Por que eu decidi tirar um ano sabático?

A resposta para essa pergunta é simples e profunda ao mesmo tempo. Nesse artigo, compartilho como foi decidir que eu precisava tirar um ano sabático.


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Tâmara

Viajando e aprendendo a viver de maneira simples.

Out 11, 2018

Uma mão segurando um globo terrestre e ao fundo paisagem de montanhas

Acredito que muitos possam se identificar com a minha situação. Eu trabalhava na mesma empresa há 4 anos. 

No começo foi sensacional, eu estava aprendendo um monte de coisas novas e me tornando independente novamente.

Após 2 anos morando na Irlanda, foi ótimo ter me recolocado no mercado logo na primeira oportunidade. Porém, eu sou uma pessoa movida a desafios e eles são extremamente necessários para que me mantenha motivada e produtiva.

Infelizmente a empresa para qual eu trabalhava estava passando por dificuldades e, além de serem quadrados em sua maneira de pensar, não podiam me promover ou mesmo me dar um aumento.

A partir do meu terceiro ano nesse emprego, eu passei a viver numa enorme zona de conforto, o trabalho se tornou robótico e entediante, mas apesar disso, eu ainda conseguia manter a minha vida confortável em São Paulo. Confesso que essa situação se estendeu por mais de 1 ano, até se tornar um fardo pesado demais.

Eu já não era mais eu mesma. Acredito ter tido algo parecido com uma crise de esgotamento.

Eu perdi o controle das minhas emoções, me afastei de colegas com os quais eu costumava almoçar todos os dias, eu estava sempre de cara feia e cheguei a ser grossa com as pessoas alguma vezes. 

Chorei no escritório mais de uma vez. Estava tudo errado.

Durante esse período de turbulências no trabalho, a minha vida pessoal também não estava lá grandes coisas. 

Quando eu parei para analisar o que eu tinha feito nos últimos 2 anos, não foi animador perceber que, basicamente, a minha vida se resumia a trabalho, casa e bebedeiras em happy hours e aos finais de semana.

Eu estava perdida, mas foi tudo parte do processo. Perceber como eu estava levando a vida foi chocante e, ao mesmo tempo, libertador.

Eu precisava tomar uma atitude ou as coisas iriam de mal a pior.

mesa de escritório com notebook, caderno de anotaçoes e planilhas

Foi quando o universo me enviou uma mensagem.

Sabe quando você acorda de manhã e não quer sair da cama para trabalhar? Você enrola, descendo o feed do Facebook eternamente, até que um anúncio me chamou a atenção.

Era sobre um workshop chamado “Tire o seu sabático” do projeto Viravolta, encabeçado pela Carol Fernandes. Ao ler a descrição, eu fiquei tentada a participar. A chamada do curso era "viaje por um ano com aproximadamente 20 mil reais". Na hora eu pensei: “O quê? Posso ir amanhã, então”.

Eu já tinha conseguido juntar essa grana, no meu primeiro ano trabalhando e morando na casa da minha mãe.

Me inscrevi, fiz o curso e saí de lá com a certeza de que viajar era a solução para os meus problemas.

O curso me proporcionou a confiança e motivação para dar o primeiro passo para sair daquela situação desagradável em que minha vida se encontrava. Eu tinha em mãos um guia com todas as dicas que alguém precisa saber para fazer um mochilão de maneira tranquila.

Eu já tinha viajado antes na vida, mas nunca como mochileira.

Como eu já comentei, eu morei em Dublin por 2 anos e fiz viagens curtas pela Europa e outras viagens de férias do trabalho do Brasil.

No momento em que eu senti que largar o trabalho e a minha vida do jeito que estava era simplesmente a coisa certa a fazer, tudo começou a fluir.

Logo após o workshop, eu fui conversar com o meu chefe e explicar o que ele já sabia, ele entendeu e me demitiu depois de 1 mês mais ou menos. Com a grana da rescisão, eu teria recursos suficientes para correr atrás do meu propósito e ver um pouco do mundo ao mesmo tempo.

A Worldpackers se tornou uma realidade a partir daí.

Eu sempre me interessei por trabalhos sociais, fiz um pouco disso na Irlanda e é algo que sempre esteve presente dentro de mim.

Como eu já havia decidido que o meu destino seria o Sudeste Asiático, entrei no site e comecei a buscar oportunidades de trabalho na Tailândia, país escolhido como o primeiro a ser visitado.

Eu encontrei duas oportunidades que pareciam se encaixar muito bem no meu perfil. A primeira era dar aulas de inglês para crianças em Bangkok e a segunda oportunidade era de ajudar em diversas atividades num hostel em Koh Pha-Ngan.

Voluntários dando aula de inglês para crianças em projetos sociais na Tailândia

Para os baladeiros de plantão, esse hostel fica na praia onde rola o Full Moon Festival.

Com isso, eu já tenho 6 semanas de trabalho em troca de hospedagem com refeições inclusas, e  a chance de aprender novas habilidades e de devolver um pouco do que a vida me deu para a comunidade. Não é o máximo?

Para mim, é simplesmente o que eu precisava para colocar minha vida nos eixos novamente.

Neste exato momento em que escrevo, eu já fiz 9 dias de trabalho como professora de inglês, aproveitei muito Bangkok e fui convidada pela dona da fundação para vir dar aulas na vila rural em que ela mora.

Já vivi muita coisa nessas quase 2 semanas de Tailândia, e no meu próximo artigo, vou relatar um pouco dessa minha primeira experiência como Worldpacker.

Fiquem ligados que vem muita coisa legal por aí.

Com carinho,

Tâmara.


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Tâmara

Viajando e aprendendo a viver de maneira simples.

Out 11, 2018


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