Minha mensagem de fim de ano para os worldpackers

Esse ano foi daqueles, hein? Tantas coisas aconteceram. Fizemos muitas viagens, mas muitas outras ainda estão por vir. O que você aprendeu esse ano?


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Juliana @virandogringa

Dez 28, 2018

Engenheira, tradutora e autora do Virando Gringa, segue lá! Gosta de falar de viagem muito barata (mochilão), dicas de intercâmbio e é uma caçadora...

Viajante Juliana Arthuso

Acho que não sou a única quando digo que 2018 foi um ano daqueles! Muitas amigas e amigos me falaram que suas vidas estavam mudando. 

Pelo menos para mim foram várias transformações. No mesmo ano fui demitida, consegui um novo emprego, terminei um relacionamento de quatro anos, mudei de cidade e fiz um mochilão de dois meses. É coisa pra caramba, né? :)

Vamos começar pela viagem, claro! Em 2018, resolvi dar uma passeada pelo Brasil. No meio das viagens, usei minha membership da Worldpackers pra conhecer Goiás e depois Minas Gerais

Me aprofundei um pouco mais no Brasil e América do Sul, já que minhas viagens começaram pela Europa e eu me sentia uma filha desnaturada por conhecer pouco do continente.

Em Goiás fui pra cidade de Alto Paraíso, pra voluntariar no Instituto Biorregional do Cerrado. Em Minas, fui pra Belo Horizonte num hostel chamado Quintal do Mundo. Se quiser saber mais sobre as experiências e os hosts pode mandar uma mensagem privada, ou me seguir no @virandogringa. ;)

Antes de ter feito as experiências no Brasil, passei pelo Peru e fiquei um período em Sampa. Nesses dias sozinha andando por aí percebi o que já sabia, mas tinha esquecido: viajar nos ensina lições muito valiosas. 

Às vezes a gente esquece o que é fundamental pra nossa vida quando mergulha na rotina. Acho que é por isso que viajar é tão importante, renovar o local ajuda a renovar o espírito. 

Por isso estar em movimento me faz ser quem eu sou, pois estou mesmo sempre mudando.

Ou pelo menos me mostra minha versão preferida de mim mesma, me ajuda a aprimorar sempre. 

Toda vez que estou descobrindo um lugar novo, pode ser ali na esquina, me sinto energizada, fortalecida, curiosa. Me sinto energizada porque estou descobrindo lugares novos, aprendendo a me localizar em uma cidade completamente nova, às vezes fazendo isso em outro idioma. 

Isso é motivador porque aguça a curiosidade, ao mesmo tempo que te põe no seu lugar, te faz ver que existem milhões de pessoas parecidas com você por aí vivendo, mesmo que não entendam uma palavra do que você diz. E tá tudo bem, dá pra comunicar do mesmo jeito. Me sinto forte porque supero desafios, me viro sozinha, me enfio em qualquer beco e fica tudo bem.

Viagens também me trouxeram humildade pra perceber que minha conclusões sobre o mundo eram limitadas. Não erradas, veja bem, limitadas. E tá tudo bem. 

Eu sempre fui nerd, daquelas alunas que era obcecada por ser a melhor. Tinha gastrite porque ficava mal quando não ia bem na escola e depois na faculdade. Em 2011, quando fiz minha primeira viagem pra fora do Brasil, percebi que tinha tanta coisa que eu nunca tinha visto na vida. Tanta coisa que eu não sabia. Tanto lugar que eu não conhecia. E isso não era ruim. Na verdade hoje eu sei que isso é demais! 

A infinidade de coisas que podemos aprender viajando mundo afora é o que me motiva a viajar hoje! 

Quando você tem interesse em saber mais pelo mundo, pode aprender mesmo dentro de casa e não tem problema nenhum nisso, mas quando você sai pra ver o mundo com seus próprios olhos e tirar suas próprias conclusões, a transformação é muito mais profunda. Arrisco dizer que é também mais rápida, mas isso depende da pessoa.

Me diz aí o que prefere: ler como é a China ou ir até a China?


eu na Muralha da China!

Fora isso tudo de aprendizado e curiosidade, viajar também é uma forma de olhar pra dentro. Nas longas caminhadas e pedaladas que dei por aí descobrindo cidades, desde o interior da Holanda até uma com milhões de pessoas, tipo Pequim, estava sempre conversando comigo mesma. Percebendo meus limites, observando o andar, gestual e o modo como me relacionava com as pessoas que cruzavam o caminho. 

Percebi que tem milhares de pessoas no mundo inteiro que tiveram a mesma curiosidade que eu, a mesma vontade de ver as coisas com os próprios olhos. Muitos viajantes que encontrei estavam na mesma jornada de auto-conhecimento e queriam interagir com novas pessoas também! 

Da mesma forma, milhões de pessoas estão terminando namoros mundo afora e se virando. E tá tudo bem. Por mais que pareça algo meio abstrato, essa observação foi um ponto fundamental para que eu conseguisse superar o fim do namoro de quatro anos que falei lá no começo. 

Todo fim é uma quebra, um trauma, mesmo que seja um término pacífico e cheio de amizade. Foi legal estar viajando enquanto passava por esse processo, porque me deu bastante tempo pra clarear as ideias, pensar no futuro e ver a vida de novas formas. Outra coisa que ajudou muito a superar foi conhecer pessoas. Muitas pessoas. 

Cada pessoa que conheci viajando me ensinou alguma coisa. Alguns ensinamentos são mais poéticos, outros são só coisas práticas da vida, mas todos são valiosos. Existem até aquelas pessoas que te ensinam ao contrário. Sabe quando você olha pra alguém e pensa: "agora eu sei o que NÃO fazer"!? Pois é, em viagem rola isso também.

Nesse texto trago as coisas boas que aprendi viajando e levei pra vida

Conheci uma menina austríaca que respondia quase tudo com "we'll see", que pode ser traduzido como "vamo vê", "a gente vai ver" ou simplesmente "veremos". Um dia, de tanto ouvir isso, fui perguntar o que ela queria dizer com a frase que falava o tempo todo. Ela disse que todo mundo anda muito ansioso, a gente precisa aprender a esperar pra ver ("everyone is so anxious, people have to learn how to just wait and see"). Só isso.  Sorriu e continuou andando. Interpretei aquilo como uma pequena mensagem do universo, feita especialmente pra mim. Se era ou não era, é desimportante. O importante é que ouvi e aprendi uma lição.

Quando estudava na Holanda fiz uma amigona francesa. Ao mesmo tempo que a austríaca me mostrava que precisava esperar pra ver o que o futuro me traz, a francesa me mostrou que é preciso ter pelo menos alguns planos. 

Ela era a rainha da produtividade, uma freelancer exemplar. Aprendi e ainda aprendo muito com ela sobre como ser minha própria patroa. 

Em 2018, foi uma amiga brasileira que me ensinou que ter planos é bom, mas relaxar é fundamental pras coisas andarem, desespero não leva a nada. 

Mesmo com todas as amigas e amigos valiosos, muitas vezes me senti sozinha viajando. Tirei duas conclusões disso e vou falar pra quando você se sentir assim também:

  1. Comecei a ligar cada vez menos, sério. No começo eu achava que ia ser chato viajar sozinha. No Peru eu estava muito bem acompanhada, então quando parti pra próxima viagem sem ninguém do meu lado foi meio assustador.  O tempo foi passando e percebi que viajar sozinha tem inúmeras vantagens: eu podia acordar a hora que quisesse, fazer os passeios que quisesse, demorar quanto tempo achasse melhor no museu, no parque ou no topo de uma montanha. Não estava sozinha, estava comigo mesma. E com os milhões de outros viajantes por aí.
  2. Essa solidão não dura quase nada quando estamos viajando, e digo mais: você vai valorizar isso um dia. Quem não ama tirar um tempo pra si? Ler um livro, ver um filme, um episódio de uma série, escrever um diário de viagem...Tem coisas que a gente faz muito melhor na própria companhia. Não me leve a mal, adoro estar acompanhada! Mas também adoro ficar sozinha. Acho que o objetivo é achar um equilíbrio.

Resumindo, é bom pra gente considerar decididamente o que queremos na vida, mas também é bom estar ciente que mesmo assim há coisas que vão além do nosso controle. Por isso, é melhor aprender a viver com as nossas próprias circunstâncias presentes, tanto as que criamos pra nós, como aquelas que criam por nós.

Às vezes, é inevitável olhar para o passado e desejar que a gente pudesse mudar alguma coisa. Isso também é bom, porque mostra que somos capazes de aprender quando fazemos algo errado, pra não repetir. Porém, é bom encontrar um equilíbrio sobre quanto tempo gastamos pensando no passado.

No fim das contas, aceitar que as coisas acontecem de certo modo ajuda no crescimento emocional, porque ajuda a focar no presente, no que está acontecendo agora. 

É super legal considerar opções para o nosso futuro. Sempre olhar pra frente é um sinal de otimismo, mas adiar tudo pra um futuro perfeito hipotético não vai te ajudar a fazer sua vida acontecer no presente. Feito é melhor que perfeito.

Aceite seus erros e evite-os, com os olhos voltados para o futuro. O que está acontecendo agora deve ser seu foco. Pra mim, focar no presente é a meta de 2019. Qual a sua meta pro ano que vem?

Por mais que dê um medinho de vez em quando, por mais que seja meio difícil quebrar a casca e sair pro mundo, lembre-se sempre: vai ficar tudo bem. Do jeito que for. Porque o que aconteceu é a única coisa que poderia ter acontecido.

Vamos viajar muito ainda no que vem.


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Juliana @virandogringa

Dez 28, 2018

Engenheira, tradutora e autora do Virando Gringa, segue lá! Gosta de falar de viagem muito barata (mochilão), dicas de intercâmbio e é uma caçadora...


Gostou? Não esqueça de deixar Juliana @virandogringa saber :-)


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