O que fazer na Indonésia além de Bali

Praias paradisíacas, vulcões, templos e muitas opções do que fazer na Indonésia tornam o país perfeito para agradar a todos. Confira essas para sair do tradicional.


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Torisa

Ago 23, 2019

Nascida em Taiwan, criada no Brasil, morando atualmente em Taipei. Estou viajando e me mudando por esse mundão há cerca de três anos. Enfermeira, a...

O que fazer na Indonésia além de Bali

Indonésia foi um dos meus maiores erros! Eu amei visitar o país e voltaria mil vezes para explorar ele melhor, meu erro foi não ter ficado mais tempo para explorar as diversas opções do que fazer na Indonésia.

A boa notícia é que eu vou dividir com vocês a minha experiência de três semanas pelo país e dar várias dicas para que vocês possam tirar melhor proveito. Vamos lá?

Quando devo visitar a Indonésia? É caro?

A alta temporada e os meses mais caros é entre julho e agosto. Muitos dizem para evitar os meses de novembro a março por ser a época de chuvas, mas cá entre nós, eu já visitei vários países em épocas não tão recomendadas por conta da chuva e, na minha experiência, você brinca com a sorte, mas com certeza evita aquela multidão de gente.

Financeiramente, o Sudeste Asiático sempre será extremamente mais barato quando comparado à Europa, mas depois de um tempo viajando e morando na Ásia, considero essa comparação um tanto arriscada. 

No Sudeste Asiático você sempre pagará o preço de turista, ou seja, ao menos o dobro do preço normal, e com o tempo isso se torna um tanto cansativo. 

O valor em si, quando convertido para euros ou dólares, não representa muito, mas quando somamos o gasto total ao fim do dia, chega a ser um pouco frustrante e injusto. 

Eu acabei visitando o país no mês de julho, início da alta temporada e gastando um pouco mais do que havia planejado, cometendo muitos erros de turista inexperiente. Então segue lendo o artigo que vou te dar muitas dicas para gastar bem menos do que eu.

Hospedagem gratuita

Fazer work exchange é uma ótima oportunidade de conhecer melhor o país, por mais tempo, e ainda economizando um bom dinheiro. São ONGs, projetos ecológicos e hostels com vagas de voluntariado na Indonésia.

A Worldpackers conecta viajantes e anfitriões interessados em trocar algumas horas de trabalho por semana por acomodação gratuita e, algumas vezes, outros benefícios. 

Se você tem interesse em conhecer pessoas, praticar um idioma, desenvolver novas habilidades e poder ver de perto a cultura da Indonésia, confira algumas das oportunidades de voluntariado:

Locomoção no país

O país é imenso e o Google Maps engana muito! Bali em si parece ser uma ilha pequena, mas ela é enorme e requer paciência e tempo para explorá-la, ainda mais considerando que não existem muitas opções de locomoção além de pequenos ônibus, shuttles e, claro, motos. Tudo isso encarece e dificulta um pouco a logística para se movimentar pelo país.

Um pequeno exemplo: se você quiser ir de Bali para Jakarta e não quiser pegar outro avião, você precisa achar um ônibus que te leve ao porto de Gilimanuk, pegar uma balsa até Banyuwangi, um trem até Yogyakarta e um outro trem até Jakarta. A viagem ao total leva algo em torno de 30 horas ou mais, em comparação a apenas algumas horas de voo a baixo custo em companhias aéreas locais. Se mesmo assim você quiser arriscar e sentir como é atravessar o país por terra, vá apenas pela experiência, não pelo bolso.

O que vestir?

Existe uma imensa diferença entre o que é permitido vestir entre Bali e as suas ilhas ao leste ou em Java. Nas ilhas, repleto de turistas na vibe de ilhas e praias, não existem muitas restrições, olhares ou julgamentos, mas em respeito à cultura e religião local, evite perambular nas ruelas de biquíni e sunga. 

Sei que é tentadora a sensação de liberdade ao sair do mar e andar pelas suas ruas sob o calor escaldante, mas considere se cobrir com um vestidinho leve, um shorts e blusinha. Para os homens, a mesma regra se aplica, vista uma camiseta ou regata e evite andar apenas de bermuda.

Já em Java, a história muda um pouco. Ainda sem muitas restrições aos homens, para as mulheres é recomendável se vestir com discrição, modéstia e cobrindo os joelhos e ombros com peças leves e soltinhas. 

Ao contrário do que muitos imaginam, não existe uma lei que dita o que você deve ou não vestir pelas ruas, visto que muitas mulheres em Java se vestem da forma como querem e se sentem confortáveis. Mas, caso você queira visitar mesquitas e outros estabelecimentos, ao menos leve uma saia longa e um lenço para se cobrir.

Como já mencionei, a Indonésia é gigante! Pra facilitar a tua vida, vou dividir com vocês o meu roteiro de três semanas, mas lembrando que existe muito, mas muito mais a ser explorado no país.


Uma das muitas opções do que fazer na Indonésia

Confira o que fazer na Indonésia e curta o país da melhor forma:

1. Bali - Kuta, Uluwatu, Seminyak e Canggu

Cidades ao sul de Bali, mais próximo ao aeroporto, são a primeira parada de muitos que desembarcam na ilha. As cidades são extremamente turísticas, repletas de motos e vi muito mais estrangeiros do que moradores locais. Se mesmo assim você quiser explorar a região, existe de tudo um pouco para se adequar à toda preferências.

Fique em Canggu se você busca praia e tranquilidade, Seminyak para explorar os seus charmosos cafés e restaurantes, Kuta para os amantes de uma boa noite agitada após um dia de praia e surf e em Uluwatu para mais surf, praia e o famoso templo.

O meio de transporte pela região é sem sombra de dúvida a moto. Caso você não seja experiente, pode solicitar um moto táxi pelos aplicativos Grab ou Go Jek. As estradas em Bali são extremamente estreitas, cheias de curvas, inúmeros carros, motos e pequenos caminhões, cheias de areia, pedras e buracos. Considere bem o seu nível de experiência em moto, mas se mesmo assim você quiser se arriscar, dirija com cuidado!

Se você tem um budget mais limitado, recomendo ficar em Kuta ou Canggu e explorar as demais regiões durante o dia. A diária em Seminyak é o dobro do valor quando comparado a Kuta e Canggu nos hostels de menor custo.

2. Bali – Ubud

A cidade ganhou especial destaque após o filme “Comer, Rezar e Amar”, estrelado pela Julia Roberts. 

Confesso que senti um alívio enorme ao trocar o tumulto de Kuta pelo charme de Ubud. A cidade é repleta de construções históricas, pequenos templos, residências com portas lindamente ornamentadas e um centro cheio de mercados, restaurantes e cafés. 

As atrações principais são os campos de arroz Tegalalang Rice Terrace, o Templo Tirta Empul e o parque Ubud Monkey Forest. 

Recomendo no mínimo quatro dias pela região, um para explorar Tegalalang e o Templo Tirta Empul, o segundo para visitar os macacos no Monkey Forest e uma caminhada pelo vilarejo a caminho do Campuhan Ridge Walk, o terceiro para escalar o vulcão Batur e ver o nascer do sol e o último para explorar a cidade em si e aprender a barganhar no Art Market. 

Se você buscar comprar roupas, bolsas ou lembrancinhas nesses mercados, não tenha vergonha de jogar o preço lá embaixo, uma vez que elas serão oferecidas a vocês por até três vezes maior do que o valor real.

Caso você esteja com restrição de tempo, explore as demais regiões partindo de Ubud e, para isso, adicione entre dois a três dias na cidade. Os principais ônibus partem de Ubud, servindo como conexão entre o sul, norte e leste de Bali. Existem diversos pacotes de tour para conhecer outras atrações ao norte, mas vou entrar em maior detalhes logo abaixo, em Amed e Lovina.


O que fazer na Indonésia: Ubud

3. Bali – Amed e Lovina

Cidades ao norte de Bali, Amed e Lovina são extremamente tranquilas para você descansar a mente e o corpo por alguns dias. Ambas as cidades possuem praias lindas, Amed com areia vulcânica e Lovina com areia branca e fofinha.

Se você busca o melhor custo beneficio para fazer o seu curso de mergulho, Amed é o lugar certo. Pesquisando pela região, achei cursos de Open Water a partir de três milhões IDR, cerca de $220, com o benefício de mergulhar com menos tumulto e em locais de tirar o fôlego como o Liberty Wreck. 

Se você está buscando fazer o curso, pelo custo e localização, recomendo que você vá primeiro a Amed e com a certificação em mãos, você pode fazer outros mergulhos com o valor de cerca de $20 por mergulho, os chamados Fun Dives. 

Agora, caso o investimento seja grande demais, mas você ainda quer a experiência, faça o batismo, que inclui algumas horas na piscina para que você se familiarize com o equipamento e um ou dois mergulhos a partir de $50.

Amed também é o destino pra quem deseja visitar o famoso Templo Lempuyang e o Tirtagangga, localizado a apenas alguns minutos do centro da cidade. Muitos turistas visitam os templos partindo de Ubud, levando cerca de duas horas para chegar, mas caso você tenha mais tempo, recomendo passar alguns dias em Amed e explorar a região.

Outra cidade ao norte de Bali, a algumas horas de Amed, Lovina é famosa pelos seus golfinhos. As diárias dos hostels mais baratos são bem mais caras e a cidade chega a ser mais tranquila que Amed. 

Se você quiser a chance de ficar bem de perto dos golfinhos, vá durante a baixa temporada para evitar o tumulto dos barcos. É quase impossível vê-los devido ao agito e aglomerado de barcos na região, o que na minha opinião, estraga totalmente o passeio, por ser óbvio o quanto causa incômodo aos golfinhos.


Amed e Lovina

4. Nusa Penida

A menos de uma hora de viagem de barco, Nusa Penida ganhou fama pela famosa ilha em forma de T-Rex. A maioria dos turistas escolhem ficar em Nusa Lembogan, Ilha vizinha à Nusa Penida e muito menor em tamanho, mas como todas as atrações estão na ilha maior, recomendo ficar em Nusa Penida para evitar precisar pegar o barco todo os dias.

Para explorar melhor a ilha, você precisará de no mínimo três dias para visitar os principais pontos turísticos. Separe um dia para ir à costa oeste para visitar o famoso T-Rex no Kilingking Beach, o Broken Beach e o Angel’s Billabong e finalize com uma tarde fazendo snorkel em Crystal Bay até o pôr do sol. 

Você pode descer até a praia em Kilingking Beach, mas se prepare para fazer um bom exercício na subida e descida íngreme. Recomendo levar um bom par de tênis, uma vez que a escada é cheia de areia, tornando o caminho bastante escorregadio e traiçoeiro. A praia em si não é recomendável para banho pela corrente extremamente forte e ondas gigantescas, mas sempre existem pessoas que arriscam dar um mergulho em uma das poucas praias na ilha de areia branca fofinha.

No segundo dia, vá ao sul na costa leste da ilha e visite o famoso Tree House no Thousand Islands Viewpoint, o Diamond Beach e o Atuh Beach. É possível caminhar do segundo ponto ao terceiro e recomendo visitar todas as atrações logo de manhã. A maré é bastante alta e começa a baixar em torno do meio dia, então vá cedinho para aproveitar melhor a praia. 

Em Diamond Beach, a maioria dos turistas ficam ao seu topo, formam fila para fotos nos famosos balanços e ninhos suspensos, mas recomendo descer até a praia e ter a área inteira só para você. Só tome cuidado com a maré e vá depressa a Atuh Beach, a maré baixa tão rápido que em menos de três horas o mar dará espaço para uma extensa área de pedras.

Por último, tire o terceiro dia para mergulhar na ilha ou mesmo só descansar. Pode parecer bastante tranquilo, mas a ilha é imensa e o caminho para as atrações são feitas principalmente de moto em uma estrada extremamente estreita, cheia de curvas, buracos, pedregulhos e areia, tornando o percurso um tanto tenso e cansativo. Se você não tiver experiência pilotando uma moto, recomendo que contrate alguém para te levar aos locais com segurança na moto, ou junte algumas pessoas e divida um motorista com carro.


O que fazer na Indonésia: Kilingking Beach

5. Ilhas Gili Trawangan, Gili Meno e Gili Air

A cerca de duas horas de fast boat de Bali, encontram-se as famosas ilhas Gili Trawagan, Meno e Air. A mais badalada, com mais turistas e vida noturna é a Gili T, seguida de Gili Air e por último a Gili Meno. 

As duas últimas são destinos mais comuns para quem busca sossego, meditação e yoga, tornando-as populares entre casais em lua-de-mel. Recomendo ficar em Gili T, se você, como eu, se entedia com facilidade, mas não deixe de visitar as demais ilhas durante o dia. 

As ilhas são tão pequenas que é possível caminhar em volta de cada uma delas em cerca de duas horas. Você verá pouquíssimas motos, que são substituídas por muitas bicicletas e charretes a cavalo.

Visitar as ilhas sem fazer um mergulho ou snorkel é impossível! Existem inúmeros pontos de mergulho em volta das três ilhas, com grande diversidade de corais, peixes, tubarões, tartarugas e moreias. 

Repleta de escolas de mergulho, visite quantas você precisar e opte pelo o que lhe apresenta melhor custo beneficio e não deixe essa oportunidade passar! Mergulhar em Gili T foi uma das melhores experiências da minha viagem, onde os 40 minutos passaram em um piscar de olhos.

Ao leste das ilhas encontra-se Lombok, destino de muitos que buscam mais sossego e muito contato com a natureza. É em Lombok que está o segundo vulcão mais alto da Indonésia, o Rinjani. Devido aos terremotos que ocorreram em 2018, o acesso à ilha ficou fechado por quase um ano, retomando às atividades apenas há alguns meses. 


Mergulho nas ilhas Gili

6. Yogyakarta

Deixando as ilhas paradisíacas e a caminho de conhecer um pouco de Java, não deixe de descobrir Yogyakarta, também conhecido carinhosamente como Yogya. Se a capital do país, Jakarta, é o centro político e econômico, Yogya é a alma de Java.

Repleta de atividades culturais, museus e famoso por seus templos, com destaque para o Prambanan e Borobudur. É possível comprar o ticket de ambos templos por cerca de $40, mas evite visitar ambos no mesmo dia, uma vez que cada templo encontra-se em direções opostas ao centro da cidade. 

Borobudur é o queridinho para aguardar o nascer do sol, então chegue cedo para garantir uma bela vista e vá com calma para perambular o imenso complexo durante o restante do dia. Ambas atrações são facilmente acessíveis de transporte público, que funciona surpreendente muito bem com pontualidade e de acordo com as instruções do Google Maps.

Após reservar dois dias para explorar os templos, não deixe de conhecer Yogya em si. Alugue uma bicicleta e vá descobrir a área rural da cidade, os seus pequenos vilarejos, a simpatia do povo indonesiano, a sua culinária e o quão educado são as suas crianças. Volte ao centro, visite Kraton, o Palácio do Sultão e Taman Sari e finalize o seu dia explorando as lojas em Malioboro.


O que fazer na Indonésia:  Yogyakarta

7. Jakarta

Capital da Indonésia e centro econômico e político do país, Jakarta é dinâmica e repleta de atividades culturais. Seja a sua estadia apenas de passagem ou proposital, não deixe de reservar ao menos dois dias para explorar a cidade.

Jakarta Pusat ou Central Jakarta é onde se encontram as principais atrações e marcos históricos. Indispensável visitar o Merdeka Palace, o Museu Nacional, a Mesquita Istiqlal e o Monumento Selamat Datong. 

Se você conseguir passar por todos esses destinos durante o dia, finalize com uma ida ao Parque National Monument, próximo à estação Gambir, e relaxe com a vista do famoso obelisco Monas, construído em símbolo da independência do país da Holanda.

Ao norte da cidade encontram-se inúmeros parques de diversões e aquáticos e, se você tiver um dia extra, é possível sair do tumulto da cidade, pegar um barco em Ancol Bay e visitar uma das dez ilhas a curta distância de Jakarta, sendo a The Thousand Islands a mais famosa de todas. 

Ainda ao norte, não deixe de visitar o Old Town de Jakarta, Kota Tua, repleto de museus, eventos históricos e charmosas ruas repletas de cafés e restaurantes. Na praça central é possível alugar uma das diversas bicicletas coloridas e explorar a região.


Jakarta

A Indonésia é repleta de camadas, história, cultura e áreas inexploradas. Eu amaria ter meses para desvendar cada canto desse país maravilhoso. Três semanas definitivamente não foram nem perto de ser o suficiente para conhecer a Indonésia, mas foram, de fato, o necessário para garantir a promessa de que voltarei para conhecer mais desse lugar paradisíaco. 


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Torisa

Ago 23, 2019

Nascida em Taiwan, criada no Brasil, morando atualmente em Taipei. Estou viajando e me mudando por esse mundão há cerca de três anos. Enfermeira, a...


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