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Primeira vez fazendo Work Exchange? Tudo que você precisa saber para sua viagem!


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Camilla

escritora | produtora | espírito livre | exploradora de universos

Ago 19, 2018

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Então você tomou a incrível decisão de que quer, pela primeira vez, se arriscar por esse mundão fazendo intercâmbio de trabalho? Ou então está ainda em dúvida se deve ou não embarcar nessa aventura?

Eu mais do que ninguém te apoio nessa idéia, mesmo porque sou um pouco suspeita para falar, já que há 6 meses tenho me aventurado na vida de worldpacker, morando em hostels, trocando minhas habilidades por hospedagem, e mais do que isso: experimentando o que é viver de verdade, conhecendo gente do mundo inteiro, compartilhando histórias, sentindo outras culturas, tudo isso não tem preço e é o que faz a jornada ser única.

Mas deixa eu ver se eu adivinho o que está passando na sua cabeça nesse momento...

Seu coração está dizendo para você se jogar, mas a mente ainda está cheia de receios e medos e colocando vários impedimentos à frente do seu sonho? Tudo bem, isso é mais do que normal!

Sair da nossa zona de conforto é difícil, e assim como você, eu também tive muitas dúvidas no início, pois querendo ou não, essa cultura de trocar trabalho por hospedagem ainda é muito recente, mas com a ajuda da comunidade, internet, da worldpackers, do artigo que você está lendo, e de muitas pessoas que tem cada vez mais compartilhado suas histórias incríveis (assim como eu \o/) fica muito mais fácil e motivador embarcar nessa aventura de forma segura, consciente e informativa. Estamos todos juntos nessas descobertas, acredite!

No post de hoje eu vou compartilhar com vocês a minha história e te dar algumas dicas para que sua primeira experiência como worldpacker seja a mais linda possível!

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Minha primeira vez fazendo Work Exchange

Primeiro quero contar um pouco sobre mim para vocês, contextualizar quem sou eu é a melhor forma de começar a dar as minhas dicas, pois muita gente acha que as pessoas que saem por aí rodando o mundo, vivendo o “nomadismo digital” e a vida de worldpacker simplesmente acordaram um belo dia e falaram “Tô indo!”, mas não é bem assim.

Bom, eu tenho 28 anos, sou paulistana, nascida e criada a vida inteira em São Paulo. Virginiana curiosa, criativa e autodidata, comecei a trabalhar muito cedo. Desde criança sempre gostei de escrever, pintar, fotografar, viajar, explorar minha veia criativa, e meus pais sempre me estimularam a isso, vim de uma família simples que desde cedo me mostrou o valor do dinheiro e do trabalho. No meu último ano da escola, por exemplo, eu não estava com a turma indo para a viagem de formatura, pois meus pais falavam que se eu quisesse ir eu precisaria ter o dinheiro para pagar, e os meus bicos que fazia vendendo cds gravados e personalizados (veia criativa gente rs) para os meus amigos de classe, não chegavam nem em 50% do valor que eu precisaria ter para bancar essa viagem.

Então internalizei que eu só conseguiria conhecer o mundo quando tivesse o meu próprio dinheiro, e não achei uma injustiça isso, mas sim super necessário pois formou o caráter e visão de mundo que eu tenho hoje, a valorização de criarmos nossos próprios sonhos e colocá-los em prática, tudo ao seu tempo. Com 18 anos eu já estava dentro de uma agência de publicidade trabalhando como designer. Saia de lá, chegava em casa e ainda sentava no computador para fazer os meus freelas. Dormir para quê, né? Passei mais ou menos uns 8 anos assim, tocando projetos pessoais, blog, freelas, com o trabalho fixo.

Em 2015 eu tomei a decisão de sair da vida de agência e comecei a trabalhar de casa. Em meio a algumas viagens aqui e ali, muitas idas e vindas, apertos e folgas, aos poucos consegui aplicar tudo o que eu aprendi ao longo dos anos nas agências, nos meus próprios projetos e freelas. Sou teimosa, lembra? Então. Insisti muito para fazer isso dar certo porque percebi ali que o meu espírito livre não conseguia mais trabalhar em nada fixo. Lembrando que isso é algo muito pessoal, e o que não fazia mais sentido para mim ainda faz para outras pessoas e tá tudo bem!

Diante desse cenário de trabalhar de casa, empreender no meu negócio, depois de muitas mudanças de apartamento em São Paulo, de praticar o desapego em diversos níveis, de devorar blogs de viagens e nomadismo digital, o coração começou a falar “vai conhecer o mundo!”, era uma necessidade que gritava de um jeito inexplicável.

Daí a sincronicidade do universo me colocou em contato com uma pessoa que estava trocando trabalho por hospedagem em um retiro espiritual que eu fiz em 2017. Foi aí que eu tive o real contato com alguém que realmente estava fazendo isso, eu não estava mais lendo um blog apenas, eu estava frente a frente com alguém que o olho brilhava ao falar do seu novo estilo de vida.

“É um sinal do universo” pensei. Com isso acabei conhecendo a Worldpackers e foi amor á primeira vista, sem brincadeira. Em um dia eu já estava super afiada desbravando a plataforma e fazendo planos. Na verdade, não eram planos muito sólidos, eu só sabia que queria fazer isso, que aquele era o momento. E fui! Entreguei meu apartamento em São Paulo, vendi minhas coisas, deixei metade com minha mãe, com amigas e embarquei no primeiro destino, Foz do Iguaçú.

Parece muito simples falando assim, né? Mas tudo isso foi um processo, todas as minhas escolhas me trouxeram até onde estou hoje, e se você consegue ouvir seu coração e as vontades que ele tem, isso já é um passo muito bom, o resto...com um pouco de planejamento conseguimos colocar em prática e é mais fácil do que você imagina. Então antes de colocar o pé no mundão existem algumas coisas que é preciso se considerar.

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1. O que eu gosto de fazer? No que eu sou bom?

O primeiro passo, antes de mais nada, é se conhecer. Pois é. Parece simples mas temos a tendência a viver tão no automático que nem sabemos de verdade o que gostamos de fazer.

Você já se perguntou o que faz o seu coração vibrar? Aquela coisa que você sabe fazer muito bem e as horas passam voando quando você está fazendo? Tipo a escrita para mim, ou até mesmo cozinhar. Não sei, pensa aí! Pega um papel e caneta e escreve as coisas que você mais gosta de fazer, envolvendo sua carreira ou simplesmente hobbys mesmo.

Suponhamos que você escreveu: “Eu adoro cozinhar para os meus amigos, cuidar do jardim, tocar violão, fazer vídeos, contar histórias para crianças...”, ótimo! Com certeza tem algum cantinho desse mundo que está precisando de alguém para fazer alguma dessas coisas aí.

A melhor parte do work exchange é você mostrar para o mundo o que sabe fazer de melhor, com brilho no olhar, com amor, e também aprender muito nesse processo. Existem três tipos de trabalho que você pode se dispor a fazer: o próprio Intercâmbio de Trabalho (Work Exchange) onde você vai trocar o que você sabe fazer, mas também existem os trabalhos ecológicos e os de impacto social, então os perfis variam muito, com certeza existe algo que se encaixe para você, por isso antes de mais nada é preciso entender o que você gostaria de fazer.

Se está planejando uma viagem longa pelo mundo, pode fazer um pouco de tudo isso, como eu tenho em mente, ou até mesmo só passar as férias de trabalho fazendo uma dessas coisas, voltar, e pronto...com certeza suas férias terá muito mais histórias para contar do que se tivesse ido para o litoral como faz todo ano, né? Fuja da rotina, se descubra, explore! A melhor escola que temos é a vida.

2. Para onde eu quero ir?

Dentro do work exchange, existem muitos perfis de viagem diferente.

Você pode ir para um hostel badalado em Copacabana mas também ficar em um casinha no campo no meio do nada. Você gosta de farra ou sossego? Mato ou cidade? Tudo isso influencia na sua decisão. No mesmo papel onde você escreveu o que gosta de fazer, faça uma lista dos lugares que adoraria conhecer, navegue pela plataforma, leia os comentários de cada hostel, de quem também já foi para lá, pesquise, pesquise, pesquise e com isso crie a sua lista da “viagem ideal”.

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3. Quem vai me receber?

Depois de saber o que você gosta de fazer e para onde você quer ir é importante saber quem vai te receber. Se tem uma coisa que se aflorou muito em mim desde que decidi embarcar na vida de viajante, é a minha intuição.

Dentro da worldpackers você consegue trocar mensagens com os anfitriões, donos de hostels, etc. E essa é uma das partes mais importantes para mim! Já conversei com algumas pessoas que nem se deram ao trabalho de me conhecer de verdade, apenas falaram “venha!” e isso me deixa um pouco insegura, afinal eu estou indo passar dias, semanas, meses, morando e trabalhando junto àquela pessoa, então é importante o conhecimento ser mútuo e tudo ficar bem claro, para não chegar no lugar e rolar algum tipo de decepção, sabe?

Como já falei anteriormente, eu sou curiosa (e virginiana teimosa), então além de trocar mensagens pela plataforma, eu peço o telefone, skype, ligo, fico conversando, sentindo a vibe da pessoa, do tom da voz, falo bastante sobre mim também, isso faz toda a diferença. Os destinos que fiz e quero fazer por enquanto ainda são os brasileiros, um lugar que querendo ou não, é onde todos falam a minha língua, me sinto mais segura, etc... mas já pensou se você vai parar em um lugar do outro lado do mundo e a pessoa não te recebe muito bem? Então. Por isso esse “pré-contato” todo é bem importante, tem que dar “match”, rs.

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4. E o dinheiro?

Muitas pessoas vão adiando a vontade de conhecer o mundo por questões financeiras. “Não tenho dinheiro!” é o que eu mais escuto por aí. Bom, eu acredito que quem quer mesmo fazer algo dá um jeito, né? Pode parecer que sim, mas o dinheiro não é a única moeda de troca existente na sociedade. Abram a cabeça para isso! Você pode sim rodar o mundo, fazer work exchange, conhecer outras culturas, economizando e muito!

O próprio intercâmbio de trabalho é uma maneira de você economizar dinheiro. Poxa, quando que eu ia imaginar que poderia morar dentro de uma casinha na floresta, com comida, internet, lavanderia, moradia, meu quarto, pessoas incríveis, tudo sem precisar tirar um real do meu bolso? É o melhor dos mundos ou não é?

Claro que é necessário um pouco de planejamento financeiro, guardar um dinheiro antes de viajar, orçar passagens, meios de baratear tudo etc, ainda mais se você não é freelancer, como eu, é preciso ter esse “pé-de-meia”, mas um bom viajante mesmo é aquele que dá um jeito de fazer uma graninha extra, como falamos nesse post aqui com dicas de como viajar gastando pouco.

A verdade é: Não é preciso guardar rios de dinheiro para embarcar numa aventura de intercâmbio de trabalho, mas você tem sim que por na ponta do lápis alguns custos básicos como o de alimentação, passeios, etc, para não correr o risco de passar algum aperto. Muitas pessoas me perguntam, nas minhas redes sociais, o quanto de dinheiro juntar, e isso realmente é algo muito pessoal, vai depender do seu perfil, para qual cidade você está indo, quanto tempo vai ficar, enfim.

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5. Pratique o desapego

Há alguns anos eu já venho praticando o desapego e me identificando muito com um estilo de vida mais minimalista. Uma coisa é certa: Se você vai embarcar em uma aventura com intercâmbio de trabalho, seja por semanas, meses, ou anos, é preciso preparar a mente para abraçar esse estilo de vida.

Deixa a energia nova fluir! Desapega sim! É um processo libertador. Antes de me assentar por aí em algum canto e construir a minha casinha na floresta, eu tenho viajado apenas com uma mochila de 50 litros nas costas, uma bolsa com meu notebook e equipamentos fotográficos, e só. Sim, essa é a minha casa hoje e vivo muito bem com ela.

Prepare-se para dividir o espaço com pessoas que você não conhece, dormir em quartos compartilhados, ouvir histórias do mundo todo, preparar jantares comunitários, compartilhar, dividir, e literalmente...viver com pouco. Pode parecer uma realidade muito absurda e utópica para alguns, mas na minha opinião viver com pouco é o que nos torna realmente ricos, afinal o melhor da vida não são coisas. É muito mais enriquecedor SER do que TER, e essa experiência toda tem me tornado um ser muito mais rico e consciente, em termos planetários mesmo, com absoluta certeza.

Por isso a última dica que dou é essa, pratique o desapego. Ao longo da vida acumulamos tantas coisas, muitas delas desnecessárias...por isso começa dando aquele tour pelo seu guarda-roupa, doando o que você não usa mais, medite sobre suas intenções, pensa nas mudanças de hábito que você já pode ir aplicando para causar um impacto melhor no planeta e lembre-se que vida é movimento. Precisamos estar sempre em movimento, e isso vale para livros, roupas, coisas também. Tire do seu ambiente tudo o que não lhe serve mais e isso vai abrindo espaço para o novo, o leve, as energias boas. Para se inspirar, assistam o documentário Minimalist na Netflix!

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É isso!

Espero que minhas dicas tenham te ajudado de alguma forma! Eu tenho me tornado, realmente, outra pessoa depois que embarquei nessa jornada de intercâmbio de trabalho e acho que todos deveriam, pelo menos uma vez na vida, viver algo parecido. É genuinamente transformador!

Acompanhem minhas aventuras e mais dicas sobre bem-estar, autoconhecimento, viagens, lá no meu blog e compartilhem as dicas de vocês através do twitter da Worldpackers!


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Camilla

escritora | produtora | espírito livre | exploradora de universos

Ago 19, 2018


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