, era voltar transformada. Agora que voltei posso dizer com segurança que sim, foi uma das minhas melhores decisões

Percebi que muito do que eu precisava aprender não se ensina em sala de aula alguma, faculdade ou pós graduação. Viajar foi a oportunidade perfeita para me fazer encarar a escola da vida. 

Você já se jogou em uma aventura parecida ou quer aprender viajando? Deixe seu comentário aqui em baixo. Vou adorar ouvir a sua história. 



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Victória

Jan 16, 2020

Viajo para abrir a mente, ouvir histórias, perder medos e olhar para dentro. Pausei o plano perfeito - diploma, emprego e estabilidade - para desco...


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